Arquivo mensais:dezembro 2014

Dilma diz que Mercosul não está fechado para comercializar com outros blocos

Via Agência EFE

A presidente Dilma Rousseff, eleita personalidade latino-americana do ano pelo Grupo de Diários América (GDA), afirmou que o Mercosul não está fechado para negociações comerciais com outros países ou blocos.

Em entrevista publicada neste domingo (21) pelo jornal uruguaio “El País”, Dilma afirmou que o “projeto de integração comercial do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela) sempre levou em conta a abertura a outros países, blocos ou regiões”.

Dilma afirmou que Mercosul não está fechado para comercializar com outros blocos econômicos. EFE/David Fernández

A presidente disse ainda que a proposta de negociação com a União Europeia (UE) já está pronta.

Dilma argumentou que o Brasil e o Mercosul já exercem “na prática “o livre-comércio com a Colômbia, Peru e Chile”.

Além disso, expressou sua satisfação pela iniciativa do Chile de promover um encontro entre os chanceleres do Mercosul e da Aliança do Pacífico (Chile, Colômbia, México, Peru e Costa Rica).

O Brasil “também assinou vários acordos com o México”, explicou Dilma. Para ela, isto representa “uma base concreta para a criação de uma área de livre-comércio na América do Sul”.

Dilma, reeleita presidente em 26 de outubro, afirmou que o Brasil e México são “duas grandes nações em desenvolvimento que enfrentam desafios comuns, especialmente a necessidade imperiosa de lutar contra a pobreza e a fome”.

“Necessitamos nos coordenamos em nosso hemisfério e nos fortalecemos através de uma cooperação mais profunda”, disse.

A presidente opinou que a integração sul-americana “deve priorizar ao mesmo tempo o lado comercial e a necessidade de uma maior complementaridade produtiva, com ênfase na inovação tecnológica”.

Perguntada sobre a eficácia da coexistência de tantos blocos na América Latina, o governante respondeu que isso reflete “a rica diversidade sociopolítica de nossos países”.

“Para nós, o Mercosul representa o mecanismo de integração mais profundo que engloba os diferentes campos de coordenação política, econômica e comercial”, disse.

Por outro lado, definiu a União das Nações Sul-americanas (Unasul) e a Comunidade de Estado Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) como “instâncias de convergência política entre países sul-americanos”.

Até quando o governo vai bancar um comediante que insulta até a parteira de Dilma?

Por Paulo Nogueira | Via DCM

Em que planeta Danilo Gentili vive?

Considere esta frase que ele colocou no Twitter: “Desde quando eu era financeiramente um pé rapado, em todos os passos que tentei dar o governo esteve lá para atrapalhar, bloquear, extorquir.”

Quer dizer: ele não parece fazer a mais remota ideia de que é sustentado pelo dinheiro público.

O SBT, onde ele trabalha, simplesmente falece sem a publicidade do governo federal.

São cerca de 150 milhões de reais por ano para alimentar pessoas como Danilo Gentili, que se dedica o tempo todo a tentar destruir o governo que, afinal, garante seu emprego.

Gentili estende seu combate sem tréguas ao PT a todas as mídias. Pelo Twitter, ele escreveu nestes dias o seguinte sobre o Natal em casa de José Genoino.

“Genoino é ateu e trabalha pra uma agenda que combate a família tradicional mas quis indulto para celebrar o Natal com a família.”

É a chamada burrice desumana. Desde quando Genoino combate a “família tradicional”? Algumas das mais pungentes cenas ligadas a Genoino depois de ser preso foram protagonizadas por sua filha Miruna.

Por sua “família tradicional”, portanto.

Gentili é o clássico analfabeto político que foi intoxicado pelas ideias simplistas e arquiconservadoras de Olavo de Carvalho, o maior fabricante de imbecis do Brasil moderno.

No SBT, Gentili usa seu programa para promover causas extremamente reacionárias e, claro, atacar o PT.

Para tanto, ele vive convidando seus iguais para ampliar a propaganda direitista. Há poucas semanas, lá estava Reinaldo Azevedo.

Num tuíte no Natal, ele convidou Diogo Mainardi para vir ao Brasil para participar do The Noite. Você pode imaginar o conteúdo dessa futura conversa.

