Arquivo mensais:setembro 2014

Desemprego na indústria do Paraná de Beto Richa é quase o dobro do Brasil

Via Blog do Tarso

Não há dúvida que o mundo vive uma grave crise que repercutiu um pouco no Brasil governado pela presidenta Dilma Rousseff (PT). O problema é que essa crise é ainda maior no Paraná do governador Beto Richa (PSDB).

A quantidade de trabalhadores empregados na indústria do Paraná caiu 5,6% em julho de 2014, se comparado com julho de 2013, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, bem pior do que a média nacional (retração de apenas 3,6%).

No estado do Paraná o número de trabalhadores empregados nas indústrias de máquinas e aparelhos eletrônicos e de comunicação caiu 36,5%, na indústria de transformação a retração foi de 13,8%, no setor de vestuário 11,1% e nos meios de transporte 6,7%.

No acumulado de janeiro a julho de 2014 o emprego na indústria paranaense caiu 3,9%, a terceira maior queda do país entre os estados pesquisados.

No estado do Paraná o número de horas pagas pela indústria no mês de julho foi reduzido em 7%, por causa do recuo de 44,2% no número de horas pagas; na indústria de transformação a redução foi de 15,8%, vestuário 11,4% e meios de transporte 9,2%.

No acumulado dos sete primeiros meses do ano a quantidade de horas pagas caiu 5,1%.

No Paraná a folha de pagamento reduziu 3,4% em relação a julho/2013, no setor de aparelhos eletrônicos e de comunicação a retração foi de 45,4%, nas indústrias de refino de petróleo e de produção de álcool a retração foi de 30,2% e nas indústrias de transformação 10,3%.

Democracia fugidia e frágil

Por Paulo Timm | Via Sul 21

Vi, neste fim de semana, dois documentários, ambos recentemente lançados:

Na Globonews – Pasmem! –, o relato pungente de alguns dos “70″, título do documentário dirigido por Emília Silveira, trocados, no ano de 1970, pelo embaixador Giovanni Enrico Buchner, sequestrado por um comando da resistência armada à ditadura, depois da edição do famigerado AI-5, em 13 de dezembro de 1968. Uma revisita fundamental aos Anos de Chumbo do regime militar – 1969-1973 – para que as novas gerações saibam, não só as razões dos combatentes, mas a brutalidade da reação que sobre eles se abateu. Um registro: os depoentes manifestam seu orgulho pelos seus feitos, mas reiteram o impulso voluntarista no processo, sublinhado pelo pouco preparo para as ações a que se propuseram. Também atribuem às ações armadas a desmoralização do regime militar, algo contestável à luz da já baixa popularidade dos militares antes desta resistência e que até viria a melhorar com o proclamado “Milagre Econômico” 69-73. Este filme lembra outro – “Hércules” – que também reconstituiu o episódio do sequestro do Embaixador Americano, Charles Elbrick, em setembro de 1969, e a libertação de 15 presos políticos, dentre eles Luiz Travassos, José Dirceu e Zé Ibrahim, este o grande líder operário das primeiras greves do ABC depois do golpe e recentemente falecido.

Mais de quarenta anos depois, Emília, (no filme “70”) reencontra estes personagens para resgatar parte desta história. Quem são estas pessoas? O que pensam? Como conduziram suas vidas? O que restou dos ideais e dos sonhos da juventude? Quem eles eram e o que pensavam aos 20 anos? O que esperavam do futuro? Estas são algumas questões respondidas por Wilson Barbosa, Nancy Mangabeira Unger, Vera Rocha Dauster, Ismael J. de Souza, Marco Maranhão, Jaime Cardoso, Mara Curtiss Alvarenga, Affonso Alvarenga, René de Carvalho, Bruno Dauster, Elinor Brito, Chico Mendes, Jean Marc von der Weid, Reinaldo Guarany e Luiz Sanz.

Como eles mesmos se definem, estes “sobreviventes” são protagonistas de uma história não oficial. Com tantas marcas deixadas pelas torturas que sofreram, pelas perseguições e pelo exílio, suas lembranças resgatam parte de um período tenebroso da história do Brasil. São impressões e reflexões (nem sempre homogêneas) sobre táticas, ideais e ações que tiveram consequências profundas na vida de muitos jovens da época.

“Documentário reencontra militantes trocados pelo embaixador suíço durante ditadura “ – Rede Brasil Atual

À noite vi também “OS MILITARES QUE DISSERAM NÃO” , de Sílvio Tendler, com depoimentos de militares depostos de suas funções em 64 e outros perseguidos e mortos pelo regime, inclusive o Cel. Alfeu, comandante da Zona Aérea do RS, assassinado covardemente pelas costas no ato em que ia passar o comando. Trata-se de um importante documento que resgata o caráter cívico das Forças Armadas brasileiras, mostrando que foram golpistas no seu interior e não o conjunto de suas instituições, que deram o golpe de 1964.

O novo filme do cineasta Sílvio Tendler estreia no próximo dia 1º de Abril, dia dos 50 anos do golpe que levou a 20 anos de ditadura militar e manchou nossa história de gritos e sangue.

No documentário, Tendler mostra um lado desconhecido do Golpe de 64: os militares que se mantiveram fiéis à constituição (e ao Brasil) e colocaram-se contrários às ordens dos generais rebelados.

São vários relatos de militares e familiares que demonstram que, mesmo que poucos, alguns militares trabalharam contra o golpe e a ditadura e merecem nosso reconhecimento e respeito pelo dever cumprido.

