Celac: Cuba pede fim do bloqueio americano

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Via AFP

O presidente cubano, Raúl Castro, participa da cúpula da Celac, em Belén, costa Rica, em 28 de janeiro de 2015. AFP / ROBERTO SANCHEZ

O presidente cubano, Raúl Castro, exigiu nesta quarta-feira que os Estados Unidos suspendam o bloqueio contra Cuba para normalizar as relações, no primeiro encontro com seus colegas da Celac após histórico anúncio da reaproximação entre os dois países.

“O restabelecimento das relações diplomáticas é o início de um processo de normalização das relações bilaterais mas esta não será possível enquanto existir o bloqueio”, disse Castro, em seu discurso na 3ª Cúpula da Comunidade de Estados da América Latina e do Caribe (Celac), em Belén, 15 km a oeste da capital San José.

Embora a pobreza seja tema oficial da cúpula, Cuba centraliza a atenção internacional. Raúl Castro tem seu primeiro encontro com seus colegas latino-americanos desde o histórico anuncio de 17 de dezembro sobre a reconciliação entre Cuba e Estados Unidos, depois de meio século de hostilidades.

Castro recebeu a atenção internacional com suas primeiras declarações após a reunião em Havana altos funcionários cubanos e americano para o restabelecimento das relações bilaterais.

O cubano classificou o embargo como “o problema principal” que “não teve resultados” e que “deve acabar”, lembrando outras demandas da ilha, como a retirada da lista norte-americana de patrocinadores do terrorismo, a devolução do território de Guantánamo e mudanças nas normas migratórias dos EUA.

Castro reconheceu o pedido, feito na semana passada pelo presidente Barack Obama, para que o Congresso suspenda o embargo vigente desde 1962, e pediu que ele use suas “amplas capacidades executivas para modificar substancialmente a aplicação do bloqueio”.

Washington anunciou recentemente mudanças para flexibilizar as restrições a viagens de americanos a Cuba e o intercâmbio comercial, mas a maior parte das sanções só podem ser suspenSas pelo Congresso.

Foco sobre Obama e Castro

Uma das 25 declarações especiais que sairão da Costa Rica condenará o embargo mantido Estados Unidos contra Cuba desde 1962, como tem feito a Celac desde que foi criada.

“Basta do bloqueio criminoso a Cuba, que atenta contra toda a carta da OEA, atenta contra a carta fundamental das Nações Unidas, atenta contra o direito internacional e contra todos os princípios que seus discursos dizem defender”, disse em discurso o presidente do Equador, Rafal Correa, que receberá na quinta-feira a presidência do bloco.

Ao chegar ao aeroporto, o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou que o bloqueio “terá que desaparecer”.

Em seu discurso, Raúl Castro agradeceu o apoio da Celac contra o bloqueio e reiterou seu desejo de assistir a Cúpula das Américas, nos dias 10 e 11 de abril.

Mais perto da China

Os mandatários debaterão o combate à pobreza, em um momento em que o fraco crescimento econômico na América Latina, que a Cepal projetou em 2,2% neste ano, ameaça os avanços da última década. Dos 600 milhões de latino-americanos cerca de 48% era pobre em 2002 e nos últimos dois anos se estagnou em 28%.

Para os governos da Costa Rica e do Equador, o caminho era se aproximar de países como a China, que registra taxas elevadas de crescimento econômico e disputa com os Estados Unidos sua influência na América Latina.

“Estou convencido de que a Celac deve continuar consolidando sua relação com outros blocos e países estratégicos”, acrescentou Solís em seu discurso.

Sob a presidência da Costa Rica -único país centro-americano que tem relações com a China-, a Celac se aproximou da União Europeia, mas sobretudo da China, que prometeu investir 250 bilhões de dólares nos próximos 10 anos na América Latina e no Caribe.

O apoio chinês foi principalmente em empréstimos em condições favoráveis e um dos grandes beneficiados é a Venezuela, angustiada com a queda dos preços do petróleo, com a escassez e com uma inflação de 64%.

Dos 33 governantes do bloco só estarão ausentes os da Argentina, do México, do Paraguai e do Peru.

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