Arquivo mensais:novembro 2014

Bob Fernandes: “Novo” governo vai nascendo “velho”

Por Bob Fernandes | Via Facebook

Na reta final da eleição houve reaproximação da presidente Dilma com o PT e movimentos sociais. Agora Dilma está novamente recolhida.

Com o recolhimento sobram as versões. Que vazam do seu entorno, vão construindo manchetes e, assim, fazendo, refazendo ou buscando desfazer a imagem de um novo/velho governo.

Para efeito do que já está sendo contado nas manchetes, pouco importa que sejam fatos ou boatos, verdades ou mentiras.

Afinal, o que importa e importará é o que, diante do recolhimento, vai tudo se consolidando como sendo… de fato, Fato.

O que Importa é o como e quais imagens e notícias atingem corações e mentes.E o que vaza e chega é, por exemplo, que Joaquim Levy já é ministro da Fazenda e a “rendição ao mercado”.

Da forma como vazou, e deixaram que se alastrasse, Levy é o Eduard-Mãos-de-Tesoura; aquele personagem que vivia apenas para cortar o que viesse pela frente.

E Trabuco, presidente do Bradesco? Como se convida para o comando da Economia alguém que, via manchetes, já havia recusado o cargo? E Katia Abreu na Agricultura?

A imagem que dela se formou é a de “A Rainha da Motossera”. Para efeitos de comunicação não importa se essa imagem é justa ou injusta. Ela é a “Rainha…”.E ponto.

Deveria ser claro, mas não é, que o significado social e político de cada ministro é mais benéfico e profundo, ou mais desastroso e igualmente profundo, do que a leitura ligeira que se faça de fatos, ou de boatos.

Mas, para efeitos de comunicação, vazados dessa maneira tais convites configuram derrotas. Isso numa época de “derrotas” como a da Petrobras, de custos variados e ainda insondáveis.

A presidente, é evidente, enfrentará tentativas de derrubá-la. Alguns dos setores derrotados nas urnas alardeiam essa intenção diariamente, e desde o fechamento das urnas.

Diante de tanto, essa sequência inicial de trapalhadas é sinal inequívoco do erro que é o recolhimento e, novamente, o encastelamento.

A eleição reaproximou a presidência e movimentos sociais. Recolhimento e erros que prossigam em sequência podem levar a perigosa encruzilhada.

Justiça condena RJ a pagar pensão à família de Amarildo

Via Revista Fórum

Desembargadores decidiram que o Estado seja responsável pela pensão, além de custeio do tratamento médico e psicológico da família do ajudante de pedreiro morto pela polícia.

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro divulgou, ontem (25), que os desembargadores da 16ª Câmara Cível decidiram que o Estado do Rio seja responsável pelo custeio do tratamento médico e psicológico da família do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza. Além disso, a viúva Elisabete Gomes da Silva e mais seis familiares serão indenizados com pensão mensal de um salário-mínimo cada. A decisão unânime dos desembargadores foi tomada em sessão no dia 11 de novembro.

“Considerando que o desaparecimento do Sr. Amarildo se deu por ação de Policiais Militares, agentes do Estado recorrido, e que a família ficou sem aquele que provia suas necessidades materiais, resta evidente o risco de dano irreparável em razão da demora, vez que os recorrentes não podem aguardar a formação do contraditório para verem supridas suas necessidades materiais”, afirmou o desembargador Lindolpho Morais Marinho, relator do acórdão no Tribunal de Justiça.

De acordo com investigação da Delegacia de Homicídios e denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado, Amarildo foi torturado até a morte por PMs da Unidade de Polícia Pacificadora da Rocinha. Ele foi levado da porta de casa em 14 de julho de 2013 e, desde então, nunca mais foi visto. Um dos acusados presos é o major que comandava a UPP.

O episódio virou um símbolo de desaparecimentos não esclarecidos e a campanha “Onde está o Amarildo?” foi iniciada nas redes sociais. Com apoio de artistas e movimentos populares, a intenção da iniciativa era pressionar o poder público a dar mais atenção ao caso.

