Arquivo mensais:outubro 2014

O espelho fascista de Merval Pereira

Por Theófilo Rodrigues | Via O Cafezinho

Alguns dias atrás escrevi um artigo sobre as razões pelas quais as grandes empresas brasileiras de comunicação temem a reeleição da presidenta Dilma Rousseff. É sempre cansativo voltar a um mesmo assunto, mas a coluna de Merval Pereira no jornal O Globo de hoje obrigou-me a fazê-lo.

Na verdade, Merval Pereira comprovou da pior maneira possível em sua coluna de hoje que meu argumento estava correto. De acordo com o porta voz das Organizações Globo o Brasil caminhará para o fascismo caso Dilma se reeleja, pois será copiado o modelo argentino de Cristina Kirchner. Seguem as exatas palavras do colunista: “É uma típica ação fascista, que está sendo usada já há algum tempo na Argentina de Cristina Kirchner. É neste caminho que vamos, caso Dilma se reeleja”.

Merval conseguiu em sua coluna apresentar a sua visão estreita sobre o que é a democracia e ao mesmo tempo comprovar que o seu principal medo é o de que a reeleição de Dilma signifique a aprovação da “regulação econômica da mídia” nos moldes da “Lei de Meios” da Argentina.

A irritação do colunista partiu de um discurso de Lula onde o ex-presidente criticou veementemente Míriam Leitão e William Bonner. Para Merval, a imprensa deve viver dentro de um aquário acima de qualquer suspeita, de onde jamais poderá ser criticada. Os jornalistas podem fazer críticas ou mesmo acusações a qualquer pessoa, mesmo sem provas, baseados apenas em especulações. Já a sociedade civil não pode criticar nenhum jornalista, pois se o fizer será acusada de atacar a liberdade de imprensa. Para essa concepção de “democracia mervaliana” é legítimo que uns tenham mais liberdade de expressão do que outros.

Mas curioso mesmo foi Merval ter admitido com todas as letras de onde vem o seu maior temor: que a reeleição de Dilma represente a implementação do modelo argentino de Cristina Kirchner no Brasil. Qual modelo argentino? O modelo da regulação econômica da mídia que acaba com a propriedade cruzada das empresas de comunicação, ou seja, com o monopólio da informação. Dilma já disse reiteradamente durante a campanha que se for reeleita o fará. E Merval, em nome de sua empresa, não consegue aceitar isso…

Para onde olha, Merval grita: “Fascista, fascista, fascista!”. O colunista só não percebeu o óbvio: está trancado dentro de uma sala de espelhos.

*- Theófilo Rodrigues é cientista político, coordenador do Barão de Itararé no Rio de Janeiro e colunista no blog O Cafezinho.

‘O que salvou o Brasil de uma grande recessão foram os bancos públicos’, diz Pochmann

Via RBA

Dilma tem reforçado o papel dos bancos de financiamento da agricultura, construção civil e setor produtivo nacional

São Paulo – Segundo o economista e professor da Unicamp Marcio Pochmann, a candidatura de Aécio Neves (PSDB) à presidência da República defende o mesmo receituário adotado nos anos 1990, marcado pela drástica redução do papel dos bancos públicos e crescente presença de bancos estrangeiros, apostando que a livre concorrência garantiria uma redução no custo dos empréstimos e, por consequência, da taxa de juros para o consumidor.

Para ele, tais medidas criaram um quadro reverso porque o esvaziamento dos bancos públicos e a maior presença dos bancos privados estrangeiros criou um “maior oligopólio” e “uma certa acomodação em torno de taxas de juros cada vez maiores, aumentando o rentismo”.

No combate aos efeitos da crise internacional, desencadeada em 2008, Pochmann destaca a decisão “correta” do presidente Lula de estimular a atividade dos bancos públicos – BB, BNDES, Caixa Econômica Federal – com grande capilaridade, “colocando crédito às grandes empresas e aos consumidores, sustentando muito bem essa crise que veio de fora”.

