O desafio da desigualdade social: ricos com mais 1 bilhão de dólares cresceram 38%

14 Flares Twitter 0 Facebook 14 Filament.io 14 Flares ×
Via Adital

A América Latina e o Caribe continuam sendo as regiões mais desiguais do mundo. Os mais ricos abocanham em média 50% das rendas totais da região, enquanto os mais pobres ficam apenas com 5%. Se as três pessoas mais ricas do mundo gastassem 1 milhão de dólares por dia cada uma, seriam necessários 200 anos para acabar todo o seu dinheiro. Isso não ocorre, unicamente, nos países mais ricos. No México, Carlos Slim, o mais rico de todos os latinos e o segundo homem mais rico do mundo, poderia pagar só com suas rendas de um ano os salários anuais de 440.000 mexicanos.

Este cenário desanimador impõe uma constatação a crescente desigualdade é o maior desafio social para os governos de todo o mundo, em especial os latino-americanos. Um informe recente da organização internacional de direitos humanos Oxfam, “Iguais: Acabemos com a desigualdade extrema”, destaca que a desigualdade dificulta o crescimento econômico, corrompe a política, limita as oportunidades e alimenta a instabilidade, enquanto que exacerba a discriminação, especialmente contra as mulheres.

A crescente desigualdade poderá causar um retrocesso de décadas na luta contra a pobreza. Só na América Latina e Caribe, o número de ricos que acumulam mais de 1 bilhão de dólares cresceu em 38% de 2012 a 2013. Em nenhuma outra região do mundo, esse grupo subiu tanto.

O informe revela ainda que apenas entre 2013 e 2014 as 85 pessoas mais ricas do Planeta – que possuem a mesma riqueza da metade mais pobre da população mundial – aumentaram seu patrimônio em 668 milhões de dólares por dia, o que equivale a quase meio milhão de dólares a cada minuto.

De acordo com a Oxfam, desde o Fundo Monetário Internacional até o Papa Francisco, passando pelo presidente estadunidense, Barack Obama, e o Fórum Econômico Mundial, cada vez mais existe um consenso de que a desigualdade é um dos maiores desafios do tempo atual e não combatê-la aprofunda os problemas econômicos e sociais. Apesar de todas essas advertências, não são tomadas medidas concretas. “Essa falta de ação por parte dos governos é inaceitável, mais ainda no caso da América Latina e Caribe, que continua sendo a região mais desigual do Planeta”, salienta a entidade.

Com seu novo informe, respaldado pelo ex-secretário geral da Organização das Nações Unidas (ONU) Kofi Annan e o economista Joseph Stiglitz, entre outras personalidades, a Oxfam lança uma campanha cujo objetivo é exigir aos líderes mundiais que convertam suas palavras em atos e garantam um tratamento justo para as pessoas mais pobres. Para isso, uma das ações importantes que os governos devem cumprir é frear a evasão e a sonegação fiscal de grandes empresas e pessoas endinheiradas. Isso para que os Estados tenham suficientes recursos para construírem sociedades mais justas. Os ricos latino-americanos acumulam ao redor de 2 bilhões de dólares (equivalente ao PIB – Produto Interno Bruto – do Brasil) em paraísos fiscais. Segundo a Oxfam, as empresas na América Latina e Caribe registram níveis de evasão que vão de 46% no México a 65% no Equador, sem suficientes punições.

Winnie Byanyima, diretora executiva da Oxfam Internacional, afirma: “longe de fomentar o crescimento econômico, a desigualdade extrema constitui um obstáculo para a prosperidade dos habitantes do Planeta. Hoje em dia, o crescimento econômico só beneficia os mais ricos, e continuará sendo assim até que os governos ajam. Não deveríamos permitir que as doutrinas econômicas – que só buscam o beneficio em curto prazo –, ou as pessoas ricas e poderosas – que buscam apenas o benefício próprio – nos ceguem ante esses fatos”.

Pequenas ações podem frear a desigualdade

Os benefícios de pequenas ações para frear a desigualdade falam por si só. Um ligeiro aumento de 1,5% no imposto sobre a riqueza dos multimillonários de todo o mundo seria suficiente para que todas as crianças do mundo estejam na escola, bem como para a provisão de serviços básicos de saúde nos países mais pobres.

Investir em serviços públicos gratuitos também é essencial para acabar com a brecha entre as pessoas ricas e o restante. Todos os anos, 100 milhões de pessoas em todo o mundo ficam mais pobres por terem que pagar para receber assistência médica. De 2009 a 2014, pelo menos 1 milhão de mulheres morreu durante o parto, devido à falta de serviços básicos de saúde.

Uma ideia sobre “O desafio da desigualdade social: ricos com mais 1 bilhão de dólares cresceram 38%

  1. Critico

    Postagem muito bem escrita e coesa, meus parabéns pelo talento que você tem para escrever.