Em outro tuíte, ele diz que foi assassinado jornalista que denunciava irregularidades da prefeitura do PT.

O PT não é apenas corrupto para ele, portanto. É também assassino.

Sobre Dilma, especialmente, ele se esmera em trolagens. Num tuíte da conta de Dilma em que ela dizia que é preciso “apurar com rigor tudo de errado que foi feito”, ele acrescentou: “Comece por sua parteira.”

O estranho nisso, a rigor, não é a pregação incessante de Gentili, a campanha que ele faz em regime de 24 por 7.

O que realmente chama a atenção é que tudo isso é financiado pelo objeto do ódio de Gentili.

Gentili pode dizer o que quer, dentro dos limites da lei, é certo. E Sílvio Santos, no SBT, pode também contratar quem quiser.

Mas há um complemento: o governo não é obrigado a patrocinar alguém que diz que a parteira errou ao trazer à luz Dilma, e nem, muito menos, o dono de uma emissora que povoou seu jornalismo e até entretenimento de pessoas que visceralmente odeiam a pessoa que recebeu 54 milhões de votos há pouco tempo.

O SBT estaria fora do ar, apenas para lembrar, se o banco de Sílvio Santos não tivesse sido socorrido por este mesmo governo.

Sílvio Santos, pelas contratações que faz, deixou claro há muito tempo o que gostaria que acontecesse com o governo nestes últimos doze anos.

O que não entendo, racionalmente, é que este mesmo governo financie a ele e seus capangas como Gentili.

Venina foi braço direito de Costa em Abreu e Lima

Via Brasil 247

Ex-gerente da Petrobras foi uma das três integrantes do Conselho de Administração criado pela companhia em 2008 para administrar a refinaria de Pernambuco, alvo central da Operação Lava Jato; nessa função, ela atuou como braço direito de Paulo Roberto Costa, que presidia o conselho, além de Carlos Cosenza, atual diretor de Abastecimento; no período em que Venina esteve no conselho, a refinaria assumiu os contratos bilionários da obra que eram de responsabilidade da Petrobras, abriu concorrência com empresas investigadas na Lava Jato e assumiu contratos de R$ 4,2 milhões com a estatal Compesa; segundo Costa, o governador à época, Eduardo Campos, era um dos beneficiários do esquema de propina.

Nova personagem das últimas denúncias contra a Petrobras, a ex-gerente Venina Velosa da Fonseca fez parte de um conselho de administração criado pela companhia em 2008 para administrar a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Segundo reportagem dos jornalistas Ricardo Brandt e Fausto Macedo, do jornal O Estado de S. Paulo, ela integrou o grupo entre 7 de março de 2008 e 21 de junho de 2009.

Enquanto esteve na função, Venina atuou como braço direito de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal, que presidia o conselho. O terceiro integrante do grupo era Carlos Cosenza, atual diretor de Abastecimento. Os três passaram a ser responsáveis por contratos bilionários da obra da refinaria, alvo central da Operação Lava Jato, que eram de responsabilidade da Petrobras.

O jornal fez um levantamento com base em 70 atas – de um total de 123 – e concluiu que o conselho também abriu concorrências incluindo empresas investigadas na Lava Jato e assumiu um contrato de R$ 4,2 milhões com a Companhia Pernambucana de Saneamento de Pernambuco (Compesa), uma estatal de Pernambuco, que à época era governado por Eduardo Campos (PSB), morto em agosto em um acidente de avião.

Segundo afirmou Paulo Roberto Costa em delação premiada, Campos era um dos beneficiários do esquema de propina em contratos armado na Petrobras. O esquema, segundo ele, cobrava de 1% a 3% em propina para cada contrato. O custo inicial da obra era estimado em R$ 2 bilhões. Hoje, já ultrapassou R$ 20 bilhões e ainda não foi concluída. Sob o comando de Costa, o conselho aprovou R$ 201 milhões em aditivos contratuais para empresas investigadas e autorizou adiantamento de pagamentos milionários.

