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O Brasil além do PIB: Entrevista com Ladislau Dowbor

Por Catia Santana | Via Jus Econômico

Uneb/Reprodução

A tímida previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil tem tomando conta do noticiário econômico deste ano. O indicador que mede a soma anual dos bens e serviços produzidos, não mede, no entanto, resultados ou progressos obtidos pelo País. Para Ladislau Dowbor, professor titular no departamento de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, nas áreas de economia e administração, formado em economia política pela Universidade de Lausanne, Suiça; Doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia, Polônia (1976), consultor para diversas agências das Nações Unidas, governos e municípios , “o PIB é uma cifra que, tecnicamente, ajuda a medir a velocidade que a máquina gira, mas não diz o que ela produz, com que custos ambientais e nem para quem. É ridículo tentar reduzir a avaliação de um País a um número, isso não faz nenhum sentido”. Em entrevista para o Jus Econômico o professor, fala dos avanços econômicos e sociais alcançados pelo Brasil nas últimas décadas, a importância de se investir nas pessoas e que apesar dos avanços que transformaram o “andar de baixo da economia” ainda há um longo caminho a ser percorrido para a redução das desigualdades do país.

Jus Econômico – Tem sido divulgado amplamente o fraco crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, em 2014. Crescimento fraco de PIB no Brasil é preocupante? Por quê?

Ladislau Dowbor – Seria bom crescer mais, ponto. Agora o objetivo fundamental é as pessoas viverem melhor, o PIB não mede os resultados, mede a intensidade de uso dos recursos. Enquanto o PIB atingiu o recorde em 2010 [ano em que fechou o ano com 7,5%], a Amazônia teve vinte e oito mil quilômetros quadrados derrubados [de floresta], isso gera atividade econômica, isso aumenta o PIB só que é nocivo para o País porque está reduzindo os estoques. Quando são jogados pneus, carcaças de fogão no rio Tietê e isso obriga o estado a contratar desassoreamento dos rios, isso aumenta o PIB. Quando aumenta a criminalidade, mais gente compra grades, cadeados e contrata gente que apita na rua, isso está aumentando o PIB. Quando se melhora o nível de saúde da população e crianças adoecem menos, compra-se menos medicamentos e há menos hospitalização, ocorre redução no PIB e não aumento. Então é importante entender que o PIB não mede resultado, mede a intensidade de uso dos recursos e as pessoas pensam que o PIB é bom porque o associam ao emprego. O que está acontecendo é uma coisa curiosa porque as pessoas ficam confusas sobre como é que o PIB, que ano passado teve crescimento razoável 2,2%, 2,3%, que está na média mundial, este ano, talvez seja um pouco mais fraco e mesmo assim ainda temos situação de pleno emprego. Na realidade, a composição do Produto [Interno Bruto] está mudando. Nós tivemos, por exemplo, mais de três milhões de pessoas a mais que entraram nas universidades, o Pronatec está com seis milhões e meio de pessoas que passaram a estudar, tivemos uma grande expansão do ingresso na educação em geral, houve um conjunto de investimentos no nível de conhecimento da população. Quando se faz esse investimento de formar as pessoas, vai haver uma nova geração que em dez ou quinze anos será muito mais produtiva, mas o aumento da produtividade das pessoas não é hoje ele vai se dar. Enquanto essas pessoas não entrarem no mercado produtivo, nós continuaremos com uma mão de obra em que o analfabetismo funcional atinge mais de um terço da mão obra que temos o que mantém a produtividade relativamente baixa. Então, fazendo a política certa, é natural e compreensível que não reflita imediatamente no PIB porque se está investindo nas pessoas e na futura capacidade produtiva delas.

Jus Econômico – A conclusão de que um país é rico ou não, para muitos, passa muito também pela avaliação do seu PIB . O PIB é um bom indicador de riqueza de um país?

