Arquivo mensais:outubro 2014

No debate da Globo, o sutil recado de Dilma a Marina sobre corrupção: eu sei o que seus assessores fizeram no passado

Por Luiz Carlos Azenha | Via Viomundo

Luciana Genro fez, no conjunto, a melhor apresentação no debate da TV Globo. O ponto alto foi quando massacrou, com argumentos, o candidato Levy Fidelix, quando ambos discutiram a união civil de homossexuais. Fidelix, aliás, também apanhou no tema de Eduardo Jorge, do PV, de tal forma que saiu completamente transtornado da discussão.

Fidelix, como se sabe, marcou o debate anterior, na TV Record, ao dizer grosseiramente que “o aparelho excretor não reproduz”.

Dilma Rousseff teve uma boa atuação, especialmente porque conseguiu conectar seu discurso com o que os telespectadores haviam visto, horas antes, no último programa eleitoral do PT. A ênfase do programa foi no convencimento dos eleitores de que Dilma, afinal, representa a “verdadeira mudança”. O marqueteiro petista conseguiu adiantar a ideia de que Dilma tem a experiência para mudar com segurança. O ex-presidente Lula apareceu duas vezes no programa. Numa delas, repetiu o discurso de que seu segundo mandato foi o melhor que o primeiro.

A presidente começou bem, se adiantando às críticas de oposicionistas sobre a corrupção. Discorreu sobre as medidas que tomará para combatê-la. Dilma não fugiu a confrontos. Quando teve a oportunidade, escolheu o enfrentamento direto com Marina Silva e Aécio Neves.

Emplacou um ponto importante ao dizer que, se os eleitores querem a continuação dos programas sociais — que os adversários Marina e Aécio prometeram continuar –, o melhor a fazer é reelegendo quem os concebeu.

O ponto alto de Dilma foi quando enfrentou Marina na questão da independência do Banco Central. “Eu sugiro que a senhora leia o que está escrito em seu programa”, alfinetou a presidente, antes de descrever os prejuízos que o BC legalmente independente acarretaria.

Aécio Neves saiu-se melhor que Marina Silva — o que, a essa altura, é relevante, especialmente por causa dos indecisos. A candidata do PSB não estava em uma noite inspirada.

O único momento estranho de Aécio foi quando o tucano, ao ser escolhido para responder pelo candidato do PV, Eduardo Jorge, respondeu com os olhos esbugalhados: “Com o senhor estou disposto a conversar sobre tudo!”.

Tudo? Mesmo?

Luciana Genro foi bem praticamente em todas as suas participações. Detonou Levy Fidelix pelo ódio aos homossexuais, falou de “aecioporto” com Aécio Neves e advertiu o tucano: “Você não levanta o dedo para mim!”. Aliás, a candidata do PSOL abriu o programa lembrando aos telespectadores que os donos da TV Globo estavam entre as 5 mil famílias que vivem de juros no Brasil.

“O senhor envergonhou o Brasil”, disse Eduardo Jorge (PV) a Levy Fidelix, por conta das declarações deste no debate da Record. Foi o ponto alto do candidato verde, que teve uma atuação mais discreta desta feita.

Dos três candidatos com chances de ir ao segundo turno pelas pesquisas, Dilma Rousseff foi a melhor. No confronto direto com Aécio Neves, este conseguiu apresentar argumentos fortes quando falou sobre corrupção. Mas, ao lembrar os brasileiros de como foram os governos tucanos, Dilma Rousseff encaixou golpes dolorosos: 12,5% de desemprego e 45% de juros, por exemplo.

O debate na Globo reforçou: a possibilidade, ainda que remota, de Dilma vencer ainda no primeiro turno, conquistando a maioria dos votos dos indecisos; a possibilidade de que, havendo segundo turno, o adversário da presidente seja Aécio Neves.

Trocando em miúdos, Marina Silva — claramente abatida — foi a grande derrotada da noite.