“A presidenta Dilma tem reforçado esse papel, por exemplo, do Banco do Brasil, de ser um grande banco de financiamento da agricultura brasileira; a Caixa Econômica como um grande banco de financiamento da construção civil, especialmente da moradia popular, e o BNDES como o banco que alavanca o investimento do setor produtivo nacional, com foco crescente nas micro e pequenas empresas”, afirma o professor, destacando a manutenção da política de contenção dos efeitos da crise e o protagonismo do estado no setor financeiro.

Sobre as propostas do candidato tucano de criação de um imposto único em substituição aos atuais IPI e ICMS, o economista recomenda cautela: “A questão do sistema tributário brasileiro precisa sofrer uma mudança, mas uma mudança mais ampla, porque o risco de mudar um ou outro imposto pode desorganizar o sistema tributário”.

Ao comparar os projetos em disputa neste segundo turno, Pochmann é categórico e cita uma tradicional fábula: “É a disputa da formiga com a cigarra. O grupo que fica falando o que vai fazer e o que não se deve fazer e, na verdade, faz pouco. Um time que já jogou no Brasil e nós vivemos, nesta época, o racionamento de energia, no ano de 2001, por conta da falta de planejamento.”

A decisão a ser tomada

Por Rennan Martins | Brasília, 23/10/2014

Domingo os brasileiros decidirão entre dois projetos de país. Duas visões político-econômicas que divergem muito nas prioridades, na concepção do que é melhor para a população e o mundo.

Dilma e o PT enxergam o Estado como um agente importante na condução econômica, consideram que este deve impulsionar setores estratégicos e atuar onde o mercado deixa a desejar.

Aécio e o PSDB creem que a esfera pública deve ser ao máximo reduzida, que as forças de mercado sozinhas dão conta de alocar os recursos de forma eficiente.

O atual governo vê na expansão da classe média um importante fator de aquecimento do mercado interno, um dinamizador das atividades produtivas nacionais.

A oposição propõe que esta deve contentar-se com ganhos proporcionais à produtividade, que a desigualdade não pode ser atacada e que resta aos cidadãos esperar que as benesses da globalização atinjam as bases da pirâmide. Não importando quanto tempo isso leve.

O PT considera que as riquezas nacionais precisam ser exploradas estrategicamente, vinculadas a investimentos na saúde e educação de forma a garantir que haja ganhos de capital social interno e qualidade de vida.

O PSDB acredita que devemos nos integrar às ditas “cadeias globais de produção”, que nossos recursos serão mais bem aproveitados se inseridos num contexto de franca abertura de mercado, ainda que em condições desiguais perante os desenvolvidos.

Dilma prioriza as relações comerciais com os parceiros do Sul Global, o BRICS e o Mercosul. Entende que a integração entre economias semelhantes gera maiores ganhos e evita que os fortes explorem os mais fracos.

Aécio acredita que devemos nos voltar para a Europa e os EUA. Julga que o comércio integrado a eles nos trará mais conveniências, mesmo que tenhamos de suportar os efeitos deletérios que a competição desigual traz a produção e emprego nacionais.

O governo vê os bancos públicos como fundamentais no processo de financiamento dos projetos de longo prazo, de desenvolvimento do país. Considera que há questões as quais não devem ser deixadas ao sabor do setor financeiro internacional.

A oposição pensa que a atuação dos bancos públicos emperra as dinâmicas do mercado e que isso gera ineficiência. Não se importam de sujeitar o desenvolvimento e bem-estar da população aos mandos da agiotagem institucional.

O PT propõe que o mercado precisa vincular-se à produção da economia real, que a riqueza precisa ser materializada em prosperidade a ser disponibilizada a toda a população.

O PSDB enxerga o mercado como uma entidade racional que por si só consegue alocar os recursos da melhor forma possível. Ignoram que desde a desregulação iniciada por Pinochet, Thatcher e Reagan o que assistimos é o aumento da concentração da riqueza a nível mundial.

Por fim, são essas as opções. De um lado, um projeto que pretende que o crescimento econômico não se opõe ao combate a desigualdade e ao investimento social, este é o projeto de Dilma. Do outro estão os velhos partidários da ideia de que a melhor forma de conduzir a economia é deixar o bolo crescer para um dia, quem sabe, ele ser dividido. Isto é o que propõe Aécio.