Dia 1º de Abril estréia “Militares Da Democracia: Os Militares Que Disseram Não” – A Verdade

Contrito, sobretudo diante de atitudes recentes de confronto de militares acusados como torturadores com a Comissão da Verdade, me ponho a refletir sobre a relação entre estes filmes e a conjuntura nacional e concluo: Vivemos numa democracia além de fugidia, nos termos em que a coloca Fred Dallmayr em seu artigo “Para além da democracia fugidia – algumas reflexões modernas e pós-modernas”, como tensão entre o conceito de soberania de Locke e Rousseau, muito frágil. Uma casca de ovo… Com tudo o que já se tornou público e apesar de quase 30 anos da redemocratização, sendo 25 da nova Constituição, vivemos num sólido quadro institucional, mas em suspenso, numa atmosfera política corrosiva, contaminada pelo autoritarismo. Jamais houve, por exemplo, retratação dos militares golpistas, muito menos pedido de perdão por crimes cometidos, muitos deles travados à socapa contra seus próprios colegas de farda. Nem aposentadoria compulsória aos colaboradores políticos do regime militar. Continuam todos aí… Alguns com nomes de praças e ruas, até cidades…

Neste sentido, os dois filmes me lembram o grande esforço dos cineastas alemães da década de 70, Wim Wenders e Fassbinder dentre outros, quando, diante da prisão e morte dos militantes do Grupo Baader Meinhof produziram o documentário “Alemanha em Outubro”, um repto não só ao Estado alemão daquele momento, mas à sociedade alemã que fechava seus olhos ao passado nazista.

Isso, aliás, me reporta ao final da década de 70.

Naquela época estava eu em Brasília, arregimentando gente para a reorganização do trabalhismo sob a liderança de Leonel Brizola, o que, afinal, se consagraria no famoso Encontro dos Trabalhistas, em Lisboa, em 1979. Na verdade eu era de uma geração mais nova que nada tinha a ver com a tradição brizolista, mas capitulei aos encantos do Velho Caudilho quando com ele me encontrei, em 1978, em Paris, sob os auspícios de Trajano Ribeiro, companheiro do movimento estudantil em Porto Alegre na década anterior. Voltei ao Brasil cheio de tarefas e ia conversando com alguns deputados autênticos, intelectuais, líderes da velha guarda, apresentando-lhes nossa visão da conjuntura e nosso imperativo de formar o então PTB. Instalei-me, enfim, no 13º andar do Edifício Marcia, no Setor Comercial Sul de Brasília, onde ao fundo funcionava a sucursal do Jornal Movimento, no qual pontificava o jornalista Teodomiro Braga, depois sucedido por Antonio Carlos Queiroz. Fizemos sólida amizade. E eu até acabei subscrevendo um número considerável de assinaturas daquele alternativo, visto que muitos dos interessados, funcionários públicos, com vida absolutamente acima de qualquer suspeita, temiam ter o nome indexado pelo SNI. Corriam o risco de serem despedidos, pois o regime reinante era o celetista. Cada vez que chegava o Jornal, Teodomiro me pedia para entregá-los em algum Ministério, no que eu aproveitava para destilar, sem êxito, meu proselitismo, fato que Raimundo Pereira registra no livro em que conta a história de O Movimento. E disso dei conta ao Brizola em Lisboa, em junho de 1979, sob o inoportuno argumento de que “a esquerda no Brasil não estava nos apoiando”, ao que o Comandante, aborrecido, respondeu, dando-me as costas: – “Timm, a esquerda somos nós…!”. Engoli em seco.

Mas numa daquelas entrevistas, em Brasília, no curso de 1979, recebi certa noite a visita do Aldo Arantes, conhecido e respeitável quadro do PCdoB, recém-saído da prisão. Ele queria trocar ideias e saber o que Brizola, quem ele muito admirava desde a Legalidade, em 1961, pensava. Expliquei-lhe nossa visão:

O regime estava recuando, em grande parte pressionado pela liderança liberal do MDB e pela grande frente cultural que isolara os militares e era hora de criar mecanismos populares que levassem a transição mais além do que estes liberais o desejavam. Hora, portanto, de aproveitar a brecha da reorganização partidária, que se anunciara, e criar novos Partidos.

Aldo ouviu atentamente mas, quando eu terminei, discordou veemente dizendo que isso – criar Partido novo – era um grande erro, eis que havia necessidade de dar o golpe final na ditadura através de uma grande frente para só depois se iniciar a reorganização partidária. Era a ideia firmemente enraizada na dita Oposição de que se fazia necessária uma batalha, ainda que eleitoral, campal, contra os militares para a pavimentação da democracia. Com efeito, tanto o PCB, quanto o PCdoB e muitos respeitáveis líderes à época, como Fernando Henrique Cardoso, Pedro Simon, Miguel Arraes e outros, defendiam ardentemente a tese da “Unidade das Oposições”, sob a tutela do MDB, posição que iria manter os comunistas ali abrigados até as vésperas da Constituinte. Estes só iriam, rigorosamente, se assumir com as próprias bandeiras partidárias no ano de 1985, embora nunca tenham reconhecido ou identificado, neste ato, o definitivo enterro da ditadura militar. Lembre-se que a emenda das “Diretas Já” havia sido fragorosamente derrotada pelo regime autoritário, no Congresso Nacional, ainda em abril de 1984. Prova que o regime subsistia mesmo depois de dez longos anos de uma lenta, segura e gradual distensão. A prometida derrota ficaria, então, tacitamente prometida para depois da Constituinte, na esperança de que um candidato comprometido com o aprofundamento da democracia, saísse vitorioso nas eleições presidenciais. Quando elas chegaram, em 1989, Fernando Collor surpreendeu todo mundo. Instalou-se no poder, deu uma guinada à direita na Política Econômica, que seria aprofundada por Fernando Henrique na década de 90 e nunca mais se falou em consolidação da democracia.

