Por Rennan Martins | Brasília, 27/11/2014

O governo anunciou, ou melhor, deixou vazar os integrantes da nova equipe econômica, a saber: Joaquim Levy na Fazenda, Nelson Barbosa no Planejamento e Alexandre Tombini permanecendo no BACEN. De quebra teremos ainda Kátia Abreu na pasta da Agricultura.
Após toda a campanha eleitoral denunciar os partidários do arrocho e amigos da oligarquia, parece que Dilma aposta que integrá-los na gestão pode aplacar a sanha golpista de nossa direita sempre propensa ao autoritarismo.
A política institucional é largamente corrompida pelo poder econômico e por lá nossa democracia representativa insere, em sua maioria, defensores dos interesses de banqueiros, empreiteiras e latifundiários.
Soma-se a isso o cenário de relativa estagnação das atividades produtivas que recrudesce os interesses das classes dominantes e o que temos são as forças progressistas acuadas.
Ocorre que a negociação deve se dar sem abrir mão dos princípios, da agenda. Ao entregar o núcleo duro que é a política econômica a um homem de mercado o que parece é que houve uma rendição as forças do atraso.
O simbolismo da dobradinha Joaquim Levy – Kátia Abreu é decepcionante e ainda faz parecer que Dilma subestima as forças populares, maiores responsáveis por levá-la ao segundo mandato.
Não defendendo aqui que haja ruptura completa, entendo que os cálculos de correlação de forças devem ser feitos, mas as novas medidas do governo são mais realistas que o rei.
A aposta que o PT fez mais uma vez na desmobilização e baixa intensidade de embate pode não dar certo dessa vez, a configuração política atual tenderá a desembocar numa perda de apoio dos setores populares, o que deixaria o governo numa situação de isolamento.
O que parece é que os próximos dois anos serão de um ajuste fiscal ortodoxo para que os dois finais voltem a ser de um keynesianismo envergonhado.
As últimas decisões de Dilma demonstram que a alta cúpula petista nada aprendeu com esta que foi a eleição mais acirrada e barulhenta de nossa história.
Se for mantida a política de generosíssimas concessões a oligarquia aliada a péssima comunicação e quase nula disputa ideológica, o Partido dos Trabalhadores tende a se juntar aos Partidos Socialistas Europeus, que não mais possuem força para representar uma alternativa ao neoliberalismo.