O histórico de favorecimento e irregularidades nas licitações das urnas eletrônicas

Por Patricia Faermann | Via Jornal GGN

Com um histórico de polêmicas, a segurança nas urnas eletrônicas já foi apontada por inúmeros especialistas como questionável. A última inovação, o recadastramento biométrico, mostrou sua fragilidade em poucos dias de inauguração: o Tribunal Superior Eleitoral descobriu que diversos eleitores têm mais de um registro na justiça eleitoral. Ao fazer um levantamento no histórico das licitações e contratos com o TSE, a constatação: os serviços de manutenção e segurança das urnas estão, há pelo menos 14 anos, nas mãos de dois únicos consórcios.

Uma auditoria realizada em janeiro de 2013, assinada pela advogada especialista em processo eletrônico eleitoral, Maria Aparecida Rocha Cortiz, mostrou que a empresa Módulo Security Solutions S/A prestava serviços de informática ao Tribunal Superior Eleitoral desde 1996, quando o sistema eletrônico foi implantado no Brasil, e que por treze anos (de 2000 a 2013) um único contrato foi firmado com infindáveis prorrogações.

O relatório, que teve a coordenação da Fundação Leonel Brizola (do PDT), descobriu ainda que não foi encontrada licitação, em qualquer modalidade, envolvendo a Módulo S/A e o TSE. Os acordos foram fechados pelo método “inexibilidade de licitação”, ou seja, que dispensa o processo licitatório, uma contratação de espécie ilegal, segundo a lei nº 8.666, de 1993.

Além de concluir pelo favorecimento da companhia, a auditoria apurou os fatos ocorridos nas eleições de 2012, envolvendo os municípios de Londrina, no Paraná, e Saquarema, no Rio de Janeiro, em que foram detectadas irregularidades na prestação do serviço de instalação e segurança SIS. “O SIS monitora todo o ciclo de vida da eleição, desde os cadastros dos eleitores e dos candidatos, a geração dos bancos de dados para as urnas eletrônicas, a recepção dos resultados e a sua divulgação (…)”, explica Maria Aparecida Cortiz.

Em Londrina, o “carro forte” que transportava os programas que deveriam ser instalados nas urnas eletrônicas não conseguiu chegar ao seu destino final. Outro programa adulterado foi instalado em 209 computadores da 157ª Zona Eleitoral. Com a descoberta da adulteração, uma ação foi proposta e o TSE foi informado dos acontecimentos, mas “nada fez para reverter a ineficiência da empresa Módulo, responsável pela segurança de instalação dos programas oficiais”.

Em Saquarema, houve invasão da rede de segurança do TRE com desvio de votos legítimos. Um jovem hacker de 19 anos revelou fraudes nos resultados na Região dos Lagos, com o objetivo de mostrar — através de acesso ilegal e privilegiado à intranet da Justiça Eleitoral no Rio de Janeiro — como modificou resultados, beneficiando candidatos em detrimento de outros, sem nada ser oficialmente detectado.

Abaixo, um histórico feito pela auditoria nas contratações da Módulo S/A e o TSE:

No Portal da Transparência da Controladoria Geral da União é possível conferir os gastos diretos do governo federal para a Módulo Security Solutions S/A, não necessariamente para a segurança das urnas, mas caracterizado como “Outros Serviços” em Consultoria em tecnologia da informação. Os dados foram encontrados desde 2008.

2008: R$ 3.077.345,07

2009: R$ 5.324.570,50

2010: R$ 2.916.342,25

2011: R$ 3.190.261,75

2013: R$ 1.805.709,89

A Modulo Security Solutions é comandada pelo empresário Sergio Thompson-Flores, que entre seus negócios, foi presidente e sócio da Infinity Bio-Energy, empresa sustentada por dinheiro de fundos estrangeiros. Em seu histórico, entre 2006 e 2007, Thompson-Flores comprou oito usinas e anunciou a construção de outras cinco, em um ano e meio. Uma dessas parcerias ocorreu com o então fundador da Brenco – Brazil Renewable Energy Company, Henri Phillipe Reichstul, ex-presidente da Petrobras do governo Fernando Henrique Cardoso.

