Por Eduardo Ruiz-Healy | Via Other News

A organização internacional Oxfam, baseada Oxford, Reino Unido, divulgou seu último relatório, intitulado Riqueza: Ter tudo e querer mais, onde adverte “que no próximo ano a riqueza do 1% mais rico da população do planeta superará a dos 99% restantes, ao menos que se reverta a atual tendência de desigualdade e concentração de riqueza”. Diz ainda que atualmente “uma de cada nove pessoas carece de alimentação suficiente, e mais de 1 bilhão de pessoas ainda vivem com menos de 1,25 dólares por dia”.
Oxfam explica que “a riqueza mundial se concentra cada vez mais nas mãos de uma pequena elite rica. Os dados do Credit Suisse revelam que, desde 2010, o 1% dos indivíduos mais ricos do mundo incrementou sua participação no conjunto da riqueza a nível mundial” acrescentando que “em 2014, o 1% possuía 48% da riqueza mundial, enquanto os 99% restantes repartiam 52%. Praticamente a totalidade desse 52% está nas mãos dos 20% mais ricos da população mundial, de maneira que os 80% só possuem 5,5% da riqueza mundial. Mantendo-se essa tendência de incremento da participação dos mais abastados na riqueza mundial, em somente dois anos o 1% será mais rico que os 99%, possuindo mais que 50% da riqueza já em 2016”.
As revelações da Oxfam não são nada novas e há muitos anos se observa que os ricos estão ficando mais ricos e os pobres cada dia mais pobres enquanto a classe média luta para não cair na pobreza. Isto acontece em quase todos os países.
Além disso, há mais de uma década que se amplia o fosso que separa os países ricos dos pobres.
Em poucas palavras, a crescente concentração de riqueza não se dá somente entre pessoas, mas entre nações.
Depreende-se desse quadro que os diversos modelos econômicos vigentes, histórica e geograficamente no planeta fracassaram para quase 99% da humanidade, e funcionaram muito bem para o 1%. O empobrecimento das maiorias se observa na maior parte dos países da América, Europa, Ásia e África. Este processo ocorre em economias de perfil diverso como os Estados Unidos, México, França, Brasil, Grécia, Venezuela, Espanha ou Reino unido.
O relatório de Oxfam ganhou projeção nos meios de comunicação porque foi publicado três dias antes do início do Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça, evento onde se reúnem os principais líderes políticos e empresariais do planeta para discutir publicamente os grandes problemas que enfrenta o mundo e, no âmbito privado, fazer grandes negócios.
Desde quarta-feira (21) até sábado, dia 24, no exclusivo centro turístico encravado nos Alpes, os representantes do 1% que se sustentam com a riqueza que produz 100% dos seres humanos estará de acordo também em manter sua posição privilegiada.
Oxalá que a maioria deles tenham a sensibilidade de ler o documento de Oxfam e atuar levando em conta as advertências contidas nele.
A situação econômica mundial é crítica e nas mãos destes senhores está a possibilidade de buscar e aplicar soluções que permitam uma melhor distribuição da riqueza no mundo.
Se estes empresários e líderes políticos insistirem em ignorar o crescente problema da desigualdade, que não se queixem depois da proliferação da violência, delinquência e do terrorismo que em maior ou menos grau são produto da pobreza.
Tradução: Rennan Martins
