Arquivo mensais:novembro 2014

Petição anti-Dilma não reflete opinião americana, dizem EUA

Por Gil Alessi | Via Uol

Segundo a petição, líderes do Poder Judiciário seriam ligados ao PT, e as urnas eletrônicas não seriam confiáveis.

Após a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), eleitores insatisfeitos com o resultado do pleito criaram uma petição (leia a íntegra abaixo) no site da Casa Branca pedindo que os Estados Unidos se posicionassem contra o que o texto chama de “expansão bolivariana e comunista no país” – até esta terça-feira mais de 123 mil pessoas tinham assinado o documento.

Em nota, a adida da Embaixada dos EUA em Brasília Arlissa Reynolds afirmou que “petições apresentadas nessa página não representam as opiniões do governo dos EUA”.

Reynolds lembrou que a Casa Branca já se manifestou sobre as eleições no Brasil e “publicou uma declaração parabenizando a presidente Dilma Rousseff por sua reeleição”.

O texto divulgado pelo governo americano diz que “o Brasil é um importante parceiro para os Estados Unidos e estamos empenhados em continuar a trabalhar com a presidente Dilma Rousseff a fim de fortalecer as nossas relações bilaterais”.

A petição feita pelos brasileiros também esbarra no fato de que a seção onde foi criada no site da Casa Branca, o “We the People” (Nós o Povo, em tradução livre), “é destinada à cidadãos norte-americanos” com “13 anos de idade ou mais”, segundo a diplomata.

Uma outra petição insta o governo do presidente Barack Obama a investigar e processar “indivíduos ligados a fraudes e crimes ocorridos na Petrobras durante a gestão de Dilma Rousseff”, com “a ajuda do FBI [Agência de Investigação Federal dos EUA]“.

Intervenção militar

No sábado (1º) um protesto convocado pelas redes sociais reuniu cerca de 2.500 pessoas na avenida Paulista, região central de São Paulo. Alguns dos presentes pediram o fim do PT, a volta dos militares Além disso e a recontagem dos votos das eleições.

Leia o texto da petição na íntegra

“Nós peticionamos para que a administração de Obama:

Se posicione contra a expansão bolivariana no Brasil promovida pela administração de Dilma Rousseff

Em 26 de outubro Dilma Rousseff foi reeleita e irá continuar com os planos de seu partido de estabelecer um regime comunista no Brasil – nos moldes bolivarianos propostos pelo Foro de São Paulo. Nós sabemos que aos olhos da comunidade internacional a eleição foi totalmente democrática, mas as urnas eletrônicas não são confiáveis, além do fato de que os chefes do Judiciário são predominantemente membros do partido vencedor.

Políticas sociais também influenciaram a escolha da presidente, e as pessoas foram ameaçadas com a perda de sua bolsa alimentar caso não reelegessem Dilma. Pedimos à Casa Branca uma posição com relação à expansão comunista na América Latina. O Brasil não quer e não se tornará uma nova Venezuela. Os Estados Unidos precisam ajudar os promotores da democracia e da liberdade no Brasil.”

Que belo adepto Bolívar conseguiu no STF!

Por Antonio Lassance | Via Carta Maior

É bom que se diga que a regra de o presidente da República nomear ministros para o STF é a mesma pela qual Gilmar Mendes foi parar exatamente onde está.

O Tribunal Superior Eleitoral deve responder nesta semana ao pedido do PSDB de auditoria das votações de 2° turno e das urnas eletrônicas.

O TSE deverá providenciar um lenço para o choro dos descontentes. O pedido já chegou desmoralizado ao Tribunal.

Nas redes sociais, invocadas como “a fonte” dos boatos que enchem o desarrazoado tucano, a inicitativa foi recebida com uma surra de piadas e ironias por todo o final de semana, sob o guarda-chuva da hashtag #aceitaquedoimenos.

Até mesmo alguns quadros do próprio PSDB consideraram o pedido um mico desnecessário e um desgaste a mais para os derrotados.

A única dúvida da reunião do TSE é sobre qual será a opinião, a postura e o tom de voz a serem dados pelo ministro Gilmar Mendes.

O ministro tucano das causas impossíveis lança mão de discursos inflamados, com decibéis que dispensariam o microfone, e murros na mesa que dão uma trilha sonora de batuques a seus votos.