Em 11 de fevereiro de 2009, foi aprovada a transferência de 18 contratos da obra, que eram de responsabilidade da Gerência de Engenharia, para o conselho onde atuava Venina e Costa. Os contratos somavam valores como R$ 1 bilhão, 8,7 milhões de euros e US$ 4 milhões, todos com consórcios formados por empresas investigadas pela Polícia Federal, como Odebrecht, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Galvão Engenharia.

Geografia e estratégia

Por José Luís Fiori | Via Poder Global

“O Brasil terá que descobrir um novo caminho de afirmação da sua liderança e do seu poder internacional, dentro e fora de sua zona de influência imediata. Um caminho que não siga o mesmo roteiro das grandes potências do passado, e que não utilize a mesma arrogância e a mesma violência que utilizaram os europeus e os norte-americanos para conquistar suas colônias e protetorados”. J.L.Fiori, “História, Estratégia e Desenvolvimento. Para uma Geopolítica do Capitalismo”, Editora Boitempo, SP, 2014, p: 279

A geografia teve um papel decisivo na formação e no desenvolvimento político e econômico da América do Sul. Por um lado, ela permitiu e estimulou a formação de um região geopolítica e geoeconômica plana, homogênea, de alta fertilidade e de crescimento econômico quase contínuo na Bacia do Prata; mas, ao mesmo tempo, ela impediu que os países e a economia do Prata – incluindo o Brasil – se expandissem na direção da Amazônia, do Caribe e do Pacífico.

No caso do Brasil, em particular, a topografia do seu território atrasou a sua própria interiorização demográfica e econômica, e enviesou os seus processos de urbanização, crescimento e internacionalização, na direção do Atlântico. A Floresta Amazônica, com suas planícies tropicais de baixa fertilidade e alto custo de exploração, dificultou a sua própria ocupação, e bloqueou o caminho do Brasil na direção da Venezuela, Guiana, Suriname, e Mar do Caribe. O Pantanal e o Chaco boliviano, com suas montanhas e florestas tropicais limitaram a presença do Brasil nos territórios entre a Guiana e a Bolívia; e a Cordilheira dos Andes, com seus 8 mil km de extensão e 6.900 metros de altitude, obstruiu o acesso do Brasil ao Chile e ao Peru, e o que é ainda mais importante, ao Oceano Pacífico com todas as suas conexões asiáticas.

A reaproximação entre EUA e Cuba é inseparável da expansão econômica chinesa no Caribe e na América

Esta geografia extremamente difícil explica a existência de enormes espaços vazios dentro do território brasileiro e nas suas zonas fronteiriças, e sua escassa relação econômica com seus vizinhos durante quase todo o século XX, quando o Brasil não conseguiu nem mesmo estabelecer um sistema eficiente de comunicação e integração bioceânica, como aconteceu com os Estados Unidos, já na segunda metade do século XIX, depois da sua conquista da Califórnia e do Oregon, que se transformou num passo decisivo do seu desenvolvimento econômico, e da projeção do poder global dos Estados Unidos.

Todas estas barreiras e dificuldades geográficas, entretanto, adquiriram uma nova dimensão e gravidade, no início do século XXI, graças: 1- à transformação da China, do sudeste asiático, e da Bacia do Pacífico, no espaço mais dinâmico da economia mundial; 2- sua transformação simultânea, e no tabuleiro geopolítico mais relevante para o futuro do sistema mundial no transcurso do século XXI; 3- à consequente, “chegada’ econômica da China ao continente sul-americano, e ao Caribe e América Central, sobretudo depois do anúncio da construção do novo Canal Interoceânico da Nicarágua, financiado e construído pelos chineses, a um custo previsto de 40 bilhões de dólares; 4- à consequente revalorização geopolítica e geoeconômica do Caribe e da América do Sul, como tabuleiros relevantes da competição global entre os Estados Unidos e a China, e da competição regional destes dois países, com o Brasil.

Esta nova situação obriga o Brasil a redefinir, inevitavelmente, sua estratégia, e o cálculo de custos do seu próprio projeto de integração regional, incluindo a ocupação dos “espaços vazios” da América do Sul, e da “conquista” do seu acesso ao Oceano Pacífico e ao Mar do Caribe. Este tem que ser o ponto de partida do debate sobre a Unasul e o Mercosul, e sobre o fortalecimento da soberania política e econômica do continente, incluindo, como é óbvio, os países sul-americanos da Aliança do Pacífico. Mas este ponto é esquecido em geral pelos analistas, e é substituído por uma discussão sem fim sobre a “lucratividade” comercial ou financeira, do projeto e do processo da integração continental. Estes analistas não entendem ou não querem aceitar que se trata de um objetivo e de um processo que não pode ser avaliado apenas pelos seus resultados econômicos, porque envolve um jogo geopolítico e geoeconômico muito mais complexo e global.