Justiça bloqueia R$ 100 milhões nas contas de investigados na Lava Jato

Por André Richter | Via Agência Brasil

A Justiça Federal em Curitiba contabiliza cerca de R$ 100 milhões bloqueados das contas-correntes e fundos de investimentos de investigados na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Na semana passada, o juiz Sérgio Moro, responsável pelas investigações, determinou o bloqueio das contas dos investigados e empresas ligadas ao esquema.

Nesta terça-feira (25), o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal informaram à Justiça que conseguiram bloquear cerca de R$19 milhões nas contas de Ildefonso Colares Filho e Othon Zanóide de Moraes, ligados a empresa OAS, e de Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras. Até momento, somados os valores bloqueados, desde a semana passada, nas contas-correntes pelo Banco Central ou diretamente nas instituições, no caso de fundos de investimentos, chegam a cerca de R$ 100 milhões. Os valores serão transferidos para uma conta da Justiça Federal.

O vice-presidente da Camargo Correa, Eduardo Leite, que está preso na Superintendência da PF em Curitiba, pediu hoje à Justiça o desbloqueio de suas contas. Ele alega que sua mulher e duas filhas são dependentes dele e precisam dos recursos para sobreviver. A defesa do executivo alega que o saldo de R$ 463 mil tem origem legal.

‘Prisioneiro da base parlamentar, governo tende a caminhar para mais do mesmo’ diz Chico Alencar

Por Gabriel Brito e Valéria Nader | Via Correio da Cidadania

JB/Reprodução

Após a tensa disputa eleitoral que deu novo mandato presidencial a Dilma Rousseff, o país começa a olhar para frente e vislumbrar as novas correlações de forças. Ante um Congresso altamente conservador que assumirá o legislativo, diversos atores e analistas políticos vêm afirmando a necessidade de se aumentarem as pressões das ruas nos governos. Sobre este novo período, o Correio da Cidadania conversou com o deputado federal Chico Alencar.

“Parece-me que a política institucional brasileira vive crise similar à do nosso futebol. Isso se fortaleceu em mim depois de assistir a este último ‘Fla x Flu’, no estádio/estúdio da Globo. Os conflitos sociais, o papel do Estado na sociedade, e ao longo das etapas do desenvolvimento brasileiro, passaram longe. As divergências na campanha foram muito mais retóricas do que reais”, afirmou.

Para Alencar, é evidente que o novo governo Dilma tem tudo para aprofundar a fórmula de governabilidade dos últimos anos, afirmação que faz elencando uma série de pautas políticas relevantes que ficaram praticamente excluídas dos debates, inclusive do segundo turno. Em sua visão, fica claro para os movimentos e setores à esquerda (importantes na vitória petista) que não há a mínima condição para ilusões.

“Ao falar de referendo, Dilma faz, indiretamente, um chamamento para que a sociedade e as instâncias de representação debatam a profunda crise da representação, o patrimonialismo, o clientelismo, a subrepresentação das classes trabalhadoras e as formas que reproduzem um modelo desgastado. A democratização dos meios de comunicação não apareceu na campanha porque as forças hegemônicas, no governo e na oposição conservadora, não têm interesse”, concluiu.

A entrevista completa com Chico Alencar pode ser lida a seguir.

Correio da Cidadania: Primeiramente, como você analisa a vitória de Dilma neste domingo, com a margem de votos mais estreita dos últimos tempos?

Chico Alencar: Parece-me que a política institucional brasileira vive crise similar à do nosso futebol. Isso se fortaleceu em mim depois de assistir a este último ‘Fla X Flu’, no estádio/estúdio da Globo. Os ‘craques’ Dilma e Aécio perderam vários ‘gols feitos’, talvez por orientação dos ‘técnicos’ – os marqueteiros, sempre mais voltados a ‘vender o produto/candidato para o consumidor/eleitor’.

