Arquivo mensais:outubro 2014

Eleições mostram que elite brasileira é escravocrata

Por Dennis de Oliveira | Via Quilombo

O que aconteceu nos últimos dias da campanha eleitoral presidencial foi a reedição de uma tentativa de golpe eleitoral 25 anos depois. Em 1989, diante da possibilidade de vitória de Lula à presidência da República, a Globo e o Jornal Nacional editaram a cobertura do último debate eleitoral, de forma a favorecer o candidato Fernando Collor, em uma disputa que estava apertada.

Naquele momento, o Brasil vivia em uma “encruzilhada histórica” como dizia o saudoso presidente do Partido Comunista do Brasil, João Amazonas: ou se definia por um caminho progressista ou se enveredava pelo modelo neoliberal. Os partidos de esquerda que apoiavam Lula naquele momento, PT a frente, não perceberam isto. A derrota teve consequências gravíssimas para a população brasileira que só não foram piores devido ao impeachment de Collor e a inabilidade do então presidente. Mas, de qualquer forma, abriu caminho para que o projeto neoliberal fosse tocado pelo PSDB com Fernando Henrique, cinco anos depois. Estatais privatizadas, desemprego alto, crescimento baixo, repressão aos movimentos sociais, tudo isto foi a tônica dos oito anos de governo do PSDB.

Em 2014, com a perspectiva de levar novamente ao poder as forças neoliberais, o aparato midiático, simbolizado pelo tripé Veja-Globo-Folha tentou novamente dar um “golpe midiático”. Só que desta vez, o PT e as forças de esquerda estavam mais atentas. A militância foi para as ruas, a blogosfera progressista funcionou como anteparo ao monopólio midiático e a própria população brasileira está mais amadurecida. Mesmo assim, vimos agora, 25 anos depois do vergonhoso episódio da edição do debate da Globo, a revista Veja antecipar sua edição semanal e transformar em notícia de capa um boato (produto de declaração de uma fonte pouco confiável, pois é um criminoso em delação premiada). Na sequência, Jornal Nacional e Folha de S. Paulo repercutem.

Campanhas de ódio e de preconceito são disseminadas amplamente nas redes sociais, inclusive com mentiras como a notícia do “assassinato por petistas do doleiro Youssef”. Enquanto isto, o problema da falta de água em São Paulo, produto da irresponsabilidade administrativa do governo estadual de SP pouco é tratada. Passeatas tucanas em São Paulo que reuniram alguns milhares de pessoas, são ditas que tinham 10 mil pessoas.

A força de Dilma Roussef no nordeste brasileiro insuflou ainda mais o preconceito contra o povo nordestino, cuja maioria é negra. Discursos golpistas como o de que a presidenta não poderia governar caso fosse eleita porque quem vota nela é dependente de benefício social são disseminados. Junto com eles, propostas de redução da maioridade penal, propostas fundamentalistas preconceituosas contra os homossexuais ganham as páginas.

Enfim, é uma demonstração nítida de quem é a direita brasileira: racistas, preconceituosos, golpistas, antidemocráticos e que odeiam a turma de baixo. Falsos moralistas, pois ao mesmo tempo que apontam o dedo para as denúncias de corrupção nos governos petistas, escondem as suas (como o trensalão tucano, mensalão mineiro, caso da falta d’água em São Paulo).

São filhos dos senhores de escravos, são aqueles que se incomodam em ter que dividir o espaço do aeroporto com trabalhadores, as universidades com negros e negras, pagar direitos trabalhistas para as domésticas, serem proibidos de discriminar homossexuais. São os “criadores de mídia” que se irritam com o movimento negro denunciando o racismo e o machismo dos programas de televisão. São aqueles que defendem a democracia desde que estejam no comando. São aqueles que defendem que o povo pobre deve mais é morrer porque médico só deve trabalhar em condições que julgam ideais.

O que fica de lição nestas eleições: que não dá para confiar nesta gente. Que a solução é de fato ir para a esquerda. Pois enquanto os homens investem nos seus podres poderes, negros, índios, bichas e mulheres devem fazer o carnaval.

O recado das ruas, urnas e redes

Por Rennan Martins | Brasília, 27/10/2014

A eleição mais acirrada desde a redemocratização deixou-nos uma série de sinais e desafios. A voz das ruas, redes e urnas posicionou-se, e é de fundamental importância dar ouvidos a ela. A participação social ampla é um dos pontos-chave se pretendemos construir um país solidário, justo e plural.

A primeira coisa mais notável dessa eleição é o fato dos cidadãos não mais confiarem na grande mídia. A reeleição de Dilma deixou claro que os brasileiros já notaram que nossa imprensa age partidariamente, que tenta influir de forma suja no desenrolar de nossa democracia. A resposta que deram a este latifúndio da voz foi uma clara rejeição.

