Por Bob Fernandes | Via Terra Magazine
o país do faz-de-conta o aborto é proibido. No país real, mulheres fazem 800 mil abortos clandestinos a cada ano.
Há dias, no país real, a polícia estourou clinicas de aborto clandestino em sete bairros do Rio de Janeiro que cobravam R$ 7,5 mil a cada operação.
O tema aborto deixou as sombras de vez nas eleições de 2010. Então, de olho no voto conservador, José Serra deu uma guinada à direita.
Esse e temas de e do gênero têm tido um mérito: o de permitir que na sociedade brasileira se saiba com clareza quem é quem e o que pensa.
Tais temas deram visibilidade e liga a bolsões de extrema-direita, como veremos na composição e atuação do próximo Congresso Nacional e dos legislativos
Cinquenta e cinco policiais foram eleitos para Congresso e assembléias estaduais. Quase todos com discursos que apelam para os mais baixos instintos.
Discursos das “bancadas da bala”, que costumam melhorar a vida… dos que discursam. Na prática, produzem apenas mais ódio e mais violência.
O mais hidrófobo deles, aquele Bolsonaro favorável à tortura e à ditadura, já anunciou estar de olho na Comissão de Direitos Humanos, e disse:
-…ativistas gays e negros não vão me atrapalhar…
O Brasil é campeão mundial no assassinato de homossexuais . Quem mata e prega ódio contra o sexo do alheio tem, é óbvio, questões sexuais
escondidas no armário.
Os partidos no Congresso serão 28. Quem se eleger presidente da República, seja quem for, terá que conviver com masmorras e discursos de ódio. E não apenas.
Metade do congresso atual responde a 542 processos no Supremo. Dos 108 deputados e senadores mais votados agora, 40 respondem a processos na Justiça.
Prometa o que prometer, o eleito ou a eleita terá que negociar também com os habituais esgotos. Missão duríssima.
Em um dos vários blocos de poder, a pilantragem, a “bancada da bola”. Em outro, a “bancada da bala” …e mais uma gente que se coloca à extrema direita do arejado Papa Francisco.