Ladislau Dowbor – O PIB não é indicador de riqueza, inclusive ele não mede sequer a riqueza. Porque para medir riqueza, se mede patrimônio. Nosso PIB não mede os US$520 bilhões de fortunas brasileiras em paraísos fiscais e não mede inclusive, a concentração do patrimônio, de quem controla a terra, de quem é dono de qual parte do país, por exemplo. O PIB mede apenas a intensidade de uso de recurso durante um ano, mede apenas o fluxo. Quando se aumenta o estoque de riquezas do país, ele se torna mais rico. Colocando mais carros nas ruas de São Paulo, onde fica todo mundo paralisado, gastando mais gasolina aumenta o PIB, mas não está melhorando a situação das pessoas. Quando apenas se mede quantos carros foram vendidos e quanto dinheiro circulou durante o ano e não o estoque, tem-se o Produto Interno Bruto que é uma medida anual, não mede a riqueza que é o patrimônio. Inclusive, trabalhamos com o Marcio Pochmann [economista] tempos atrás o conceito de qualidade do PIB, quando, por exemplo, se faz investimento em saúde preventiva que é muito mais produtivo e ajuda com que as pessoas não fiquem doentes, não se aumenta PIB, ao contrário. A Pastoral da Criança, por exemplo, nos quatro mil municípios onde trabalham são responsáveis por 50% da queda da mortalidade infantil isso não aumenta PIB, o que aumenta PIB é a compra de remédios, contratar ambulância e serviços hospitalares. Na realidade, o PIB é uma cifra que, tecnicamente, ajuda a medir a velocidade que a máquina gira, mas não diz o que ela produz, com que custos ambientais e nem para quem. Os economistas que trabalham hoje de maneira séria como Joseph Stiglitz, Amartya Senden e mais um monte de gente, está revoltada com esse tipo de medida, é ridículo tentar reduzir a avaliação de um país a um número, isso não faz nenhum sentido.

Jus Econômico – Quais elementos devem ser considerados para medir se as condições econômicas de um país são boas ou ruins?

Ladislau Dowbor – O PIB que mede apenas a intensidade do uso da máquina, mas como avaliação universal de um país, simplesmente, não serve. Quando há investimento em saúde e há menos hospitalizações, menos consumo de remédios, por exemplo, isso não aumenta o PIB. Temos o IDH, medido por municípios, como no Atlas Brasil 2013, que mede não só a renda, mas a saúde e acesso a conhecimento já é uma cifra mais equilibrada, isso que nos dá a evolução constatada entre 1991 e 2010, em que o brasileiro ganhou nove anos em esperança de vida, passou de 65 para 74 anos, o que é uma imensa transformação. E temos indicadores não só de quantidade mas de expansão de diversos níveis na educação e da generalização do acesso à internet em 3200 municípios, que faz parte do processo de transformação que está em curso. O IDH já ajuda muito. Há indicadores mais detalhados, que saíram há dois meses atrás e pegando o ano de 2013 , em que o Brasil aparece bem na foto, que se chama Indicadores de Progresso Social (IPS), são 54 indicadores que pegam os resultados, não quanto se gasta e sim quanto se tem de resultado no que se refere ao acesso ao conhecimento, de mobilidade social, de redução das situações críticas como as de insalubridade. O Brasil aí está bem na foto, mas está mal em termos de segurança, o indicador que mais puxa o Brasil para baixo. Temos indicadores de área ambiental não suficientemente difundidos no Brasil, como a pegada ecológica, mas temos sim fragmentos indicativos que são indicadores pontuais como a redução do desmatamento da Amazônia que passou de vinte e oito mil metros quadrados em 2002 para atualmente de quatro mil e quinhentos quilômetros quadrados. Em geral, continuamos com os dois maiores desafios do Brasil, o primeiro a desigualdade, ainda somos um dos países mais desiguais do mundo, e o segundo é a destruição ambiental.

Jus Econômico – Ainda nessa linha de indicadores, qual a contribuição do Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil 2013 com relação aos indicadores utilizados. Comente o que eles mostram sobre os municípios brasileiros.