Em nenhum momento do debate houve menção à estrutura de classes e à desigualdade social estrutural – que até o badalado e atualíssimo livro “O capital no século XXI”, de Thomas Piketty, tanto destaca. As referências históricas, que considero sempre importantes, restringiram-se à comparação entre governos tucanos e petistas, por Dilma, e ao elogio laudatório ao avô, por Aécio.

Os conflitos sociais, o papel do Estado na sociedade, e ao longo das etapas do desenvolvimento brasileiro, passaram longe. As divergências na campanha foram muito mais retóricas do que reais.

Correio da Cidadania: Faz algum sentido os setores e partidos que se colocam à esquerda do PT, muitos dos quais apoiaram o voto crítico em Dilma no segundo turno, esperarem uma guinada à esquerda do partido e alguma possibilidade de parcerias políticas?

Chico Alencar: Só se for esperar no sentido ‘paulofreiriano’, mais para ‘esperançar’, que é esperança que se constrói na luta. Esperar só de expectativa é outra coisa, mais passiva, advinda de um novo mandato que tem de reavaliar caminhos, até pelo progressivo enfraquecimento eleitoral do PT.

As opções de Dilma, infelizmente, tendem a caminhar para mais do mesmo, ‘acalmando o mercado’ financeiro, e não apostando nas forças sociais de mudança. Evidentemente, todas as propostas do governo que atenderem aos interesses das maiorias que vivem à margem dos direitos merecerão nosso apoio, como aconteceu no caso do Sistema Nacional de Participação Social, o decreto que a mídia grande deturpou como o que ‘criava Conselhos Populares’ e o reacionarismo parlamentar derrubou.

O PSOL já apresentou um Projeto de Lei recriando o Sistema, que articula essas instâncias de participação.

Correio da Cidadania: O que podemos esperar do quarto mandato petista no Planalto, ao olhar para a nova configuração do Congresso e para a atual conjuntura econômica nacional e internacional? Como ficarão as pautas associadas aos movimentos populares e progressistas nesse próximo período?

Chico Alencar: Mesmo sem avaliar em profundidade o novo Congresso – todos dizem que, apesar de 49% de novos nomes, ficará mais ‘velho’ ainda -, é possível inferir grandes dificuldades para o governo tocar as pautas populares. Até porque, reconheçamos, não se comprometeu decididamente com muitas delas.

Alguns exemplos: o questionamento ao fator previdenciário não incorporou qualquer abordagem do caráter superavitário da Seguridade Social e do desvio dos seus recursos; o enfoque ao tráfico de drogas ilícitas e à violência limitou-se ao aspecto meramente repressivo, não sendo enfatizado o fracasso mundial da política da ‘guerra às drogas’ e do proibicionismo; na educação, o ensino de tempo integral, a educação de jovens e adultos, a implementação efetiva de planos da carreira e piso salarial nacional para os profissionais da área, a democratização da gestão e as responsabilidades compartilhadas dos entes federativos ficaram secundarizados; sobre a crise hídrica, não se considerou a questão ambiental, o combate ao desmatamento, a recuperação dos rios (ativando seus comitês de bacias) e a garantia legal dos riquíssimos e maltratados biomas brasileiros.

Na política de garantia do emprego, que obviamente tem a ver com o modelo econômico, não se fez qualquer questionamento ao tripé da macroeconomia (superávit primário, juros altos e câmbio flutuante), nem defesa da auditoria da dívida e de uma Reforma Tributária com taxação das grandes fortunas; as menções à agricultura omitiram a Reforma Agrária, o fluxo dos produtos agrícolas, a concentração fundiária e os riscos da absolutização dos agrotóxicos;.