O elitismo e o preconceito de classe também foram derrotados. Uma parte do eleitorado tucano influiu de forma decisiva na derrota do próprio candidato. Com suas intervenções de ódio contra nordestinos, gays e outras minorias promoveram uma ampla contrapropaganda. Sem dúvida muitos viram o teor destes comentários e preferiram manter-se ao lado do atual governo.

Outro sinal importante dado pelos eleitores é de que desprezam o falso moralismo. O resultado das urnas deixou claro que a população não se deixa mais levar por moralismo de ocasião, por surtos éticos puramente eleitoreiros. Qualquer candidato que queira disputar o Palácio do Planalto precisa entender que não serão discursos rasos de “limpeza” que os catapultará. O brasileiro entendeu que o combate a corrupção se dá com atitudes, não com retórica.

A vitória de Dilma indica que o povo é consciente de que o país avançou, que o nível de vida das pessoas melhorou. Isso não significa, porém, que há conformismo. O que se pretende é a continuidade da inclusão social, do crescimento econômico que não deixa de lado as pessoas.

A derrota de Aécio é também um claro não ao projeto que quer sujeitar o povo aos “fundamentos macroeconômicos”. O brasileiro entendeu que há divergências entre o mercado e os interesses populares, e assim declarou que não mais deseja o país submetido a ajustes ditados por tecnocratas de instituições internacionais especializadas no arrocho.

A reeleição também sinaliza que o país vê com bons olhos a postura pró-ativa e independente do Brasil no cenário internacional. A cooperação Sul-Sul, a integração latino-americana o BRICS foram aprovados. A construção de uma ordem internacional multipolar foi compreendida e recebeu seu voto de confiança.

Dilma irá para seu segundo mandato com enormes desafios. A economia precisa de novas bases que criem condições para mais um ciclo de crescimento e desenvolvimento. O país necessita com urgência de reformas que tornem nossa democracia mais próxima dos anseios dos cidadãos.

Em termos econômicos, o desafio é romper em definitivo com o neoliberalismo, assumir de vez que perseguimos outro modelo, de prioridades diversas. É preciso deixar claro que essa proposta prevê o lugar do Estado na economia, que não se quer relegar tudo ao mercado, que a esfera pública não será mínima.

Quanto as reformas, Dilma deu ênfase de que pretende deflagrar a reforma política, a mais estratégica delas. O fim do financiamento de campanhas por pessoas jurídicas é um dos mais importantes pontos que devem ser perseguidos.

A imprensa brasileira também precisa ser revista. As verbas publicitárias estatais devem ser distribuídas seguindo princípios inclusivos, democráticos e plurais. A grande mídia não mais dialoga com a realidade, atua a margem dela, com objetivos próprios. Incentivar outras visões e desconcentrar os anúncios estatais é fundamental para nossa democracia.

Como já dito acima, os desafios continuam enormes. Os brasileiros que desejam o bem comum certamente permanecerão debatendo, se engajando, fazendo política a todo o tempo.

Por que a Minas de Aécio deu a vitória a Dilma

Por Kiko Nogueira | Via DCM

Obrigado por nada, Minas

Uma das certezas desse fim de eleição é que os ignorantes de sempre culparão os nordestinos ignorantes pela derrota de Aécio Neves e proporão um racha.

Estarão errados, mais uma vez, não apenas pelo julgamento odioso. O Nordeste escolheu Dilma maciçamente — inclusive Pernambuco, onde a viúva de Eduardo Campos declarou apoio a Aécio Neves –, mas decidiu o pleito com a ajuda inestimável dos mineiros.

Em Minas, o ex-governador perdeu por 52,4% a 47,6%. São cerca de 500 mil votos.

Para quem se jactava de ter deixado o cargo com 92% de aprovação, número nunca comprovado, e falava de seu estado com um tom de apropriação, foi uma paulada.

Aécio não apenas não elegeu o candidato de seu partido em MG como apanhou de uma conterrânea que, como ele, passou muito pouco tempo por lá.

A nacionalização de Aécio, trazida pela campanha, mostrou aos habitantes de Minas um homem que eles talvez desconfiassem que não fosse grande coisa. Mas como saber ao certo com uma imprensa totalmente vendida e uma propaganda oficial diuturna?

Durante sua gestão e a de Anastasia, não foram publicadas notícias sobre o aeroporto construído em terras do tio, sobre o nepotismo, sobre as verbas publicitárias para veículos de comunicação da família etc. Isso só veio à tona nos últimos anos — e mesmo assim com uma imprensa de Rio e SP jogando a favor.

Aécio termina 2014 como um nome nacional, com um capital eleitoral forte num país dividido, recordista de votos no PSDB, mas derrotado. Terá pela frente dois concorrentes com sangue nos olhos: José Serra e Geraldo Alckmin, ambos de São Paulo.

Os dois estavam com Aécio em seu discurso pós derrota. Claramente ressentido, Aécio não dirigiu palavra à mineirada.

“Eu deixo essa campanha ao final com o sentimento de que cumprimos o nosso papel. São Paulo retrata de forma mais clara o sentimento que tenho no meu coração pelo cumprimento da minha missão: combati o bom combate, cumpri minha missão e guardei a fé”, disse, citando São Paulo numa das cartas a Timóteo.