Desta perspectiva, o recente reatamento das relações diplomáticas dos EUA com Cuba, explicita e aprofunda esta disputa pela supremacia regional. Foi uma vitória política indiscutível de Cuba e da América Latina, e também, do “internacionalismo liberal” de Barack Obama, que luta para sobreviver ao seu atropelamento pelo ultraconservadorismo dos republicanos, e de muitos dos seus próprios partidários democratas. Mas ao mesmo tempo, esta reaproximação é inseparável da expansão econômica chinesa no Caribe e na América Central, e do anúncio do novo “Canal da Nicarágua”, com 278 km de extensão, bem maior e mais complexo do que o Canal do Panamá, e com a obra programada para começar em dezembro de 2014. Uma disputa que começa no Mar do Caribe, mas se projeta e prolonga na luta pela liderança política, econômica e estratégica da América do Sul. Neste sentido, a reaproximação entre Cuba e os EUA contém um paradoxo e uma lição geopolítica, sobretudo para os países que se propõem subir na escada internacional do poder e da riqueza: uma vitória parcial, em qualquer tabuleiro do sistema provoca sempre o aparecimento de um novo desafio estratégico ainda mais complexo do que o anterior. Neste caso, foi uma vitória dos “povos latinos” e de certa maneira, da própria política externa brasileira, mas esta mesma vitória aumenta a urgência do Brasil abrir seus canais de comunicação e transporte com o Mar do Caribe e com a Bacia do Pacífico, a qualquer preço, e por mais criticada que seja a rentabilidade econômica imediata do projeto.

José Luís Fiori, professor titular de economia política internacional da UFRJ, é autor do livro “O Poder Global”, da Editora Boitempo, e coordenador do grupo de pesquisa do CNPQ/UFRJ “O Poder Global e a Geopolítica do Capitalismo”.

Crise hídrica? A Sabesp vai muito bem, obrigado!

Por Heitor Scalambrini Costa

O que acontece com o Estado de São Paulo na questão da água é um exemplo do que pode acontecer em outros estados e cidades brasileiras, segundo dados recentes publicados pela ANA (Agência Nacional de Águas). Portanto, aprender e tirar lições deste episódio poderá ajudar gestores públicos e a sociedade a não repetir os erros que foram cometidos, e conviver melhor com uma situação que veio para ficar.

A crise hídrica, como ficou conhecida, não ocorreu por uma única causa, ou por um único erro cometido, nem tampouco pela falta de chuvas – mesmo considerando que esta seca é uma das piores dos últimos 84 anos. Na verdade foi um conjunto de fatores que levou a maior cidade brasileira, sua região metropolitana e várias cidades importantes do interior do Estado a sofrerem o desabastecimento de água.

A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), empresa que administra a coleta, o tratamento, a distribuição de água, e também o tratamento dos esgotos, é uma das maiores empresas de saneamento do mundo, e uma das mais preparadas do Brasil – com um corpo técnico altamente qualificado, e dispondo de uma boa infraestrutura. Assim pode-se afirmar sem dúvida que a causa principal de tamanha incompetência foi a sua administração voltada ao mercado, voltada ao lucro, que trata a água, um bem essencial à vida, como uma mera mercadoria.

Em 1994, a Sabesp se tornou uma empresa de capital misto, com a justificativa de que vendendo parte de suas ações conseguiria mais recursos financeiros para investir nos sistemas de abastecimento de água e de saneamento. Depois de 20 anos, o controle acionário se encontra nas mãos do Estado, que detém 50,3% das ações (metade negociada na BMF/ Bovespa, e a outra metade na Bolsa de NY), ficando os 49,7% restantes com investidores brasileiros (25,5%) e estrangeiros (24,2%).