Conto isso por uma razão: estávamos, eu e Aldo Arantes, ambos errados. Nós, trabalhistas, excessivamente confiantes no Projeto de Abertura do General Geisel como “Une promesse de bonheur”. Aldo, os comunistas em geral, por terem nos condenado pela pressa, tanto quanto Lula, com seu PT. Contudo, ficaram nos devendo até hoje um plano para a consolidação da democracia-entre-nós. Dou-me conta, por certo, que muitas coisas mudaram, é verdade, mas os militares, que constituem no suporte armado do Estado, continuam pensando da mesma maneira que pensavam na era militar. Não houve qualquer projeto da sociedade brasileira no sentido de reformar o ensino militar de forma a fomentar uma formação compatível com o processo de redemocratização. E assim, de eleição em eleição, vamos alimentando ilusões e sempre transferindo essa tarefa para um futuro próximo, da mesma forma que vamos flexibilizando o cumprimento de certas leis sem ter o cuidado de reescrevê-las. Um dia, dar-nos-emos conta do erro e tardiamente compreenderemos que tão ou mais importante do que ganhar uma ou outra eleição teria sido democratizar as instituições estatais, sobretudo as militares, ainda hoje alimentadas pela retrógrada e estúpida doutrina de segurança da Guerra Fria. Tenho, aqui também, meu testemunho pessoal: fui cadete do exército, EPPA, em Porto Alegre, entre 1960 e 1961. Naquela época, havia oficiais de todos os matizes ideológicos, inclusive alguns que haviam feito a II Guerra pela FEB, extremamente liberais. Muitos, ferreamente nacionalistas. Alguns deles, conta-me um velho amigo, cadete junto comigo naquela época, Felix Silveira Rosa Neto, responsável pelo sequestro do cônsul americano em Porto Alegre, em 1970, o acompanharam solidariamente no processo a que respondeu por este feito e que lhe custou 10 anos de prisão. Era outro Exército… Hoje, apesar do fim da ameaça comunista da URSS, da redemocratização e da emergência política da esquerda, há 12 anos no Poder, a visão dos militares ainda é unitariamente fascista…

A origem do erro?

A meu ver, muito simples. Os liberais do MDB, com raras exceções regionais, foram ultrapassados, quer pela direita neoliberal, quer pela esquerda petista. Esgotaram o seu papel na promulgação da Constituição de 8 outubro de 1988.

O PMDB que lhes sucedeu não é propriamente um partido, mas um aglomerado disforme de interesses pessoais, ao velho estilo coronelista descrito por Vitor Nunes Leal no clássico “Coronelismo, enxada e voto”: oligarcas que se utilizam do Estado para enriquecer e se perpetuar politicamente.

O PT, que digeriu a esquerda brasileira e subiu ao Poder em 2002 e que poderia retomar a ideia do aprofundamento da democracia o fez, apenas, como conquista material da classe trabalhadora, no que seguiu a tradição. Um artigo do Renato Janine Ribeiro – “A democracia direta” –, a propósito, aponta como as questões republicanas foram pouco sensíveis ao PT. Isso se explica: este partido, apesar de seu apelo de novidade, nasceu velho, numa concepção de Partido de Classe, ancorado no meio sindical, quando a ideia de Partido de Massas já era dominante na esquerda europeia. Além disso, por não estar enquadrado na ortodoxia marxista, era ideologicamente difuso, sem qualquer consistência programática quanto às tarefas táticas e estratégicas a serem cumpridas, sobretudo quanto à questão democrática. Alimentou-se, pelo seu próprio caráter economicista e sua clivagem sindical, das lutas pela recomposição das perdas salariais, numa conjuntura altamente inflacionária, para se capitalizar eleitoralmente – em sucessivos pleitos. Lembro-me, na década de 80, nós, brizolistas, falando em soberania nacional e revolução educacional com os Palácios de Ensino Integral, isolados, enquanto as fileiras do PT engrossavam atrás dos potentes carros de som dos sindicatos. Com isso, este partido conseguiu um feito inédito: foi o primeiro partido popular a se organizar nacionalmente, superando, neste sentido, o velho PTB anterior à 64 e o próprio Partidão, que nunca ultrapassaram as grandes capitais, e , mesmo assim, com epicentro no Centro-Sul. E isto é um imenso capital do PT que não desabará, mesmo diante de derrota circunstancial. E soube, o PT, neste sentido, economicista, vender sua imagem de compromisso com os trabalhadores num eleitorado recém-incorporado à cidadania – e que somou quase 100 milhões nas eleições de 2002 -, à proposta de renovação política. Um sucesso! Mas sempre confundindo, numa clara atitude vanguardista, nutrida por uma comissão de frente formada por velhos camaradas bem intencionados, o aprofundamento da democracia no país, com sua própria elevação ao comando da nação, uma variante à outrance de absolutismo popular. Parece que de nada adiantou a entronização no Brasil, desde os anos 70, dos escritos de Gramsci que já apontavam para a necessidade de uma nova atitude dos comunistas italianos diante das democracias ocidentais, tais como a construção de um projeto hegemônico que em nada se confundia, nem com assalto ao poder, nem com governabilidade. Não se trata, apenas, de baixar as armas, abandonar os embates das ruas e fábricas e disputar eleições com os partidos tradicionais. Mas de mudar a forma de pensar a construção do socialismo.