PS do Viomundo: Outro ponto alto de Dilma foi ao debater corrupção com Marina, quando lembrou que um ex-subordinado da então ministra do Meio Ambiente foi acusado de malfeitos. Dilma e Marina serviram juntas sob Lula, uma convivência marcada por enfrentamentos e pontapés nada sutis na canela. Em outras palavras, a presidente mandou um recado: eu sei o que o seu pessoal de hoje fez no verão passado…

Artistas e intelectuais manifestam apoio a candidatura de Roberto Requião ao governo do Paraná

Roberto Requião quer chefiar novamente o Palácio Iguaçu. Bem Paraná/Reprodução

Manifesto pró-Requião no governo do Paraná

Nós, intelectuais e artistas, considerando os interesses nacionais, populares e a história política do país, manifestamos por meio dessa. Nosso apoio a candidatura ao governo do Paraná mais comprometida com os interesses nacionais.

Apoiamos o candidato comprometido com uma sociedade onde todos tenham oportunidades. Apoiamos aquele que, quando no governo, levou o Paraná ao primeiro lugar nacional em desenvolvimento industrial e educação.

Entendemos que o mais indicado para governar tão importante estado é aquele que defende os interesses dos trabalhadores, tendo aprovado o maior salário-mínimo regional do país e criado 800.150 postos de trabalho com carteira assinada.

Consideramos que o Palácio Iguaçu precisa ter de volta a sua frente, aquele que investiu 10 bilhões na saúde, quando lá esteve. Aquele que valorizou os professores da rede estadual, pois, tem consciência que a educação é primordial para qualquer sociedade sadia.

Entendemos que a segurança é fundamental para o Paraná e para todo o país, e por isso apoiamos quem construiu 12 penitenciárias quando governador, sem com isso entrar na lógica perversa da privatização delas.

Considerando a cultura como base para a valorização do ser humano e integração da sociedade, nosso apoio é de quem sempre se mostrou comprometido com essa bandeira, tendo criado a biblioteca Mario Lobo, a Semana da Cultura Negra e a Escola Superior Sul-Americana de cinema e TV.

Roberto Requião, o candidato de quem falamos, dedicou toda sua vida a ideais republicanos, tendo provado seu comprometimento com o povo e uma trajetória ilibada na política. Com coragem e desprendimento, defende o interesse nacional e a integração latino-americana.

Pelas razões expostas, considerando que quem já fez pode fazer muito mais, declaramos com orgulho que nosso apoio é de Roberto Requião para o governo do Paraná!

Beth Carvalho:

Requião é um nacionalista, um brasileiro autêntico como o samba, um guerreiro em defesa do nosso povo. Quero vê-lo como governador do Paraná, para o bem dos paranaenses e do Brasil!

João Vicente Goulart:

Requião é um político que nos une em torno das grandes lutas Janguistas. Sem dúvidas é ele que representa a esquerda nacionalista no Estado do Paraná.

Sua obstinação em defesa dos humildes e sua coragem inconteste de desafiar os poderosos que tudo querem em detrimento dos trabalhadores o faz sem dúvidas um porta-voz da proposta das “Reformas de Base”; agraria, tributaria, educacional, das remessas de lucros, da luta nacional pelo patrimônio público da Nação e de uma distribuição de renda mais equitativa entre nosso povo brasileiro, com idênticas oportunidades para todos.

Fernando Morais:

Não tenho eleitores no Paraná, mas tenho leitores. Muitos, dezenas e dezenas de milhares. É a estes que me dirijo para recomendar: para governador, Roberto Requião. Nacionalista e internacionalista, corajoso, não tem papas na língua na hora de enfrentar os poderosos. Se eu fosse paranaense, votaria em Roberto Requião para governador.

Adriano Benayon:

É de inestimável importância para o Brasil que o senador e ex-governador Requião volte ao governo do Paraná. Ele está, há 30 anos, na política. No caso dele, isso significa excepcional experiência acumulada em mandatos exercidos com probidade, competência e comprometimento com os interesses nacionais.

Coerência, austeridade e coragem caracterizaram a vida política de Roberto Requião. Olhando as candidaturas a governador, não se vê outra, mesmo em outros estados, que nos dê a perspectiva de uma administração exemplar, capaz de abrir novos rumos para o País.

Paulo Metri:

É importante, neste momento, para o crescimento do Brasil como país que garantirá alto nível de bem-estar social, democrático e soberano, que a sociedade brasileira se mobiliza para buscar influenciar eleitores do Paraná visando eleger Roberto Requião como governador deste estado.

É um político no qual você identifica claramente a compreensão da importância das questões geopolíticas.