Nessa linha de diatribes, o ministro também acaba de tornar-se o mais novo crítico do “bolivarianismo” que supostamente toma conta do país.

Afirmou, ao jornal Folha de S. Paulo, que o Supremo Tribunal Federal (STF) corre o risco de tornar-se uma “corte bolivariana” se tiver muitos ministros nomeados por Lula e, agora, por Dilma.

É bom que se diga que a regra de o presidente da República nomear ministros para o STF é a mesma pela qual Gilmar Mendes foi parar exatamente onde está.

Pelo que se sabe, é uma regra vinda não de Simón Bolívar ou da Constituição da Venezuela, mas de uma tal Constituição da República Federativa do Brasil.

O mais curioso é que Bolívar, embora seja idolatrado pelos venezuelanos como seu libertador e tenha sido transformado em emblema dos governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, era um elitista, em sua origem social; um liberal, em termos econômicos; um conservador, do ponto de vista político; e alguém afeito a brados retumbantes e murros na mesa.

Quem sabe um dos Dragões da Independência possa levar sua indumentária, de empréstimo, para o outro lado da Praça dos Três Poderes para que a semelhança fique completa.

Que belo adepto Bolívar conseguiu no STF!

Evo Morales: “Uma rebelião democrática está em curso na América Latina”

Via Portal Vermelho

Evo Morales, presidente da Bolívia.

“Na América Latina, há uma rebelião democrática, ideológica, acompanhada por programas progressistas”, disse o presidente da Bolívia, Evo Morales, em uma entrevista à agência Ansa. O mandatário comentou a onda de vitórias eleitorais de esquerda no Brasil, Bolívia e Uruguai, nas últimas semanas.

Morales respondeu a uma consulta sobre sua terceira reeleição, conquistada no último dia 12 de outubro com 60% de respaldo popular, que seguiu os êxitos dos postulantes progressistas do Chile, com Michelle Bachellet; do Brasil, com Dilma Rousseff, e o favoritismo na eleição do Uruguai de Tabaré Vázquez.

“Entre o povo latino-americano há um profundo sentimento de libertação política e econômica”, acrescentou Morales, o primeiro presidente indígena do seu país. E complementou: “muitos povos são antiimperialistas e anticapitalistas. Estamos exportando uma política social e econômica”.

Ao ser questionado sobre que coisas podem ser feitas para “governar a globalização”, Morales respondeu que “é necessário globalizar a riqueza, não a pobreza: no sistema capitalista se globaliza a pobreza”, apontou.

Morales disse que “há livre mercado de produtos, mas não há livre trânsito de pessoas; que tipo de globalização temos então? Queremos uma política de solidariedade que seja globalizada”, sustentou.

Evo Morales rechaçou como “carentes de autoridade e moral” as recomendações à Bolívia, formuladas principalmente pelos Estados Unidos e Israel, referentes ao informe divulgado pelo país na vigésima sessão do grupo de trabalho do Exame Periódico Universal (EPU), do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU).

“Que moral, que autoridade eles têm. Interventores, massacradores, possuidores de bases militares? Deveriam ser julgados por seus delitos de lesa humanidade”, disse o mandatário em declarações à ABI (Agência Boliviana de Informações).

Fonte: Contraingerencia, com informações da Ansa e ABI

A crise hídrica na cidade mais atingida, Itu-SP: Entrevista com Mário Giannetti

Por Rennan Martins | Brasília, 04/11/2014

A população de Itu está numa situação caótica e não há perspectivas de solução para a falta d’água. (Itu Vai Parar/Reprodução)

Nós, brasileiros, aprendemos desde cedo que somos a terra da abundância. Varrer a calçada com água corrente da mangueira, banhos longos e nenhuma preocupação com vazamentos é ainda a tônica cultural de muito cidadãos. Aliado a isso temos uma economia predatória que faz uso de tecnologias ineficientes que geram desperdícios de grande escala.

É nesse contexto que assistimos, perplexos, a crise hídrica mais séria da história. Num cenário em que a imprensa, comprometida por interesses partidários, sonega informações sobre o real quadro da escassez, cabe a iniciativas independentes a missão de retratar o quadro a sociedade.