Gramsci era marxista e comunista, mas com o tempo foi-se distanciando do leninismo. Não se tratava, para ele, de uma vontade coletiva encarnada em um partido-guia ou conduzida por algum herói. A “vontade coletiva nacional-popular” derivaria da irrupção simultânea dos diversos componentes da sociedade, urbana e camponesa, na vida política: seria um tornar-se Estado processado política e culturalmente, de modo a incluir regiões, classes, gêneros, etnias e gerações. Um processo mediante o qual e no qual as sociedades respirariam, indo além do jogo político restrito, institucionalizado.

O PT insiste, sobretudo agora, ameaçado eleitoralmente, nos indicadores de sua gestão a favor dos menos favorecidos – e nisso está cheio de razão: cotas, salário-família, salário-minimo acima da inflação, apoio à agricultura familiar, FIES, matrículas em escolas técnicas etc –, e até tem boa receptividade a esta mensagem, o que vai, certamente, consubstanciar a preferência por Dilma, até as eleições. Mas não são resultados que cimentam um projeto hegemônico, mas principalmente, o que lhe inspira moralmente e lhe supõe. “Nenhuma ação de massa é possível se a própria massa não está convencida dos fins que quer alcançar e dos métodos a serem aplicados”, escreveu Gramsci em Alguns temas da questão meridional, como lembra oportunamente o cientista político Marco Aurélio Nogueira. A ideia de resultados é tão utilitarista quanto o utilitarismo dos conservadores. Aliás, a luta por uma sociedade igualitária, de forte apelo discursivo e que passa pela condenação ao capitalismo selvagem, acabou, na esquerda brasileira, se transformando, apenas, numa luta contra a política neoliberal. Como conclui o citado Marco Aurélio Nogueira – Facebook – em seu “Lendo Gramsci”:

Seu “moderno Príncipe” não era uma máquina simplesmente, mas um movimento político amplo, no qual partidos teriam lugar mas não seriam os únicos (nem talvez os principais) protagonistas. Este seu Príncipe “não pode deixar de ser o anunciador e o organizador de uma reforma intelectual e moral, o que significa, de resto, criar o terreno para um novo desenvolvimento da vontade coletiva nacional-popular no sentido da realização de uma forma superior e total de civilização moderna” (CC, 3, 18).

Educação, cultura, escolas, debate público, imprensa, ciência, arte e literatura são os recursos de que um povo-nação dispõem para se afirmar como vontade coletiva. Os intelectuais desempenham papel central nisso, como é evidente. Quanto mais estiverem eles “organicamente” articulados com as amplas massas de uma população, com os “subalternos”, os “humildes” (são termos de Gramsci) mais alta e relevante será sua função. Menos paternalistas serão e mais atuarão como elos de ligação e formadores de uma vontade coletiva que se faça Estado.

Isto, enfim, poderá não mudar a mentalidade militar, fortemente enraizada na Guerra Fria e cimentada no período da ditadura, mas abrirá os olhos para a necessidade de se criar um debate, sob a hegemonia de um partido verdadeiramente popular, de pensar não só as Políticas de Estado, mas também as tarefas republicanas mais gerais de um projeto para o aprofundamento da democracia e transformação da sociedade.

*Economista, Pós Graduado ESCOLATINA , Universidade do Chile e CEPAL/BNDES, Ex Presidente do Conselho de Economia DF – Professor UnB

A Petrobras, o setor de petróleo e a eleição

Por Paulo Metri | Via Correio da Cidadania

Todas as falcatruas recém-denunciadas que bandidos de dentro da Petrobras teriam feito para agradar políticos corruptos e empresários corruptores, e para obter benefícios para si próprios, devem ser apuradas rigorosamente. Se as denúncias forem comprovadas, todos os corruptos e corruptores devem ser julgados, e as penas previstas em lei aplicadas.

No entanto, a roubalheira comprovada, desta ou de outras estatais, não se trata de um defeito intrínseco das mesmas. Entretanto, se houver vacilo na fiscalização, a probabilidade de roubos aumentará. Por isto, é preciso estar sempre alerta, porque os corruptores nunca desistirão de buscar um fraco de espírito para comprar. Cabe lembrar que empresas privadas também podem roubar recursos da sociedade. Por exemplo, quando sonegam impostos ou seus representantes subornam servidores públicos para ganhar obras superfaturadas do Estado.

Candidatos a presidente da direita, com apoio da grande mídia (1), sua aliada e claramente tendenciosa, usam os possíveis maus feitos de bandidos, que infelizmente ocuparam cargos na Petrobras, para crescerem perante o eleitorado, recriminando a presidente que tenta a reeleição. Esta postura pode ser muito prejudicial para a nossa sociedade, que pode cair na arapuca desta mídia, armada para a presente eleição.