Ladislau Dowbor – O principal é o que se observou em 1991, quando 85% dos municípios tinha um IDH muito baixo, abaixo do 0,50, e em 2010, sobraram nessa situação catastrófica, apenas 32 municípios. Como o IDH abrange tanto áreas de saúde, como educação e de renda, então trabalhamos esses elementos. A educação foi a área que mais evoluiu no Brasil, mas continua sendo a mais baixa porque era de longe o elemento mais atrasado. Isso felizmente está ocorrendo uma unanimidade no Brasil de que temos que centrar muitos esforços na educação. Nesse período, em termos de capacidade de compra real houve aumento e a cifra que se chegou foi de R$ 346, deflacionados, em termos de capacidade de compra atual, o que como renda domiciliar per capita pode parecer pouco, mas se tivermos uma família com quatro pessoas, quatro vezes R$ 346, significa que se a família está lá em baixo – quando a família é rica não faz diferença- faz uma imensa diferença na situação da população. Isso se deve apenas em parte ao Bolsa Família, em grande parte ao aumento do salário mínimo e, com isso, indiretamente, por indexação também melhoraram as aposentadorias e se deve, digamos, ao aumento do nível de emprego. O emprego aumentou globalmente, temos o menor desemprego da história do País e, em particular, houve o aumento muito significativo de quase 20 milhões de empregos formais. A formalização do emprego ajuda muito a racionalizar toda a economia. No Atlas [do Desenvolvimento Humano do Brasil 2013] são esses os eixos mais significativos, ainda há a saúde em que houve uma progressão de nove anos de vida, o que é um avanço absolutamente gigantesco num período tão curto. A metodologia também é interessante porque se para de olhar o PIB então se equilibra a renda e a saúde que não é só serviço de saúde porque isso é resultado das pessoas terem acesso à água limpa, do “Luz Para Todos” que permite que muitas casas que não tinham geladeira, agora podem armazenar alimentos. É um conjunto de melhorias de condições de vida, inclusive, o Minha Casa, em que as pessoas podem viver de maneira decente, tudo isso tem seus impactos. Na educação também, que não é apenas a construção de escolas são diversas formas de inclusão, inclusive, indiretas como o Bolsa Família que está vinculado a manter as crianças na escola. Criou-se uma política de estado de inclusão. É importante nessa pesquisa do Atlas 2013 que ela não compreendeu apenas a partir do governo Lula, ela começou em 1991. Vê-se que há progressos desde a década de 1990 e que se sistematizam a partir da última década. Basicamente, os avanços começam com a Constituição 1988, com a redemocratização, em que se cria um clima de regras do jogo de investimentos para o País começar a caminhar. Uma segunda evolução muito importante foi a ruptura da hiperinflação em 1994 que permitiu às empresas começarem a fazer as contas o que deu mais fôlego às áreas produtivas relativamente às áreas financeiras, que ganhavam muito com a inflação e esses avanços se sistematizam realmente a partir do governo Lula e do governo Dilma quando se transformam num processo muito amplo que não é só Bolsa Família, é Prouni, Luz para todos, Pronatec, PRONAF todos eles tiveram expansão, o aumento do salário mínimo, são basicamente 150 programas articulados que estão transformando o País.

Jus Econômico – Os indicadores específicos por município podem resultar em resolução dos problemas? Como?

Ladislau Dowbor – Cada município precisa desenvolver sua base de dados, é a mesma coisa de quando se quer administrar bem uma empresa necessita-se de informação gerencial bem organizada. A gente conta nos dedos os municípios que tem um sistema de indicadores adequado. Nós temos um processo articulado em que pegamos as duas décadas e ficam muito mais claras as evoluções das cifras. O Indicador de Progresso Social (IPS), essa metodologia que saiu há dois meses, trabalha não só com as três áreas do IDH (saúde, educação e renda),mas com uma bateria de 54 indicadores, isso ajuda porque amplia[os indicadores], mas não são desagregados para o nível municipal. O município é a unidade básica da federação, temos 5565, se eles não são bem administrados é o conjunto do País que não funciona. O Atlas Brasil 2013 ajuda, porque além de dar o ranking em termos de IDH dos municípios, ele disponibiliza um conjunto de indicadores mais detalhados por município. Isso é um início, uma base para identificar as coisas mais gritantes de cada município, mas na realidade, temos de ir muito além, cada município tem que criar sua base de dados sistemática. Temos o sistema Orbs desenvolvido no Paraná. Temos indicadores muito interessantes desenvolvidos aqui em São Paulo através do Instituto Ethos e do Movimento Nossa São Paulo chamado IRBEM (Indicadores de Bem Estar Municipal), temos também o Indicador de Qualidade de Vida Urbana de Belo Horizonte [MG]. Muitos municípios acordaram para a necessidade de gerar uma transferência interna de quais são os problemas, quais são os potenciais e como estão sendo utilizados os recursos. De certa maneira temos que criar um conjunto de base informativa para uma gestão racional e adequada de cada município.

Jus Econômico – O senhor defende que se os municípios são os blocos que constroem o país e que se o os municípios não funcionam, o país não funciona. Posto isso, a quantas anda o funcionamento do País partindo dos municípios?

Ladislau Dowbor – Acho extremamente desigual, mas também com muito progresso. Grande parte das iniciativas, realmente por assim dizer, não aparecem na grande mídia que não tem muito o esforço de se meter nos interiores para verificarem como as coisas estão mudando. Com a impulsão da formalização do trabalho, do programa Projeto Empreendedor individual, de acesso a muito mais renda no nível dos municípios e dos estados mais pobres isso tudo gerou condições para que os municípios acelerem o seu desenvolvimento, isso está funcionando, agora, no meu entender, a capacidade de gestão e não a disponibilidade de recursos é que tendiam a ser ainda o elo mais fraco. Não temos praticamente cursos de formação de gestores municipais, temos iniciativas de esforços individuais da Tania Fisher na Bahia, da Tania Zapata de Pernambuco. Temos aqui na FGV curso para administração municipal, mas são coisas muitos pontuais ainda, relativamente às necessidades. Não dá para formar só uma pessoa que aprende administração pública e outra que só aprenda administração de empresas. É necessário pensar em como se administra o território onde as empresas, a administração pública, os movimentos sociais, os recursos naturais e tudo isso será articulado no processo de desenvolvimento sustentável. Acho que estamos aqui muito atrasados.