Entretanto, se eu fosse obrigado a escolher só uma característica, que marca o político Requião, eu diria sem pestanejar, coragem.

Conceição Oliveira:

Votaria em Roberto Requião se fosse eleitora do Paraná.

Requião tem um quê do velho Brizola em sua luta pela democratização das comunicações do país, em seu combate ao monopólio sonegador de impostos e informações como o da Globo.

Requião foi um governador que apoiou a educação, respeitado por movimentos sociais como o MST, também é um combatente pela reforma agrária.

Sua passagem no senado, sempre em defesa dos interesses nacionais e de um projeto político de um país soberano tem todo o meu respeito.

Samuel Pinheiro Guimarães:

Roberto Requião é um patriota, nacionalista, defensor da soberania e do desenvolvimento do Brasil, de um Brasil mais democrático, mais justo, mais igual. No Paraná, voto em Requião!

Rogério de Cerqueira Leite:

Apoio a candidatura do Senador Roberto Requião pela sua história de lutas em pro da redução da disparidade de rendas e da melhoria das condições dos menos favorecidos e pela sua luta em benefício dos interesses nacionais.

Rogério Lessa Benemond:

Apoio Requião outra vez governador do Paraná pelo seu histórico nacionalista, por sua luta contra a liberação dos transgênicos e pelo seu desempenho, enquanto senador, na articulação de um Mercosul mais forte.

Poderia citar muitas outras qualidades de Roberto Requião. O Brasil precisa de políticos com esse perfil íntegro e coerente.

Osvaldo Maneschy:

O Senador Roberto Requião é um nacionalista de todas as lutas em defesa do Brasil. Votar nele é votar em um homem que tem opinião, tem lado e nunca se preocupou com o tamanho de seus adversários. O que mostra a sua verdadeira dimensão como homem público.

Flavio Lyra:

Há muitos anos acompanho a carreira política do Senador Roberto Requião. Ainda que residente em Brasília, sempre senti-me representado por ele em sua sua atuação como político sério e dedicado à defesa de todas as causas relevantes para o fortalecimento da Nação Brasileira e a redução das profundas desigualdades sociais que marginalizam grande parte da população brasileira.

Não teria a menor dúvida em sufragar seu nome como candidato à Presidência, noutras circunstâncias em que seu partido, o PMDB, fosse capaz de defender as bandeiras já mencionadas.

Sou inteiramente solidário com a campanha que ele realize para ocupar o governo do Paraná, numa disputa acirrada com o representante do PSDB, partido que hoje representa as forças sociais mais conservadoras do país.

Ele, numa atitude corajosa e consciente sempre mostrou-se um ativo defensor do governo de Dilma Rousseff, realizando vários pronunciamentos no Senado, que revelam a clara compreensão do grave momento vivido pelo país, em que as forças da oligarquia empresarial e financeira, (nacional e internacional) e da classe média alienada, buscam por todos os meios recuperar o poder.

Requião à frente do governo do Paraná será uma importante fonte de apoio para dar sustentação a um novo período de governo de Dilma Roussef, que depois do aprendizado da atual campanha certamente vai levar o país a trilhar uma rota que vai aprofundar a democracia e realizar as mudanças necessárias para a retomada do crescimento econômico subordinado ao interesse maior do desenvolvimento social do país.

Pedro Antonio D Rezende:

Roberto Requião foi um dos pioneiros, desde 1999 pelo Senado, na luta por mais transparência no processo de informatização do voto no Brasil. Em 2006, como governador, foi a única autoridade que apoiou nossa investigação acadêmica sobre as fraudes praticadas na constituinte de 1988, as quais ainda geram enormes danos econômicos à nação, através do jornalismo da TV Educativa do Paraná. Ele conta portanto com nossa confiança, como alguém que tem atuado e pode atuar na política movido por nobres ideais cívicos.

***

PS Desenvolvimentistas: A Associação Desenvolvimentista Brasileira, que mantém o projeto deste portal, já declarou seu apoio ao candidato Roberto Requião. Diferente da grande mídia que finge ser imparcial, nós nos posicionamos, somos transparentes. O processo de coleta de declarações e apoio ao candidato continua e se você é intelectual ou artista e deseja ser signatário desse manifesto, envie sua declaração, nome e breve currículo para que o incluamos. O e-mail de destino é: rennan.m.martins@gmail.com.