Primeiramente, a presidente não está incentivando corrupção alguma. Quem de sã consciência acha que Dilma é corrupta? O efeito colateral deste ardil eleitoral é que a sociedade passa a acreditar que empresa estatal é o mesmo que um antro de corrupção. Este pensamento não verdadeiro facilita muito a compra de nossas estatais pelo capital externo em leilões de privatização, para poder remeter nossas riquezas para o exterior, em detrimento do povo.

Aliás, a grande mídia, tão preocupada em mostrar quem lesa o erário, deveria mostrar a lista dos devedores de tributos ao Estado feita pela Receita Federal. São basicamente empresas privadas e, inclusive, algumas são da própria mídia. Esta mídia, que não informa corretamente estes fatos, depois, posa de guardiã da moral e dos bons costumes! Além disso, será que ela não promove os candidatos que prometeram arrumar um jeito de o Estado perdoar suas dívidas, se forem eleitos?

Quando o Pré-Sal foi anunciado para a sociedade, em 2006, o editor Cesar Benjamim, em um dos primeiros artigos que apareceu, pregou que, com a grandeza da descoberta, o Brasil não deveria perder a chance de fazer um novo plano nacional de desenvolvimento. Foi a primeira vez que alguém me alertou para o fato de que o Pré-Sal era muito maior que a quantidade de óleo que carregava.

Posteriormente, constatei que, pela possível quantidade de óleo contido na área, pelo nível de compras e contratações de bens e serviços para a exploração e o desenvolvimento do Pré-Sal, pela expansão de indústrias locais resultante de política de compras locais, pelo requerimento de desenvolvimentos tecnológicos indispensáveis, pela logística a ser demandada, pela arquitetura financeira a ser acordada, enfim, por tudo a ser feito, ele tinha razão. Poucos países do mundo têm uma alavanca tão poderosa para sustentar o seu desenvolvimento. No entanto, se o povo brasileiro não votar conscientemente agora, todas estas forças indutoras do desenvolvimento serão aniquiladas.

Um próximo presidente poderá, primeiramente, aprovar uma nova lei para o Pré-Sal, revogando a dos contratos de partilha, aprovada em 2010, durante o mandato do presidente Lula. Em substituição, retornaria o uso da lei das concessões da era FHC para a área do Pré-Sal, a qual entrega o petróleo para quem o descobre. Este presidente provavelmente faria vários leilões de entrega de blocos, muitos dos quais contendo comprovadamente petróleo, com uma velocidade acima da capacidade financeira da Petrobras de arrematá-los. Então, as empresas estrangeiras levariam nosso petróleo, não comprariam quase nada aqui, trariam tecnologia do exterior, mas deixariam a miséria no país.

Uma alternativa de próximo presidente ao já descrito, pelo que se pode deduzir das suas confusas declarações, deixaria o petróleo do Pré-Sal no subsolo, pois ele não é uma energia renovável – apesar de, neste caso específico, ser não renovável, mas abundante. Segundo a mesma alternativa de presidente, o petróleo é poluidor e, portanto, é necessário investir em energias limpas como a eólica e a solar. Seria uma maravilhosa opção, em primeiro lugar, se existisse um meio de transporte movido a energia eólica ou solar. O principal uso dos derivados de petróleo é no transporte.

Em segundo lugar, seria maravilhoso se estas duas opções trouxessem para o país tanta divisa em moeda forte, royalties e parcelas para o Fundo Social quanto é obtido com a exportação de petróleo através dos contratos de partilha. Esta alternativa de presidente esquece que o brasileiro faz parte do nosso meio ambiente e é a principal espécime deste ambiente. As divisas, os royalties e as parcelas do Fundo Social podem salvar vidas brasileiras e, também, transformar outras vidas para melhor.

E tudo isto não se pode fazer com uma Petrobras difamada, como ela está sendo. Homens corruptos devem ser denunciados, mas denunciar a empresa só interessa a grupos estrangeiros.

Nota:

(1) Se algum leitor não sabe quem faz parte da “grande mídia”, seus componentes são os principais jornais do país, as revistas semanais, com exceção da Carta Capital, os canais abertos de televisão e muitas estações de rádio. Eles têm enorme influência na formação de opinião da sociedade, inclusive durante as campanhas eleitorais, e são subordinados ao grande capital, principalmente o estrangeiro. Assim, eles são instrumentos de dominação da sociedade a serviço do capital.

Paulo Metri é conselheiro do Clube de Engenharia e colunista do Correio da Cidadania. Blog do autor: http://paulometri.blogspot.com.br/

A Errática Paleovia

Charge de Vitor Teixeira

Por Marcelo Zero

A primeira grande medida que Tony Blair adotou quando chegou ao poder foi dar independência ao Bank of England, o banco central inglês.

A medida não estava no programa de governo, mas Blair a adotou assim mesmo. Era uma forma de demonstrar que o New Labour, por ele representado, estava rompendo definitivamente com o “velho trabalhismo” e com a “antiga socialdemocracia”.

Essa ruptura não era apresentada, contudo, como uma adesão ao “thatcherismo” e à direita. Na realidade, Blair se apresentava como uma espécie de personificação da Terceira Via, teorizada principalmente por Anthony Giddens, sociólogo britânico.

A Terceira Via, segundo Giddens e Blair, não era nem de esquerda e nem de direita. Estava, na visão deles, “além da esquerda e da direita”. Rompia com a socialdemocracia tradicional e com o velho trabalhismo, mas também representava uma ruptura com o neoliberalismo. Era algo profundamente novo, um “centralismo radical” que prometia, num grande esforço modernizador, adaptar a economia e a sociedade britânicas aos “novos desafios impostos pela globalização”, mantendo, no entanto, os valores permanentes da justiça social.