Na política internacional, o ‘embate’ restringiu-se aos investimentos do BNDES em Cuba (que, ressalte-se, o governo FHC também fez, correta e solidariamente); o unânime e óbvio repúdio à corrupção – que é sistêmica – tornou-se uma ‘olimpíada’ para destacar quem foi mais conivente com ela, em seus respectivos governos e práticas partidárias; quando se discutiu moradia, limitada a quantas casas populares são necessárias ou foram feitas, faltaram propostas sobre especulação do solo urbano, função social da propriedade, cumprimento do Estatuto das Cidades e (i)mobilidade nas regiões metropolitanas, isto é, transporte de massas.

Correio da Cidadania: E quanto à representação política e contestação do monopólio midiático, assuntos que talvez se possa relacionar mais aos protestos de junho, o que você tem a dizer?

Chico Alencar: Sobre a importantíssima Reforma Política, ressalto que Dilma defendeu a Iniciativa Popular de Lei da OAB/CNBB com suas listas com alternância de gênero e o fim do financiamento empresarial das campanhas – isso é positivo. Ao falar de plebiscito e, agora, de referendo, faz, indiretamente, um chamamento para que a sociedade e as instâncias de representação debatam a profunda crise da representação, o patrimonialismo, o clientelismo, a subrepresentação das classes trabalhadoras e as formas vigentes do fazer político, que reproduzem um modelo dominante e desgastado.

Política Cultural, demarcação de terras indígenas e quilombolas, impactos das grandes obras e avanço nas lutas contras todas as formas de discriminação (com reafirmação da laicidade do Estado) também estão na ordem do dia, e tanto o Executivo quanto o Legislativo – e, em certas situações, o Judiciário – terão que se posicionar sobre essas agendas. A democratização dos meios de comunicação (há Iniciativa Popular de Lei a respeito, a da Mídia Democrática) não apareceu na campanha porque as forças hegemônicas, no governo e na oposição conservadora, não têm interesse nisso.

Correio da Cidadania: Vê no horizonte alguma possibilidade e/ou necessidade de união das esquerdas para enfrentar o próximo período?

Chico Alencar: Vejo essa necessidade, e quero me empenhar para que ela estimule a possibilidade. Dilma está eleita e essas questões CENTRAIS para o país têm que ser enfrentadas. Só que sem mobilização popular não serão! Para não ser mais do mesmo, o governo Dilma II precisa se aproximar dos movimentos sociais. E, estes, dinamizarem sua atuação, apesar das enormes dificuldades.

Se Dilma ficar prisioneira da base parlamentar, não haverá avanço algum. Há o risco de passarmos o ano de 2015 sob a égide das apurações do ‘petrolão’, que deve fazer muitas cabeças coroadas, de diversos partidos, rolarem…

O papel das esquerdas, além de ressignificar o ideário socialista, que também vive uma crise de sentido, é estabelecer um ‘programa mínimo’ de lutas comuns, em torno das questões concretas que abordei acima.

O que o PT pode ensinar ao PSOL e o que o PSOL pode ensinar ao PT

Por Nicolas Chernavsky | Via Cultura Política

Pragmatismo Político/Reprodução

O PSOL é a oportunidade do PT olhar para seu passado e perceber que, apesar do partido ter mudado para melhorar a vida do povo, nem todas as mudanças eram necessárias; o PT é a oportunidade do PSOL olhar para o seu futuro e ter mais liberdade para construí-lo, se conseguir perceber, entre as mudanças pelas quais o PT passou, quais foram negativas e quais foram positivas.

A relação entre o PT e o PSOL é um dos tabus da política brasileira, ou seja, é um dos temas mais difíceis de serem abordados de uma forma construtiva. Em parte, isso ocorre porque o próprio surgimento do PSOL está ligado a um acontecimento traumático, que foi a expulsão de 4 parlamentares do PT que votaram contra a reforma da Previdência em 2003. Entretanto, mais além deste episódio de 2003, o significado político do PSOL está baseado hoje em dia em questões muito mais amplas. Nessa última campanha eleitoral de 2014, a questão da relação entre o PT e o PSOL se impôs com a forças dos fatos, uma vez que na polarização do segundo turno uma parte expressiva do PSOL (como por exemplo 4 dos 5 deputados federais eleitos) apoiou Dilma no segundo turno. Afinal de contas, mais além dos traumas do passado, hoje em dia, o que o PT é para o PSOL e o que o PSOL é para o PT? É possível que mantendo sua individualidade, um possa ajudar o outro? É possível uma troca de experiências entre PT e PSOL?