Minas livrou o Brasil de seu filho.

A última tacada de Fábio Barbosa e da Editora Abril

Por Luis Nassif | Via Jornal GGN

O amigo liga em pânico: “A imprensa vai acabar com a democracia no Brasil”. Respondo: “É a democracia que vai acabar com a imprensa e implantar o jornalismo”.

A aventura irresponsável de Veja – recorrendo a uma matéria provavelmente falsa para pedir o impeachment de um presidente da República – não se deve a receios de bolivarianos armados invadindo a Esplanada. Ela está sendo derrotada pelo mercado, pelo fato de que, pela primeira vez na história, a Internet trouxe o mercado para o setor fechado, derrubando as barreiras de entrada que permitiram a sobrevida de um jornalismo anacrônico, subdesenvolvido, a parte do país que mais se assemelha a uma republiqueta latino-americana.

É um caso único, de uma publicação que se aliou a uma organização criminosa – de Carlinhos Cachoeira – e continuou impune, fora do alcance do Ministério Público Federal e da Polícia Federal.

A capa de Veja não surpreende. Há muito a revista abandonou qualquer veleidade de jornalismo.

Acusa a presidente da República Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula de conhecerem os esquemas Petrobras com base no seguinte trecho, de uma suposta confissão do doleiro Alberto Yousseff:

- O Planalto sabia de tudo – disse Youssef.

- Mas quem no Planalto? – perguntou o delegado.

- Lula e Dilma – respondeu o doleiro.

Era blefe.

Na sequência, a reportagem diz:

“O doleiro não apresentou – e nem lhe foram pedidas – provas do que disse. Por enquanto, nesta fase do processo, o que mais interessa aos delegados é ter certeza de que o depoente atuou diretamente ou pelo menos presenciou ilegalidades”.

Na primeira fase da delação premiada tem-se o criminoso falando o que quer. Enquanto não apresentar provas, a declaração não terá o menor valor. E Veja tem a fama de colocar o que quer nas declarações de fontes.

Ligado ao PSDB do Paraná, o advogado de Yousseff desmentiu as informações. Mas não se sabe ainda qual é o seu jogo.

As apostas erradas da Abril

Golbery do Couto e Silva dizia que a mentira tem mais valor que a verdade. A verdade é monótona, tem uma só leitura. Já a mentira traz um enorme conjunto de informações a serem pesquisadas, as intenções do mentiroso, a maneira como a mentira foi montada.

Daí a importância da capa de Veja: permitir desvendar o que está por trás da mentira.

A primeira peça do jogo é entender a posição atual do Grupo Abril.

Apostas de altíssimo risco só são bancadas em momentos de altíssimo desespero. A tacada da Veja torna quase irresistível a proposta de regulação da mídia e de repor as defesas do cidadão que foram suprimidas pelo ex-Ministro Ayres Britto, ao revogar a Lei de Imprensa.

Qual a razão de tanto desespero nessa aposta furada?

A explicação começa alguns anos atrás.

No mercado de mídia, o futuro acenava para o advento da Internet e da TV a cabo e para o fim das revistas e do papel. As apostas da Abril foram sempre na direção errada.

Ela montou um dos primeiros portais brasileiros, o BOL, que posteriormente fundiu-se com a UOL. Graças à sua influência política, conseguiu frequências de UHF e canais de TV a cabo.

A editora endividou-se e, para tapar buracos, Civita foi se desfazendo de todas as joias da coroa. Passou os 50% que detinha na UOL para a Folha – por um valor insignificante; vendeu a TV A para a Telefonica. Associou-se ao grupo sul-africano Naspers, em uma operação confusa, visando burlar o limite de 30% para capital estrangeiro em grupos de mídia, previstos na lei.

Não parou por aí.

Adquiriu duas editoras – a Atica e a Scipionne –, que dependem fundamentalmente de compras públicas, confiando no poder de persuasão dos seus vendedores junto à rede escolar. A decisão do MEC (Ministério da Educação) de colocar todos os livros em uma publicação única, para escolha dos professores, eliminou sua vantagem comparativa.

Aí decidiu investir em cursos apostilados para prefeituras, um território pantanoso. Finalmente, “descobriu” o caminho das pedras, passando a direcionar todas suas energias para a área de educação.

Para tanto, criou uma nova empresa, a Abril Educação, colocou debaixo dela as editoras e os cursos e contratou um executivo ambicioso, Manoel Amorim, que aumentou exponencialmente o endividamento do grupo, para adquirir cursos e escolas. Foi uma sucessão de compras extremamente onerosas, que deixaram o grupo em má situação financeira. A solução foi vender parte do capital para um grupo estrangeiro. Nem isso resolveu sua situação.

No ano passado, em conversa com especialistas do setor de mídia, Gianca Civita, o primogênito, já antecipava que a editora iria ser reduzida a meia dúzia de revistas e à Veja. Colocara à venda suas concessões de UHF e esperava que algum pastor eletrônico se habilitasse.

