Arquivo mensais:dezembro 2014

Porto de Mariel: o que tucanos e aliados têm a dizer sobre isso?

Por José Augusto Valente | Via Carta Maior

A cada dia que passa, fica mais claro o que representavam as candidaturas presidenciais em 2014. De um lado, Dilma com visão de estadista, com protagonismo internacional, com independência em relação aos EUA e com um programa progressista.

Do outro lado, candidaturas de Aécio e Marina navegando ao sabor de ventos e correntes conservadoras, pensando no imediato, sem visão estratégica, com projeto de dependência aos EUA e com programa conservador e, em alguns casos, reacionário.

Um dos pontos que marcou esse confronto foi o financiamento de empresa brasileira, pelo BNDES, para construção do Porto de Mariel, em Cuba.

Neste vídeo de campanha, que foi ao ar no dia 25/9/2014, Aécio comete duas barbaridades: mentir sobre o financiamento da obra do Porto de Mariel, em Cuba, dizendo que se destinava ao governo cubano, quando o destino era a empresa brasileira Odebrecht; mostrar uma situação de caos portuário brasileiro inexistente, para “justificar” que o governo brasileiro priorize investir aqui e não lá.

O ataque ao financiamento da Odebrecht, na construção do porto, mostrou a pequenez daquele que se apresentava como projeto de estadista. O que estava em jogo, nesse ataque à Dilma, era consolidar sua posição com a direita conservadora que consegue ser mais realista do que o rei.

Sim, nos EUA, o empresariado quer as relações comerciais com Cuba e elas já ocorrem há tempos. Com o impedimento – para Cuba – de fazer suas trocas comerciais com crédito para pagamento a prazo. Tem que ser tudo à vista, por causa do embargo que, acredito, será suspenso em breve.

Se o empresariado dos EUA é a favor de relações comerciais com Cuba, o que impede então a suspensão do embargo? Pelo que pude apurar, quem não aceita a suspensão é a colônia de cubanos que mora nos EUA, que tem muito voto.

Na banalização ideológica desse tema, Aécio mostrou que não seguiu, sequer, a avaliação da FIESP, que congrega uma boa parte do empresariado brasileiro.

Para fundamentar o que estou escrevendo, ouça o que disse Thomaz Zanotto, diretor de infraestrutura da Fiesp, em entrevista concedida à Record News. Nesta entrevista, Zanotto explica em detalhes por que o financiamento do BNDES à Odebrecht, para construção do Porto de Mariel, foi um golaço estratégico do Brasil.

Segundo o site da EBC, as obras no Porto de Mariel, tocadas pela Odebrecht, exigiram investimento de US$ 957 milhões, financiado pelo BNDES. Do montante, US$ 682 milhões foram aportados pelo Brasil. Como contrapartida, houve exigência de que pelo menos US$ 802 milhões do total fossem gastos na compra de bens e serviços comprovadamente brasileiros. Isso foi insuficiente para comover o candidato tucano.

A retomada das relações de Cuba com os EUA, estabelecida ontem (17/12/14) pelo presidente Obama, mostra o quanto Lula e Dilma são verdadeiramente estadistas e líderes mundiais e o quanto Aécio não é, nem nunca chegará a ser.

O que se espera, a partir de hoje (18/12), é uma declaração de autocrítica de Aécio e seus aliados, em relação às duras críticas feitas ao apoio do governo brasileiro ao porto cubano de Mariel. Terão grandeza para isso?

José Augusto Valente é especialista em infraestrutura de transportes.

Editor do jornal Estado de Minas é impedido de falar de política

Por Rafaella Dotta | Via Brasil de Fato

Censura: João Paulo Cunha, que trabalhava no jornal há 18 anos, pediu demissão após aviso de que estava proibido de falar de política.

Na terça-feira (16) João Paulo Cunha, um respeitado jornalista dos temas cultura e política, pediu demissão de um dos mais tradicionais meios de comunicação de Minas Gerais, o Estado de Minas. A notícia traz à tona a “onda de censura” implantada no jornalismo mineiro, fato comentado, documentado e denunciado por jornalistas mineiros há anos.

