Arquivo mensais:outubro 2014

A transparência do Judiciário é a imparcialidade do juiz

Por Antonio Escosteguy Castro e Marthius Sávio Cavalcante Lobato | Via Sul 21

O filósofo francês Jacques Rancière, em seu livro já traduzido para o português “O ódio à democracia”, (Boitempo editorial), afirma que quanto mais o governo for democrático maior a sua crise. Este é o paradoxo da democracia. Para ele “o que provoca a crise de governo democrático nada mais é que a intensidade da vida democrática”. Não por acaso que estamos vivendo uma “crise de governo” atualmente no Brasil.

Nos últimos 12 (doze) anos aprendemos na prática o que se estudava na teoria, o pleno exercício da democracia. A participação popular nas esferas institucionais de decisão foi concretizada.Houve a institucionalização das esferas públicas, permitindo toda e qualquer forma de investigação. E o paradoxo é a tentativa de privatizar as instituições públicas, tornando-as a extensão de um posicionamento egoístico.

Enfrentamos diuturnamente, em todas as esferas, a atuação do Ministério Público e do poder judiciário tendo como objetivo midiático dos procedimentos investigatórios: vazamentos de informações, antecipação de votos e comentários de casos que ainda sequer foram julgados.

Tudo sob o fundamento do exercício da democracia e da transparência. A transparência passou a ser sinônimo de democracia.

Mas, afinal, o que é transparência?

A mais recente “transparência democrática” foi o vazamento das informações da delação premiada do ex- diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa. No dia seguinte ao seu depoimento ocorrido por meio de delação premiada, a revista Veja, que tem se destacado como fonte de denúncia da oposição de uma “transparência democrática”, vazou, seletivamente, a informação do depoimento ecitou vários nomes ligados ao governo e aos partidos da base aliada. Não houve nenhum procedimento do Judiciário para proteger o sigilo ferido, nem há noticia de investigação sobre a autoria do vazamento.

Semana passada, novo vazamento do depoimento do mesmo acusado. Desta vez, “com autorização judicial”.

O fundamento é que o processo não é sigiloso e a “transparência democrática” do judiciário autoriza a divulgação.

No caso da delação premiada, a Lei nº 12.850/2013, em seu artigo 6º, § 2º, afirma que o “acesso aos autos será restrito ao juiz, ao Ministério Público e ao delegado de polícia, como forma de garantir o êxito das investigações, assegurando-se ao defensor, no interesse do representado, amplo acesso aos elementos de prova que digam respeito ao exercício do direito de defesa, devidamente precedido de autorização judicial, ressalvados os referentes às diligências em andamento”. Como direito do colaborador/delator, afirma o artigo 5º, ter seu nome, qualificação, imagem e demais informações pessoais preservados e não ter sua identidade revelada pelos meios de comunicação, nem ser fotografado ou filmado, sem sua prévia autorização por escrito. Como sabemos a lei não é o ponto final da interpretação, é o seu início. Somente a partir do contexto da sua aplicação é que podemos interpretá-la. Neste sentido, quando a lei nº 12.850/2013, protege todas as informações prestadas através do sigilo do depoimento, tem como finalidade a proteção não só da pessoa que fez o acordo de delação premiada, como também dos que foram eventualmente citados. Isto porque, a delação coloca em risco uma rede de pessoas envolvidas que podem ser vítimas da própria delação. Logo, o vazamento do depoimento expõem os acusados, retirando-lhes o direito à vida. Como afirma Hannah Arendt, é a dignidade nua, a dignidade sem direitos. A idoneidade é ainda o bem maior a ser protegido. A exposição dos denunciados os criminaliza para a eternidade. Mas também para além da vida, está a pretensão punitiva do Estado. Pretensão esta que somente se tornará eficaz se todos os procedimentos forem devidamente observados, e ao final, a prova robusta com a sentença condenatória.

