Arquivo mensais:novembro 2014

PM paulista matou mais em nove meses do que no auge do confronto com o PCC

Via Brasil de Fato

Zanone Fraissa Folhapress

De janeiro a setembro deste ano, foram registradas 478 mortes cometidas por PMs no Estado de SP; número de assassinatos – maior em uma década – subiu 99% em relação ao mesmo período do ano passado.

De janeiro a setembro deste ano, o número de mortes cometidas por policiais militares é o maior desde 2004. Foram registrados 478 assassinatos neste período. A letalidade policial supera, inclusive, o ano de 2006, quando ocorreu o confronto entre a PM e o Primeiro Comando da Capital (PCC). De janeiro a setembro daquele ano, foram registradas 413 mortes por PMs em serviço.

Os dados da Secretaria de Segurança Pública apontam ainda que o número de mortes provocado por ações da PM subiu 99% em relação ao mesmo período do ano passado, em que foram registrados 240 óbitos.

Já o número de PMs mortos em serviço em 2014 foi o menor em dez anos para os nove meses: 10 policiais morreram no Estado, cinco deles na capital, o que representa queda de 9% e 29%, respectivamente, em relação a 2013.

Nelson Barbosa é o favorito de Dilma para a Fazenda

Por André Barrocal | Via Carta Capital

Nelson Barbosa é cotado para Ministério da Fazenda

O economista Nelson Barbosa é o favorito de Dilma Rousseff para ocupar o ministério da Fazenda no próximo governo. Foi com o nome dele na cabeça que a presidenta viajou na última quarta-feira, 29, para a base naval de Aratu, em Salvador, a fim de descansar uns dias da estafante reeleição e de começar a amadurecer ideias para a futura equipe.

A nomeação de Barbosa não é, contudo, um fato consumado. Antes de decidir-se, é provável que Dilma ouça o ex-presidente Lula em algum momento após encerrar seu retiro neste domingo, 2. E ele tem ideias próprias, como a de que seria aconselhável o governo reabrir canais de diálogo com o setor privado, sobretudo o sistema financeiro, indicando um representante empresarial para o cargo.

Dilma, conta um ministro, considera a seleção do substituto de Guido Mantega na Fazenda como “a” escolha de seu segundo mandato. Ela reconhece que o PIB pífio e o distanciamento do setor privado quase inviabilizaram a sobrevivência do projeto governista inaugurado em 2003. E que esta situação, expressa na apertada vitória, impõe mudança de rumo. Mas tal mudança, diz o ministro, não pode passar um sinal de rendição. Dilma acha que derrotou não só o PSDB, mas o próprio “mercado”, inimigo do Planalto.

Número dois na Fazenda nos 29 meses iniciais do atual governo, Barbosa é o predileto de Dilma por algumas razões. É um economista desenvolvimentista como a presidenta. Já conhece a máquina pública federal, experiência importante numa área hoje a exigir medidas rápidas. Está acostumado com o estilo detalhista e centralizador da mandatária.

De quebra, ele conta com um defensor importante, o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Uma das vozes mais ouvidas por Dilma, Mercadante tem dito no Planalto ser favorável à escolha de Barbosa para o cargo que um dia ele mesmo cobiçou.

Tempos atrás, Dilma já tinha tentado ter Barbosa por perto novamente. Autorizou a então chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, a sondá-lo para ser secretário-executivo da pasta. Ele não aceitou, segundo um ministro, por acreditar na repetição de um dos mais fortes motivos de sua saída: o choque com secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustín.

Amigo de Dilma, Augustín sempre prevaleceu em resoluções presidenciais em assuntos em que Barbosa pensava diferente. Por isso, é praticamente certo que o secretário deixará o cargo caso o ex-companheiro volte à Fazenda. A saída já deverá por si servir como um calmante no “mercado”. Augustín personifica a criticada “contabilidade criativa” nas contas públicas.

Do ponto de vista de Dilma, Barbosa tem ainda a favor uma vantagem simbólica. Como é ligado ao Instituto Lula, onde participa de reuniões sobre economia, sua escolha não poderia ser interpretada como algum tipo de ruptura entre criador e criatura. Uma circunstância valiosa levando-se em conta a visão de Lula sobre o atual momento e o protagonismo político que ele terá a partir de 2015.

O ex-presidente acredita que Dilma precisa abrir o governo a todos os setores econômicos, um pouco como ele fez ao assumir o Planalto em 2003, quando montou uma equipe com um industrial no Ministério do Desenvolvimento, um ruralista na Agricultura e um banqueiro no Banco Central.