Santayana: A água e a sede

Por Mauro Santayana | Via Mauro Santayana

(Hoje em Dia) – O Brasil comemorou, no primeiro dia da Cúpula do Clima, na ONU, nos EUA, a redução em 79%, nos últimos 10 anos, do desmatamento. E o fato, ocorrido entre 2010 e 2013, de termos deixado de lançar na atmosfera, em média, a cada ano, 650 milhões de toneladas de substâncias que intensificam o efeito estufa, como o gás carbônico.

Lembrando que a maioria dos países desenvolvidos cresceram com base em economias sustentadas por altas emissões de poluentes – como o carvão e o petróleo – o discurso do governo brasileiro destacou também que, embora os países em desenvolvimento não queiram “repetir esse modelo”, eles não podem renunciar à luta pela melhoria das condições de vida de sua população, principalmente porque o avanço social não é incompatível com a preservação do meio ambiente.

Enquanto isso, no mesmo dia, em Itu – município com mais de 25 mil reais de renda per capita e alto Índice de Desenvolvimento Humano, situado no estado mais rico da Federação – moradores, em sua maioria de classe média, saíram ás ruas para protestar contra racionamento de água, que já dura seis meses, e foram cercados e atingidos com balas de borracha, por uma tropa de choque da PM, depois de tentar invadir a sede do Legislativo Municipal.

Segunda-feira, a Primavera começou oficialmente, mas, segundo técnicos de organizações como o Instituto Nacional de Meteorologia e da Universidade de São Paulo, o aumento da pressão atmosférica – que inibe a formação de nuvens – diminuirá a oferta pluviométrica e aumentará a evaporação, evitando a recuperação dos mananciais e dos níveis das represas e reservatórios da Região Sudeste até o próximo ano.

A questão da água, em nosso país, é complexa, e até os animais – que não podem protestar, como os habitantes de Itu e de outras dezenas de cidades – sabem que a culpa não é só do clima, mas, principalmente, da ação do homem.

Desde a Descoberta, temos bebido a água da bica, e usado o rio como esgoto, como se ambos, bica e rio, não fizessem, como os lagos e os mares, parte de um mesmo sistema.

Onde haja um curso de água, desde que já esteja correndo dentro de nossas fronteiras, nele continuamos atirando impunemente nosso lixo e dejetos, humanos, agrícolas ou industriais; derrubando as árvores e a vegetação em suas margens; arrancando com jatos de água seus barrancos, no garimpo, na maior parte do tempo, infrutífero, de ouro, diamantes e outros minerais; assoreando o seu leito e envenenando suas águas com mercúrio e com agrotóxicos, a maioria deles já proibidos em outros países.

Precisamos, municípios, estados, União, combater a destruição de nossos rios com a mesma energia e determinação com que se está tentando lutar contra o desmatamento. Ou quando ficarem prontas as grandes obras de irrigação que estão em curso, não haverá mais água para passar por elas.

Ataque homofóbico em debate é redução do marco civilizatório

Por Marcelo Semer | Via Terra Magazine

Os debates eleitorais vinham desanimados – mas, conseguiram ficar ainda piores.

Já faz tempo que os encontros deixaram de ser memoráveis.

A participação de um número expressivo de candidatos. O treinamento pelos marqueteiros. Um cipoal de regras que limita os confrontos e o desenvolvimento das ideias.

Poucos têm alterado o quadro eleitoral e cada vez menos são notícias no dia seguinte, além dos memes e virais que divertem nas redes sociais.

O último exemplo, todavia, foi uma exceção. E uma triste exceção.

Nem Dilma, nem Aécio, nem Marina foram seus protagonistas – mas também é uma pena que tivessem deixado de sê-lo, tal como Luciana Genro ou Eduardo Jorge.

Quem fez com que o debate se prolongasse na discussão, foi o nanico Levy Fidelix, perpétuo candidato que, neste ano, deixou de lado a histriônica e isolada proposta do aerotrem.

Fidelix foi mais para baixo e talvez saia da eleição com a nota lamentável de um debate, encharcando de violência, onde não se esperava mais que uma figuração.