Como pergunta o título deste artigo, o que o PT pode ensinar ao PSOL e o que o PSOL pode ensinar ao PT? Ou seja, o que compreender o PSOL pode ensinar ao PT e o que compreender o PT pode ensinar ao PSOL?

O PT, ao longo das décadas, desde sua fundação em 1980, lançou-se à realidade de forma a modificá-la concretamente, e isso, dado o sistema político democrático vigente, passava necessariamente, especialmente, por vencer eleições para os cargos executivos, que precisam já há décadas de mais de 50% dos votos válidos. Posteriormente, o PT percebeu também que tendo o legislativo o poder de retirar o executivo do cargo (com mais de 2/3 dos votos), era necessário fazer alianças no parlamento de forma a garantir que o executivo eleito nas urnas permanecesse no cargo, sem contar o fato de que se a coalizão do executivo não tiver maioria no parlamento, o dia a dia do governo fica muito mais difícil, pela interconexão entre o que chamamos de função “executiva” e “legislativa”. Assim, a realidade foi forçando o PT a fazer alianças com partidos de outras regiões do espectro político. Essa foi uma mudança pela qual o PT passou que acredito que tenha sido positiva, e que o PSOL poderia observar em relação aos grandes benefícios para o povo brasileiro que ela possibilitou. Mas para ser coerente com a estrutura deste artigo, vou mencionar também uma outra mudança pela qual o PT passou, que, essa sim, o PSOL tem que tomar cuidado para não passar. Refiro-me à questão do financiamento de campanhas.

Para vencer eleições, é preciso se comunicar com as pessoas de uma forma massiva, chegando a praticamente toda a população de uma cidade, um estado ou um país. Assim, uma campanha eleitoral viável precisa ter uma estrutura financeira mínima. O PT, ao longo de sua história, chegou a uma situação em que precisava aumentar o volume de recursos financeiros para poder fazer campanhas viáveis em larga escala, e o partido não conseguiu desenvolver um sistema de arrecadação de recursos que não incluísse a aceitação de grandes doações de empresas. Isso não só proporcionou uma forma de que interesses mais conservadores influenciassem nas decisões do PT, de seus candidatos e de seus políticos eleitos, mas também limitou o crescimento eleitoral do PT, pois esses interesses conservadores limitavam as ações progressistas que o PT teria que realizar na gestão do Estado que ampliariam seu alcance eleitoral. Em resumo, esse método de financiamento de campanhas fortaleceu um componente conservador que funcionou para reduzir o extraordinário ímpeto progressista do partido, mas este último foi tão forte que mesmo assim conseguiu melhorar acentuadamente a qualidade de vida do povo brasileiro. Por isso, não se pode jogar fora o que PT tem de bom pelo que o PT tem de ruim.