História semelhante às licitações da Módulo foi denunciada pelo Ministério Público Federal sobre a empresa Probank, encontrando cláusulas restritivas à competitividade. Em 2004, a empresa ofereceu uma proposta de R$ 43 milhóes para o serviço de suporte ao voto informatizado, valor R$ 4 milhões mais caro que a Embratel, a primeira colocada no pregão, que foi desqualificada por não ter cumprido requisitos técnicos.

Dois anos depois, em nova licitação, apenas duas empresas participaram da concorrência, vencendo novamente a Probank por ter oferecido a melhor proposta. Entretanto, o contrato 37/2006 custou mais que o dobro da licitação anterior: R$ 92 milhões.

Durante cinco anos, de 2006 a 2011, como na Módulo, as prorrogações sucessivas ocorreram também para a Probank, ainda que a vigência do contrato inicial valia por apenas 12 meses. “A medida é considerada antieconômica pelo MPF já que, conforme o próprio TSE afirma, o custo com a manutenção preventiva das urnas soma menos de 10% do valor contratual total”, afirmou, em nota, o Ministério Público. Além disso, em anos sem eleições, os valores de contratação para a empresa se mantiveram.

No ano de 2006, a Probank S/A foi contratada pelo então Secretário de Informática do Tribunal Superior Eleitoral, Paulo Camarão – que esteve no cargo por quase dez anos – para os serviços de urnas. No mesmo ano, Camarão tornou-se proprietário da Probank, criando, entre outros serviços o de totalização dos votos (E-VOTE), que chegou a ser vendido ao Equador também em 2006, depois de um acordo rompido, em que o TSE forneceria 2.200 urnas brasileiras às eleições do país.

Wilson Nélio Brumer foi o último proprietário da Probank, antes de decretar falência em setembro de 2013. Brumer foi secretário de Aécio Neves, na pasta de Desenvolvimento Econômico nos dois mandatos do tucano, trabalha no Comitê tucano e tem atuado como cabo eleitoral, arrecadando recursos de empresários para o candidato.

Entretanto, para continuar no ramo, outra empresa assumiu as contratações do TSE: a Engetec, que teve a comprovação de existência de relação administrativa com a Probank pela Justiça, em 2013, caracterizando grupo econômico, além de ter sido apontada pelo Ministério Público Federal como ligada a parentes de sócio da falida.

A Engetec, por sua vez, faz parte do Consórcio ESF. Os mesmos privilégios de licitação foram constatados. Durante a concorrência de 2012, quem ganharia a licitação seria a Empresa de Pesquisas Tecnicas LTDA. Mas, a Engetec entrou com uma reclamação. Em seguida, a pregoeira afirmou: “tendo sido solicitados e examinados os documentos de habilitação do Consórcio [vencedor], a unidade técnica examinou os documentos apresentados para comprovar a qualificação técnica e após solicitar diligências nos atestados apresentados constatou que o Consórcio não atendeu os requisitos para tanto”.

O caso foi, novamente, denunciado pelo MPF, que apurou que a exigência envolvia equipes com, no mínimo, cinco mil profissionais habilitados trabalhando em períodos simultâneos em, no mínimo, dez estados brasileiros. “O requisito foi responsável pela desclassificação de empresas que apresentaram propostas mais baratas”, informou o MPF, que considerou “excessiva e inadequada” a exigência da licitação.

Em 2012, a Engetec foi contratada pelo valor anual de R$ 129 milhões, com possibilidade de prorrogação por até 60 meses.

Nas eleições deste ano, o Consórcio ESF, o mesmo que a Engetec liderava, mais uma vez utilizou manobras para tentar vencer a licitação. A empresa Smartmatic Brasil Ltda, parceira da Engetec, ofereceu o melhor valor. Mas teve a proposta rejeitada porque não apresentou alguns documentos. A segunda e a terceira colocadas também foram rejeitadas, pelo mesmo motivo, o que fez com que a licitação fosse anulada.