Fidelix utilizou a reposta a Luciana Genro sobre famílias homoafetivas para uma mensagem contundentemente homofóbica.

A grosseria sem tamanho sobre “órgãos excretores e reprodutores”, a confusão maliciosa e perversa entre homossexualidade e pedofilia, a consideração do gay como doente mental, a atribuição de caracteres nocivos como a “falta de vergonha na cara”, e “o negócio é feio”. Por fim, o comando de “enfrentar essa minoria”, sugestivamente, mencionando a própria avenida Paulista, palco de várias agressões a homossexuais.

A grotesca mensagem ficou encartada entre outras tantas manifestações dos candidatos, como se fosse uma mera opinião ou expressão livre de uma plataforma política.

Teria sido melhor que depois de ouvi-la, os candidatos simplesmente se levantassem e dessem o debate por encerrado; no mínimo, que pautassem suas falas em face desse absurdo. Teria sido muito mais didático do que agressões paralelas ou promessas alternadas entre si.

Um candidato a presidente deve ter pulso para repelir qualquer ideia que hostilize a democracia e ensinar a seus liderados os limites do debate.

Permitir que o debate eleitoral sirva de rebaixamento ao marco civilizatório é um paroxismo da democracia.

Afinal, só quem não tem compromissos reais com a democracia é que pode resumi-la à liberdade de qualquer expressão.

O estado democrático de direito não é apenas a realização da vontade das maiorias; mas a intransigente defesa das minorias, da diversidade e da pluralidade.

O pluralismo, fundamento da República, é a razão pela qual a moral não pode ser objeto de apropriação pública, e a igualdade não permite que os agentes do Estado tratem de forma diferenciada qualquer pessoa por sexo, raça, origem social ou mesmo orientação sexual.

Não se pode conclamar o ódio pela diferença, a superioridade pela raça ou o preconceito homofóbico como expressões livres na democracia. Porque de fato, elas não o são.

Quando se discutiu, no STF, os limites da liberdade de expressão, na canhestra proibição judicial da Marcha da Maconha, Celso de Mello frisou os limites intrínsecos à própria liberdade.

“A incitação ao ódio público contra qualquer pessoa, povo ou grupo social não está protegida pela cláusula constitucional que assegura a liberdade de expressão. Cabe relembrar, neste ponto, a própria Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), cujo Art. 13, § 5º, exclui, do âmbito de proteção da liberdade de manifestação do pensamento, “toda propaganda a favor da guerra, bem como toda apologia ao ódio nacional, racial ou religioso que constitua incitação à discriminação, à hostilidade, ao crime ou à violência”.

A hesitação quanto à defesa do casamento igualitário, após reclamações do pastor Silas Malafaia, colocou Marina em uma situação de constrangimento. Dilma fez campanha prometendo a criminalização da homofobia que em seu governo, também premido por apoios e vetos evangélicos, não foi capaz de cumprir.

Apesar de várias candidatas mulheres à presidência, o tema do aborto está quase interditado no debate, resquício ainda da pauta conservadora da eleição passada, em que o final do primeiro turno se deu entre altares e coroinhas.

Mas nem todas essas dificuldades da realpolitik podem permitir que a homofobia, enquanto discurso de rejeição e ódio, tenha os horários eleitorais como transmissores.

O que se trata por aqui é até mais do que igualdade, respeito ou consideração.

Toda vez que alguém com poder ou influência assume em alto e bom som que é preciso combater homossexuais, o que estão em jogo são vidas humanas.

Dr. Rosinha e irmão de Requião presos pela polícia de Richa; assista aos vídeos

Via Blog do Esmael

O coordenador jurídico da coligação Paraná com Governo, Luiz Fernando Delazari, atende à imprensa em frente ao barracão do PSDB no bairro Portão. Segundo informações preliminares, o deputado federal Dr. Rosinha (PT) e o ex-secretário da Educação, Maurício Requião, foram presos na tarde desta quinta-feira (2) pela polícia política do governador Beto Richa (PSDB).

O deputado federal Dr. Rosinha (PT) e o ex-secretário da Educação, Maurício Requião, foram presos na tarde desta quinta-feira (2) pela polícia política do governador Beto Richa (PSDB).