Jus Econômico – Como os programas de transferência de renda contribuem para o funcionamento dos municípios?

Ladislau Dowbor – Para muitos municípios, em particular, para o nordeste, o Bolsa Família aumentou muito a renda desses municípios, mas isso não resolve. O que se constatou, e isso é uma das coisas mais importantes, é que toda a visão discriminatória que dizia que se o pobre recebe dinheiro ele se encosta ela simplesmente foi negada pelos fatos. Os municípios despertaram porque se gerou mais demanda local. E uma demanda de muitas coisas simples como alimentos, pequenos serviços, acesso à saúde, poder pegar um transporte, pagar a prestação de uma geladeira. Na verdade, isso transformou profundamente o andar debaixo da economia conforme mostram as estatísticas em que quase 40 milhões que saíram do buraco. Eu volto a dizer: o buraco ainda é muito profundo, estamos muito longe de resgatar à desigualdade. E não foi só Bolsa Família, o PRONAF [Programa Nacional de Desenvolvimento da Agricultura Familiar] passou de R$ 2,5 bilhões em 2002 para cerca de R$ 20 bilhões hoje, temos também o acesso dessa população mais pobre às universidades. Esse processo de mudança que está apenas começando a ser estruturar para acelerar o desenvolvimento e aí não é o desenvolvimento do PIB municipal e sim da qualidade de vida. São outros tipos de consumo e isso exige uma força, uma capacidade de gestão pública muito reforçada exige conhecimento, articulação intermunicipal, as diversas institucionalidades que vão se formando. Estive em Minas Gerais, onde já há 64 consórcios intermunicipais de saúde o que ajuda muito em vez de as pessoas ficarem andando de um lugar para outro procurando um serviço médico melhor, com um consórcio intermunicipal fica-se sabendo que município tem uma boa estrutura de oftalmologia, que outro tem melhor para cirurgias. Essa capacidade de gestão está sendo construída.

Jus Econômico – É possível o maior enfoque no desenvolvimento social e manter o desenvolvimento econômico em segundo plano? Como isso funciona?

Ladislau Dowbor – Há uma reflexão profunda nesse sentido, herdamos uma tradição muito ruim da economia que quem produz bonecas Barbie é o produtor que gera emprego, produto e imposto que são utilizados para gasto pelo estado. Hoje invertemos a forma até em particular nos trabalhos de Amartya Senden, nos trabalhos fundamentais da CEPAL [Comissão Econômica para América Latina], em particular, “La ora de la igualdad” [A hora da igualdade] um documento importante para a América Latina e a mensagem básica é a seguinte: não é aumentar o bolo para depois distribuir, a melhor forma de aumentar o bolo é investir nas pessoas então, na realidade, esse esforço que se está fazendo hoje na educação, saúde, cultura etc. na realidade resulta na melhora da capacidade produtiva das pessoas. As pessoas esquecem que quando uma empresa quer uma produtividade melhor ela precisa contratar engenheiros e quando ela contrata um engenheiro de 25 anos ela contrata 25 anos de investimento social naquela pessoa, isso é um esforço brutal. Ou seja, houve imenso investimento social para se ter esses engenheiros. O Japão se desenvolveu mandando milhares de pessoas para diversas partes do mundo para estudar e se formar. A Coreia fez imensos investimentos sociais, a China está fazendo também. Na realidade, se inverteu, não há mais que se esperar o país ser rico para pode financiar educação saúde, cultura se não investir nas pessoas é que nunca vai ficar rico.

Após ser comparada a Hitler, Luciana Genro estuda processar Danilo Gentili

Por Rodrigo Rodrigues | Via Terra Magazine

A presidenciável Luciana Genro (PSOL) durante entrevista ao programa “The noite”, do SBT (Foto: Reprodução/Youtube)

Vítima de mais uma piada sem noção do apresentador Danilo Gentili, do SBT, a campanha da presidenciável Luciana Genro (PSOL) estuda ingressar com processo na Justiça contra o humorista.

O motivo é uma montagem que o próprio apresentador postou no Facebook nesta terça-feira (16), comparando a candidata a Adolf Hitler e ao holocausto, logo depois que a mesma participou de entrevista no talk show dele, na noite desta segunda-feira (15).

Como se sabe, Luciana Genro é de família de origem judia e tem enorme cuidado ao falar de questões que envolvem o massacre do povo judeu.

A entrevista causou enorme repercussão nas redes sociais em virtude de um trecho em que a candidata aconselha o apresentador a “estudar mais” antes de emitir opiniões políticas sobre socialismo e regimes autoritários.