Portanto, se um procedimento de investigação está sendo realizado a partir da aplicação da Lei nº 12.850/13, da delação premiada, afirmar que o processo não está sob sigilo é, no mínimo, desconhecer a lei, para não utilizar uma expressão mais forte. O sigilo não pode ser definido sob a ótica meramente formal, apenas sobre o processo físico em que houve a delação, mas deve ser entendido sob a ótica material, sobre o que estiver vinculada à matéria da delação ao delator.

O vazamento da informação está colocando em risco o próprio procedimento investigatório, logo, a própria pretensão punitiva do Estado. Poderá gerar a sua nulidade e no mínimo, dificultar a obtenção das provas. É óbvio que quem está vazando as informações têm conhecimento deste fato. Então porque vaza as informações? Segundo o Juiz Sergio Moro, o faz para garantir a “transparência democrática” do Poder Judiciário.

Bom, agora podemos definir o que é transparência. Como sabemos, transparência é aquilo que se pode ver através de, que é evidente ou que se deixa transparecer. Para o caso concreto, é a contraposição ao sigilo das informações, o que não se oculta. Portanto, seguindo o raciocínio do Juiz Sergio Moro, o vazamento dos depoimentos ocorrerão para demonstrar que o Poder Judiciário, neste caso, não está ocultando informação, colocando-a sob sigilo, logo, é transparente. Mas, afinal, a delação premiada, por definição na lei, não é sigilosa? Sendo sigilosa, não é a mesma oculta? Pois bem, neste caso, a transparência democrática é exatamente garantir a ocultação dos depoimentos através do sigilo. O sigilo, como visto, garante tanto a eficácia da investigação como a proteção dos acusados, eis que não se pode garantir, antes das provas, que as acusações sejam verificas.

Mas, então, porque um juiz permite o vazamento da informação se a lei determina o seu sigilo?

Aqui chegamos na parte da privatização do público que mencionamos acima. Há interesses e concepções que estão acima do bem público, que é é a pretensão punitiva do Estado. Utiliza seu poder de magistrado, conquistado arduamente pela sociedade brasileira para termos a ampla democracia, para ver seu nome em standarts da imprensa.

Mas, também não é só. Este caso, vai além de um mero interesse individual. Está umbilicalmente vinculado às pré-concepções políticas daquele que vaza a informação tem do direito.

Constituição e política não podem ser debatidos isoladamente. Problemas constitucionais não podem ser considerados apenas como questões de Poder, como afirmava Ferdinand Lassalle (A essência da Constituição), muito menos problemas exclusivamente jurídicos, afastado de toda e qualquer ideologia política, como afirmava Kelsen em sua teoria pura.O direito não é neutro. São questões a um só tempo jurídicas e políticas.

Para Roberto Lyra Filho, a “neutralidade da interpretação acabacastrando o Direito e, se diz ‘eu não faço politica’, realmente já está fazendo o que nega, inclusive quando troca o Direito pela norma estatal e reduz a liberdade ao que sobra do banquete pantagruélico da dominação”[...] “O ‘neutro’ é um reacionário encabulado e não tem a coragem e a franqueza de confessar que é moço de recados da dominação que mascara”.

Fica evidente que o vazamento do depoimento tem cunho nitidamente eleitoral. Esses vazamentos colocam em risco a pretensão punitiva do Estado.O vazamento seletivo de nomes somente ligados ao governo, de partidos da base aliada e utilizado pela imprensa com nítidos fins eleitorais, expõe criminosamente a dignidade das pessoas citadas. A Súmula Vinculante nº 14 do STF, quando aprovada, o foi para proteger os atos do Estado Policial contra os cidadãos, por isso que afirma, textualmente que “É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa”. Negar o acesso aos depoimentos após terem sido entregues para a imprensa é violar a Constituição.

A transparência do Poder Judiciário somente ocorrerá quando magistratura atuar com imparcialidade. A quebra da imparcialidade acarreta a responsabilização administrativa e criminal gerando, consequentemente, o impedimento daquele que conduz o processo que, na sua essência, por lei, é sigiloso.

E apenas para não esquecermos, nenhuma literatura jurídica permite a subversão de uma ordem constitucional com a condenação sem provas e a imputação ao réu de provar sua inocência.