O cartel da jabuticaba

A editora viu-se depauperada em duas frentes. Uma, a própria decadência do mercado de revistas; outra, a descapitalização ainda maior para financiar a aventura educacional da Abril.

Além disso, foi vítima do maior tiro no pé da história da mídia brasileira: o “cartel da jabuticaba”.

Um cartel tradicional consiste em um pacto comercial entre competidores visando aumentar os preços e os ganhos de todos. O “cartel da jabuticaba” brasileiro foi uma peça genial (da Globo) em que todos se uniram contra a distribuição de parte ínfima da publicidade pública para a imprensa regional e para a Internet.

Alcançaram seu intento, mas não levaram o butim. A Internet não cresceu mas o resultado foi uma enorme concentração de verbas na TV aberta — e, dentro dela, na TV Globo.

Poucos meses atrás, o próprio João Roberto Marinho – um dos herdeiros da Globo – manifestava a interlocutores sua preocupação com a concentração da mídia. A Globo jogou em seu favor, óbvio; mas não contava com o despreparo das demais empresas sequer para entender onde estavam seus interesses.

Quando o faturamento do papel minguou, todos pularam para a Internet. Mas a piscina estava vazia graças às pressões que eles próprios fizeram sobre a Secom e as agências.

Hoje em dia, o mercado de TV a cabo passou a disputar acirradamente as verbas publicitárias. Se indagar de um executivo do setor se a disputa é com as revistas e jornais, ele dará de ombros: a imprensa escrita não tem mais a menor relevância; a disputa é com a TV aberta.

A bala de prata de Fábio Barbosa

É esse quadro de crise nas duas frentes que explica a bala de prata de Fábio Barbosa.

Nos últimos meses, Fábio Barbosa contratou o INDG, de Vicente Falconi, para um trabalho de redução de custos da Abril, paralelamente à própria redução da Abril..

Falconi constatou o que o Blog já levantara alguns anos atrás: a estrutura de Veja era superdimensionada para o conteúdo semanal.

Na época, montei um quadro com todas as reportagens de uma edição, estimei o tempo-hora de cada repórter e editor e, no final, mostrava que seria possível entregar o mesmo conteúdo com um terço da redação.

Com metodologia muito mais gerencial, Falconi chegou às mesmas conclusões, resultando daí a demissão de várias pessoas em cargos-chave – inclusive Otávio Cabral, repórter das missões sensíveis da revista, que acabou indo trabalhar na campanha de Aécio.

Apenas amenizou um pouco a queda. Com as duas frentes comprometidas, a Abril entrou em uma sinuca de bico.

Com a morte de Roberto Civita, começou a enfrentar dificuldades crescentes para renovar os financiamentos. Desde o início do ano, os herdeiros de Roberto Civita estão buscando compradores para a outra metade da Abril Educação.

Antes disso, desde o ano passado, decidiram sair definitivamente da área editorial. Mas a legislação não permite à Naspers ampliar sua participação na editora. E, se não teve nenhum corte de verba oficial para suas publicações, por outro lado a Abril jamais encontrou espaço no governo Dilma para acertos e grandes negócios, como uma mudança na legislação sobre capital estrangeiro na mídia.

É nesse quadro dramático, que o presidente do grupo, Fábio Barbosa, tenta a última tacada, apostando todas as fichas em Aécio.

A última chance

A carreira anterior de Barbosa foi no mercado bancário. Foi sucessivamente presidente do ABN Amro, depois do ABN-Real, quando o banco holandês adquiriu o Real; depois do Santander, quando o banco espanhol adquiriu os dois.

No ABN e no Santander foi responsável por uma das maiores operações imobiliárias do mercado. No ABN participou do empréstimo de R$ 380 milhões para a WTorres adquirir o esqueleto da Eletropaulo, na marginal Pinheiros. Seis meses depois, a companhia não tinha mais recursos para quitar o financiamento. Entregou parte do capital aos credores.

Em 2008, ainda na condição de presidente indicado para o Santander, Fábio anunciou a aquisição da torre pelo banco por R$ 1 bilhão. “A aquisição desse imóvel é um marco e demonstra a determinação do Santander em investir para que tenhamos um Banco cada vez mais forte e competitivo”, afirma ele. (http://migre.me/ms7aW).

Atuou no início e no final da operação, assessorado por seu homem de confiança, José Berenguer Neto.

Em pouco tempo começaram a pipocar os problemas da WTorre. Atrasou a entrega da sede do Santander, que ingressou em juízo com pedido de indenização de R$ 135 milhões. A dívida fez com que a WTorre desistisse de lançar ações na Bolsa de São Paulo.