Assim, a Smartmatic e a CTIS Tecnologia S.A (segunda colocada) entraram com recurso, sem sucesso pelo TSE. No dia seguinte, o Tribunal abriu novo licitação. Dessa vez, a CTIS Tecnologia S.A não participava e a Smartmatic (do consórcio) oferecia um valor de R$ 135.950.000, R$ 15 milhões a mais do que havia proposto na primeira concorrência. Considerando exacerbada a diferença de valores, o TSE revogou a segunda licitação, no dia 1 de julho de 2014.

Desde a anulação dessas concorrências, não foi possível encontrar no portal que registra as licitações do TSE (comprasnet.gov) a empresa que assumiu o serviço. Ainda assim, a própria Engetec afirma que foi contratada pelos TREs de sete estados (Ceará, Distrito Federal, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul) para realizar o suporte técnico das Eleições 2014. E o Tribunal Superior Eleitoral ainda mantém como o último contrato de exercitação de urnas eletrônicas o firmado em 2012, com a Engetec.

Neste Domingo

Por Marcelo Zero

Neste domingo, voto em quem tirou 36 milhões de brasileiros da miséria e colocou 42 milhões de cidadãos na classe média. Não fui diretamente beneficiado por essa extraordinária revolução social. Mas o Brasil foi. Voto nesse Brasil mais justo e igualitário.

Neste domingo, voto no projeto político que tirou o Brasil do Mapa da Fome. Não passava fome, mas muita gente passava. Voto no Brasil com comida no prato de todos.

Neste domingo, voto nos governos que geraram 21 milhões de empregos com carteira assinada, reduziram o desemprego ao seu mínimo histórico e aumentaram o salario mínimo em 72%. Não estava desempregado, mas muita gente estava. Não ganho o salario mínimo, mas muita gente ganha algo próximo disso. Voto no Brasil com bons empregos e salários para todos os trabalhadores. Jamais votarei pela volta do arrocho salarial e do desemprego.

Neste domingo, voto naqueles que implantaram o Mais Médicos e, com isso, levaram assistência básica de saúde a 50 milhões de brasileiros que não contavam com a mão amiga de um profissional da medicina. Não preciso desse programa, mas muita gente precisava dele desesperadamente. Tenho orgulho dos médicos de todas as nacionalidades que participam desse grande esforço humanitário. Voto nesse Brasil mais saudável e solidário.

Neste domingo, voto em quem duplicou as matrículas nas universidades e abriu as suas portas para os mais pobres e os afrodescendentes. Voto em quem triplicou o orçamento da Educação e decidiu canalizar 75% dos royalties do pré-sal para o futuro do ensino do país. Voto em quem praticamente triplicou as escolas de ensino técnico e implantou o maior programa de ensino profissionalizante da nossa história. Voto no inédito programa de creches e na melhoria da qualidade do nosso ensino fundamental, com a escola em tempo integral e a alfabetização na idade certa. Voto no Ciência sem Fronteiras. Voto no Prouni, no Reuni e no Enem. Jamais votarei em quem sucateou as universidade públicas e deixou professores sem reajuste por 8 anos.

Neste domingo, voto em quem confiou e fortaleceu a Petrobras. Voto naqueles que propiciaram a descoberta do pré-sal, nosso passaporte para um futuro de grandes realizações. Voto na Petrobras que recuperou nossa indústria naval e toda a cadeia de petróleo, gerando muitos empregos para trabalhadores brasileiros. Voto nessa Petrobras a serviço do Brasil e do seu povo. Jamais votaria na Petrobrax e naqueles que, fingindo defender a empresa, querem entregar o pré-sal.

Neste domingo, voto na construção do Brasil pelo PAC, o Minha Casa Minha Vida, os programas de mobilidade urbana e vários outros. Voto nesse Brasil em obras, mesmo que algumas delas atrasem. Não votarei em quem só sabe descontruir o Brasil e vender seu patrimônio a preço de banana. Não votarei em quem promove apagões de energia e água.