Este debate serve para refletirmos com Boaventura de Souza Santos que em um Estado Democrático de Direito, não se discute o acesso a justiça, mas sim, qual a justiça que queremos ter acesso.

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Antonio Escosteguy Castro é Advogado, assessor sindical e diretor da AGETRA.

Marthius Sávio Cavalcante Lobato é Advogado, professor, Mestre e Doutor em Direito Constitucional pela UnB.

Banco lucra mais até com PIB fraco

Por Léa de Luca | Via Brasil Econômico

JPMorgan, Citi e Wells Fargo inauguraram safra do terceiro trimestre nos EUA com ganhos maiores do que há um ano; no Brasil, apesar da estagnação, devem crescer 10%

Três dos quatro maiores bancos dos Estados Unidos abriram ontem a temporada de balanços no terceiro trimestre deste ano com resultados positivos, acompanhando a melhora da economia do país. A alta, porém, é maior do que a taxa média do crescimento do PIB americano projetado para este ano (que está na casa dos 4,5%), indicando que os bancos podem estar antecipando recuperação mais forte à frente. O JPMorgan, maior banco do país, registrou lucro de US$ 5,6 bilhões, em comparação com um prejuízo de US$ 380 milhões um ano antes; o Citi, terceiro maior, teve alta de 13% sobre o mesmo período do ano passado, para US$3,67 bilhões. E o Wells Fargo, quarto maior banco dos EUA e o maior em hipotecas, registrou crescimento de 2,7%, para US$ 5,41 bilhões.

No Brasil, o descompasso entre atividade econômica e lucro dos bancos é ainda maior. No primeiro semestre deste ano, enquanto o PIB brasileiro acumulava alta de 2,6%,o lucro dos 10 maiores apresentou crescimento de 20% — excluindo deste cálculo o ganho extraordinário do Banco do Brasil com a vendadas ações da subsidiária BB Seguridade na Bolsa, em abril.Para o terceiro trimestre, a tendência deve continuar. A safra de balanços dos bancos brasileiros começa no próximo dia 30, com os resultados do Bradesco. “O lucro acumulado nos primeiros nove meses deste ano deve ficar 10% maior do que no mesmo período de 2013″, prevê Erivelto Rodrigues, presidente da Austin Rating. Isso, apesar da queda de 0,6% do PIB no terceiro trimestre deste ano.

“Os bancos brasileiros— principalmente os maiores —são muito resilientes, e enfrentam bem períodos de desaquecimento econômico. No exterior, os bancos são mais dependentes do crescimento”, diz. Segundo Rodrigues, os bancos brasileiros tem a capacidade de se adaptar rápida e facilmente aos cenários porque tem grande “expertise” de gestão —mas as taxas de juros e spreads elevados também ajudam. A exceção, diz o presidente da Austin, são os bancos menores, que sofrem em tempos de crise de liquidez — o que não é o caso neste momento. Em relação ao crédito, Rodrigues espera um aumento entre 12% e 15%. “Mesmo com demanda menor por empréstimos, os bancos mantém os lucros também porque continuam perseguindo a eficiência e corte de custos”.

Corte de custos e redução de tamanho também estão por trás da alta do lucro líquido ajustado do Citi nos Estados Unidos. O Citi anunciou que vai sair da área de “consumer banking” em 11 países, dos quais seis na América Latina (mas o Brasil não é um deles). No final de 2012, já havia anunciado uma reestruturação que cortou 11mil empregos e 84 agências, das quais 14 no Brasil. No JPMorgan, a reversão do prejuízo veio por sua atuação em tesouraria. A atividade de mercado teve ímpeto em setembro, em grande parte devido aos esforços do Banco Central Europeu (BCE) para estimular o crescimento e a uma série de dados sugerindo o fortalecimento da economia norte-americana. A receita total com banco de investimento subiu 2%, para US$1,54 bilhão, impulsionada por maiores taxas de assessoria. Já o lucro líquido com hipotecas bancárias caiu 38%, a US$ 439 milhões. No Wells Fargo, a receita cresceu 3,6% para US$ 21,21 bilhões de dólares, apesar do declínio das originações de hipotecas para US$ 48 bilhões.

