Por Leonor Costa | Via PSOL 50

O deputado Jair Bolsonaro, durante a sessão de ontem no plenário da Câmara / Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados
A absurda declaração feita no último dia 9 pelo deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), em um ataque desrespeitoso e aviltante à deputada Maria do Rosário (PT-RS), provocou forte indignação da sociedade e de militantes dos movimentos que lutam em defesa dos direitos humanos. O PSOL, por meio de sua militância, dirigentes e parlamentares, também vem se manifestando contra a atitude do deputado, já bastante conhecido pelas suas posições racistas, machistas, homofóbicas e fundamentalistas.
Em nota, o presidente nacional do PSOL, Luiz Araújo, afirma que a frase absurda revela os valores do deputado carioca e “se soma a dezenas de outros impropérios verbalizados noutras oportunidades contra negros, gays, lésbicas, pessoas que cumprem sentença judicial, mulheres, militantes torturados pela Ditadura Militar e pobres em geral”.
Araújo informa, ainda, que o PSOL entrou com representação contra Bolsonaro junto ao Conselho de Ética da Câmara, mas, infelizmente, até agora nada foi feito para que ele fosse punido. “Recorreremos novamente a todos os recursos cabíveis, dentro e fora da Câmara dos Deputados, para ver o mandato de Bolsonaro cassado”, ressalta a nota.
O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), em pronunciamento feito ontem mesmo, repudiou os ataques do deputado. “Nenhuma mulher ‘merece’ ser estuprada. Não podemos aceitar a permanência da prática e da cultura do estupro, vocalizada pelo deputado do PP. O PSOL já entrou mais de uma vez com representações contra Bolsonaro no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados. Esperamos que, desta vez, os parlamentares encarem o caso com a seriedade e a gravidade que ele merece”. enfatizou Alencar.
Na avaliação do líder do PSOL, deputado Ivan Valente (SP), desta vez Bolsonaro ultrapassou todos os limites. “Uma atitude absurda, machista, de gravíssima ofensa pessoal e de apologia ao crime de estupro, pronunciada por esse representante do fascismo e da tortura em plena tribuna da Câmara dos Deputados. Uma atitude covarde que envergonha o Congresso Nacional e que deve ser objeto de um processo na Comissão de Ética da Câmara por quebra de decoro parlamentar, seguido de cassação de mandato”, defendeu Valente. Segundo ele, caso a Comissão de Ética se omita mais uma vez, como fez em outras oportunidades, o PSOL deverá recorrer ao Judiciário para punir Jair Bolsonaro pela apologia ao crime de estupro. O líder também manifestou sua solidariedade à deputada Maria do Rosário.
Jean Wyllys afirmou que a Corregedoria e o Conselho de Ética da Casa “não podem mais tolerar os abusos deste deputado viúvo da Ditadura Militar”. “O que houve foi uma ofensa machista, misógena, contra uma deputada, por um deputado do qual a gente vem tolerando uma série de abusos nesta Casa. Está na hora da Corregedoria e da Comissão de Ética da Câmara tomarem providências concretas contra os abusos que esse deputado vem provocando. Toda a minha solidarieda à companheira Maria do Rosário”, defendeu ontem, em pronunciamento no plenário da Casa.
A ex-candidata à Presidência da República pelo PSOL, Luciana Genro, também defendeu que Bolsonaro tenha o seu mandato cassado por quebra de decoro parlamentar e seja denunciado por incitação ao estupro, ao ofender covardemente a deputada Maria do Rosário. Ela ainda cobrou um posicionamento duro da presidente Dilma Rousseff sobre o episódio. “Nessas horas nenhuma mulher pode se esconder. Esperamos que todas se pronunciem e ajam contra mais um crime de Bolsonaro, especialmente a presidenta Dilma”.
Leia abaixo a íntegra da nota, assinada pelo presidente nacional do PSOL.
Nota de Repúdio a Jair Bolsonaro: Cassação já!
O deputado federal Jair Bolsonaro (PP/RJ), conhecido por suas posições racistas, machistas, homofóbicas e em defesa da Ditadura Militar, protagonizou no dia de ontem mais uma agressão às mulheres, ao parlamento e à democracia brasileira. Referindo-se à ex-secretária de Direitos Humanos, deputada federal Maria do Rosário (PT/RS), Bolsonaro afirmou que não a estupraria porque ela “não mereceria”. A frase absurda revela os valores do deputado carioca e se soma a dezenas de outros impropérios verbalizados noutras oportunidades contra negros, gays, lésbicas, pessoas que cumprem sentença judicial, mulheres, militantes torturados pela Ditadura Militar e pobres em geral.
O PSOL recorreu ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados mais de uma vez contra Bolsonaro, mas o corporativismo dos deputados conservadores que compõem aquele órgão impediu que ele fosse punido. Ainda assim, não descansaremos até que este representante do atraso seja punido. Recorreremos novamente a todos os recursos cabíveis, dentro e fora da Câmara dos Deputados, para ver o mandato de Bolsonaro cassado. Sua presença na Câmara dos Deputados desonra a democracia e o parlamento brasileiro.
Luiz Araújo
Presidente Nacional do PSOL