Nos últimos dias, especulou-se sobre Lula ter sugerido para a Fazenda o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco. Há razões para supor que a sugestão partiu mesmo dele. Quando o nome surgiu na mídia, um ministro de Dilma que trabalhou com Lula comentou com um assessor que era coisa do ex-presidente. Um conselheiro de Lula diz não ver problema na escolha de Trabuco. Em 2013, Lula sugeriu a Dilma que trocasse Mantega pelo banqueiro Henrique Meirelles, seu chefe do BC de 2003 a 2010.

Pelo que se ouve em salas do Planalto, Dilma parece ter recebido com perplexidade a sugestão de indicar Trabuco. Ela até gosta dele, a quem já recepcionou no Palácio. Mas como nomear um banqueiro após sua campanha – desenhada e executada inclusive com a participação de Lula – ter amaldiçoado Neca Setúbal, apoiadora de Marina Silva, e Armínio Fraga, aliado de Aécio Neves?

É verdade que há elementos capazes de minimizar a contradição. Trabuco não é um falcão do sistema financeiro. Formou-se em uma faculdade de filosofia e fez pós-gradução em sócio-psicologia. Comanda um banco algo mais afinado com clientes de baixa renda, e nem é dono da instituição. Insuficiente, porém, para Dilma. Quando no ano passado Lula sugeriu-lhe Meirelles, ela disse a um ministro que seria “renunciar a um pedaço do seu governo”. É como vê a situação agora.

Resta saber como Dilma e Lula vão se entender. E o suspense deve-se manter ainda por umas duas semanas. Nos dias 15 e 16, haverá reunião de Cúpula do G20, o grupo dos vinte países das maiores economias do planeta, em Brisbane, na Austrália. Dilma irá acompanhada de Guido Mantega. Se o substituto do ministro for anunciado antes disso, Mantega terá pouca autoridade moral no encontro.

Quem será o novo ministro das comunicações?

Por Theófilo Rodrigues | Via O Cafezinho

Está cada vez mais certa a saída do ministro petista Paulo Bernardo do Ministério das Comunicações. Mas quem deverá substitui-lo no segundo mandato de Dilma Rousseff a partir de janeiro de 2015?

Quatro nomes parecem despontar como possíveis candidatos a assumir a tarefa: Franklin Martins; Ricardo Berzoini; Moreira Franco; e Alessandro Molon.

Franklin Martins tem sido até agora o nome mais cotado para assumir essa posição estratégica no futuro governo de Dilma. Odiado entre os donos das grandes empresas de comunicação e amado pelos que defendem a democratização da mídia, Franklin saiu da eleição como um dos grandes responsáveis na coordenação da campanha pela vitória de Dilma nas redes sociais. Franklin foi Secretário de Comunicação Social do governo de Lula entre 2007 e 2010 e deixou pronto um projeto de regulação econômica da mídia que posteriormente foi engavetado por Paulo Bernardo. Como Dilma vem dizendo repetidamente que fará a regulação econômica, Franklin seria o nome certo no lugar certo.

Também vem sendo cotado para a pasta o ministro das relações institucionais Ricardo Berzoini. Berzoini teria o aval do PT de São Paulo e seria o nome da direção nacional do partido para a pasta segundo alguns boatos. De concreto sabe-se que o ministro tentou se aproximar recentemente da blogosfera ao conceder uma entrevista coletiva para blogueiros em maio deste ano onde defendeu a democratização da mídia. O que o fortalece é ser um nome que possui trânsito no Congresso Nacional, uma necessidade tática do próximo governo de Dilma.

Um nome que surgiu com certa estranheza nas apostas é o do peemedebista Moreira Franco. Da cota do vice-presidente Michel Temer, o ministro Moreira Franco que atualmente ocupa a Secretaria de Aviação Civil poderia ser remanejado para as comunicações. Vale lembrar que o ministério já foi ocupado pelo PMDB no governo Lula com o mineiro Hélio Costa entre 2005 e 2010. A possível entrada de Moreira Franco seria um banho de água fria para aqueles que defendem a democratização da mídia. Afinal de contas, foi o PMDB quem pediu a retirada da proposta de regulação dos meios de comunicação do programa de governo de Dilma.

Correndo por fora está o deputado carioca Alessandro Molon. O excelente trabalho de Molon como relator do Marco Civil da Internet o aproximou bastante da presidenta Dilma Rousseff. Ademais, Molon foi o deputado federal mais votado na chapa do PT no Rio de Janeiro o que o credencia como representante do estado no ministério, além de abrir espaço estratégico para o suplente Wadih Damous assumir uma vaga na Câmara.

Por enquanto são apenas especulações. Seja quem for o nome, a tarefa de expandir a internet de banda larga para o interior do país, rever a distribuição das verbas oficiais de publicidade e apresentar a proposta de regulação econômica das empresas de comunicação estará em suas mãos.

Theófilo Rodrigues é cientista político.