A demissão de João Paulo aconteceu após uma conversa entre ele e a diretoria do jornal, em que a chefia deixou claro que ele não poderia mais escrever de política. Por considerar a atitude uma manifestação de censura sobre o seu trabalho, o jornalista não aceitou continuar no cargo e pediu demissão.

“Acho inadmissível que um jornal censure seus profissionais. A luta histórica que tivemos no Brasil é para termos o jornalismo como instrumento de cidadania”, afirma o jornalista. O motivo da censura seria a sua opinião política, diferente da linha adotada pelo jornal, que segundo ele é “francamente explícita a favor de Aécio Neves”.

No artigo “Síndrome de Capitu”, publicado no suplemento semanal “Pensar” no dia 5, João Paulo criticou a recente movimentação para um golpe político, elaborado pela oposição à presidência, e defendeu a Reforma Política como “agenda prioritária para a sociedade”. “A coluna que ele escreveu deve ter desagradado interesses do jornal e de alguns políticos, que fizeram uma represália a ele”, acredita Kerison Lopes, presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais.

“Pensar continua sendo perigoso”

No estado, episódios de censura não têm acontecido apenas nas redações de jornais. A professora Beatriz Cerqueira, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT MG), foi alvo de 17 processos contra uma campanha publicitária sobre a educação mineira. Os processos foram movidos pela coligação do PSDB ao governo do estado. “Em Minas, pensar continua sendo um ato muito perigoso, quase um terrorismo contra o Estado”, afirma Beatriz.

“Infelizmente, o Estado de Minas perde qualidade e credibilidade com essa atitude”, afirmou o presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, Kerison Lopes. Ele conta que, na manhã de quarta-feira (17), dezenas de leitores e jornalistas procuraram o sindicato para dar depoimentos descontentes com a saída de João Paulo. “A gente espera que esse seja o último caso de censura da era tucana em Minas, mas talvez seja o mais emblemático, pelo que João Paulo representa para o jornalismo mineiro”.

Daniel Camargos, jornalista do caderno de política do Estado de Minas, diz que a despedida de João Paulo foi comovente. “Quando ele se despedia das pessoas formou uma imensa roda em torno dele. Todos querendo saber o que havia ocorrido. Ele explicou e a reação final de toda a redação foi levantar e bater palmas”, conta. “Hoje (17) muita gente, mas muita gente mesmo, veio de camisa branca de malha. Uma maneira de homenagear o João Paulo, que se vestia constantemente assim”.

Juarez Guimarães, professor de Ciências Políticas da UFMG, acredita que este seja o caso de censura mais simbólico dos últimos tempos. “A falta de pluralismo dos donos da comunicação de Minas Gerais é uma afronta ao princípio de liberdade que funda a história dos mineiros”.

Entrevista com João Paulo Cunha

Formado em filosofia, psicologia e jornalismo, João Paulo Cunha trabalha há 25 anos como jornalista, sendo 18 deles no jornal Estado de Minas. Atualmente, era editor chefe do caderno de Cultura, além do caderno TV, Divirta-se e do suplemento que circula aos sábados, o Pensar. Em 2011, João Paulo lançou o livro “Em busca do Presente”, com artigos publicados na sua coluna “Olhar”.

Brasil de Fato – Na sua opinião, o que motivou a censura jornalística a você?

João Paulo – O jornal, como todos, tem uma linha editorial própria, sobre a realidade política, social e econômica. Isso é legítimo. Como eu tenho uma linha de pensamento diferente, que discordava do jornal, avisaram que eu estava a partir daquele momento proibido de escrever ideias sobre política.

Pra você, é admissível que donos de um jornal ditem o que os jornalistas vão escrever?Não. Acho inadmissível que um jornal censure seus profissionais. A luta histórica que tivemos no Brasil é para termos o jornalismo como instrumento de cidadania. Ao censurar a imprensa ou o jornalista, você está tirando dele o mais importante, que é a liberdade de expressão e a possibilidade de trazer várias visões de mundo.

Sempre há denúncias de que há censura no Estado de Minas, inclusive durante as eleições. Isso realmente acontece?

Na minha área de trabalho, que é a cultura, nunca tive nenhum tipo de cerceamento com relação aos conteúdos. Mas ficou nítida nessa última eleição uma linha explícita a favor de Aécio Neves, sempre positivando as ações dele, e críticas e negativas a Dilma Rousseff. Hoje há um nítido direcionamento, que favorece Aécio.