Em outubro de 2010 a obra continuava causando transtorno, sem ser entregue (http://migre.me/ms7Pc)

Em agosto de 2011, Fabio saiu do Santander. O clima azedou quando a direção se deu conta dos problemas criados. O presidente mundial Emilio Botin colocou um homem de confiança como espécie de interventor, levando Fabio a se demitir. Junto com ele saiu José Berenguer Neto, que assumiu um cargo na Gávea Investimentos, para atuar na área imobiliária.

Na época, executivos do banco ouvidos pela imprensa disseram que no ABN Fabio tinha plena liberdade; no Santander, não mais. Fabio deixou o banco sendo elogiado pelo sucessor.

O episódio não causou tanto estardalhaço quanto a tentativa de Barbosa, no comando da Veja, de tentar um golpe de Estado armado com um 3 de paus.

Anatomia de um debate

Por Pablo Villaça | Via Facebook

É preciso aplaudir a consistência de Aécio Neves: se mentiu descaradamente no primeiro debate deste segundo turno, mentiu descaradamente também no último. Aliás, foi além: chegou ao cúmulo de acusar o governo federal pela falta d’água em São Paulo, quando até a ONU fez relatório atribuindo a responsabilidade ao governo tucano do estado.(1)

Aliás, como disse Cynara Menezes: a sorte de Dilma nos debates é que o armário de Aëcio e dos tucanos é repleto de esqueletos; já a sorte de Aécio é que Dilma não tem uma boa oratória: apresenta os dados e os argumentos, sim, mas gagueja e às vezes se perde na construção das frases – uma característica de quem não é político profissional e, portanto, não criou o hábito de participar deste tipo de evento.

Por outro lado, Aécio mais uma vez repetiu inúmeras vezes que Dilma não deveria citar os governos passados de FHC e dele, Aécio, pois é melhor “olhar pra frente”. Aliás, ele chegou a dizer que – pasmem – “quem olha para o passado é porque não quer olhar pro presente e quer fugir do futuro”. A máxima inventada por Aécio vai no oposto do que qualquer historiador diria: que olhar para o passado é FUNDAMENTAL para avaliarmos o presente e evitarmos repetir erros antigos. Além disso, Aécio não quer olhar pra trás porque sabe que, se olharmos, ele se lasca.(2) Curioso, também, é que Aécio é o primeiro a olhar pra trás quando acha que isso lhe convém pra atacar a adversária.

Já no início do debate, Aécio citou a “denúncia” de Veja (que não contém uma linha de prova pra justificar as graves acusações da capa) e disse que o PT queria censurar a revista ao dizer que vai processá-la. Em primeiro lugar, “censurar” seria exigir a retirada da revista das bancas e impedi-la de continuar funcionando; o que Dilma afirmou é que vai PROCESSAR a revista (3) – como é seu DIREITO fazer por ter sido acusada sem provas.

Para piorar, Aécio falar de censura é como a Magali falar de melancia, já que seu governo em MG é NOTÓRIO por calar jornalistas – e eu mesmo já fui vítima de seu espírito censor.(4)(5)(6)(7)

A partir daí, Aécio disparou nas mentiras, oscilando entre a estratégia de reforçar velhos mitos propagados pelo PSDB (como aquele que diz que FHC controlou inflação que era de 900%)(8) e divulgar novos, como ao afirmar que os investidores estrangeiros perderam a confiança no Brasil – sendo que justamente o economista Luiz Carlos Mendonça, ex-ministro de FHC, desmentiu esta falácia ao escrever recentemente que “o Brasil teve uma demanda de US$ 4,8 bilhões para a emissão de US$ 500 milhões de títulos de dez anos de prazo anunciada há poucos dias. Aproveitando-se da situação em que as ofertas de compra representaram mais de nove vezes o valor da emissão, o Tesouro vendeu um total de US$ 1 bilhão, pagando juros anuais de 3,88%, ou seja, 1,4 ponto percentual mais do que o título equivalente do Tesouro americano.”

A seguir, Aécio veio com o papo do “aparelhamento” do Estado pelo PT – outro mito que os tucanos gostam de repetir tanto que até mesmo petistas acabaram comprando como sendo verdade. Porém, não é bem assim, já que os dados apontam, inclusive, uma melhor neste sentido em relação aos governos anteriores.(10)(11) Por outro lado, Aécio chegou até mesmo a empregar lei delegada para empregar PARENTES seus no governo de MG.(12)

Ao entrarmos no ponto seguinte do debate, Educação, já pude ouvir os gritos indignados dos professores mineiros diante dos absurdos ditos por Aécio. E não é para menos: para começo de conversa, Aécio processou a SINDUTE, que representa os professores estaduais, nada menos do que 23 VEZES para impedi-los de denunciar na TV os abusos aos quais eram submetidos pelo governo.(13) Aliás, até o El País fez uma matéria expondo o caos da Educação em MG.(14) Não que os próprios professores mineiros já não tenham alertado o país várias vezes para a destruição causada por Aécio na Educação de MG.(15)(16)(17) Pois o fato é que Aécio não pagou nem o PISO SALARIAL aos professores – como comprova a cópia do contracheque reproduzida na Internet.(18) Isto, claro, para não esquecermos que até MOTEL está sendo usado como sala de aula pelos alunos.(19)

