A mídia, o mercado e as apostas do imperialismo contra Dilma

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Por Umberto Martins | Via Vermelho

O jornal britânico Financial Times voltou a criticar a presidenta Dilma Rousseff em editorial publicado nesta quinta-feira (2), no qual intima a chefe do Estado brasileiro a mudar os rumos da política econômica, levando em conta a reação e os desejos do mercado, que segundo os oráculos de plantão demanda ajuste fiscal e rigor total na aplicação do tripé neoliberal (juros altos, câmbio flutuante e superávit fiscal primário).

Como já é de praxe, a grande mídia, burguesa e golpista, destacou os comentários do diário europeu (que dias atrás identificou um “preocupante aumento do socialismo venezuelano” no Brasil) de forma acrítica e subalterna. Mas a verdade que precisa ser reiteradamente observada é que o Financial Times traduz, através de editoriais e artigos, a ideologia e os interesses dos grandes capitalistas estrangeiros ou, em outras palavras, daquilo que conhecemos como imperialismo. Interesses que são francamente contrários aos da classe trabalhadora em todo o mundo e aos do povo brasileiro no caso em tela.

Bordão reacionário

O bordão que o jornal alardeia contra Dilma não é novo e vem sendo repetido pelos candidatos das forças conservadoras e neoliberais à exaustão. A receita desta gente, repudiada por Dilma, é a mesma que está sendo aplicada na Europa sob a batuta do Fundo Monetário Internacional. Significa estagnação da economia, desemprego em massa, redução de salários, corte de direitos e desmantelamento do chamado Estado de Bem Estar Social. É o que a direita, encarnando os desejos da oligarquia financeira, quer impor a qualquer preço por aqui.

Mas para dourar a pílula o diário dos rentistas ingleses se arvora também o papel de intérprete autorizado das manifestações massivas realizadas em junho de 2013, que afinal também sinalizaram a necessidade de mudança. “Dilma não pode ignorar o que os mercados e milhões de brasileiros querem: mudança”, proclama o editorial. Trata-se de uma meia verdade.

Não se pode negar que o povo brasileiro quer mudanças, em sintonia com as demandas dos movimentos sociais e os protestos de junho do ano passado. A sociedade reclama maiores investimentos públicos em saúde, educação, transporte e segurança. Mas isto, notemos, é precisamente o oposto do que a oligarquia financeira, nacional e estrangeira, quer nos impor. Já a voz do mercado, apresentado pela mídia burguesa como uma divindade abstrata que paira acima dos mortais, expressa a opinião e sentimentos de rentistas e especuladores do mercado de capitais.

Assim como a juventude, os movimentos sociais também lutam por mudanças na política econômica, mas em sentido contrário ao do projeto neoliberal, ou seja, querem o fim do tripé neoliberal: a redução substancial das taxas de juros, o controle do câmbio e taxação das remessas de lucros ao exterior, a ampliação dos gastos e investimentos públicos, focando principalmente as demandas de junho, de forma a ampliar a rede de bem estar e seguridade social. Propugnam igualmente o aprofundamento da política de redistribuição da renda nacional, o fortalecimento do mercado interno, o desenvolvimento com democracia, soberania e valorização do trabalho.

O ajuste fiscal que as forças conservadoras e o imperialismo querem impor ao Brasil, temperado com a radicalização do tripé neoliberal, requer cortes dramáticos das despesas públicas em detrimento da saúde, da educação, da mobilidade urbana, dos investimentos em infraestrutura, do emprego e do desenvolvimento da economia. Não é o que eles dizem, mas é a realidade. Os comentários do Financial Times mostram que o imperialismo não está ausente do pleito de outubro, aposta suas fichas em Aécio ou Marina e já não esconde o desconforto com a hipótese de reeleição da presidenta Dilma, a cada dia mais provável. O povo brasileiro sabe que seus interesses serão melhor bem servidos por Dilma do que pelas candidaturas alinhadas ao neoliberalismo, que felizmente parecem fadadas a um novo fracasso nas urnas.

*Umberto Martins é jornalista e assessor da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)

2 ideias sobre “A mídia, o mercado e as apostas do imperialismo contra Dilma

  1. FERNANDO

    Olha que interessante; o BC aumenta a taxa de juros para empréstimos, o país não pega empréstimos e quando pega, paga uma taxa altíssima para os bancos estrangeiros e nacionais. Nos EUA a taxa é quase zero, por isso tem-se muito crédito na praça e o dinheiro flui para todo mercado interno; alimentando o país como um rio que corre pelas matas. A solução que encontraram no BRasil é aumentar a taxa de juros no alto, para que nimguém pegue empréstimos e o dinheiro não flua pela economia como um rio flui pela natureza. O dinheiro fica estagnado com os bancos que lucram exorbitadamente. Qual o benefício de tudo isso? Ter a maior taxa de juros do mundo? Ter os bancos mais ricos do mundo e o mercado interno mais seco do mundo como o rio mais seco que estivermos a ter na natureza? Quem ganha com tudo isso? Os economistas pagos pelos bancos para que aumentemos a taxa de juros e beneficiá-los loucamente estagnando o país? Ou o país que está cada vez mais seco e morto como o Rio Doce que a samarco matou? Manter a taxa de juros alta, diminui o fluxo de dinheiro no mercado interno, aumenta o valor do dólar pois o real não flui e portanto perde valor; destroi a industria interna, aumenta-se a inflação ou o preço do pão, pois com a alta do dólar o preço do trigo fica maior entre outros produtos. Ou seja, destroi a economia brasileira, destroi o real e aumenta-se o lucro de bancos e das multinacionais estrangeiras que entram no brasil sem concorrência e tomam conta de tudo. Vejo no futuro um país desértico sem rio na natureza ou rios de dinheiro, aumentando o valor do dólar, o lucro dos bancos estrangeiros e a dominância das multinancionais nos escravizando salariamente.

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    1. FERNANDO

      Porque sera que os bancos nacionais está na mira dos bancos estrangeiros? Um país ignorante quanto ao seu Banco Central corrupto que está destruindo sua economia interna para pagar juros exobirtantes para bancos nacionais e estrangeiros é um grande lucro para qualquer capitalista ganancioso.

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