Com Reuters

Dilma denuncia e dados públicos do TCE contra Aécio somem do site

Via Portal Vermelho

Relatórios técnicos sobre as contas do governo de Minas Gerais de 2006 a 2012, que então disponíveis para consulta no site do Tribunal de Contas de Minas Gerais, foram retirados do ar entre a noite de terça-feira e o início da tarde de ontem.

Os dados em questão foram apresentados pela presidenta Dilma Rousseff, candidata à reeleição, durante debate na Band com o adversário Aécio Neves (PSDB), na última terça-feira (14). Dilma apontou que o candidato tucano não cumpriu o mínimo dos repasses na área de Saúde. Ela convidou os telespectadores que acompanhavam o debate a checar na página do TCE.

“No que se refere à Saúde pode-se entrar no site do TCE e lá vai estar claro que o governo de Minas foi obrigado a assinar um termo de ajustamento de gestão e que considerou-se que vocês desviaram em torno de R$ 7,6 bilhões”, denunciou Dilma. O valor corresponderia aos 12% do orçamento que deveria ter sido destinado.

Em nota, o tribunal disse que o site caiu por causa da quantidade de acessos na noite desta terça, mas não confirmou a exclusão de documentos das gestões tucanas.

Aécio usou lei delegada para contratar parentes no governo de Minas

Por Helena Sthephanowitz | Via RBA

Em 2006, o deputado estadual Rogério Correia (PT) apresentou requerimento de informações sobre nepotismo de parentes do então governador Aécio Neves. A lista tinha nove nomes

Em janeiro de 2007, Aécio Neves (PSDB), no início do seu segundo mandato para governador de Minas, utilizou-se de sua maioria na Assembleia Legislativa para obter uma carta branca para criar cargos comissionados e nomear pessoas (a chamada lei delegada). Nesse processo, o diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-MG) usou a legislação para nomear Fernando Quinto Rocha Tolentino, primo de Aécio, em Cláudio, local do polêmico aeroporto construído na fazenda que era do tio.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo a respeito do aeroporto de Cláudio, quem atendeu o repórter e estava com as chaves do local chama-se Fernando Tolentino. Mas essa não foi a primeira nomeação deste primo pelo ex-governador tucano.

Em 2006, o deputado estadual Rogério Correia (PT), da oposição ao governo tucano, apresentou um requerimento de informações sobre nepotismo de parentes do então governador Aécio Neves. A lista tinha nove nomes, inclusive Fernando Quinto Rocha Tolentino:

- Oswaldo Borges da Costa Filho (genro do padrasto do governador), presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico e Minas Gerais;

- Fernando Quinto Rocha Tolentino (primo), assessor do diretor-geral do Departamento de Estradas e Rodagem (DER/MG);

- Guilherme Horta (primo), assessor especial do governador;

- Tânia Guimarães Campos (prima), secretária de agenda do governador;

- Frederico Pacheco de Medeiros (primo), secretário-adjunto de estado de governo;

- Andréia Neves da Cunha (irmã), diretora-presidente do Serviço de Assistência Social de Minas Gerais (Servas);

- Ana Guimarães Campos (prima), servidora do Servas;

- Júnia Guimarães Campos (prima), servidora do Servas;

-Tancredo Augusto Tolentino Neves (tio), diretor da área de apoio do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).

Heliponto na “Versalhes” (veja documento abaixo)

Fernando Quinto Rocha Tolentino é dono do heliponto na Fazenda da Mata no município de Cláudio, segundo documento da Agência Nacional de Aviação Civil (abaixo). Essa é a fazenda que Aécio disse em uma entrevista ser “sua Versalhes” (palácio suntuoso do rei Luís XIV, da França), um dos lugares onde gosta de passar suas folgas.

Desta vez, pelo menos, o heliponto está registrado na Anac como privado, diferente do aeroporto na mesma cidade construído com dinheiro público. Tem pavimento com capacidade para receber um helicóptero com peso de cinco toneladas, incluindo a carga. Comporta um aparelho bem maior do que o Robinson R22 da família do senador Zezé Perrella (PDT-MG) apreendido no Espírito Santo com meia tonelada de cocaína.