Neste domingo, voto não só pelo Brasil. Voto também pela América Latina mais integrada e próspera e por um mundo mais simétrico, pacífico e menos sujeito aos humores unilaterais das grandes potências. Por isso, voto na continuidade da política externa altiva e ativa, que nos elevou aos olhos do mundo. Voto no Mercosul, não em sua extinção. Voto nos BRICS, não em seu abandono Voto no multilateralismo, não no unilateralismo. Voto na paz, não nas guerras que só agravam os conflitos. Voto no Brasil soberano, não no Brasil subalterno. Jamais votarei em quem nos fragilizou e descalçou.

Neste domingo, voto em que nos livrou do FMI. Voto em quem quitou nossa dívida externa e controlou, de fato, a inflação. Não votaria em quem quebrou o país três vezes. Mas votaria sempre em quem consegue enfrentar a grande crise mundial sem sacrificar os trabalhadores.

Neste domingo, voto em quem realmente se empenha em acabar com a corrupção e a impunidade no país, ao contrário do que diz o neoudenismo de plantão. Voto em quem fortaleceu e deu autonomia à Polícia Federal, à Controladoria Geral da União e ao Ministério Público. Voto em quem promoveu a transparência na Administração Pública, com o Portal da Transparência e a Lei de Acesso à Informação. Voto no governo mais fiscalizado da história do país. Jamais votarei naqueles que promoveram o regime impune do engavetador-geral, da Polícia Federal e do Ministério Publico sem autonomia, dos escândalos esquecidos e nunca investigados, da Administração Pública opaca e complacente com os vícios. Não votarei no moralismo hipócrita daqueles que hoje posam de vestais imaculadas.

Neste domingo, voto em quem quer realmente promover a Reforma Política no Brasil, única maneira de se enfrentar a corrupção e os desmandos no sistema de representação do país. Não votarei em quem quer, na realidade, manter as regras que propiciam os desvios e a distorção da vontade popular.

Neste domingo, voto contra o racismo e a homofobia. Voto contra o machismo e o sexismo. Voto a favor das cotas, que começam a resgatar uma imensa dívida histórica. Voto contra a monstruosidade moral da redução da maioridade penal.

Neste domingo, voto em mulher guerreira, não em machista agressivo.

Neste domingo, voto na mãe que hoje consegue alimentar seus filhos. Voto no pai que conseguiu dar uma casa para sua família. Voto no filho do trabalhador que virou doutor. Voto na avó que agora consegue ver seus netos na hora de dar boa noite, graças ao Luz Para Todos. Voto no cidadão que hoje tem emprego e salário decentes. Voto nos estudantes pobres e afrodescendentes que podem cursar uma universidade. Voto na mulher brasileira, a grande beneficiada pelas políticas sociais que causam admiração no mundo inteiro.

Neste domingo, voto no Brasil para todos, não no Brasil para poucos.

Neste domingo, voto com esperança, não com ódio.

Neste domingo, voto Dilma.

Pesquisas e delação premiada se transformam em pesadelos para Aécio Neves

Via Correio do Brasil

A candidatura do senador Aécio Neves (PSDB), que concorre à Presidência da República, começou a viver, nesta terça-feira, o seu pior pesadelo neste segundo turno das eleições. A campanha de Neves acordou com a notícia de novas delações premiadas sobre a participação de parlamentares tucanos na roubalheira promovida por uma quadrilha especializada, na Petrobras, ao longo de mais de uma década. Não bastasse este ruído matinal, os coordenadores de campanha do político mineiro foram dormir com os números da última pesquisa Datafolha, que colocam a candidata adversária, presidenta Dilma Rousseff, “numericamente à frente” na corrida presidencial.

O desempenho de Dilma Rousseff foi impulsionado, pela melhoria de seu desempenho no Sudeste – região de maior densidade populacional do país –, onde ela alcança 52% das intenções de votos válidos, sem contar os votos nulos e em branco. Neves aparece com 48%. Segundo a pesquisa, trata-se de “um empate técnico no limite máximo da margem de erro, de dois pontos para mais ou para menos”. O empate, porém, somente ocorre se for considerada uma combinação de dois extremos da margem de erro: “A probabilidade maior é que Dilma esteja mesmo na frente”, começa a admitir o Datafolha.