Fazendo graça com os seguidores do Facebook, Gentili postou uma imagem em que substitui Luciana Genro por Hitler no sofá do programa do SBT (veja foto).

A montagem feita por Danilo Gentili sobre a candidata Luciana Genro (Foto: Reprodução/Facebook)

Por conta da piada de humor duvidoso, a presidenciável do PSOL postou também no Facebook uma mensagem dizendo que o ex-CQC mais uma vez passou dos limites ao tratar de assuntos que envolvem judeus:

“Gentili confirma que realmente precisa estudar. Apologia ao nazismo é crime. O holocausto nazista matou milhões. Minha familia tem origem judia e não admito brincadeira com esta tragédia da humanidade. Mais uma vez Danilo Gentili passa dos limites!”, declarou Luciana Genro no Facebook.

Internamente, integrantes da campanha do PSOL defendem que a candidata entre imediatamente com processo de danos morais contra o apresentador.

A candidata ainda não se pronunciou oficialmente sobre o assunto, mas faz questão de registrar publicamente o repúdio à atitude do humorista.

Histórico

Vale lembrar que essa não é a primeira que Danilo Gentili se envolve em saias justas em razão das piadas e comentários.

Em 2011, ao comentar a desistência do governo de São Paulo de fazer uma estação de metrô na avenida Angélica, região de Higienópolis, centro de São Paulo, o humorista fez piada com o fato da região concentrar grande número de judeus:

“Entendo os velhos de Higienópolis temerem o metrô. A última vez que eles chegaram perto de um vagão foram parar em Auschwitz”, escreveu na época.

O comentário causou enorme repercussão de debate sobre os limites do humor e foi às vesperas dele ganhar um programa solo na TV Bandeirantes.

Por conta da polêmica, o humorista quase perdeu o programa na Band e teve que se desculpar publicamente do ocorrido.

Procurada, a assessoria do SBT – cujo o dono, o apresentador Silvio Santos, também é judeu, disse que não vai se pronunciar. A reportagem de Terra Magazine também enviou um e-mail ao apresentador e até agora não obteve resposta.

Ps: A montagem feita por Gentili foi publicada no Facebook do apresentador, mas deletada posteriormente.

Sem encontrar inimigos, PM oferece bombardeio aleatório no centro de São Paulo

Por Rodrigo Gomes | Via RBA

Depois de conflitos com sem-teto de manhã, polícia faz demonstração de força à tarde e ataca população, mesmo sem provocação, acuando com bombas de gás e balas de borracha; redes sociais articulam reação.

São Paulo – Após o confronto com as famílias despejadas na manhã de hoje (16), do antigo Hotel Aquarius, na avenida São João, centro da capital paulista, a Polícia Militar paulista usou bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo, além de balas de borracha, em um violento ataque para dispersar um grupo de sem-teto e de curiosos que acompanhavam a retirada dos pertences dos moradores. A coordenadora da Frente de Luta por Moradia (FLM), Silmara Congo, disse que não houve nenhuma ação dos moradores. “Não entendi por que a PM começou a atacar”, afirmou.

De manhã a PM já havia detido pelo menos dez crianças junto com seus pais, entre os 70 sem-teto que foram levados ao 3º Distrito Policial, na rua Aurora, centro da cidade, sob alegação de terem resistido a reintegração de posse.

À tarde, a RBA chegou ao local às 16h30 e já encontrou um cenário de caos, com um grupo de policiais da Tropa de Choque descendo a avenida São João, sentido Vale do Anhangabaú, em frente ao Largo do Paissandu. As pessoas corriam desesperadamente enquanto se ouviam disparos de balas de borracha e explosões de bombas de gás lacrimogêneo.

Segundo o aposentado Edvaldo Lira, que estava acompanhando a ação, três jovens teriam ateado fogo em um saco de lixo e isso foi o estopim da ação policial.

A polícia parou na esquina da rua Conselheiro Crispiniano e retornou em direção ao ponto de partida, sempre atirando bombas e balas de borracha, em todas as direções. Mas não havia ninguém enfrentando os policiais naquele momento.

Outro grupo do Batalhão de Choque permaneceu na esquina da avenida São João com a rua Dom José de Barros. Não era possível falar com os policiais. Os jornalistas que se aproximavam eram mandados, aos berros, afastar-se. Um morador de rua se aproximou da barreira militar e foi repelida com spray de pimenta disparado em seu rosto. Este grupo também arremessava bombas e atirava balas de borracha em várias direções. Sem um oponente a enfrentar.

Os policiais que voltaram caminharam no sentido da avenida Rio Branco, disparando balas de borracha e arremessando bombas. Depois subiram a rua Dom José de Barros, encontrando outro grupo que vinha pela rua Vinte e Quatro de Maio. Sempre com os escudos empunhados, armas de balas de borracha apontadas e bombas à mão. Viaturas circulavam em alta velocidade pelas ruas, com sirenes disparadas.