A Sabesp é a empresa outorgada para utilizar e gerir o Sistema Alto Tietê, Guarapiranga e Cantareira, destinando em tempos normais 33 m³/s para Região Metropolitana de SP. Com a persistência da falta de chuvas e clima adverso, foi obrigada a reduzir pela metade a captação (pouco mais de 16 m³/s), apesar de fazê-lo tardiamente. Assim, o que era considerado um risco remoto tornou-se uma grande incerteza. A situação chegou a um ponto tal de dramaticidade que foi perdido o controle do sistema hídrico e, agora, além da captação do volume morto dos reservatórios, em curto prazo, a população fica na dependência das chuvas.

Em 2012, em documento elaborado pela própria Sabesp para a Comissão de Valores dos EUA, era admitido que pudesse ocorrer diminuição das receitas da empresa, devido a condições climáticas adversas. Assim sendo seria obrigada a captar água de outras fontes para suprir a demanda de seus usuários. Portanto, se conhecia e se antevia uma situação que acabou acontecendo. Porém nada foi feito pela Sabesp para diminuir este risco previsível.

Por outro lado, a gestão da crise não visou resolver os problemas da população, mas sim apenas amenizar a responsabilidade da própria Sabesp, blindando o governo do Estado, cujo mandatário estava em plena campanha eleitoral para sua reeleição. Em nenhum momento a gestão da Sabesp ou o governo do Estado admitiram a gravidade da situação. Muito menos a necessidade do racionamento, da diminuição da vazão, sendo ainda negadas pelas autoridades paulistas as interrupções que se tornaram cada vez mais constantes no fornecimento da água. Por isso, o que mais abalou a credibilidade do governo foi a divulgação pela imprensa de uma gravação onde a presidente da Sabesp admitia que uma “orientação superior” impediu, durante a campanha eleitoral, que a empresa tornasse pública a real situação hídrica do Estado.

Todavia, mesmo com a tragédia anunciada, penalizando a população, a empresa e seus acionistas vão muito bem. Basta acompanhar os lucros extraordinários nos relatórios de administração dos últimos anos, que geraram dividendos generosos para os acionistas da Sabesp, ao passo que o investimento necessário não acompanhou a mesma intensidade dos lucros obtidos pela empresa.

Esta situação por que passa a população paulista e paulistana poderá se estender a outras regiões do país nos próximos anos, caso persistam a má gestão, o desperdício e a devastação de nossas florestas. É um alerta à questão da privatização dos nossos bens naturais, em particular da gestão da água, do seu controle e distribuição. Daí a premente e essencial participação da sociedade nas políticas públicas para que a gestão das águas alcance resultados positivos, e não simplesmente siga a lógica da maximização dos lucros.

Heitor Scalambrini Costa é professor da Universidade Federal de Pernambuco.

Os barões da mídia e as saudades da ditadura

Por Giovanna Dealtry | Via OP

Castello Branco, primeiro ditador do período pós-64, é cumprimentado por Octávio Frias de Oliveira, proprietário da Folha da Manhã

É muito triste que, hoje, no Brasil, não se faça mais um jornalismo político comprometido, senão com a profundidade, ao menos com a investigação dos múltiplos aspectos do mesmo fato. Tenho certeza que há vários jornalistas, inclusive nos grandes veículos de comunicação, comendo pelas beiras para que isso aconteça. Mas a realidade é que não dá mais (nunca deu, aliás) para termos três ou quatro empresas ditando quais deveriam ser os rumos do imaginário político nesse país.

Particularmente, sou totalmente favorável à exposição, apuração com rigor e, consequente, penalização dos sujeitos envolvidos com a corrupção da Petrobrás. Mas é preciso sempre voltar ao óbvio. Nós estamos discutindo esse caso livremente porque vivemos numa democracia. E quem tornou esse país uma democracia não foram os donos das grandes corporações midiáticas, como sabemos.

Vivemos em um país que se tornou uma democracia, apesar de, durante décadas, essas corporações estarem ao lado da ditadura. Se hoje é possível lermos, nos grandes jornais, reportagens com riquezas de dados, entrevistas (inclusive com torturadores) que contribuíram para o trabalho da Comissão Nacional da Verdade (CNV), também, é possível encontrar editoriais como o recente “Página Virada”, publicado, no dia 12 de dezembro, na Folha de São Paulo.

