Por Rennan Martins | Brasília 04/12/2014

DCM/Reprodução
A Veja, Globo e cia deitaram e rolaram nas eleições. Cobriram os fatos da forma mais enviesada possível, fizeram narrativa amplamente favorável aos candidatos à direita de Dilma.
Continuam manipulando a opinião pública fazendo blindagem do claro envolvimento da oposição no propinoduto da Petrobras. Querem mesmo que acreditemos que as empreiteiras que se criaram nas asas do regime militar só passaram a articular o esquema de corrupção após a chegada do PT ao poder.
Na iminência de ser derrotada por Aécio Neves e a imprensa amiga, a campanha petista resolve guinar à esquerda e falar de regulamentação dos meios de comunicação. Esta medida tem o potencial de democratizar a imprensa abrindo espaço pra outras vozes e linhas editoriais que não as de nossa mídia tradicional, historicamente afeita as oligarquias nacionais e internacionais.
Eis que, após ser reeleita – com apoio decisivo dos movimentos sociais e da esquerda orgânica – o que nossa presidenta fez?
Escalou um homem de mercado no Ministério da Fazenda e agora a pasta das Comunicações tem como nome mais cotado Jaques Vagner, moderado demais pra peitar uma distribuição justa da verba publicitária estatal.
Ontem um dos donos da Rede Globo, João Roberto Marinho, encontrou-se com Dilma no fim da tarde. Algumas horas depois o Jornal Nacional veiculou matéria em que destacava trecho em que Paulo Roberto Costa – ex-diretor de nossa estatal e atual delator – deixava claro que não possui base pra afirmar que Dilma e Lula sabiam dos mal-feitos.
Esse verdadeiro pedido de desculpas teve um preço altíssimo: a manutenção das generosíssimas verbas públicas de publicidade para a Globo.
Posso estar errado e espero que o esteja, mas tudo indica que outra vez o PT virou as costas pra bandeira urgente da democratização dos meios de comunicação. Ter a mídia concentrada nas mãos de meia dúzia de famílias bilionárias em conluio com políticos que retransmitem regionalmente é um absurdo e distorce sobremaneira o debate público.
O lulismo não possui condições de enfrentar as concentrações de poder arcaicas que perpetuam um país ainda excludente como o nosso. O esquema de amplas concessões esgotou-se e sem enfrentar abertamente os privilégios de alguns não lograremos avanços reais.