O tema seguinte foi corrupção – e Aécio tenta posar de honesto. A questão é que – denúncias insanas de Veja à parte (que já foram até desmentidas pelo advogado do tal doleiro)(20) – não há denúncia envolvendo Dilma PESSOALMENTE, mas há várias envolvendo Aécio, desde o aeroporto construído no terreno de sua família (e, ao contrário do que ele afirma, o PGR só arquivou denúncia sobre ilícito em esfera FEDERAL, mas encaminhou a denúncia para o PGE pra apurar IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA por parte de sua gestão)(21), até a recém-revelada carteira policial que Aécio usava na juventude mesmo sem jamais ter sido agente.(22) E acho fundamental que se apure o que há por trás do boletim de ocorrência que registrou descoberta de OSSADA HUMANA em fazenda de Cláudio/MG.(23)

Como se não bastasse, é fundamental lembrar que, ao contrário do que ocorreu no governo Dilma, que viu membros de seu partido serem julgados e condenados, o PSDB sempre se esforçou pra livrar os seus de julgamentos – e mesmo considerando todos os escândalos BILIONÁRIOS envolvendo tucanos, TODOS estão soltos.(25) Aliás, aproveito para repetir o link para o post que fiz e no qual listo todas as medidas tomadas pelos governos Lula e Dilma para investigar, denunciar e julgar atos de corrupção.(26)

Em seguida, Aécio acusou o governo federal pela falta d’água em SP – algo que a ONU refutou, como já linkei lá em cima. O pior é que diretores da SABESP revelaram que receberam diretrizes do GOVERNO DE SP para – atenção – ESCONDER A SITUAÇÃO da população, o que configura estelionato eleitoral.(27) Agora imaginem se isto tivesse envolvido Dilma?

No bloco seguinte, Aécio fala em reforma política e resume o problema a acabar com a reeleição – reeleição que seu partido aprovou ao COMPRAR VOTOS(28). (E é bom lembrar que ele quer o fim da reeleição só em 2022, quando, se eleito, ele poderia ter concorrido mais uma vez, o que é muito conveniente.)(29)

Por outro lado, Dilma defende o fim do financiamento empresarial, o que coibiria a corrupção. (Vale dizer que, durante o debate, Aécio tentou confundir os eleitores ao trocar “financiamento empresarial” por “financiamento privado”, que são coisas completamente diferentes.) Lembrando também que Dilma enviou este projeto para o congresso no ano passado, mas ele foi rejeitado – daí seu esforço para fazer um plebiscito.(30) O mais grave: Aécio tentou culpar DILMA pelo fato de nenhum tucano ter sido condenado, dizendo que ela estava no governo e poderia ter mandado investigar – ou seja: num ato falho, Aécio revelou não ver problema no USO POLÍTICO DA POLÍCIA FEDERAL, algo que Dilma não fez.

A partir daí, o nível de cinismo de Aécio começou a escalar. Primeiro, ao dizer que defendia dignidade aos trabalhadores do campo, sendo que ele foi o único dos principais candidatos a não assinar a carta-compromisso contra o trabalho escravo.(31)(32)

Minutos depois, Aécio posou de bom administrador e falou de seu famoso “choque de gestão”. Esqueceu só de mencionar que este “choque” QUEBROU Minas Gerais, que hoje tem uma das maiores dívidas públicas do país, tendo sido até alvo de matérias no exterior sobre o caos provocado no estado.(33)(34) E o mais hilário: na mesma resposta, afirmou que o Plano Real foi o “maior programa de redistribuição de renda do país”. Errado.(35)

(Aliás, logo depois de Aécio dizer que o país estava quebrado, houve um intervalo no debate e o Jornal da Globo anunciou matéria sobre “recorde de compras dos brasileiros no exterior”. Claro que alguns quiseram dizer que isso era por ser mais barato comprar lá fora, ignorando que, sem dinheiro, não há como o turista pagar passagens e compras no exterior – especialmente com o dólar elevado em função da especulação eleitoreira feita pelo mercado.)

Logo em seguida, Aécio cometeu sua maior falha no debate: prometeu a um eleitor indeciso que faria obras de infra-estrutura nas cidades – e passou vergonha quando Dilma disse apenas: “Ele não pode fazer isso, porque a Constituição determina que isto é atribuição do município e do estado, não da União. Se ele fizesse, responderia a crime de Responsabilidade Fiscal”. Ou seja: Aécio parece não conhecer nem mesmo a CONSTITUIÇÃO. A propósito: Aécio também disse que vai reduzir a maioridade penal, o que juristas consideram como cláusula pétrea da Constituição. No entanto, se considerarmos que Aécio também defende a privatização dos presídios, surge a possibilidade assustadora de ver um candidato praticamente tratando menores como mercadoria. Como se não bastasse, há vários estudos indicando que a diminuição da maioridade penal NÃO reduz criminalidade.(36)(37)(38)(39)(40)

Para completar, Aécio citou um tal de Ministério do Desenvolvimento Econômico – que não existe – e afirmou que há mais de 7 milhões de domicílio sem banheiro no Brasil. Nope. Este número é de 2000. Hoje, são 3,8 milhões.(41)

Claro que para quem mora em MG, como eu, ver Aécio conseguir mentir tanto no espaço de menos de duas horas não é novidade. Mas é sempre bom alertar aqueles que não estão habituados com a figura.

