Via Brasil de Fato

Equipe de especialistas disse que materiais analisados não tem nenhum parentesco biológico com os estudantes e episódio acentua o debate sobre desaparecimentos forçados no país.
Depois de analisar as primeiras seis valas de Cerro Viejo e os localizados pela Procuradoria Geral da República do México, no lixão de Cocula, os peritos da Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF) chegaram a conclusão que os restos mortais encontrados não são dos 43 estudantes desaparecidos em setembro. Até então os procuradores já davam como certo que as valas encontradas eram dos estudantes.
Em comunicado, a EAAF revelou que “até o momento, não tem havido identificação entre os restos mortais recuperados e os 43 estudantes [...] nenhum deles mostrou probabilidade de parentesco biológico”.
Foram analisados 30 restos encontrados em Cerro Viejo, nove em La Parota e os encontrados no lixão de Cocula, cuja quantidade não é precisada no comunicado.
O episódio acentua o debate sobre os desaparecimentos forçados no México, já que se desconhece a quem corresponde os restos encontrados nos locais citados acima.
O caso
Oitenta estudantes da escola rural para professores Raúl Isidro Burgos, da cidade de Iguala, viajavam em ônibus da empresa Costa Line. No dia 26 de setembro, estavam se organizando para coletar fundos para pagar a escola.
Quando já iam sair dali, alguns patrulheiros da polícia municipal quiseram parar a caravana, que não quis parar. Os policiais, então, segundo o testemunho anônimo de um jovem presente no local, começaram a disparar em direção aos ônibus.
A princípio, os policiais dispararam contra os ônibus, mas, depois de algumas horas, quando os estudantes davam uma coletiva de imprensa para denunciar o ataque contra eles, outros homens sem uniforme, que muitas testemunhas reconheceram como policiais municipais, dispararam outra vez e, mais tarde, balearam outro ônibus no qual viajavam jogadores da equipe local de futebol Avispones.
O saldo foi de seis mortos, três dos quais estudantes, e vinte feridos. Cinquenta e sete estudantes despareceram, sendo que vinte deles, como afirmam testemunhas oculares, foram levados à força por policiais de Iguala e do Estado de Guerrero. Quase duas semanas depois, 43 estudantes ainda estão desaparecidos.