Por que isso prejudica o jornalismo?

A base do nosso trabalho é ampliar a capacidade das pessoas de se relacionar com o mundo, para tomar suas decisões da melhor forma e viver em sociedade. Quanto mais informação ele divulga, maior o compromisso do jornal com a sociedade. Se você limita as ideias a apenas uma posição, você está impedindo que o jornalismo faça o que é sua função essencial: levar informação de qualidade, reflexão e visão de mundo plural pra todas as pessoas.

Bob Fernandes: O ibope, os brasileiros, e o Tim Maia

Por Bob Fernandes | Via Facebook

Hora do balanço. O que se acaba com o ano, o que segue de volta para o futuro.

Seguirá em cartaz o escândalo do “Petrolão”. Coisa de bilhão. Já têm uns 40 indiciados.

Quando o Supremo Tribunal abrir a lata de lixo, em fevereiro, se saberá oficialmente quem são os políticos. E se há mais partidos além do PT, PMDB, PP e PSB.

Seguirá em cartaz o “Trensalão” do metrô de São Paulo. A conta dessa gatunagem, em governos do PSDB, baterá nos R$ 800 milhões.

Nesse caso a ladroagem tem eufemismo. Chamam de “Cartel do Metrô”.

E os chamados “Mensalões”? Condenados pelo Supremo, petistas até já estão no regime semiaberto.

O “mensalão” do PT é de 2005. O “mensalão do PSDB” é de 1998. Segue na Justiça, em Minas. Esperando Godot.

O ano termina com Maluf ganhando do TSE o atestado de Ficha Limpa. E com o Supremo anulando provas da Operação Chacal e, por consequência, da Satiagraha.

Donde, um leigo tira duas conclusões.

Primeira: os 200 e tantos milhões depositados em contas no exterior realmente não devem ser do Maluf & Família. E a Interpol deve estar errada em querer prendê-lo se ele puser o nariz pra fora do Brasil.

Segunda conclusão: os negócios do Opportunity eram todos limpos, e quem cometeu crimes certamente foi a Polícia Federal.

Ainda números. Os assassinatos no Brasil seguiram na casa dos 50 mil/ano… como nas últimas décadas.

E, segundo estimativas, a grana estocada por brasileiros em paraísos fiscais continua na casa do meio trilhão de dólares.

A dívida com impostos sonegados à Receita Federal está acima do R$ 1 trilhão e 300.

Já os paulistanos devem mais de R$ 50 bilhões à Receita da prefeitura. Mas… vamos ao que importa.

Segundo o IBOPE quase 80% dos brasileiros anunciam estar “felizes” ou “muito felizes”. E 93% acreditam que terão uma vida ainda melhor em 2015.

Tudo isso faz lembrar Tim Maia e célebre frase: “Não bebo, não fumo e não cheiro. Apenas minto um pouco”.

Bom Natal. E um Feliz 2015 para todos.

Ex-quase-heroína da mídia, Venina pode terminar vilã

Via Brasil 247

“Guardem esse nome: Venina Velosa da Fonseca. Uma brasileira digna de respeito, que nos enche de orgulho”, anunciava pelo Twitter a jornalista Leilane Neubarth, da Globonews, antes de apresentá-la ao distinto público; agora, sabe-se que Venina fez dois contratos sem licitação com a empresa do ex-marido, que somam R$ 7,8 milhões; o que Leilane diria a respeito?

“Guardem esse nome: Venina Velosa da Fonseca. Uma brasileira digna de respeito, que nos enche de orgulho. Vamos falar dela na Ed. Das Seis”, anunciou a jornalista Leilane Neubarth, apresentadora da Globonews, em sua conta no Twitter, no dia 12 de dezembro deste ano.