Estivéssemos nos anos 70 ou no Clube Militar, tais palavras, a respeito do relatório final da CNV, por certo, fariam sentido para uma grande parte da sociedade: “O relatório silencia, assim, sobre os crimes das organizações armadas que combateram para substituir a ditadura militar por outra, de cunho comunista.” Parece ser essa a tal “linha editorial” que vigora na grande mídia. É bom não nos esquecermos que foi desse mesmo jornal que o jornalista Xico Sá pediu demissão, depois de ter uma crônica sua não publicada – justamente, aquela em que declarava seu voto em Dilma Roussef. E estamos, aqui, falando de um jornal que tem colunistas como Reinaldo Azevedo.

A mesma “linha editorial” atingiu um dos maiores nomes do jornalismo mineiro recentemente. João Paulo Cunha, há 18 anos trabalhando no jornal Estado de Minas pediu demissão após ser “advertido” que não poderia escrever mais sobre política, em sua coluna semanal. Nas palavras de Cunha, é “inadmissível que o jornal censure seus profissionais. Ao censurar a imprensa ou o jornalista, você está tirando dele o mais importante, que é a liberdade de expressão e a possibilidade de trazer várias visões de mundo”.

De que lado, então, estaria a “censura”, esta “falta de democracia”, tão gritada a cada vez que se pede por provas consistentes dos fatos? É preciso ter estômago para ver jornalistas que, até mesmo pelo longo tempo dentro das redações, sabem de muito mais podres dos governos – não só do PT –, mas também das empreiteiras, dos envolvimentos com outros partidos, dos cartéis estabelecidos etc, mas que escolhem (ou a “linha editorial” os obriga) a olhar só para um lado. Pessoas que, como os historiadores e jornalistas já provaram, sabem que corrupção, no Brasil moderno, foi plantada e só fez crescer raízes a partir da ditadura militar. Isso justifica que o PT possa participar ativamente ou facilitar a corrupção na Petrobrás? Não, não justifica. A corrupção, envolvendo executivo, legislativo, grandes empresas públicas e privadas, vai desaparecer se o PT sair do poder? Não, não vai. Vai apenas trocar de mãos. E o ponto não seria exatamente esse, acabar com a corrupção? Ou o ponto seria, simplesmente, tirar a poder das mãos do PT?

Pelo que vi da entrevista patética da ex-gerente de Petrobrás, Venina Velosa, o jornalismo já decidiu há tempos de que lado está. E não é do lado do povo, como deveria, como seria sua obrigação moral e ética. (Só de mandar a Glória Maria pra fazer aquela entrevista, que nem da área de política é, já se notam as intenções). A grande brasileira, que “muito nos orgulha”, como declarou Leilane Neubarth, em seu twitter, disse rigorosamente nada. Não provou nada. Não mostrou uma cópia dos “milhares” de documentos e emails que tem em seu poder. De novo, a corrupção aconteceu no governo do PT, e os responsáveis têm mais que pagar perante a lei. Em especial, termos o dinheiro desviado ressarcido.

O jornalismo brasileiro das grandes empresas está interessado em investigar com afinco os outros grandes desvios de verbas que acontecem em outras áreas? Recentemente, o próprio sistema Globo noticiou assim uma matéria sobre corrupção nas forças armadas. “Empresa americana admite que pagou propina a dois militares da FAB”. Como qualquer leitor mais arguto percebe, o ônus da corrupção recai sobre a Dallas Airmotive e não sobre os oficiais que, por estarem “sob investigação”, não têm sequer seus nomes revelados. As grandes empresas de jornalismo brasileiro estão interessadas em investigar a corrupção nas licitações em São Paulo? Um dos casos mais notórios refere-se à Alstom. Envolveu, entre outras irregularidades, a compra sem licitação de doze trens durante o governo Alckimin em 2005. Não é sobre “irregularidades nas licitações” que recaem as acusações de Venina Velosa?