Chique essa “Versalhes” do Aécio, não acham? Quando vai de helicóptero desce direto na fazenda da família. Quando vai de jatinho, não precisa nem descer no aeroporto regional de Divinópolis, a menos de 40 minutos de carro. Desce no aeroporto construído a seis quilômetros de distância da fazenda com dinheiro público de Minas.

Armínio Fraga, os juros e algumas perguntas

Armínio Fraga e George Soros

Por Rennan Martins | Brasília 15/10/2014

Armínio Fraga – virtual ministro da fazenda de Aécio – pertence a nata do capitalismo financeiro desregulado. O mesmo modelo responsável por criar a segunda maior crise do capitalismo da história, a de 2008.

Fraga, como se sabe, foi presidente do Banco Central de FHC, o intelectual da servidão. Antes, foi também braço direito do especulador mor e apelidado de “destruidor de países”, George Soros.

Os tucanos têm falado muito sobre política econômica, inflação e da necessidade de fazer voltar a crescer a nossa economia, que dá sinais de esgotamento de um ciclo baseado na expansão do crédito e do consumo interno.

É necessário esclarecer, botar os pingos nos i’s. O eleitorado precisa ter ciência de que a despeito do tucanato falar tanto em crescimento, o que propõem é o velho “choque de gestão”, de caráter claramente recessivo.

A proposta de Aécio para a economia prevê a retração dos bancos públicos, cortes fiscais e elevação severa das taxas de juros. Armínio, que quando a frente do BACEN conseguira elevar a SELIC a emblemáticos 45%, julga que o “mercado” aloca de forma mais eficiente os recursos.

Leviano, fala que os bancos públicos são capturados por “interesses políticos” e devem, por essa razão, ser reduzidos a não muita coisa. Gostaria que ele explicasse como o BNDES, terceiro maior banco do mundo, consegue uma inadimplência de irrisórios 0,07%, já que é tão ineficiente.

A proposta de ajuste – que já tem sido alardeada pela imprensa como inevitável – é um balde de água fria na economia real. Com juros altos e retração do crédito público, o capital é alocado nas atividades rentistas. O desemprego se alastra, o PIB estagna ou retrai, e a dívida pública cresce.

O crescimento do montante da dívida causado pela subida demasiada dos juros imobiliza o Estado, que se vê obrigado a cortar outras despesas a fim de saciar os bancos. Advinha de que setores costumam retirar os recursos? Isso mesmo, da saúde, educação e da assistência social.

Apesar de a realidade insistir em negar a tese do Consenso de Washington, capitaneada no Brasil pelo PSDB, o que se vê é uma obstinação em torno da proposta.

Peço, por gentileza, ao senhor Armínio que explique. Se as reformas liberalizantes promovem o ambiente propício para o “eficiente” investimento privado, porque na Europa isso não está ocorrendo? Porque vemos o Financial Times – porta-voz do setor financeiro – implorar por afrouxamento quantitativo no velho continente?

Se são as reformas liberalizantes que nos botarão no rumo do crescimento econômico novamente, porque a China – um país de forte controle estatal sobre os investimentos – é o país que mais cresce há anos?

Afinal, Fraga, a que crescimento você se refere, ao da economia brasileira ou ao dos rendimentos do capital financeiro internacional?

A “meritocracia” do garotão de praia Aécio Neves

Por Fernando Brito | Via Tijolaço

Eu sei que me queixo demais do debate, que deveria não ser uma derrota, mas um massacre da candidatura Aécio Neves.

Porque as coisas, ontem poderiam ter sido colocadas em seus devidos lugares com uma simples pergunta de Dilma Rousseff a Aécio Neves:

Candidato Aécio. O senhor falou diversas vezes em meritocracia. Isso quer dizer que os cargos públicos devem ser ocupado por mérito e aliás nunca se fez tanto concurso público no Brasil. Mas, como o senhor repete isso o tempo todo, eu queria fazer uma pergunta. O senhor podia me informar se foi por mérito que o então presidente Sarney nomeou o senhor aos 25 anos diretor da Caixa Econômica Federal. Era por mérito que o senhor foi assessor da Câmara desde quando vivia naquela vida de garotão no Rio de Janeiro?