E é por isso que entrei em contato com o arquiteto e ativista Mário André Giannetti, ele é morador de Itu, a cidade mais atingida pela escassez hídrica. Envolvido nos movimentos Itu Vai Parar e Conselho Popular de Itu – Água, Giannetti nos traz informações impressionantes de uma cidade que já não tem água nas torneiras há muito. A situação é calamitosa e serve de alerta a toda a população.

Confira a íntegra:

Há quanto tempo Itu passa por essa escassez de água?

A água sempre foi notícia em Itu, temos problemas com o abastecimento há pelo menos 40 anos. Existe um estudo que prova que esse problema deve-se única e exclusivamente à má gestão do sistema e desvios de dinheiro. Nessa atual estiagem temos relatos de racionamento desde o ano passado, 14/12/2013. Esse racionamento passou a ser mais sistemático a partir de fevereiro desse ano com racionamento todas as noites; ficou mais intenso em maio, quando a água vinha dia sim e dia não; ficou crítico em julho quando a água passou a vir a cada 3 ou 4 dias; até chegarmos na atual fase de desabastecimento total que se iniciou em outubro e permanecemos até hoje sem uma gota de água nas torneiras.

Qual é a rotina do racionamento? Como fazem pra ter acesso a água?

Todos temos que nos virar para arrumar água. Pela cidade existem algumas bicas com água de poços artesianos que estão bastante disputadas chegando a 2 horas de fila. Outros sortudos conhecem alguém que tem poço artesiano. Maior dificuldade passam os mais carentes que chegam a coletar água suja de córregos com garrafas pets e a transportar água com carrinho de mão.

E quanto aos conflitos por conta da água. Tem ocorrido? A população está conseguindo se adaptar?

Os conflitos d’água começam a ficar cada vez piores como furtos de galões d’agua nas bicas, roubam a água de dentro da caixa d’agua de quem comprou; roubos e sequestros de caminhões-pipa para abastecer determinadas ruas; população revoltada sem saber o que fazer devido ao silêncio das instituições que não estão dando respostas adequadas, colocam fogo em pneus e lixeiras como forma de protesto.

Que medidas a prefeitura e o governo do estado têm implementado pra combater essa crise? Elas são efetivas?

A prefeitura de Itu foi e está sendo omissa até o presente momento. Cidades que não estão em estado tão crítico já decretaram Estado de Calamidade Pública. Suspeita-se que aqui isso não ocorra devido às irregularidades no contrato de concessão da antiga autarquia do SAAE para a empresa Águas de Itu. Pedimos para ver esse contrato já fazem 7 meses e até hoje não apareceu, lembrando que pela Lei da Transparência ele deveria ser entregue em 15 dias.

Por conta disso pedimos a intervenção do governo do estado mas esse muito pouco fez: disponibilizou um pouco de dinheiro, alguns caminhões pipa e caixas d’agua.

No momento as medidas que a prefeitura está tomando são: transportar e distribuir de maneira nada transparente 3 milhões de litros d’agua por dia em caminhões pipa sendo que a demanda da cidade é de 20 milhões de litros e, começaram a duas semanas, à pedido da sociedade organizada, a espalhar caixas d’agua de 20.000L pela cidade para aumentar o número de pontos de coleta.

A imprensa passou a cobrir este problema somente após as eleições. Você considera que houve um silenciamento deliberado por parte dos jornais? Há influência política na abordagem do tema?

Com certeza há muita influência política sobre o tema. Para se ter uma ideia o CQC veio fazer uma matéria sobre o problema na cidade. A matéria iria ao ar na segunda feira da semana das eleições e não foi. Acredito que não foi porque um dos principais responsáveis pela crise, o ex-prefeito que fez a concessão, estava se candidatando a uma vaga de Deputado Federal e seria impossível fazer a matéria sem apontar os culpados. Deixaram para soltar a matéria somente duas semanas após ter passado as eleições.

Outro exemplo está acontecendo na cidade de São Paulo, aonde o governador reeleito se negou a fazer o racionamento até passar as eleições, uma irresponsabilidade assustadora para uma cidade com 16 milhões de habitantes que correm o risco de ficar sem água.

Existe perspectiva de abastecimento a longo prazo? O enfrentamento do problema vai além do paliativo?