No Rio de Janeiro, onde Dilma ultrapassou o adversário tucano, a tendência é a candidata petista liderar a virada nos quatro Estados do Sudeste, nos próximos dias, após o comício que realizará, na noite desta quarta-feira, na Cinelândia, Centro da capital. Na Região Sudeste, Dilma subiu de 34% para 40% no intervalo de apenas 11 dias. Outro avanço relevante no período foi entre as mulheres, de 42% para 46%. Na TV e nas redes sociais, Dilma explorou o fato de que Aécio ser agressivo com as mulheres, após chamar a presidenta de “leviana”, com o dedo em riste, no debate organizado pela rede de TV SBT.

Nas faixas de renda, Dilma vence entre os mais pobres (até 2 salários mínimos) de 55% a 34% dos votos totais. Na faixa seguinte (2 a 5 salários), a dianteira de 11 pontos de Aécio registrada na pesquisa anterior recuou para três (46% a 43%, um empate técnico). O tucano vence apenas entre os grupos mais ricos e, mesmo nesta faixa, começa a ser ameaçado pela rejeição, que é numericamente maior que a rejeição de Dilma: 40% dos eleitores dizem que não votam no tucano “de jeito nenhum”. Com Dilma, a taxa é de 39%. O Datafolha ouviu 4.389 eleitores. Todas as entrevistas foram feitas na véspera.

Bordão da Petrobras

Quando iniciou sua campanha, um dos bordões do candidato Aécio Neves era o da corrupção na Petrobras, após as delações do ex-diretor da empresa Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef, que apontaram a participação de políticos de legendas que integram a base aliada ao governo da presidenta Dilma Rousseff. Na noite passada, porém, um auxiliar do doleiro Alberto Youssef disse, em depoimento à Justiça federal, que outros parlamentares do PSDB receberam propina do esquema; além do senador Sérgio Guerra, morto em março deste ano.

A informação foi passada aos jornalistas por Haroldo Nater, advogado que defende o empresário Leonardo Meirelles, acusado de ter feito remessas ilegais para o doleiro. Meirelles não foi autorizado pelo juiz Sergio Moro a citar nomes, mas ofereceu indícios de quem seria um dos parlamentares do PSDB. Segundo Nater, ele era da mesma região de Youssef que operava em Londrina, no Paraná.

O juiz também não autorizou a menção a nomes de deputados e senadores porque eles têm direito a foro privilegiado e somente o Supremo Tribunal Federal (STF) tem poder para investigá-los. Meirelles, ainda segundo seu advogado, soube desses pagamentos porque frequentava o escritório de Youssef na região em São Paulo. Meirelles é um dos donos da Labogen, uma das empresas que foi usada pelo doleiro para remeter US$ 444,7 milhões ao exterior, o equivalente hoje a R$ 1,1 bilhão.

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa foi o primeiro a indicar a presença de altos líderes na hierarquia tucana no saque aos cofres da Petrobras. Ele citou Guerra em seu acordo de delação premiada como beneficiário de propina para esvaziar a CPI da Petrobras, no final de 2009. À época, Guerra era presidente do PSDB.

Tem gente graúda

Segundo Leonardo Meirelles, em seu depoimento, Youssef era o chefe do esquema de lavagem de dinheiro, ainda segundo o seu advogado.

– Youssef tinha poder de mando, dirigia as operações e falava com as empreiteiras. Claro que era o chefe – afirmou Nater às autoridades.

Durante interrogatório, que veio a público nos últimos dias, o doleiro disse que não comandava o esquema:

– Não sou mentor ou chefe da organização criminosa. Tinha gente mais elevada, inclusive acima do Paulo Roberto Costa, no caso agentes públicos – disse. Agentes públicos tratava-se de um eufemismo para políticos.

A mídia estragou a oposição

Por Luciano Martins Costa | Via Observatório da Imprensa

Os jornais de quarta-feira (22/10) fazem uma série de digressões na cobertura da disputa eleitoral, levando seus leitores a passear por temas paralelos, como se os editores estivessem saturados com o bate-boca que eles mesmos estimularam.