Podia gritar, chiar, sapatear que sua hipocrisia ficaria evidente.

Porque se não for assim, se depender da imprensa leniente com tudo o que diz respeito ao tucano, as pessoas não a verão.

Porque os jornais não vão apurar e se limitam a publicar que Aécio “desmente” a informação de que foi contratado pela Câmara em 1977, como consta do site da instituição. Diz que não foi aos 17 anos, mas aos 19…

“O candidato tucano à Presidência, Aécio Neves, admitiu em nota que foi contratado para trabalhar na Câmara dos Deputados, que fica em Brasília, mesmo enquanto ainda morava no Rio de Janeiro, em 1980. Na época, tinha 19 anos.”, diz a Folha.

E tinha mesmo e estava, confessadamente, vivendo a vida boa de garotão praieiro no Rio, da qual ele costuma dizer que Tancredo Neves o fez abandonar para entrar na política.

Ajudo os coleguinhas jornalistas que não fizeram o óbvio, de ir na Câmara buscar os dados.

Eu fui.

Publico aí em cima os atos de nomeação e dispensa do tucano “meritocrata”, que saiu da Câmara no dia seguinte a Tancredo Neves assumir o governo do Estado, trocando um avô (Aécio Cunha) por outro.

Agora, os repórteres podiam me dar uma folga e ir ao Cade, onde Aécinho teve uma “boca” antes da Câmara e ao Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, onde também entrou pela janela.

A meritocracia de Aécio é uma piada.

Aécio não consegue conviver com liberdade de expressão, diz Barão de Itararé

Via RBA

Para centro de estudos de mídia, candidato tucano atua ‘ostensivamente’ como censor ao longo de sua trajetória política

Na campanha, Aécio entrou com processo contra o Twitter para exigir a entrega de registros de 66 usuários da rede social

São Paulo – O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé elegeu o candidato Aécio Neves (PSDB) como inimigo número 1 da liberdade de expressão no país. “São incontáveis os casos de intervenção direta do tucano nos veículos de comunicação e nas redes sociais para impedir a publicação de notícias negativas a seu respeito ou sobre o seu governo”, diz o Barão de Itararé em nota. Para o centro, Aécio atua “ostensivamente” como censor ao longo de sua trajetória política.

“A censura praticada por Aécio Neves assume várias formas: a ligação direta para os donos dos veículos de comunicação, perseguição a jornalistas e comunicadores sociais e ações judiciais para impedir publicações e retirar conteúdos da internet”, afirma o centro, citando duas ações, do candidato e de seu partido, para retirada de conteúdo virtual.

“Uma delas quer retirar da rede mundial de computadores todos os links (levantamento aponta que são mais de 20 mil conteúdos) que fizerem menção ao desvio de verbas praticado pelo tucano no governo de Minas Gerais”, destaca o Barão. “A outra – que corre em segredo de Justiça – pede que sejam tomadas providências contra perfis e comunidades na internet que relacionam Aécio ao consumo de drogas.”

O centro de estudos lembra ainda que, durante a campanha eleitoral, Aécio entrou com processo contra o Twitter para exigir a entrega de registros de 66 usuários da rede social, “entre os quais, blogueiros, jornalistas e ativistas digitais”. É citado ainda o episódio de invasão, pela polícia, do apartamento da carioca Rebeca Mafra, “por solicitação de Aécio Neves, que citou a jornalista por crime contra honra”.

“Um político que não consegue conviver com a liberdade de expressão não terá nenhum compromisso com a sua promoção”, deduz o centro de estudos. Para a entidade, foram dados poucos passos no sentido de uma “regulação democrática dos meios de comunicação”, a fim de buscar “mais pluralidade e diversidade na mídia brasileira, combatendo o monopólio privado da mídia que atua, no país, como partido de oposição”.