Existem muitos projetos que podem ser postos em prática mas a prefeitura não pode fazer nada porque o setor foi entregue a uma empresa privada. Nesse momento a empresa Águas de Itu está colocando em prática um projeto de canalização de água do Rio Mombaça, um projeto ruim, muito mal estudado e superfaturado. Uma coisa que essa empresa poderia fazer e não o faz é o desassoreamento dos reservatórios, agora que está tudo seco seria o melhor momento, mas, por motivos que ninguém entende isso não está sendo feito.

Estudando Getúlio, Dilma faz mistério sobre os ministérios

Via Brasil 247

Foi um recado; presidente volta de descanso na Bahia carregando tomo final de biografia de Getúlio Vargas; como o líder de massas que criou as bases do salto econômico do Brasil na década de 1950, presidente ganha tempo, estuda aliados, mede adversários e sabe que segredo do sucesso do segundo mandato está na economia; “Tudo a seu tempo”, dizia GV, de poucos confidentes; novo ministério de Dilma é envolto em mistério; ela mal dá pistas sobre os novos nomes; passado trabalhista em nova floração?

Numa situação na qual sabia que seria fotografada, a presidente Dilma Rousseff voltou de seu descanso na Bahia com o terceiro tomo da biografia de Getúlio Vargas na mão esquerda. Ela, que escolheu o trabalhismo para militar após sua incursão pela luta armada e três anos de prisão sob a ditadura militar, mandou, naquele gesto, uma série de recados sofisticados.

“Tudo ao seu tempo”, costumava dizer Getúlio, diante de decisões fundamentais que lhe eram cobradas por aliados e adversários. Como ele, a presidente, no pouco que falou sobre a primeira tarefa decisiva que tem pela frente, igualmente já pediu tempo. Contra opinião dos que entendem que a presidente deveria escolher e empossar de imediato uma nova equipe econômica, Dilma disse com todas as letras que só o fará depois que a primeira quinzena de novembro passar.

Para que não restassem duvidas, antes de decolar para o litoral baiano, ela chamou ao seu gabinete o ministro Guido Mantega que entrou para a conversa como titular da Fazenda e saiu de lá com o mesmo status. Nem mesmo a reunião do G-20, marcada para os dias 15 e 16 próximos, na Austrália, fez a presidente se apressar. Mais do que mostrar ao mundo um novo ministro, Dilma quer que Mantega cumpra seu ciclo sem uma interrupção abrupta, em reconhecimento pelos resultados que, mesmo debaixo de críticas de todos os tipos, renderam a ela a reeleição.

Era assim, também, com Vargas. Com poderes ditatoriais ou democráticos, ele nunca demonstrou pressa em eliminar quadros de seu governo. Esperava por um acidente de percurso ou pelo desgaste natural mais extremo do auxiliar até removê-lo. E desde que tivesse um nome de substituto que lhe parecesse melhor.

CHAVE DO SUCESSO – Dilma vai indo por esse caminho. Ninguém na República pode afirmar que a presidente já escolheu seu futuro ministro da Fazenda. O que se sabe é que não será Mantega, mas entre os nomes ventilados até agora – do presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, do ex-presidente do BC Henrique Meirelles ou do ex-secretário executivo da Fazenda Nelson Barbosa – para o lugar dele, nenhum foi anunciado.

A presidente, por seu lado, não tem feito questão de emitir pistas, ao contrário. Sabe-se nos bastidores, apenas, que as restrições dela a Meirelles teriam ficado no passado, assim como a confiança, no presente, em Nelson Barbosa permanece. Sobre Trabuco, o que se tem é o desencorajamento da ideia, de maneira sutil, pelo próprio candidato involuntário, que tem um banco com quase 100 mil funcionários e 20 milhões de clientes para tocar para a frente pelos próximos dois anos. Uma surpresa não está descartada.

No livro que está lendo, de autoria do historiador Lira Neto, o derradeiro da trilogia de vida do ex-presidente, narram-se os acontecimentos de devolveram Vargas, de maneira espetacular, pelo voto democrático, ao poder. Houve na campanha de 1950, com posse em 31 de janeiro do ano seguinte, semelhanças com o pleito que reelegeu Dilma, em 2014, especialmente na dureza dos debates entre os partidos. A presidente tem tudo para estar se identificando cada vez mais com seu antecessor histórico.