Em economia, Blair dizia que a abordagem da Terceira Via não era “nem o laissez faire, nem a interferência estatal”. Ao “Estado necessário”, nem mínimo, nem máximo, caberia o simples papel de sustentar o equilíbrio macroeconômico e promover a atividade empresarial, particularmente as “indústrias do futuro baseadas no conhecimento”. No que tange à esfera social, a Terceira Via faria revolução do Welfare State, adaptando-o às novas necessidades da economia globalizada. Em vez de investir em redes de proteção “excessivas”, era preciso dar “empregabilidade” às pessoas, investindo em Educação e no empreendedorismo.

Com isso, asseguravam Blair e Giddens, a economia britânica aumentaria muito a sua produtividade, beneficiando igualmente empresários e trabalhadores.

No Brave New World proposto pela Terceira Via, não havia mais conflitos de classes e nem a vinculação orgânica da socialdemocracia e do trabalhismo aos sindicatos e aos movimentos sociais. Não havia também alternativas à “economia de mercado globalizada”; e a desigualdade passou a ser algo aceitável, desde que baseada na “meritocracia”.

Completava esse novo mundo sem conflitos, livre das “velhas ideologias”, uma preocupação com as questões ambientais, que haviam sido relegadas a um segundo plano, segundo Giddens, tanto pela antiga socialdemocracia quanto pelo neoliberalismo thatcherista.

Entretanto, o que se viu, na prática, foi a adesão de Blair a todas as principais diretrizes políticas do thatcherismo. Seu governo persistiu no desmonte do sindicalismo britânico, na “flexibilização” do mercado de trabalho, na revisão de alguns direitos previdenciários, nas privatizações e, sobretudo, na crescente desregulamentação do sistema financeiro, já sob a gerência “independente” do Bank of England.

Assim, o New Labour saiu do colo trabalhista dos sindicatos britânicos para o colo financeiro da City londrina.

Os resultados não foram bons. O índice de Gini do Reino Unido que, no início do thatcherismo, era de 0,240, aumentou para 0, 340, um dos maiores crescimentos da desigualdade nos países desenvolvidos. Embora a maior parte desse aumento tenha se dado na era Thatcher, a Terceira Via de Blair não conseguiu revertê-lo, e até propiciou um novo incremento. Na realidade, foi durante o período Blair que aumentou mais a renda do 1% mais rico e, particularmente, do 0,1 % mais afluente, renda essa muito vinculada à desregulamentação financeira.

Ao longo do período do New Labour, os que fazem parte do 0,1 % mais rico do Reino Unido aumentaram seus rendimentos 4 vezes mais que 90% da população britânica. Hoje, apenas as cinco famílias mais ricas do Reino Unido têm renda superior aos 20% mais pobres da população.

Além disso, houve “precarização” do mercado de trabalho, ao invés da prometida “empregabilidade”. Afinal, a estrela do crescimento econômico durante o New Labour foi o setor de serviços, particularmente os serviços financeiros, com decréscimo das indústrias.

A recessão, que varreu do mapa político o New Labour em 2010, com a derrota de Gordon Brown, sucessor de Blair, só fez piorar esse quadro social. Hoje, 1 em cada 5 britânicos são pobres e, pela primeira vez na história, a maior parte dos lares em condição de pobreza é habitada por indivíduos economicamente ativos, e não por pessoas que dependem da Seguridade Social. O problema maior está justamente no mercado de trabalho, que não gera empregos na quantidade e, principalmente, na qualidade necessárias para promover a ascensão social dos menos favorecidos. E isso ocorria antes mesmo da crise.

Tal descalabro econômico e social do New Labour e da Terceira Via foi complementado por um submisso alinhamento da política externa britânica aos interesses dos EUA, que levou a o Reino Unido a participar da farsa da invasão Iraque, fato que suscitou a abertura de um inquérito oficial sobre o assunto.

Enfim, a Terceira Via não passou de uma “carapaça ideológica para o neoliberalismo”, como disse o historiador britânico Perry Anderson. Foi assim no Reino Unido; e foi assim também nos EUA de Clinton e na França de Jospin.

Mas essa carapaça ideológica rompeu-se em todos os lugares, revelando a mesmice do pensamento único e a monotonia trágica das políticas conservadoras, associadas à crescente desregulamentação do capital financeiro. As mesmas políticas que provocaram a crise mundial de 2008 e que contribuem, hoje, para manter a recessão na maior parte do mundo industrializado.

Assim, nos países desenvolvidos a carapaça ideológica da Terceira Via atualmente não passa de uma malquista e malcheirosa carcaça política.

No Brasil, no entanto, há gente que quer ressuscitar essa carcaça político-ideológica, apresentando-a como uma grande novidade.

Como no Reino Unido de Blair, a candidatura Marina pretende conciliar políticas econômicas muito ortodoxas e pró-cíclicas com grandes avanços sociais. Pretende também conciliar desregulamentação financeira e econômica e a extinção de mecanismos estatais de estímulo ao crescimento, como o crédito público em áreas estratégicas, com o desenvolvimento.