Porque, como dizem por aqui, quem viveu sob o governo de Aécio não aperta 45 nem no microondas.

Uma boa eleição para todos! E, claro, a partir de agora tendo a diminuir meus posts políticos e devo me concentrar mais no Cinema (embora não abandone a política, claro). Espero poder continuar a contar com o prestígio de vocês não só por aqui, mas também lá no Twitter (http://www.twitter.com/pablovillaca)

Abraço grande!

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FONTES:

1.http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/08/1508504-falta-de-agua-e-culpa-do-governo-de-sp-afirma-relatora-da-onu.shtml

2.http://plantaobrasil.com.br/news.asp?nID=82131

3.https://www.youtube.com/watch?v=th857UxUe8Y

4.https://www.facebook.com/pablovillaca01/posts/574509329320964

5. http://www.diariodocentrodomundo.com.br/como-funciona-o-trafico-de-noticias-da-imprensa-mineira-censurada/

6.https://www.youtube.com/watch?v=3rfPwnJ9iE4

7.https://www.youtube.com/watch?v=BixdPe_Jqxw

8.http://www.revistaforum.com.br/blogdaeconomiapolitica/2014/10/12/mentira-psdb-sobre-inflacao-periodo-de-fhc/

9.http://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizcarlosmendonca/2014/09/1511233-o-brasil-nao-e-a-venezuela.shtml

10.http://brasildebate.com.br/aparelhamento-do-estado-mito-ou-verdade/

11.http://brasildebate.com.br/aparelhamento-do-estado-mito-ou-verdade-parte-2/

12.http://t.co/rpTGT3TRnn

13.http://t.co/hNGUdZxAuw

14.http://t.co/WaWrjBfYz2

15.http://goo.gl/PnKRL8

16.http://t.co/5HIYxluDrI

17.http://t.co/G8JN5mlFyW

18.http://t.co/Vr3fVnns8L

19.http://t.co/DQWhFNzyYw

20.http://oglobo.globo.com/brasil/veja-doleiro-diz-que-dilma-lula-sabiam-de-tudo-14341970#ixzz3H1iuZFQv

21.http://g1.globo.com/politica/noticia/2014/10/pgr-arquiva-representacao-contra-aecio-por-construcao-de-aeroporto.html

22.http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/blog-na-rede/2014/10/aecio-neves-fez-carteira-policial-sem-nunca-ter-sido-agente-1807.html

23.http://goo.gl/Z9tDsl

24.http://www.informacoesemfoco.com/2014/07/os-10-maiores-escandalos-de-corrupcao.html#.VEsP-vnF8fE

25.http://t.co/sGrPoCPLNz

26.http://t.co/aMKZDSktyG

27.http://goo.gl/U9r3NE

28.http://t.co/xHoM6h2maI

29.http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/10/1529056-programa-de-aecio-defende-fim-da-reeleicao-so-em-2022.shtml

30.http://goo.gl/nA1SQE

31.http://t.co/pAh9hXsdPM

32.http://t.co/UYCFXlyQBF

33.http://t.co/ioByArKd9N

34.http://brasil.elpais.com/brasil/2014/10/20/politica/1413825305_366624.html

35.http://goo.gl/ljt4JV

36.http://www.portugues.rfi.fr/geral/20141024-reducao-da-maioridade-penal

37.http://18razoes.wordpress.com/quem-somos/

38.http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/asneiras/gd190702.htm

39.http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=14107

40.http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/04/paises-que-reduziram-maioridade-penal-nao-diminuiram-violencia/

41.http://www.ibge.gov.br/english/estatistica/populacao/censo2010/caracteristicas_da_populacao/resultados_do_universo.pdf

Em vez de explicar, Aécio só nega gastos ‘estranhos’ com saúde em MG

Por Helena Sthephanowitz | Via RBA

Para candidato tucano, limpeza de hotel, construção de praças, febre aftosa e exposições agropecuárias foram gastos em saúde, em nome do chamado choque de gestão.

Em questões de saúde, Aécio parece ter feito pouca distinção entre cidadãos e gado quando foi governador de MG

O candidato Aécio Neves (PSDB) reclama das críticas de desvios de verbas da saúde para outras finalidades, durante seu governo em Minas Gerais. Chega a dizer que são “mentiras” contra ele. Mas é fato mais do que documentado. Suas contas tiveram diversas ressalvas e o governo de Minas teve de assinar um termo de ajuste de gestão se comprometendo a aplicar em saúde o mínimo exigido pela Constituição. Ações do Ministério Público também foram abertas.