O irmão do candidato do PMDB e o parlamentar petista foram a um “mocó” do candidato do PSDB, onde se estocava materiais apócrifos contra os adversários Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião (PMDB). O objetivo era cuidar para que os panfletos apócrifos não fossem retirados do comitê de Richa.

Assista ao vídeo 1:

Rosinha é coordenador suprapartidário do comitê da presidenta Dilma Rousseff no Paraná.

O ex-secretário de Educação havia denunciado ontem no Blog do Esmael que aloprados tucanos o procuraram pedindo R$ 500 mil para revelar o local da “fábrica de maldades” de Richa. Maurício acionou a Polícia Federal para investigar o caso (clique aqui).

O peemedebista e o petista foram presos em flagrantes porque não queriam evacuar o local. Eles queriam que a imprensa tivesse acesso ao barracão, pois temiam que a polícia política tucana limpasse a cena do crime eleitoral.

Assista ao vídeo 2:

A coordenação da campanha do PMDB deverá pedir à Polícia Federal a prisão do comando das polícias Militar e Civil, bem como do secretário da Segurança que autorizaram a “operação abafa” em favor de Richa.

Carta Aberta a FHC

Por Paulo Nogueira | Via DCM

Votei em outro homem

Caro FHC,

Votei no senhor mais vezes que em qualquer outro candidato.

A última vez em que fiquei pessoalmente arrasado com a derrota de alguém foi quando o senhor perdeu a prefeitura de São Paulo para Jânio Quadros.

Deixei de votar no PSDB quando o partido começou a se tornar o que é hoje: uma reedição da UDN de Lacerda, em que ao moralismo demagógico e cínico se soma um conservadorismo petrificado.

Atribuí este movimento rumo à direita, em certo momento, a Serra. Mas hoje tenho clareza de que o senhor também empurrou o PSDB para o neoudenismo que o vai transformando em quase nada.

Faz já algum tempo que não espero muita coisa do senhor, dadas suas manifestações públicas.

Ainda assim, mesmo com expectativas baixas, fiquei surpreso com seu palavreado chulo numa entrevista dada à Veja.

O senhor é a Veja. A Veja é o senhor. É uma comunhão patética para um sociólogo que entrou para a política com o propósito de renová-la, na redemocratização do país, no final da década de 1970.

A frase que simboliza seu mergulho nas trevas foi destacada e louvada pela Veja: “É preciso tirar essa gente do poder.”

Essa gente.

Fosse outra a época, e os militares estivessem à espera de uma chance para derrubar um governo eleito, o senhor estaria certamente dizendo aquela frase a generais, como Lacerda. E a repetiria, em inglês, a representantes do governo americano.

Votos, senhor. É com votos que o seu partido poderia tirar “aquela gente” do poder.

Mas onde estão estes votos? O senhor imaginava que o apoio da plutocracia e da mídia traria votos para o PSDB? Foi o mesmo delírio que teve, no passado, a UDN.

Como um estudioso, o senhor deveria conhecer isso, para não repetir o mesmo erro. Esta miopia, hoje, me faz duvidar até de sua capacidade como intelectual.

Como demagogo, o senhor repete que o maior problema do país é a corrupção, para enganar o povo. Partindo de um homem que se reelegeu graças à compra de votos no Congresso, é algo que mistura comédia com tragédia, descaro com mistificação.

Ora, a real tragédia nacional é a abjeta desigualdade, e contra ela suas realizações, como presidente, são medíocres.

A idade melhora certas pessoas. Um contemporâneo seu, o Papa, é um dos combativos propagadores da causa da justiça social.

Quando comparamos a essência das declarações de Francisco e as suas, vemos grandeza épica de um lado e pequenez míope de outro.

Com tudo isso, não me arrependo dos votos que dei para o senhor. Prefiro pensar que votei num outro homem, com outras ideias e outros propósitos. E não na versão do século 21 de Carlos Lacerda, o Corvo, com o mesmo reacionarismo mas sem a verve da versão original.

Sinceramente.

Paulo Nogueira

PS do Desenvolvimentistas: Não corroboramos com todo o conteúdo da carta, porém, a mensagem da decadência deste senhor em conjunto com seu partido é muito importante, por isso, replicamos.