Como no Reino Unido de Blair, a candidatura Marina pretende alinhar nossa política externa aos interesses dos EUA e aliados. Como lá, doura-se a pílula com um difuso e, por vezes, neomalthusiano ambientalismo. Como lá, afirma-se que a “nova” proposta está além da esquerda e da direita.

Ao contrário de lá, onde o New Labor promoveu grandes avanços, no que tange aos direitos individuais, particularmente dos gays e outras minorias, aqui tais avanços teriam de passar pelo crivo de sumidades teológicas, como a do Pastor Malafaia.

Bastar ler o plano da candidatura Marina para ver o quanto ele se baseia numa leitura anacrônica das teses da finada Terceira Via. Mistura-se essa leitura anacrônica com uma leitura superficial de Manuel Castells e voilá!, temos a “nova política”. A milagrosa política que não é política, o partido que não é partido e as alianças de ocasião que não são “velha política”. A milagrosa política que vai mudar o sistema de representação apenas com a força dos “homens de bem” reunidos em redes, sem a necessidade de um reforma política com participação popular, como propõe a presidenta. Uma milagrosa reforma sem povo, garantida pelos “homens de bem” e pelos “homens de bens” que controlarão o Banco Central.

No plano não há nenhum a pista sobre o porquê que a finada Terceira Via, que fracassou miseravelmente nos países desenvolvidos, num período de bonança econômica, teria sucesso aqui, um país em desenvolvimento, num período de forte e renitente crise mundial.

Afinal, lá era uma aposta nova numa Terceira Via. Aqui é somente a carcaça política de uma fracassada Paleovia.

A resposta talvez esteja em devaneios fora de lugar, e não na razão alicerçada no real conhecimento de um país chamado Brasil. Isso talvez explique porque a candidatura mude de posição constantemente sobre tudo.

Quem é muito “sonhático” acaba ficando muito errático. E sonho anacrônico acaba virando pesadelo.

Mais uma de Richa: Estudantes paralisam Universidade Estadual do Norte do Paraná por falta de recursos

Via Blog do Esmael

Os estudantes do campus de Bandeirantes da Universidade Estadual do Norte do Paraná paralisaram as atividades nesta quarta-feira (10) em protesto contra a falta de recursos na instituição. O curso de medicina veterinária está sem raio-x há três anos; não há sequer sabonete ou papel toalha nos banheiros, afirmam os estudantes. É mais uma mostra da “gestão” padrão Beto Richa.

Os alunos da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) paralisaram as aulas no campus Luiz Meneghel, em Bandeirantes, nesta quarta-feira (10) em protesto pela falta de recursos para manutenção do local, que sofre até com ausência de sabonete e papel toalha nos banheiros.

Segundo a presidente do Centro Acadêmico de Medicina Veterinária, Livea Samara de Almeida, o hospital veterinário está sem raio-x há três anos e outros exames não são mais realizados na universidade desde o ano passado. “O hospital veterinário virou um centro de triagem. A gente atende e sugere o encaminhamento do animal para uma clínica particular”, lamentou.

Outras disciplinas práticas também foram suspensas pela falta de recursos. Alunos de enfermagem deixaram de realizar os estágios na cidade de Cornélio Procópio por causa de problemas no transporte. A universidade estaria com dificuldade para abastecer os veículos e para executar o pagamento dos motoristas.

No curso de agronomia, as máquinas utilizadas pelos alunos também não funcionam sem a manutenção necessária. Além disso, reformas estruturais no prédio do campus estão paradas pela falta de repasses do Estado.

O movimento dos estudantes também tem o apoio dos professores e pode prosseguir até sexta-feira (12). Apenas os funcionários da UENP de Bandeirantes estão trabalhando no local.

A reitora da UENP, Fátima da Cruz Padoan, informou ao portal Bonde que a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior liberou o repasse de R$ 890 mil após reunião realizada em Curitiba nesta quarta-feira.

“Com esse recurso já é possível resolver a maior parte das pendências”, garantiu a reitora, que ainda aguarda uma segunda parcela do governo estadual para totalizar R$ 1,4 milhão.

Ela ainda justificou que o campus de Bandeirantes “sente mais” por causa dos cursos em período integral que necessitam de outros investimentos, além das aulas tradicionais. “Estamos revendo alguns convênios para retomada de uma gestão mais eficaz, além de continuar com as negociações com o Governo”, disse Fátima, que assumiu a reitoria no final de julho.

Altamiro Borges: Veja não ressuscita Aécio. Coitado!

Por Altamiro Borges | Via Blog do Miro

EBC/Reprodução

A pesquisa MDA/CNT divulgada nesta terça-feira (9) bagunçou todas as apostas eleitorais. Alguns achavam que o “furacão” Marina Silva poderia vencer a disputa já no primeiro turno. Erraram. Os jornalistas mais honestos, como Ricardo Kotscho, fizeram autocrítica desta leitura precipitada. Outros colunistas, com intimas ligações com o tucanato, torceram para que Dilma desabasse. Também se deram mal. Mas o dado mais cruel da pesquisa é sobre o desempenho de Aécio Neves. A mídia tucana apostou que a “delação premiada e premeditada” de um ex-diretor da Petrobras, obrada pela revista Veja, poderia ressuscitar o presidenciável do PSDB. A pesquisa, porém, mostra que o cambaleante, de fato, virou pó!