A geóloga Venina Velosa, que, na semana passada, depôs diante da equipe do juiz Sergio Moro, no Paraná, parecia ser, aos olhos da imprensa familiar, o personagem capaz de demitir Graça Foster da Petrobras, pelo fato de, supostamente, tê-la alertado dos desvios na Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

Nove dias depois, no entanto, Venina já se vê em outra posição: não mais de estilingue, mas sim de vidraça. Ontem, o jornalista Jorge Bastos Moreno revelou que ela contratou, sem licitação, a empresa do ex-marido por R$ 7,8 milhões, em dois contratos: um de R$ 2,4 milhões e outro de R$ 5,4 milhões. Leia abaixo a nota:

Entre o mar e a terra

A direção da Petrobras insiste em chamar, em notas, a sua ex-gerente Venina Velosa de “a empregada”. Percebe-se aí uma sutil tentativa de desqualificação, que se torna mais contundente, na medida em que tenta mostrar o seu envolvimento com o caso da refinaria Abreu e Lima, por exemplo. Tentar desqualificar a funcionária não é o melhor caminho para defender-se de suas denúncias.

Mas nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Não se pode demonizá-la, nem endeusá-la, pois o foco não é ela, mas as suas denúncias. Independentemente disso, Venina tem muita coisa nebulosa também a esclarecer, como a contratação, sem licitação, da empresa Salvaterra, do hoje ex-marido, Maurício Luz, em 2004 (R$ 2,4 milhões) e 2006 (R$ 5,4 milhões), para serviços de consultoria; e também a de Nílvia Vogel como funcionária local, mas custeando sua mudança, quando exercia a representação em Cingapura. Há outros processos contra ela na empresa.

Até a Folha ridiculariza tentativa tucana de tapetão

Por Miguel do Rosário | Via Tijolaço

A tentativa patética do PSDB de tentar impedir a diplomação de Dilma Rousseff e o seu pedido, insano, de exigir que o TSE diplomasse Aécio Neves como presidente da república, causaram estupefação até mesmo na mídia pró-tucana.

Seria bom acrescentar que a tradição do tapetão, por parte do PSDB, vem de longe: afinal, o que foi a articulação para aprovar a emenda da reeleição, no primeiro governo FHC, senão um tapetão muito bem estruturado? Aprovar reeleição para si mesmo, sem fazer plebiscito, sem mudar constituinte, é golpe. Comprando votos ou não.

Confira o artigo de Bernardo Mello Franco.

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Choro de perdedor

Por BERNARDO MELLO FRANCO, na Folha

BRASÍLIA – O PSDB pediu à Justiça Eleitoral que anule os votos de Dilma Rousseff e entregue a faixa de presidente ao candidato derrotado Aécio Neves. A ação tem 54 páginas e um início espantoso. Afirma que a petista teve uma “pífia vitória nas urnas” e que sua legitimidade é “extremamente tênue”, apesar da vantagem de 3,4 milhões de votos. Por dever de ofício, continuei a leitura.

O primeiro argumento tucano é que Dilma abusou do poder político ao convocar cadeias de rádio e TV para se promover. É verdade, mas ela já foi condenada e multada por isso.

Os exemplos citados são de março, no Dia da Mulher, e maio, no Dia do Trabalho. A campanha só começou em julho, e depois Marina Silva e o próprio Aécio chegaram a ultrapassar a petista nas pesquisas. Atribuir sua reeleição a dois pronunciamentos no primeiro semestre é uma ofensa ao eleitor, que já foi punido com a overdose de exposição dos três candidatos na propaganda obrigatória.

Algumas páginas adiante, o PSDB afirma que sindicatos apoiaram a candidata do PT. É uma acusação tão ociosa quanto dizer que bancos cerraram fileiras com o tucano.

Como provas, o texto enumera outdoors espalhados por professores mineiros em endereços como a rua 33, em Ituiutaba, e a avenida Pau Furado, em Uberlândia. Se Aécio pensa ter encontrado aí a razão do fracasso em seu próprio Estado, o PT já pode gelar o champanhe para 2018.

A ação ainda enfileira irrelevâncias como a publicação de notícias simpáticas à presidente em um site oficial e o transporte gratuito de eleitores para um comício em Petrolina.

Por fim, o PSDB cita Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobras, para sustentar que Dilma foi bancada por empreiteiras corruptas. Muitas também financiaram Aécio, mas isso é o de menos. Se as denúncias forem confirmadas ao fim do processo, a oposição poderá até defender o impeachment da presidente. Tentar impedir sua posse agora, no tapetão, parece apenas choro de perdedor.