A ação ostensiva, com movimentos coordenados e ações determinadas por palavras curtas de um agente que coordenava o grupo, contrastavam ainda com a ausência de um oponente. Não havia qualquer reação das pessoas que estavam no local. E todas diziam não entender o que estava havendo.

Pessoas que saíam do trabalho corriam apavoradas. “Por favor, para eu só quero ir pra casa. Eu não estou protestando, não”, disse uma moça, aos prantos. E, na verdade, naquele local, ninguém estava. A rua Dom José de Barros tinha bancos revirados, uma parede de lacração quebrada, mas os lojistas locais disseram que era resultado da ação da manhã.

Todo o comércio da região entre a avenida Ipiranga, a praça da República, a rua Vinte e Quatro de Maio e o Vale do Anhangabaú fechou as portas. Havia alguns telefones públicos destruídos, mas as pessoas que estavam no local afirmaram também ser restos do protesto da manhã.

A desproporção da ação remonta ao ato contra o aumento da tarifa em São Paulo, de 13 de junho do ano passado, quando a PM prendeu cerca de 150, agrediu jornalistas e sonegou informações sobre o ocorrido. Hoje, ao menos até o momento, não há informação sobre feridos.

Após cerca de 30 minutos, a ação parou. Os policias se reagruparam. E os jornalistas tentavam entender o motivo da ação. A RBA entrou em contato com a militante Silmara, da FLM, e no local em que ela estava – na esquina das avenidas São João e Ipiranga, no lado oposto ao da ocorrência – estava tudo calmo. Nenhuma bomba foi atirada naquela direção. E este era o lugar em que os sem-teto, efetivamente, estavam aglomerados. A RBA tentou contatar a assessoria de imprensa da Polícia Militar das 16h às 18h, sem sucesso. Às 18h20, a corporação forneceu o primeiro nome de um dos comandantes da operação (“Glauco”), e nada mais.

Quinze minutos depois, sem qualquer justificativa – e indiferente a se eram militantes, sem teto, curiosos ou jornalistas – a PM descarregou uma chuva de bombas de gás lacrimogêneo na esquina da avenida São João com a rua Dom José de Barros, provocando correria entre os que estavam ali. Uma mulher desmaiou e outras pessoas tiveram de ser puxadas do local, pois estavam engasgadas com o gás.

“O que aconteceu?”, era a pergunta que todos faziam. Não houve qualquer ação de manifestantes no local. Não foi percebida nenhuma agressão contra os policiais. Dois ônibus do batalhão de choque avançaram sentido Vale do Anhangabaú. Outro convergiu sentido Teatro Municipal. Os policiais seguiam em pequenos grupos, novamente com escudos em punho e armas de borracha e bombas em mãos. Os únicos perseguidos eram as pessoas que fugiram das bombas arremessadas minutos antes.

Depois dessa ação, algumas pessoas começaram a chamar os policiais de fascistas. Outras cobriram o rosto e passaram a atear fogo em lixo para fazer barricadas e evitar o avanço da Tropa de Choque. Nas redes sociais, ativistas começaram a convocar ações no local, para reagir à ação da PM.

Até o momento em que a RBA permaneceu no local havia poucos focos de incêndio e barricadas pelas ruas. As explosões de bombas de gás lacrimogêneo continuaram e o barulho das sirenes era percebido em várias vias.

A 19 dias do primeiro turno das eleições estaduais, os episódios violentos no centro da capital podem ser decisivos para confirmar, ou não, a reeleição do governador Alckmin em uma única votação. “Tudo depende de como será a repercussão, nas redes sociais e na mídia tradicional, do conflito no centro”, aponta a cientista política Maria do Socorro Souza Braga, da Universidade Federal de São Carlos. “As redes sociais tendem a politizar e aprofundar mais o debate sobre esse tipo de ação da polícia, e tem até mais poder de ‘virar’ votos. Mas o alcance é menor. Teremos de ver como a mídia tradicional, que ainda atinge um público maior, tratará o assunto. O principal ‘atingido’ por eventos dessa natureza é o indeciso”, ponderou.

Alckmin foi convidado de hoje do SPTV, jornal do horário do almoço da Rede Globo, como candidato à reeleição, mas não foi questionado sobre o assunto. O Jornal Hoje, que começou na sequência, destacou “cenário de guerra e terror” no centro de São Paulo, e classificou como “baderneiros e vândalos” os sem-teto que protestaram contra a polícia. “O eleitorado paulistano é mais conservador. Ele, de forma geral, gosta desse tipo de política pública para a segurança, porque é uma política agressiva de proteção da propriedade”, aponta Maria do Socorro. “Então, se a imagem que aparece na TV é apenas de gente tentando abrir lojas, depredando prédios, as pessoas tendem a apoiar a polícia”, reflete.