Assim, chegamos ao cerne deste artigo. O PT e o PSOL têm muito a ganhar se ambos perceberem que não são as alianças, mas sim a forma de financiamento das campanhas (e dos partidos, por que não?), a questão chave que limitou o progressismo do PT. E é importante perceber que isso aconteceu com o PT não por algum problema de índole, mas porque o PT não conseguiu encontrar até o momento uma forma melhor viável em larga escala de financiamento de campanhas. O PSOL está se encontrando concretamente com esta questão agora, e apesar de apoiar o financiamento exclusivamente estatal, o partido precisa lidar com a realidade de que isso não necessariamente vai ser instituído, independentemente de ser desejável ou não. Compreender os dilemas que o PT enfrentou no passado vai ajudar o PSOL a perceber que é a criação de um sistema de financiamento viável e adaptado à realidade institucional do país que vai ajudá-lo a vencer eleições com o mínimo de limitação do progressismo. Da parte do PT, a situação é relativamente semelhante. Olhar para o PSOL é olhar para o passado, mas não porque o PSOL seja o passado, mas porque o PSOL faz o PT se lembrar de como o partido era quando precisava de um sistema de financiamento sem grandes doações de empresas, e não tinha esse sistema e acabou cedendo para esse tipo de financiamento historicamente conservador. Agora, quem sabe com a ajuda do PSOL, o PT pode implementar um novo sistema de financiamento de campanhas (mesmo que não for aprovado o financiamento estatal pelo parlamento nacional) que permita ao partido substituir as grandes doações de empresas por muitas doações de baixo valor de pessoas físicas. É aí que PT e PSOL podem colaborar, e quem sabe formar os alicerces para que os extraordinários avanços pelos quais o Brasil passou nos últimos 12 anos não sejam interrompidos por um retrocesso conservador no futuro próximo.

O PSOL tem a política de não aceitar doações de alguns tipos de empresas, mas me parece que no médio prazo isso deixa a porta aberta para se chegar a uma situação semelhante à do PT. Esse é o momento do PSOL compreender profundamente a experiência do PT e dar uma contribuição inestimável para a política brasileira, implementando um sistema de financiamento de campanhas apenas por pessoas físicas e com um limite máximo razoável. O povo brasileiro precisa de partidos progressistas fortes. Para isso, o PSOL tem que se tornar forte e o PT tem que se manter progressista, com seu histórico companheiro PCdoB. O sistema de financiamento é a chave.

DEM e PSDB desaparecem de manchete da Folha sobre Lava Jato

Via Muda Mais

Na eterna tentativa de vincular qualquer escândalo de corrupção ao PT, a mídia fere a ética jornalística e gera episódios inacreditáveis. É o caso da manchete da Folha de S.Paulo desta quinta-feira (link is external) (20): “Doações de investigadas na Lava Jato priorizam PP, PMDB, PT e oposição”. Mas espera aí! Se as doações priorizam partidos da base aliada e a oposição, quem elas não priorizam? E se prioriza todo mundo aí não prioriza ninguém, não é? Mais que isso: por que o destaque aos três partidos e não às outras siglas, tão envolvidas quanto?

Basta olhar o próprio gráfico que a Folha apresenta na matéria. Se analisarmos os 15 deputados e senadores que mais receberam doações das empresas teremos um cenário bem dividido. O partido que mais apresenta congressistas eleitos com o apoio das empreiteiras investigadas é o DEM (da oposição), com 4. Curioso também é que, se falarmos em valores, veremos que entre os 15 deputados e senadores apresentados na lista, os 8 pertencentes a PP, PMDB e PT receberam menos que os dos três demais partidos. Enquanto PSDB, DEM – ambos da oposição – receberam R$ 6,9 milhões e o PSD recebeu R$ 2,2 milhões, totalizando R$ 9,1 milhões, PP, PMDB e PT receberam somados R$ 7,4 milhões.

Não se trata aqui de uma disputa para ver quem mais recebeu das empreiteiras, mas sim de um debate sobre a falta de ética da imprensa, que arbitrariamente escolhe dar destaque a três partidos da base aliada em detrimento de partidos como PSDB e DEM, tão ou mais envolvidos no recebimento de doações.

Entre os nomes que mais receberam doações e estão ligados à oposição há figuras bastante representativas como José Serra (PSDB-SP), terceiro da lista, Antonio Anastasia (PSDB-MG) e Ronaldo Caiado (DEM-GO).

Nada disso, entretanto, fez a Folha dar igual importância a todos os partidos, optando por criar uma manchete mal intencionada, para colar a imagem de três legendas às empreiteiras investigadas. É somente no último de 17 parágrafos que PSDB ou DEM aparecem na reportagem, ainda assim brevemente citados. Com qual interesse se escreve uma manchete como essa e se constrói um texto dessa forma?