Notícias como essas aparecem na primeira página, e, no dia seguinte, a matéria vai para dentro do caderno. Em seguida se fragmenta em notas ocasionais, até desaparecer. Então, ninguém pode reclamar que eles não falaram sobre isso, certo? Em compensação, somos obrigados a saber todas as vezes que um dos presos do mensalão vai ao banheiro, vai passar o Natal em casa, escova os dentes etc. Mesmos direitos que qualquer outro preso tem. Pesos, espaços e ênfases diferentes dependendo do acusado, parece-me.

O meu problema, aqui, não é defender o PT, porque o PT é bem grandinho, ele que arque com as consequências de seus atos. O meu problema é com essas mega corporações jornalísticas que só fazem crescer, espraiar seus tentáculos até na área de educação. Pelo jeito, aqui no Rio, não há problema nenhum em termos a Fundação Roberto Marinho fazendo acordos com o governador Pezão, para conferir diplomas de Ensino Fundamental e Médio – os mesmos que deveriam ser oferecidos pela rede pública de ensino – se esta não estivesse sucateada. Nesse caso, parece não haver importância que o governador do Rio seja um dos principais aliados do PT.

E meu problema, como brasileira que viveu a ditadura, problema que deveria ser o nosso, é com a manutenção de uma democracia conquistada com mortes, desaparecidos e torturados. Uma democracia que, pela primeira vez desde a redemocratização, permite ao STF e à Polícia Federal trabalharem livremente, investigando o próprio executivo. O que não acontecia nos governos do PSDB. O meu problema é com um jornalismo que, grita “censura”, quando se fala em Regulação da Mídia, mas confere todo espaço ao rapaz mimado, desculpe, senador Aécio Neves, quando este se dispõe a processar twitteiros que o chamaram de cheirador.

Só para lembrar: a professora do Instituto de História, Mônica Grin, quase sofreu em julho desse ano o confisco de seus computadores de trabalho, a mando da Justiça de São Paulo. O motivo foi a denúncia, movida pelo comitê eleitoral do PSDB, de supostas calúnias que teriam partido do computador localizado na sala da professora. A falta de qualquer notificação prévia à instituição ou à professora é apenas uma das marcas de todo tom intimidador do caso.

Sem dúvida, essa foi a pior eleição que já enfrentamos desde a redemocratização, em especial, no que se refere aos ataques pessoais partindo de ambos lados. Mas, acabou. Como declarou Dias Tofolli, ministro do Supremo Tribunal Federal, não haverá terceiro turno. Vamos tratar de arrumar os problemas reais desse país, como esse passado “anistiado”, e a corrupção endêmica que envolve todas as esferas de poder, inclusive as beatificadas pelo PSDB.

Giovanna Dealtry é doutora em Literatura Brasileira pela PUC-Rio. É professora adjunta do Instituto de Letras da UERJ. Publicou, entre outros, ” O fio da navalha – malandragem na literatura e no samba” (Casa da Palavra/FAPERJ).

Petrobras tem novo recorde com produção de 2,29 milhões de barris

Por Vitor Abdala | Via Agência Brasil

Petrobras tem novo recorde com produção de 2,29 milhões de barris Arquivo Agência Brasil

A Petrobras atingiu, no último domingo (21), um recorde de produção diária de petróleo e gás natural liquefeito (GNL), com 2,29 milhões de barris. O recorde anterior era de 27 de dezembro de 2010, quando a estatal havia produzido 2,26 milhões de barris.

De acordo com a empresa, o recorde de produção foi alcançado devido à instalação de nove plataformas em 2013 e 2014, nas bacias de Santos e Campos. Além disso, houve ganhos de eficiência em plataformas antigas, que já operavam na Bacia de Campos, e de melhorias operacionais nas unidades do Norte e Nordeste.

A Petrobras também bateu recorde de produção de petróleo na camada pré-sal, ao chegar à marca de 700 mil barris diários no dia 16 de dezembro. Segundo a estatal, o resultado foi conseguido com a contribuição de 34 poços produtores. Desses poços, 16 estão na Bacia de Santos e respondem por 61% do volume total produzido. O restante (18) está na Bacia de Campos e responde pelos 39% restantes.

O petróleo é extraído do pré-sal por 12 diferentes plataformas, das quais oito atuam exclusivamente nesses reservatórios, que ficam abaixo de uma espessa camada de sal localizada sob o leito do oceano.