    Entretanto, acredito que alguns presupostos utilizados pela tua argumentação são bastante ingênuos e acabam invalidando as críticas que você faz ao aumento do número de bilionários em nosso planeta. Seguem algumas opiniões minhas sobre o post:

    1 – O simples fato do número de bilionários aumentar 38% não é, necessariamente, uma má notícia. Mais bilionários provavelmente significa mais empresas lucrativas e, portanto, menor escasses de produtos nos mercados, o que é uma coisa boa. Se o objetivo era utilizar este dado para criticar a desigualdade social, faltaram dados referentes ao crescimento ou diminuição da renda dos mais pobres ou do restante da população no mesmo período. Só assim é possível comparar alguma coisa e tirar alguma conclusão.

    2 – O sexto parágrafo do texto defende a adoção de medidas para frear e diminuiar a sonegação para “que os Estados tenham suficientes recursos para construírem sociedades mais justas”. Bom, antes de mais nada é importante ressaltar que para que o estado construa uma sociedade mais justa, primeiro este Estado tem que ser justo e ter este objetivo. “Estados” nada mais são do que um pequeno grupo (se comparado à população total do país) de pessoas privilegiadas que tem o poder para tomar decisões em nome das demais. Governos são pessoas e pessoas não são perfeitas, sua grande maioria não é justa e certamente não tem incentivos para “construir sociedades mais justas”.

    2- O sétimo parágrafo afirma: “Hoje em dia, o crescimento econômico só beneficia os mais ricos.” – Isso na opinião de quem? Essa afirmação é completamente falaciosa. Uma afirmação um pouco mais honesta poderia ser “Hoje em dia, o crescimento econômico beneficia mais os ricos do que os pobres.” e mesmo assim seria questionável sem uma boa argumentação para provar o aumento da desigualdade social atual com o de outras épocas. É evidente que o foi o capitalismo e não os estados que aumentou significativamente o nivel de vida de toda a população humana desde a revolução industrial e as poucas experiências socialistas que foram implementadas desde então falharam miseravelmente em prover uma “sociedade mais justa”.

    3 – No oitavo parágrafo, se afirma: “Um ligeiro aumento de 1,5% no imposto sobre a riqueza dos multimillonários de todo o mundo seria suficiente para que todas as crianças do mundo estejam na escola, bem como para a provisão de serviços básicos de saúde nos países mais pobres.” – Novamente uma falácia. Mais honesto seria dizer que este aumento aumentaria a arrecadação dos governos mundiais em um valor que alguém julga ser suficiente para resolver estes problemas nos países mais pobres (quem é este alguém ficou faltando nas fontes). Novamente aumentar a arrecadação do governo não implica investimento do dinheiro no fim desejado. Entretanto, mesmo que implicasse, este valor não resolveria magicamente os problemas. Para colocar todas as crianças na escola precisariam haver escolas suficientes e, com elas, professores suficientes. Para formar os professores precisam haver faculdades suficientes e condições sociais para que o cidadãos cursem estas faculdades. Precisa haver infra-estrutura para atender regiões isoladas, portanto mão de obra para criar esta infra-estrutura, portanto escolas para esta mão de obra, portanto infra-estrutura para criar estas escolas e por ai vai. Se considerar isso tudo também no problema dos “serviços básicos de saúde” fica bem óbvio se constatar que os governos simplesmente não tem capacidade de gerenciar efetivamente essa cadeia infinitamente complexa de relações econômicas. Fingir que ele tem e exigir ainda mais recursos para este fim só agrava o problema.

    4 – Por último, o último parágrafo afirma: “Todos os anos, 100 milhões de pessoas em todo o mundo ficam mais pobres por terem que pagar para receber assistência médica.” – Mais um dado equivocado. Na verdade cerca de 7 bilhões de pessoas ficam mais pobres mundialmente por terem que pagar para receber assistência médica. “Serviços públicos gratuítos” não são gratuitos para ninguém, pois são sustentados com os impostos recolhidos de todos os cidadãos e são alocados de maneira ineficiente pelos governos. Pior do que obrigar todos os habitantes a pagarem seu preço exorbitante, geralmente o governo onera percentualmente mais os mais pobres por meio de impostos indiretos. Além disso, mesmo que o governo estivesse realmente empenhado em alocar os recursos disponíveis para finalmente solucionar os problemas de saúde, os serviços não se criarão magicamente. Como já explicado no item 3, para criar um serviço ou fornecer um novo bem de consumo é necessário envolver toda a cadeia produtiva e, portanto, toda a sociedade. O governo não tem capacidade suficiente para gerenciar toda a alocação de todos os fatores produtivos da sociedade de maneira eficiente (já houveram diversas tentativas no mundo e sabemos como acabaram), então é válido afirmar que aumentar sua arrecadação não resolverá o problema, muito pelo contrário: Tende a criar mais distorções ao alocar de maneira ineficiente o dinheiro disponível na sociedade e tornar todos mais pobres.

    Sinceras desculpas pela resposta enorme, mas acho interessante oferecer um ponto de vista diferente bem desenvolvido aos leitores para que estes possam compreender quais as fundamentações da argumentação e decidir se concordam ou não com elas. Muito obrigado pela atenção, pelo tempo e pela paciência para ler esta resposta!

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>