Um Estado fragmentado

Por Motta Araújo | Via Jornal GGN

Quando o PT ascendeu ao poder, em 2003, o Partido passou a agir como pobre em festa de rico, com todo cuidado para se mostrar comportado e educado, carregando no subconsciente o pavor da Casa Grande, das elites poderosas, da carga histórica do caudilhismo, das capitanias e camarilhas traquejadas que de um golpe poderiam tirá-lo do Poder. Nasceu dessa fragilidade, por ser um partido desvinculado do poder tradicional das elites, o “republicanismo” , uma postura de conferir ABSOLUTA independência a certos órgãos do Estado que, nas grandes democracias, nunca tiveram a capacidade soberana de exercer PODER POLÍTICO.

Os governos tradicionais que assumiram desde Sarney até FHC controlavam a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e em certo sentido a Justiça Federal através de cuidado nas nomeações de juízes nos tribunais superiores e da escolha política de Procuradores Gerais e Diretor Geral da Polícia.

Há uma diferença conceitual entre o PODER POLÍTICO ELEITO e o PODER ADMINISTRATIVO.

O PODER ELEITO é o único que tem legitimidade de operar Política de Estado. O poder administrativo EXECUTA a política de Estado mas jamais poderá ser a fonte dessa política, porque este não é o seu papel.

A França nos dá um exemplo admirável dessa construção de um grande Estado. Desde 1792, quando Luis XVI foi guilhotinado, a França teve doze regimes.

1. Uma República de curta duração que culminou com o Terror de Robespierre;

2. Veio em seguida, 1795, uma espécie de República constitucional sob um Diretório que durou até 1799;

3. O Diretório foi sucedido por um Primeiro Consul, Napoleão Bonaparte;

4. Napoleão se constitui como Imperador em 1804. Seu Império termina em 1814;

5. Uma Restauração Bourbon, com Luis XVIII sucedendo Napoleão, com a sequência de Carlos X, os Bourbons novamente perdem o poder em 1830 em favor de seus primos, os Orleans;

6. Luis Felipe de Orleans vai de 1830 a 1848 quando acaba a Monarquia e nasce a Segunda República;

7. Luis Napoleão, sobrinho do Imperador é eleito Presidente da República, depois se alça em Imperador como Napoleão III;

8. O Segundo Império Napoleônico vai de 1852 a 1870 quando acaba na Guerra Franco Prussiana;

9. Nasce a Terceira República, a mais longa, que vai de 1870 até sua derrota vergonhosa para os nazistas em 1940;

10. Desaparecendo a Terceira República nasce o Estado Nacional, conhecido como França de Vichy que governa apenas a metade, o sul da França, sob o Marechal Petain, que se apresenta como Chefe do Governo e não Presidente;

11. Com a derrota alemã e o fim da Segunda Guerra nasce a Quarta República de 1946 que vai até 1958, quando De Gaulle proclama seu fim; e

12. Nasce a Quinta República, a de hoje, com uma Presidência forte e um Primeiro Ministro fraco, o figurino gaullista.

Qual a razão dessa longa lista? A França sempre separou magistralmente o PODER POLÍTICO da ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. O primeiro faz política, a Administração executa a política que vem do PODER POLÍTICO.

Por essa perfeita divisão, a França SEMPRE FUNCIONOU através de tantos regimes. A ADMINISTRAÇÃO não se mete em política e o PODER utiliza a Administração de carreira, permanente, para administrar o País sob quaisquer circunstâncias.

O Brasil do PT admitiu uma inédita fragmentação do PODER POLITICO que deveria ser EXCLUSIVO DO ESTADO e não da Administração e da Justiça, corporações cujo papel não é fazer politica.

A Polícia Federal executa operações de enorme efeito político sem avisar o Governo e muito menos pedir sua autorização, o Ministério Público Federal e os Estaduais não seguem linha alguma, cada um faz o que bem entender, interferem no trânsito das cidades, na educação e saúde, determinam fornecimento de água e luz, como se esses serviços por mágica dependessem de um despacho, pior ainda, dentro dessas corporações não há um COMANDO ou uma LINHA CENTRAL, cada procurador ou delegado cria seu próprio Reinado e pratica ATOS DE ADMINISTRAÇÃO que saem só de suas cabeças.