Segundo o levantamento, a presidenta Dilma subiu 3,9% nas intenções de voto e agora está com 38,1%. A ex-verde Marina Silva também cresceu (5,3%) e aparece com 33,5%. O problema para a candidata-carona do PSB é que a sua vantagem diminuiu na simulação do segundo turno; ambas estão agora tecnicamente empatadas – 42,7% para a petista e 45,5% para a “socialista”. Já o pobre do Aécio Neves – para quem não se lembra, é aquele do “trensalão tucano”, do “aecioporto” na fazenda do titio-avô e do bafômetro carioca – caiu 1,3% e tem apenas 14,7% das intenções de voto. A revista Veja, editada à beira do esgoto da avenida marginal, até que tentou salvar o tucano. Mas parece que não tem mais jeito!

O resultado da pesquisa da CNT poderá fazer ressurgir o movimento “Volta Aécio, para Minas”. É que as suas intenções de voto despencaram no Estado – o ex-governador mineiro-carioca está em terceiro lugar. Pior ainda: o seu candidato ao governo local, o “mensaleiro” Pimenta da Veiga, também não convenceu os eleitores e está na rabeira do petista Fernando Pimentel. O risco da derrota em Minas Gerais apavora os tucanos, que aparelham o governo mineiro há vários anos. Daí o movimento para que Aécio Neves desista do seu sonho presidencial, defenestre Pimenta da Veiga, assuma a candidatura estadual e tente manter a hegemonia – e os empregos – dos caciques do PSDB em Minas Gerais.

Antes do factoide da “Veja”, esta manobra encontrava-se em estágio avançado. Até o coordenador-geral da sua campanha, o demo Agripino Maia, jogou a toalha e antecipou que PSDB e DEM iriam de Marina Silva. O quadro ficou tão dramático que Aécio Neves foi obrigado a convocar entrevistas para desmentir que desistiria da sua candidatura presidencial. Um fato inusitado e risível! A partir da “delação premedita e premiada”, ele voltou a ficar eufórico. Agora, deverá cair em nova depressão. Pode até não desistir da candidatura presidencial, mas precisará concentrar esforços em Minas Gerais – se não quiser sofrer um profundo abalo na sua carreira! Uma notinha na Folha neste domingo já apontava este risco:

“A campanha de Aécio Neves reconhece que um de seus maiores erros foi descuidar de Minas Gerais. Ele contava com uma vitória histórica em seu Estado, mas desabou para o terceiro lugar, com apenas 22% no Datafolha… Já de olho no pós-2014, o candidato pediu esforço máximo para evitar que um fiasco em casa comprometa suas ambições futuras… Nos últimos dias, Aécio ouviu uma série de relatos de voto útil em Marina em bases tucanas… O vice Aloysio Nunes resume a situação: ‘Muitos eleitores nossos dizem que preferiam Aécio, mas acham que só a Marina pode derrotar o PT. Essa é a pedreira que nós temos que enfrentar’”. De fato, a cambaleante candidatura tucana está virando pó!

Bob Fernandes: Com medo de prisão, empresários e executivos voam para o exterior

Por Bob Fernandes | Via Facebook

É de Apparício Torelly, ou Aporelly, o Barão de Itararé, a frase “Há qualquer coisa no ar, além dos aviões de carreira”.

No momento, além dos aviões de carreira deve haver jatinhos no ar. Voando para o exterior.

Teve início há semanas -e prossegue com vindas e idas- uma revoada de executivos, e mesmo donos de algumas das empresas citadas em investigações da “Operação Lava Jato”. Aquela do escândalo na Petrobras.

Há investigações paralelas. A Controladoria- Geral da União (CGU) atua em colaboração com outras instituições e rastreia o uso de dinheiro público.

A Polícia Federal prendeu, entre outros, o doleiro Alberto Youssef e o agora delator Paulo Roberto. A Petrobras, onde Paulo Roberto Costa foi Diretor de Abastecimento, também faz uma devassa.

Algumas empresas e executivos foram convidados a confirmar certos detalhes do exposto pelo delator; em resumo, sobre frutos da relação entre corruptos e corruptores.

Assustados com os fatos, e com a boataria sobre ordens de prisão que grassa no Grand Monde, alguns decidiram levantar voo.

Sinal dos tempos. Na investigação das ações de PC Farias no governo Collor, o inquérito-mãe da PF tinha 100 mil páginas.

À época foram indiciados mais de 100 empresários e de 400 empresas. Tudo prescreveu. Preso só PC Farias, e por ter cometido os mesmos erros de Al Capone.

Naqueles dias, os de PC no governo Collor e até o início da Era FHC, fraude no Imposto de Renda dava cana. Iniciativa, a cadeia para tombos no leão, tomada na esfuziante largada da aventura Collorida.

Segundo a CGU, nos últimos 14 anos 4.938 funcionários públicos foram expulsos ou tiveram cassadas suas aposentadorias.

Desses funcionários,119 eram da própria Polícia Federal. PF que nesse período, e até maio último, fez 2.226 operações com 24 mil 881 presos.

No rastro da legislação pós Collor e de CPIs Brasil afora, de vereadores até o topo dos legislativos e executivos cerca de 700 políticos tiveram direitos cassados desde meados e final dos anos 90

Hoje a metade do Congresso Nacional, 224 parlamentares, responde a 542 acusações no Supremo Tribunal.

Paulo Roberto Costa mudou de opinião e decidiu delatar. O doleiro Youssef não tem sido aconselhado a fazer e não pretende o mesmo. Até aqui.

Mas, diante dos fatos e boatos, há algo no ar além dos aviões de carreira.