O desafio de Dilma

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Por Rennan Martins | Brasília, 12/10/2014

Passadas a exaltação inerente a corrida eleitoral, a agenda conservadora, do neoliberalismo puro sangue – se vê derrotada pela quarta vez. Isso, porém, não significou um recuo. O bombardeio midiático continua a pintar um cenário apocalíptico, desconectado da realidade, mas que muito serve a seus interesses.

O objetivo da investida é desossar a política econômica que venceu nas urnas, impor um ajuste fiscal “violento” que irá direto ao bolso dos rentistas, comprometendo ainda a atividade econômica do próximo ano.

O argumento central deste setor é que a retração do investimento público abrirá o espaço para que no futuro a iniciativa privada tome a dianteira nas atividades produtivas e projetos de longo prazo.

Na prática o que ocorre é a queda da demanda agregada, o que corrói ainda mais a economia real. O setor privado trata de se deslocar para as aplicações financeiras, pois, o cenário recessivo lhes faz buscar “confiança”.

Dilma se encontra na reunião do G20 imaginando que concessões serão necessárias para arrefecer o ânimo dos derrotados. A busca demasiada pela governabilidade torna um governo que se pretende progressista muito comprometido.

O Brasil conseguiu passar pelo auge da segunda maior crise econômica mundial gerando empregos e diminuindo a desigualdade. É um desempenho representativo. A história tratará de honrar o ministro Guido Mantega.

Porém, esta mesma crise se prolonga e atingiu com mais energia os países em desenvolvimento. Até mesmo a China sente seus efeitos e crescerá bem menos.

Combater a desigualdade e criar empregos é mais fácil num cenário favorável, agora que as condições se tornaram adversas a ala dos privilegiados recrudesce no intuito de garantir posição. É por isso que vemos alguns desprezarem as instituições e a democracia. Pra estes, o Estado de Direito é bom somente se seus caprichos forem atendidos.

Dilma precisa entender que o tempo de conciliação e baixo nível de embate ideológico passou.

É hora de reafirmar e aprofundar a política econômica que mudou o país nesses últimos 12 anos. Pra isso, o diálogo e aproximação com os movimentos sociais que a elegeram tem de ser intenso. Somente a mobilização permanente conseguirá deter a furiosa investida conservadora.

Se tiver coragem e energia para sustentar essa inflexão, o embate permanecerá pesado, a imprensa sabe muito bem a quem presta serviço. Porém, a vitória real virá, continuaremos aprofundando a democracia e combatendo o ainda escandaloso abismo social.

Caso fraqueje, não agradará a oposição e ainda perderá o apoio dos que lhe confiaram mais um mandato.

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