O Poder Judiciário já entrou definitivamente na POLÍTICA, cria novas leis e extingue outras, inventa jurisprudência, aplica doutrinas exógenas. Só falta fazer politica externa.

Um País com as dimensões do Brasil é INGOVERNÁVEL com um poder completamente fragmentado e um arquipélago de ilhas de poder paralelo e ilegítimo, sem a soberania do voto popular, cada qual com sua agenda própria.

O caso do Mensalão foi emblemático, fizeram com o PT o que não se faz com um morador de rua, o Partido foi fustigado e aceitou com atitude masoquista ser açoitado, o Juiz Relator inventou doutrinas alemãs que nunca ninguém viu antes aplicadas aqui, só foi utilizada nesse caso e depois foi para o arquivo, os tradicionais princípios garantistas de nossa jurisprudência foram para a lata do lixo, na maior democracia do mundo, o Presidente sempre cuidou de controlar a Suprema Corte PARA PODER GOVERNAR, Roosevelt chegou ao desplante de tentar aumentar o numero de Juízes de 11 para 16 para poder ter a maioria dele, ninguém o chamou de ditador por isso.

Governo precisa ter força, a eleição dá legitimidade, o Governo não pode temer essas corporações como se fossem Estados Soberanos, um concurso publico não é titulo de nobreza e nem dá poder de Príncipe.

O caso dessa Operação Lava Jato é emblemático. O Judiciário, a Procuradoria e a Policia são independentes MAS em operações e processos que tem GRANDES EFEITOS POLÍTICOS, o PODER ELEITO não pode ser acuado ou acossado ou pego de surpresa. Assim é na França, nos EUA, na Alemanha. Essa preponderância do PODER ELEITO não é para seu proveito e sim para a GOVERNABILIDADE DO ESTADO, o Estado é um valor mais amplo que o interesse de um processo, o Estado é o Pais no passado, no presente e no futuro, uma operação como a Lava Jato ACUA O CONGRESSO, A PRESIDÊNCIA, LIQUIDA EMPRESAS E EMPRESÁRIOS , causa muito mais danos que benefícios para regozijo de um salvacionismo que tem custos muito mais altos que seus eventuais benefícios.

Um País por mais democrático que seja tem que ter um PODER CENTRAL com autoridade maior , o PODER EXECUTIVO corre riscos muito maiores que os outros Poderes e precisa estar mais protegido do que esses, o PODER EXECUTIVO vê o Pais como um todo, os efeitos e consequências de atos que geram repercussão em múltiplos setores.

Na França uma operação que vá por exemplo prender o presidente da TOTAL ou da DASSAULT não se faz sem consulta e aprovação do Presidente da Republica, exatamente porque quem pode avaliar o dano ao Estado é o Presidente e não um juiz isolado e um delegado de policia.

Nos EUA o empresario Marc Ruch, dono da Glencore, maior trading de commodities do mundo, fugiu para a Suíça por causa de um processo fiscal de US$300 milhões, no qual poderia ser preso, lá ficou por anos, quando sua mulher Denise passou por Nova York e foi ameaçada de prisão, o Presidente Clinton foi avisado e baixou Ordem Executiva PERDOANDO o débito fiscal e extinguindo o processo, na prática uma anistia fiscal especial, fez porque podia fazer, teve algumas criticas e o assunto se encerrou, Clinton julgou que uma prisão desse casal prejudicaria uma grande empresa que mesmo estando na Suíça era vinculada aos EUA.

A Presidente Dilma deveria ter indultado todos os réus do Mensalão, o Pais sairia lucrando.

Os danos da Lava Jato vão impactar o crescimento nos próximos anos, vão levar parte das empreiteiras à quebra, perda de milhares de empregos, essas empreiteiras eram as locomotivas de muitas PPP, concessões e obras do PAC, empresários que não estão na Lava Jato vão deixar de fazer novos negócios porque agora tudo é perigoso e arriscado no Brasil, executivos e empresários podem ser presos as 6 da manhã sem que exista processo formado, é tudo secreto antes da prisão, como fazia a NKVD ao tempo de Stalin, criou-se um clima de terror policial entre os empresários do Pais, evidentemente que os operadores da Lava Jato não estão nem um pouco preocupados com isso, só lhes interessa o processo, o resto não é problema deles, é só do País.