Marina mexe em mais um vespeiro popular: a CLT

Via Brasil 247

Citando “o professor Gianetti”, chefe de sua equipe econômica, candidata do PSB promete “atualizar” a Consolidação das Leis Trabalhistas; Marina Silva não explicou, porém, qual será o sentido a mudança; “Ainda não temos essa resposta”, disse ela em encontro com empreendedores, em São Paulo; pelo manual ortodoxo de Eduardo Gianetti, garantias trabalhistas são um peso para o desenvolvimento; entre janeiro e agosto, País criou 701 mil empregos com base na CLT; depois de atacar pré-sal, Marina põe as mãos sobre novo vespeiro de alta sensibilidade; plataforma é popular?

247 – A candidata Marina Silva, do PSB, enfiou as mãos em mais um vespeiro popular. Depois de questionar a prioridade dada pelo governo à exploração do pré-sal e reafirmar, por meio do coordenador Walter Feldman, que pretende mudar o modelo de partilha do petróleo brasileiro em benefício das empresas estrangeiras, agora ela escolheu um novo alvo: a CLT – Consolidação das Leis Trabalhistas.

“Vamos fazer uma atualização das leis trabalhistas”, disse Marina, ontem, em São Paulo, em reunião com micro e pequenos empresários. Ela não deixou claro, porém, qual será o sentido da mudança em caso de se eleger presidente. “Ainda não temos essa resposta, esse assunto é muito complexo”, completou ela.

Marina fez sua promessa de atualizar a CLT num contexto de reclamações dos pequenos empreendedores sobre dificuldades para a contratação de mão de obra. A candidata se comprometeu, então, a trabalhar pela alteração das atuais normas trabalhistas. Este ano, entre janeiro e agosto, o País registrou a criação de 701 mil vagas com carteira de trabalho assinada, dentro da legislação atual.

Marina agregou que as mudanças que pretende fazer na CLT serão “sem prejuízo” a empregadores e empregados. Ela ressalvou que não quer que sua iniciativa seja chamada de “flexibilização” da CLT, apesar de ter sido essa a impressão que ficou de sua nova promessa eleitoral.

- Quero reafirmar, para que não fique nenhuma dúvida, de que isso será feito sem prejuízo às conquistas que os trabalhadores a duras penas alcançaram, afirmou a candidata a jornalistas.

Ao ser questionada sobre o que pretende fazer em relação à terceirização da mão de obra, ela procurou ajustar novamente seu discurso.

- Não queremos a precarização das ocupações que existem. Foi feito um processo no governo do PSDB que tem muitos problemas e esses problemas precisam ser reparados, acentuou Marina.

Após prometer a “atualização” da CLT, citando “o professor Gianetti” como inspiração, a candidata reconheceu que ainda não faz ideia do que pretende fazer sobre o assunto em caso de chegar ao governo.

- É um debate difícil e ainda não temos uma finalização sobre o assunto, assinalou.

Pela cartilha do economista Eduardo Gianetti da Fonseca, que vai assumindo o posto de chefe da equipe econômica de Marina, sabe-se que garantias trabalhistas são vistas como entraves para o desenvolvimento do País. Os empreendedores que ouviram Marina ficaram com a impressão de que, para um lado ou para o outro, a CLT não será a mesma caso a candidata do PSB vença a corrida eleitoral.

Qual o motivo dos ataques da imprensa à Petrobras?

Por Sandro Ari Andrade de Miranda | Via Sul 21

Uma pergunta que deve ser feita por qualquer brasileiro é o motivo pelo qual a imprensa, especialmente os grandes meios de comunicação, historicamente vinculados ao poder e à direita, têm direcionado constantes ataques à PETROBRAS.

Será que de fato existe alguma onda de corrupção criada pelo PT, como afirmarão alguns ingênuos, que veem no Jornal Nacional como fonte de informação? Será que um corrupto assumido, como Paulo Roberto da Costa, um mero servidor público que chegou rapidamente às principais capas de jornais e revistas, teve uma crise de consciência ética? Qual é o motivo de tantas denúncias realizadas no picadeiro diário dos nossos meios de comunicação?

Inicialmente, é necessário afastar um mito. Não existe imprensa isenta, sem posição e sem nenhum comprometimento político ou ideológico. Esse discurso é verdadeiro como uma nota de sete reais. Como já afirmara Antônio Gramsci, nos seus Cadernos do Cárcere, com absoluta lucidez, a imprensa também é uma forma de partido.