 

Mídia Ninja e a imprensa factual

Por Luciano Martins Costa | Via Observatório da Imprensa

Pesquisadores acadêmicos já se debruçaram sobre a questão da credibilidade da imprensa com mais interesse até vinte anos atrás, mas o tema perdeu espaço para outros assuntos, como a expansão das mídias sociais digitais.

A onda de protestos que varreu as grandes cidades brasileiras a partir de junho do ano passado atraiu atenção para o advento da chamada “mídia ninja”, caracterizada pela cobertura de eventos massivos com o uso de aparelhos de comunicação móvel e divulgados por meio de estruturas abertas e orgânicas sem vínculo com empresas de comunicação.

Um dos trabalhos mais consistentes sobre esse fenômeno acaba de ser publicado pela jornalista e escritora Elizabeth Lorenzotti: Jornalismo Século XXI – O Modelo Mídia Ninja. A frase que motivou a pesquisadora a estudar o surgimento dessa nova prática no campo do jornalismo foi colhida no Twitter. Dizia o seguinte: “Não precisamos de mídia partidarista; temos celulares”. A declaração se inseria na percepção geral de que a mídia tradicional fazia uma cobertura tendenciosa dos protestos, criminalizando os manifestantes.

Embora os “ninjas” tenham se tornado mais conhecidos com as passeatas, relata a autora, seus participantes já atuavam em eventos que eram desprezados pela mídia tradicional, como a investigação da morte de líderes rurais no Pará. A intensidade da cobertura desses grupos orgânicos nas manifestações, com grande repercussão nas mídias sociais, levou a imprensa dominante a também infiltrar repórteres munidos de telefones celulares nos movimentos de rua, conforme relata Lorenzotti. No fim do processo, ganhou o jornalismo, com as principais emissoras de televisão e os grandes jornais sendo obrigados a olhar mais de perto as causas do descontentamento manifestado nas ruas.

O fenômeno “ninja” refluiu com o esvaziamento das passeatas, tomadas pelo protagonismo violento dos “black bloc”, e ficou uma percepção geral de que essa nova prática jornalística se limitava a uma cobertura factual de eventos impactantes. O livro de Elizabeth Lorenzotti mostra que o fenômeno se relaciona com mudanças mais profundas na sociedade contemporânea, e que o fato de não ouvirmos falar deles não quer dizer que os “ninjas” estejam inativos.

Notícias sem contexto

O protagonismo dos “ninjas” evidenciou que a mídia tradicional vem passando por um processo de encolhimento não apenas quanto às suas audiências, mas principalmente no que se refere à abrangência de suas coberturas. Mesmo dispondo de tecnologias que permitem detectar os acontecimentos e recriar em torno deles as correlações que facilitariam sua compreensão, a leitura dos jornais e o acompanhamento dos noticiários da televisão e do rádio nos mostram que a imprensa compõe uma realidade fragmentada e submetida a uma opinião centralizada sobre tudo.

Vejamos, por exemplo, dois fatos recentes: a morte de um estudante na Universidade de São Paulo e o assassinato de um vendedor ambulante, cometido por um policial militar.

As notícias e suas repercussões são publicadas isoladamente, sem um contexto que as relacione. Paralelamente, somos informados de que o índice de homicídios e roubos seguidos de morte voltou a crescer pelo segundo mês consecutivo, enquanto as estatísticas registram o aumento da letalidade das ações policiais em todo o território paulista. Ao mesmo tempo, pode-se observar que cresce o número de candidaturas à Câmara dos Deputados e às Assembleias Legislativas de ex-policiais cujas campanhas se caracterizam pela apologia da violência. A chamada “bancada da bala” pode crescer em todos os Estados e no Congresso Nacional, como resultado da sensação de insegurança gerada por crimes de grande repercussão e pela grande repercussão dada aos fatos criminosos.

Há uma interessante correlação entre a morte do estudante, em que as principais suspeitas caem sobre agentes privados de segurança, o aumento dos crimes letais, a epidemia crescente de violência policial e o número de votos destinados a oportunistas que buscam a carreira política com o discurso irresponsável da lei do cão.

A cobertura da mídia tradicional sobre esses acontecimentos é meramente factual. A omissão da imprensa em questionar a responsabilidade dos governantes diante da arbitrariedade policial e a truculência de agentes privados de segurança deixa à vontade os arautos da violência.