Igualmente, Dilma parece estar dizendo que, como Vargas, pretende escolher nomes entre aliados que acelerem o processo de desenvolvimento econômico ao extremo. Logo em seus primeiros meses de poder redivivo, Getúlio, que já sabia os caminhos da burocracia estatal, avançou por atalhos que proporcionaram, ao longo da década de 1950, um grande salto de modernização ao País. Ele, que jogava com o tempo, sabia, paradoxalmente, que não tinha tempo a perder para corresponder às expetativas. Com Dilma o mesmo se dá. Ela prometeu, até mesmo com o aval de Lula, fazer um segundo mandato melhor do que o primeiro. Vargas tinha para si o mesmo desafio em relação a seus tempo de ditador no Estado Novo dos anos 1930-1940.

O livro na mão é o mesmo que tem sido citado por Lula nos últimos tempos, com admiração. O ex-presidente nunca, como agora, referiu-se com tanto carinho a Vargas. Neste ponto, o recado da presidente parece ser o de que, ainda que atribua-se a ela a frase de que “Dilma quer ser mais Dilma”, a afinidade com Lula está cada vez mais profunda. Ambos estão bebendo da mesma fonte.

Sem um grande anteparo perto de si, Getúlio viu-se a tal ponto acuado pela rudeza das oposições que, em 24 de agosto de 1954, tirou sua própria vida para entrar para história. Dilma, é claro, não resistiu a torturas e reinventou-se na democracia para ter o mesmo fim. Mas ela também está cercada de indícios e fatos que mostram que a oposição pretende recrudescer nos ataques ao governo.

Para se vacinar contra os efeitos das cargas negativas da oposição, a presidente mandou dizer que vai montar “um ministério estrelado”, de ampla sustentação política. Não quer, como Gegê, como o então presidente era carinhosamente chamado, ver-se numa situação sem saída. Nessa estratégia, contar com Lula seria abrir um guarda-chuva contra as intempéries previstas. Talvez a maior lição que a vida de Getúlio Vargas pode dar a ela é a de não se deixar isolar.

No melhor estilo getulista, Dilma deverá ver com bom grado a iniciativa de seu partido de transformar sua posse num evento de massas. Ela demonstrou em campanha que pretende governar próxima aos movimentos populares e aos sindicatos, assim como fazia o velho chefe trabalhista. Tal qual ele acreditava, soa possível, para ela, proteger o trabalho sem prejudicar o capital, e contar com os investidores sem abandonar os trabalhadores. Uma habilidade que distinguiu Getúlio entre todos os demais presidentes – e que Dilma, ao carregar com ela a biografia do homem que mudou o curso da história do Brasil, dá mostras de que está estudando.

Em meio a todo o mistério com que ela mesma faz questão de envolver a montagem de seu ministério, a pista dada pela presidente não foi pequena.

Podemos põe em risco bipartidarismo na Espanha ao liderar pesquisa de intenção de voto

Por Vitor Sion | Via Opera Mundi

Pablo Iglesias, líder do Podemos

Criado em janeiro, partido tem professor universitário como principal líder e incentiva engajamento via internet.

Dez meses depois de ser lançado, o partido político Podemos lidera as preferências da população espanhola, de acordo com pesquisa da empresa Metroscopia, divulgada neste domingo (02/11).

Com bandeiras como a participação popular e o engajamento via internet, o Podemos teria 27,7% dos votos se houvesse hoje uma eleição na Espanha. Em seguida aparecem o PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol), com 26,2%, e o governista PP (Partido Popular), com 20,7%, que disputam há décadas o protagonismo político no país.

De acordo com o jornal El País, a impopularidade do governo de Mariano Rajoy levaria 20% dos eleitores do PP a não comparecerem às urnas no próximo ano. O PSOE, por sua vez, que ocupou a Presidência do governo antes de Rajoy, com José Luis Zapatero, tem dificuldades para angariar as preferências dos insatisfeitos. A Espanha terá em 2015 dois pleitos: os locais, em maio, e o geral, em novembro.

Nas últimas eleições europeias, em maio deste ano, o Podemos já surpreendeu ao conquistar 1,2 milhão de votos e cinco cadeiras no Parlamento Europeu.