Brasileiro passa mais tempo na internet do que vendo TV

Por Luana Lourenço | Via Agência Brasil

A televisão ainda é o principal meio de comunicação no Brasil, mas os brasileiros já passam mais tempo navegando na internet do que na frente da TV. A informação está na Pesquisa de Mídia Brasileira 2015, divulgada hoje (19) pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

De acordo com a pesquisa, os brasileiros passam, em média, quatro horas e 59 minutos por dia usando a internet durante a semana e quatro horas e 24 minutos/dia nos fins de semana. Já a média de tempo assistindo à TV fica em quatro horas e 31 minutos/dia nos dias de semana e quatro horas e 14 minutos aos sábados e domingos.

“A diferença ainda é pequena, mas mostra uma tendência importante e que deve ser analisada. O tempo [de uso das redes] dá um parâmetro de como o brasileiro está migrando de forma consolidada para os meios de comunicação digitais”, avaliou o ministro da Secom, Thomas Traumann.

De acordo com a pesquisa, a internet é o terceiro meio de comunicação mais usado pelos brasileiros, atrás da TV e do rádio e à frente dos jornais e revistas. O levantamento, que ouviu 18 mil pessoas e traçou um perfil do consumo de informações nas diferentes mídias, apontou que 43% dos brasileiros usam a rede como meio de comunicação.

Entre os usuários da internet no Brasil, 76% acessam a rede todos os dias. O pico de uso é às 20h, tanto nos dias úteis quanto nos fins de semana. De acordo com a pesquisa, 67% acessam a rede em busca de informações ou notícias, mesmo percentual dos que dizem entrar na internet para buscar entretenimento (pergunta de múltiplas respostas).

Em relação ao grau de confiança no meio, 27% dizem confiar “sempre ou muitas vezes” nas notícias da internet, 58%, nos jornais e 54%, na televisão.

A pesquisa da Secom revela que uso da internet é mais influenciado pelas características sociodemográficas que os outros meios de comunicação. “Renda e escolaridade criam um hiato digital entre quem é um cidadão conectado e quem não é. Já os elementos geracionais ou etários mostram que os jovens são usuários mais intensos das novas mídias”, disse Traumann.

Entre os jovens com até 25 anos, 63% acessam a internet todos os dias. O percentual cai para 4% na faixa etária de 65 anos ou mais. No recorte por renda, a pesquisa constatou que entre os que têm renda familiar superior a cinco salários-mínimos, 76% acessam a internet pelo menos uma vez por semana. Por outro lado, entre os que têm renda familiar até um salário-mínimo por mês, 20% acessam a internet com a mesma frequência.

O grau de escolaridade também influencia a frequência de acesso à rede: apenas 8% dos entrevistados que estudaram até a 4ª série acessam a internet pelo menos uma vez por semana, percentual que aumenta para 87% entre os que têm ensino superior.

A Secom identificou baixo nível de participação dos internautas em consultas públicas, fóruns, enquetes e outros canais de participação promovidos pelo governo em plataformas online. “É baixo o contato direto entre o cidadão e governos ou instituições públicas. Apenas 25% dos usuários entraram em contato por e-mail, formulários eletrônicos, chats, redes sociais, fóruns de discussão ou de consultas públicas nos últimos 12 meses”, de acordo com o levantamento.

A pesquisa também constatou baixos percentuais de grau de conhecimento dos usuários da internet sobre as formas oficiais de comunicação do governo federal na web: o Portal Brasil, o site do Palácio do Planalto e o Blog do Planalto). Na pergunta estimulada, 77% dos entrevistados responderam que não conhecem o Portal Brasil “mesmo que só de ouvir falar” e 81% não conhecem o site do Palácio do Planalto. O Blog do Planalto é ainda mais desconhecido, com 85% de respostas negativas.

Segundo Traumann, o levantamento é a maior pesquisa de mercado sobre o tema e é importante para que o governo defina estratégias de comunicação e publicidade. “Temos obrigação legal e formal de usar os recursos da melhor forma, da forma mais eficiente, isso é fundamental para a nossa estratégia de comunicação”, ponderou.