Nós perdemos, mas exigimos ganhar, entende?

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Por Fernando Brito | Via Tijolaço

Curiosíssima a arrogância do mercado hoje, na Folha, exigindo uma guinada na política econômica do Governo com a reeleição de Dilma Rousseff.

A democracia, para eles, funciona assim: não importa quem o eleja, o Governo do país deve obedecer-nos.

Pois, senhores, tirem o cavalinho da chuva.

É óbvio que Dilma vai buscar o diálogo até, provavelmente, nomeando para o Ministério da Fazenda alguém com origem no mercado e que, por isso, facilite e distensione a interlocução do governo.

Mas quem nomeia é ela, não o “mercado” e é por isso que, ontem, ela negou-se a dar pistas sobre uma decisão que, a esta altura, provavelmente já está tomada.

Este é, provavelmente, o primeiro “teste de fidelidade” de seu novo Ministro da Fazenda: a discrição com que se move e faz consultas.

É bom que o “mercado” lembre: foi Dilma e não ele quem ganhou as eleições.

E como Aécio já se apresentou guarnecido por seu “xerife da Fazenda”, Armínio Fraga, o eleitor brasileiro rejeitou uma política econômica recessiva, lesiva ao emprego e ao salário.

Simples e democrático assim, pois não?

Dilma, uma mineira agauchada, certamente se lembra da frase de Pinheiro Machado ao cocheiro, no Império: “vá, mas nem tão depressa que pareça fugga, nem tão devagar que pareça afronta”.

Aliás, o resto é marola e jogada para enganar trouxas, como os que saíram se desfazendo de ações ontem no “terremoto” da Bolsa que deu xabu e terminou o dia amansando, como amansará hoje. Os espertos compraram, levantando as mãos para o céu, Petrobras a R$ 14, o que é quase bilhete premiado de loteria. Vão ganhar mais que o tal diretor Paulo Roberto Costa.

Siga a Bolsa, hoje, e veja só.

Os índices de preços, embora ainda possam revelar números maiores pelo período acumulado, vão começar a acusar quedas, seja por causa do reinício das chuvas, seja porque a “animação inflacionária” do período eleitoral ficou para trás.

A palavra de ordem no Governo, agora, é “muita calma nessa hora”.

Lembrar, sem arroubos autoritários, que foi a situação – e sua política desenvolvimentista – quem ganhou a eleição.

E lembrar-se, como disse ontem a Presidenta Dilma, que o povo sinalizou claramente que quer mudanças nela.

Mas para melhor.

Uma ideia sobre “Nós perdemos, mas exigimos ganhar, entende?

  1. Luis F. Novoa Garzon

    Prezado, os “mercados” agora tratam de ganhar o “terceiro turno” que se tornou a definição dos postos econômicos-chave no segundo mandato de Dilma.Teremos condições de “disputar” a escolha da equipe econômica e propor as demarcações necessárias a partir de uma equipe compatível com uma candidatura que derrotou o golpismo midiático e dos mercados? Porque Luciano Coutinho, Paulo Nogueira e Beluzzo, por exemplo, estão sendo vetados de qualquer discussão acerca dessa futura composição? Segue link em que apresento essa reflexão, cruzando dados do IBOVESPA, dos Institutos de pesquisa e da grande mídia.

    http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=10190:submanchete281014&catid=72:imagens-rolantes
    Att
    Luis F. Novoa

    Responder

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