A iniciativa liderada pelo professor universitário Pablo Iglesias chama a atenção por tentar se organizar de maneira diferente dos partidos tradicionais, por meio de grupos de bairros, que são chamados de círculos. Cada círculo tem autonomia para discutir e executar ações dentro de sua região sem precisar da autorização de nenhum dirigente dentro do Podemos.

O cerco e a saída

Por Rennan Martins | Brasília, 03/11/2014

Hoje em Dia/Reprodução

O conservadorismo tenta destruir a política econômica e o aprofundamento da democracia defendidos pela presidente e legitimados nas urnas. Dessa vez, a única saída é se apoiar nas massas que a reelegeram.

E eis que, após ser derrotada uma vez mais nas urnas, as forças do atraso e da subserviência demonstram o que já se suspeitava. Que não possuem apreço algum pela democracia. Sinalizam, volta e meia, que não hesitariam em virar a mesa se preciso for, pra impor sua agenda. O objetivo é claro, esvaziar a pauta do aprofundamento das reformas e da inclusão social.

O setor financeiro iniciou sua ofensiva em torno do Ministério da Fazenda. Diz ele, por meio de sua fiel imprensa, que a pasta precisa de um nome que dê “confiança” aos mercados. A receita? Ajuste fiscal “violento” e arrocho nos juros. Alegam que essas medidas, que estão afundando a Europa, terão resultado diferente aqui, juram que no Brasil isto nos fará retomar o crescimento.

Enquanto traço estas linhas, o noticiário da Globo News disfarça a agenda do rentismo com uma matéria sobre o churrasco do brasileiro que está mais caro. Querem mesmo que acreditemos que a mesma organização que se opõe a todos os avanços trabalhistas se preocupa com o poder de compra do assalariado.

Em concomitante vemos o PSDB pedir uma descabida “auditoria especial” na votação do segundo turno presidencial. O resultado foi previsto pelo Ibope e Datafolha do dia 25, o tucanato sabe que refletem a realidade. O objetivo deste teatro é outro.

O que quer o PSDB é alimentar a militância antipetista. Esta horda que enche de ódio as redes sociais não precisa de informações verídicas e mesmo sendo poucos são muito barulhentos. Somam a capa fraudulenta da Veja com essa “auditoria especial” e o resultado foi visto nesse fim de semana.

No último sábado a família Bolsonaro juntou-se a Lobão e outros correligionários para exigir o impeachment de Dilma e a “restauração da ordem” por meio de uma intervenção militar. Paulo Martins, jornalista do SBT Paraná, discorreu sobre o perigo que o PT representa a liberdade de imprensa. O mais curioso disso tudo é que ele e Lobão destilam o veneno protofascista auxiliados pela verba publicitária desse governo, ao mesmo tempo que apontam seu caráter ditatorial. Ou seja, a “resistência” a “ditadura petista” é largamente financiada pela própria.

O Congresso Nacional também entrou na dança. Derrubou o decreto da participação social clamada pelas ruas e faz de tudo para enterrar a reforma política mais uma vez. Duas bandeiras caras aos que foram às ruas ano passado estão sendo pisoteadas por um congresso fisiológico que se tornará ainda mais retrógrado ano que vem. Como se não bastasse, Eduardo Cunha, representante de tudo que há de mais oligárquico no país, tenta tomar de assalto a presidência da Câmara.

O cerco ao Palácio do Planalto está intensificando. A oposição vê no horizonte político que dificilmente volta ao poder na próxima eleição com tudo o mais constante. A palavra de ordem é, portanto, frear o ímpeto do aprofundamento democrático e empurrar goela abaixo da presidente a receita recessiva derrotada nas urnas.

Nesse momento, Dilma pensa em que concessões deve dar a fim de que os ânimos arrefeçam. Ilusão. A direita e sua imprensa já demonstrou que “não vai dar trégua”, palavras de Aloysio Nunes. Mesmo que faça um governo à Aécio Neves, não haverá conciliação.

Dilma precisa apoiar-se naqueles que a reelegeram a fim de imprimir sua marca. A esquerda, a mesma que a empurrou com todas as forças no fim do segundo turno e que fez o contraponto a visão única da grande mídia, está ávida por politizar ainda mais o debate, por disputar cada centímetro do terreno, nas ruas e redes. Esta é a única maneira de fazer as reformas que tanto precisamos e manter a política econômica.