Por Léa de Luca | Via Brasil Econômico
JPMorgan, Citi e Wells Fargo inauguraram safra do terceiro trimestre nos EUA com ganhos maiores do que há um ano; no Brasil, apesar da estagnação, devem crescer 10%
Três dos quatro maiores bancos dos Estados Unidos abriram ontem a temporada de balanços no terceiro trimestre deste ano com resultados positivos, acompanhando a melhora da economia do país. A alta, porém, é maior do que a taxa média do crescimento do PIB americano projetado para este ano (que está na casa dos 4,5%), indicando que os bancos podem estar antecipando recuperação mais forte à frente. O JPMorgan, maior banco do país, registrou lucro de US$ 5,6 bilhões, em comparação com um prejuízo de US$ 380 milhões um ano antes; o Citi, terceiro maior, teve alta de 13% sobre o mesmo período do ano passado, para US$3,67 bilhões. E o Wells Fargo, quarto maior banco dos EUA e o maior em hipotecas, registrou crescimento de 2,7%, para US$ 5,41 bilhões.
No Brasil, o descompasso entre atividade econômica e lucro dos bancos é ainda maior. No primeiro semestre deste ano, enquanto o PIB brasileiro acumulava alta de 2,6%,o lucro dos 10 maiores apresentou crescimento de 20% — excluindo deste cálculo o ganho extraordinário do Banco do Brasil com a vendadas ações da subsidiária BB Seguridade na Bolsa, em abril.Para o terceiro trimestre, a tendência deve continuar. A safra de balanços dos bancos brasileiros começa no próximo dia 30, com os resultados do Bradesco. “O lucro acumulado nos primeiros nove meses deste ano deve ficar 10% maior do que no mesmo período de 2013″, prevê Erivelto Rodrigues, presidente da Austin Rating. Isso, apesar da queda de 0,6% do PIB no terceiro trimestre deste ano.
“Os bancos brasileiros— principalmente os maiores —são muito resilientes, e enfrentam bem períodos de desaquecimento econômico. No exterior, os bancos são mais dependentes do crescimento”, diz. Segundo Rodrigues, os bancos brasileiros tem a capacidade de se adaptar rápida e facilmente aos cenários porque tem grande “expertise” de gestão —mas as taxas de juros e spreads elevados também ajudam. A exceção, diz o presidente da Austin, são os bancos menores, que sofrem em tempos de crise de liquidez — o que não é o caso neste momento. Em relação ao crédito, Rodrigues espera um aumento entre 12% e 15%. “Mesmo com demanda menor por empréstimos, os bancos mantém os lucros também porque continuam perseguindo a eficiência e corte de custos”.
Corte de custos e redução de tamanho também estão por trás da alta do lucro líquido ajustado do Citi nos Estados Unidos. O Citi anunciou que vai sair da área de “consumer banking” em 11 países, dos quais seis na América Latina (mas o Brasil não é um deles). No final de 2012, já havia anunciado uma reestruturação que cortou 11mil empregos e 84 agências, das quais 14 no Brasil. No JPMorgan, a reversão do prejuízo veio por sua atuação em tesouraria. A atividade de mercado teve ímpeto em setembro, em grande parte devido aos esforços do Banco Central Europeu (BCE) para estimular o crescimento e a uma série de dados sugerindo o fortalecimento da economia norte-americana. A receita total com banco de investimento subiu 2%, para US$1,54 bilhão, impulsionada por maiores taxas de assessoria. Já o lucro líquido com hipotecas bancárias caiu 38%, a US$ 439 milhões. No Wells Fargo, a receita cresceu 3,6% para US$ 21,21 bilhões de dólares, apesar do declínio das originações de hipotecas para US$ 48 bilhões.
Com Reuters