Nos debates, Aécio tenta desqualificar as críticas, mas é difícil. Dilma citou como exemplo um relatório do Tribunal de Contas de Minas Gerais que dizia “é duro engolir que vacina para cavalo seja contabilizada como gasto em saúde”.

A campanha tucana alegou que essa decisão foi revertida e aceita como despesa em saúde, porque neste caso os cavalos eram usados para produção de insumos para medicamentos usados por humanos a partir do sangue dos cavalos.

Apesar de o Tribunal de Contas de Minas Gerais não facilitar o acesso à informação com clareza, desde 2006 há diversas reportagens sobre o assunto, como fez a Folha de S. Paulo, com o título: “Aécio maquiou gastos da saúde em Minas”.

A reportagem analisou as contas públicas daquele estado de 2004. Aécio havia lançado os programas “déficit zero” e “choque de gestão” para cortar gastos públicos. Porém, continuava obrigado a cumprir a Constituição e aplicar em saúde 12% das receitas vinculadas. Em vez de cortar em outras áreas mais supérfluas, como propaganda, cortou na saúde. Para fechar a conta dos 12% e não ter as contas reprovadas, incluiu despesas que nada tinham a ver com saúde.

Nas contas de 2004, foi lançada no orçamento da secretaria de saúde, erradicação da febre aftosa, que só atinge rebanhos bovinos e é assunto da agricultura. Também entraram na conta da saúde extravagâncias como serviços de limpeza para o hotel de Araxá, construção de praças, precatórios, exposições agropecuárias, serviços tarifados de saneamento que, por cobrarem tarifas, não podem ser misturados com despesas orçamentárias da saúde.

O elenco de despesas irregulares tratadas como se fossem de saúde é grande e coloca em xeque a proposta que o tucano diz ter assumido de dotar 10% do orçamento da União para a pasta. Dependendo do truque de contabilizar outras coisas alheias ao setor, a promessa poderia ser até duplicada para 20% e o cidadão, ainda assim, ter menos médicos, menos exames, menos tratamentos e menos cirurgias, semelhante ao que ocorreu em Minas durante o chamado choque de gestão.

Voto impresso e democracia

Por Beto Almeida | Via Pátria Latina

Desde a célebre e corajosa denúncia de Leonel Brizola, desmontando um sistema de fraudes chamado Proconsult, as urnas eletrônicas brasileiras são objeto de debates inquietantes. Brizola conseguiu vencer as eleições em 82, mas o TSE permanece insensível à crítica de especialistas que recomendam o voto impresso como único mecanismo capaz de dar ao eleitor a certeza de que seu voto teve, de fato, o destino que ele quis dar ao votar.

Em 2000, o Congresso Nacional aprovou projeto de lei do senador Roberto Requião instituindo o voto impresso. Nas eleições de 2002, mediante acordo entre o TSE e o Congresso, a impressão de voto sõ foi aplicada em escala nacional em 3 por cento das urnas, e, em sua totalidade, no DF. No entanto, logo após as eleições, tiveram início gestões para derrubar a impressão do voto, que deveria ser, gradativamente, instalado em todo o território nacional. Dois parlamentares se destacaram neste esforço, o goiano Demóstenes Torres (DEM) e o mineiro Renato Azeredo(PSDB), e a lei foi revogada. Mas, por iniciativa dos então deputados Brizola Neto e Flávio Dino, hoje governador do Maranhão, a impressão de voto foi novamente aprovada em lei, imediatamente sancionada pelo Presidente Lula, em 2010. Deveria valer para estas eleições, mas, uma raríssima ADIN do Judiciário contra o Legislativo, considerou a lei inconstitucional. A iniciativa foi da procuradora Sandra Cureau, acatada pela relatora, Ministra Carmem Lúcia. A lei foi novamente derrubada, numa votação de 11 a zero no STF.

Embora tenha votado em bloco na lei do voto impresso, o PT nunca foi um entusiasta da modalidade, mesmo com a informação de que a urna brasileira foi rejeitada em 50 países. Recentemente a Alemanha, onde há voto impresso, considerou o modelo brasileiro inconstitucional. Tal como na França. Talvez esta despreocupação pelo tema tenha levado o PT a credulidades e passividades, deixando de participar dos testes oficiais do TSE sobre as urnas, em setembro, quando fiscais do PDT detectaram fragilidades no programa testado. Esta postura – inexplicável para um partido no governo de um país do porte do Brasil – pode ter levado o PT a nem se interessar em saber sobre as duas empresas privadas que atuam no sistema de apuração do TSE, a Módulo e a Engetec. Uma delas tem como diretor presidente um ex-presidente do FINEP durante o governo de FHC, Sergio Schiller Thompson Flores. Na outra empresa, o principal executivo é cidadão que foi Secretário de Estado em Minas, entre 2003 e 2010, Wilson Nelio Brumer, ex-presidente da Vale do Rio Doce, durante sua privatização.