EUA: confrontos se espalham após júri inocentar policial que matou jovem negro

Via Correio do Brasil

Protestos também foram realizados em Nova York, Chicago, Seattle, Los Angeles, Oakland e na capital Washington

Tiros foram disparados e prédios foram incendiados na cidade de Ferguson, no Estado norte-americano do Missouri, após um júri ter decidido, não indiciar um policial branco que matou a tiros um jovem negro desarmado em agosto, motivando uma nova onda de violência.

Voos foram restringidos e a polícia disparou gás lacrimogêneo à medida que os manifestantes tomaram as ruas de Ferguson, uma cidade nos arredores de St. Louis. Os manifestantes saquearam lojas e queimaram carros apesar dos apelos do presidente dos EUA, Barack Obama, para que eles se contivessem.

Protestos também foram realizados em Nova York, Chicago, Seattle, Los Angeles, Oakland e na capital Washington, em indignação com um caso que salientou as antigas tensões raciais não apenas em Ferguson, de maioria negra, mas também em todos os Estados Unidos.

“Assassinos, vocês não são nada além de assassinos”, gritou uma mulher por um megafone em direção a oficiais de polícia que vestiam roupa de tropa de choque em Ferguson após o anúncio da decisão do júri. “Malditos assassinos.”

Multidões enfurecidas se reuniram ao redor do departamento de polícia em Ferguson após o júri ter dito que não havia causa provável para acusar Darren Wilson de qualquer crime envolvendo a morte de Michael Brown, de 18 anos.

A família de Brown também pediu por calma.

A polícia de St Louis relatou pesada troca de tiros nesta segunda-feira na área próxima onde Brown foi morto a tiros em 9 de agosto deste ano. Janelas de lojas foram quebradas, e incêndios destruíram alguns edifícios, incluindo um salão de beleza e uma pizzaria na cidade.

A polícia disparou latas de gás lacrimogêneo e granadas de luz em resposta aos manifestantes, numa repetição dos distúrbios que irromperam em agosto como resultado imediato da morte de Brown.

Wilson poderia ser acusado desde homicídio culposo a assassinato em primeiro grau, e a família de Brown disse, por meio de advogados, estar “profundamente decepcionada” pelas conclusões do júri.

“Embora entendamos que muitos outros compartilhem nossa dor, pedimos que vocês canalizem sua frustração de maneira a promover uma mudança positiva”, disse a família em um comunicado.

Advogados de Wilson, que tem evitado aparecer desde o incidente, disseram que ele estava seguindo os passos de seu treinamento e cumprindo a lei quando atirou em Brown.

“Reconhecemos que muitas pessoas vão querer contestar a decisão do júri. Nós encorajamos qualquer um que queira expressar uma opinião que o faça de maneira respeitável e pacífica”, disseram em comunicado.

O presidente Barack Obama pediu que os manifestantes permanecessem pacíficos e para que a polícia evitasse violência. “Nós somos um país construído pela vigência da lei e então precisamos aceitar que esta decisão foi tomada por um júri”, disse Obama em uma coletiva de imprensa televisionada.

“Sabemos que a situação em Ferguson trata de desafios mais amplos que ainda enfrentamos como nação. O fato permanece que, em muitas partes deste país, uma profunda desconfiança existe entre a polícia e as comunidades de cor.”

O júri, composto de nove membros brancos e três negros, iniciou suas considerações no fim de agosto e ouviu provas que incluíam testemunhas convocadas pela promotoria assim como um especialista particular contratado pela família de Brown para analisar a cena da morte. Ao menos nove jurados precisavam concordar para prosseguir com as acusações.

Uma investigação federal está em andamento, e o secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, enfatizou em um comunicado que os investigadores do Departamento de Justiça ainda não haviam chegado a nenhuma conclusão.