O Estado de S.Paulo aposta em manchete sobre a crise de abastecimento de água em São Paulo, o Globo destaca entrevista do ministro José Antônio Dias Toffoli, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, e a Folha de S.Paulo apresenta explicações para a virada nas intenções de voto, favorável à reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Como pano de fundo, os jornais registram reclamações do candidato do PSDB, o senador Aécio Neves, contra os números do Datafolha. Citando a incongruência das pesquisas realizadas na véspera do primeiro turno, que se mostraram distantes da realidade das urnas, o ex-governador de Minas Gerais fez blague da suposta vantagem de sua oponente.

Os jornais observam que os indicadores funcionaram como um balde de água fria sobre o ânimo dos eleitores da oposição. O Estado de S. Paulo insere a questão hídrica no centro das controvérsias eleitorais: o jornal paulista dá voz ao presidente da Agência Nacional de Águas, o petista Vicente Andreu, que alerta para o risco de São Paulo ter que retirar água do lodo no fundo do manancial da Cantareira.

Em defesa de seu instituto, a Folha afirma que uma onda de otimismo com a economia ajuda a explicar a reação de Dilma Rousseff nas pesquisas: nova rodada, realizada na terça-feira (21), confirma a virada da presidente sobre Aécio Neves, com 52% dos votos válidos contra 48% do tucano.

O Globo aposta em entrevista crítica com relação aos ataques pessoais que marcaram a campanha, mas, em editorial, se junta à opinião manifestada pela Folha de S.Paulo na semana passada, quanto ao problema da falta de água: o jornal carioca também admite que houve “inépcia administrativa” do governo paulista diante dos fatores climáticos previstos há muito tempo, que indicavam a insuficiência das chuvas no Sudeste.

O editorial dá um jeitinho de compartilhar a responsabilidade com o governo federal, mas reconhece que o governador de São Paulo deixou de tomar medidas preventivas que poderiam reduzir a gravidade do problema.

A trégua dos canhões

Tudo isso soa como tergiversação. O leitor e a leitora escolados na interpretação crítica do texto jornalístico hão de observar que os principais diários de circulação nacional evitam assumir publicamente a decepção que aflige as redações com a queda no desempenho de seu candidato. Aécio Neves já não parece despertar o ânimo dos editores, e as primeiras páginas dos jornais refletem a falta de um bom factoide para reabastecer a artilharia da imprensa.

Como naqueles intervalos das grandes batalhas, um pesado silêncio indica que a mídia foi buscar munições. Mas alguns colunistas, talvez por falta de sintonia com o momento reflexivo das redações, ainda atiram pedras na candidata da situação: o economista com doutorado em universidade americana, ex-diretor do Banco Central e dono de consultoria esquece seus títulos e resvala na grosseria ao afirmar que a presidente da República não lê seus textos; aliás, ele sugere que ela não lê coisa alguma.

Peças de mau jornalismo como esse artigo justificam em grande parte a percepção de alguns analistas: acomodada sob o guarda-chuva protetor da imprensa hegemônica, a oposição política aos governos do Partido dos Trabalhadores amoleceu e perdeu a fibra. Ao aceitar a tutela da mídia tradicional, o PSDB se tornou relapso em sua função de pensar o país por uma ótica diversa daquela que predomina em Brasília há treze anos. Uma colunista do Estado de S.Paulo, em texto no qual chama o ex-presidente Lula da Silva de “herói sem caráter”, diz que a oposição é tíbia e errática.

A certeza do respaldo da mídia parece ter desobrigado os pensadores da oposição de caprichar na qualidade de suas manifestações públicas, e até intelectuais antes respeitados se deixaram envolver no discurso bizarro produzido pelos pitbulls da imprensa.

Na reta final da disputa eleitoral, jornalistas, empresários e executivos com altas responsabilidades dão curso a boatos e mitos nas redes sociais para tentar influenciar os indecisos. Articulista versado em ofensas se converte em crítico da baixaria; editorial pede mais respeito aos eleitores depois de estimular a pancadaria; o cabelo da ex-ministra Marina Silva vira assunto de política.

E os jornais fingem que não têm nada a ver com o baixo nível da campanha.