Aliás, a própria Maria Judith Brito, presidenta da Associação Nacional dos Jornais e executiva do jornal Folha de São Paulo, declarou de forma literal ao Jornal “O Globo”:

“Obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada.”

Até aí, nenhuma novidade! O surpreende foi a sinceridade da executiva da Folha de São Paulo, jornal este que foi omisso em relação a todos os crimes praticados pelas forças armadas e pela polícia durante a ditadura militar.

Se fizermos uma leitura rápida apenas das principais revistas semanais de grande circulação chegaremos ao seguinte balanço: a “Revista Época”, vinculada às Organizações Globo é indiscutivelmente tucana; a “Revista Isto É” possui tem relações bastante próximas ao PSB, de Eduardo Campos e Marina Silva, embora às vezes (muito raras) tente assumir uma posição autônoma; a “Veja”, de todas, com certeza a de menor credibilidade, veste qualquer roupa, desde que seja da direita, preferencialmente a mais reacionária ou conservadora – poderíamos classificá-la como uma mistura entre o DEM e o PSDB; a “Caros Amigos” é de esquerda até no nome, algo louvável de tão transparente. Resta-nos a “Carta Capital”, onde o seu editor, o nobre Mino Carta declarou abertamente o voto em Dilma Rousseff (PT), mas ainda acho exagerado vincular a revista ao Partido dos Trabalhadores, pois ainda mantém o senso crítico, algo imperceptível na maioria dos semanários.

Como se observa, todos os veículos de comunicação possuem um lado, alguns com mais transparência, outros com nenhuma. Portanto, é sempre necessário manter o senso crítico em relação ao conteúdo das publicações, para não virar um Homer Simpson ou uma velhinha de Taubaté (personagens que acreditam em tudo que veem e ouvem, no caso do americano Homer, especialmente na televisão).

Daí volta a pergunta, qual é o motivo dos ataques sistemáticos à PETROBRÁS?Uma pista importante poder ser encontrada no dia 08 de setembro de 2014, na bolsa de valores, dois dias depois da Veja publicar uma lista de supostos envolvidos com o astro principal da novela, o “conhecidíssimo” Paulo Roberto da Costa. Após uma semana de relativa alta, as ações caíram 4,91%, mantendo a tendência de queda durante toda a semana.

Mas é a relação entre a manchete de uma revista semanal com editorial esquizofrênico e a queda de ações da PETROBRÁS na Bolsa de Valores? Não é apenas mais um escândalo de corrupção, dentre tantos outros que são publicados para levantar a vendagem deste tipo de revista? Para qualquer incauto, poderia ser, mas se fizermos uma viagem até a década de noventa, será possível ter absoluta certeza de que as coisas não são bem assim.

Naquela época, havia uma onda sem precedentes de venda do patrimônio público, as chamadas privatizações. Foi um período que marcou o final do governo Collor de Mello e toda a gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), hoje o principal responsável pela aproximação política entre Marina Silva e Aécio Neves.

Seus principais personagens hoje ocupam a “respeitável” condição de analistas da Rede Globo, ou são fiadores programáticos de Marina Silva e Aécio Neves: Armínio Fraga, Luiz Carlos Mendonça de Barros, André Lara Resende (um dos principais assessores de Marina), dentre outros.

Neste período foram vendidas dezenas de empresas públicas e o controle acionário de sociedades de economia mistas, tudo financiado com dinheiro público. O BNDES, que hoje financia grandes projetos de infraestrutura, no década de noventa repassava um volumoso aporte de recursos para a compra do patrimônio público pelo capital privado ou, até, por estatais europeias. Vejam as obras de Aloisio Biondi e de Amaury Riberio Júnior, onde tais processos ficarão bem claros.

Tivemos a venda de todo o complexo siderúrgico, especialmente da Companhia Siderúrgica Nacional, fundada por Getúlio Vargas, de todo o sistema de telefonia (não antes de este segmento receber uma grande atualização tecnológica, o criou o falsa impressão de que as privatizações melhoram as telecomunicações), a venda da Rede Ferroviária Federal S. A., de alguns bancos, é várias outras medidas no mesmo sentido.

Além dos financiamentos do BNDES, outros agentes fundamentais na onda de privatizações foram os fundos de pensão dos servidores públicos, sendo que muitos destes trabalhadores foram demitidos na onda de privataria, alimentando o gigantesco quadro de desemprego que vigia na época, dada a ortodoxia financeira.

O índice de desemprego aberto, na década de noventa, batia na casa dos 20%, e o salário mínimo sonhava em atingir o simbólico valor de US$ 100,00 (cem dólares).

Mas de todas as transações da onda de privatizações, a mais escandalosa, com certeza, foi a transferência do controle acionário da Companhia Vale do Rio Doce, a maior produtora de minério do mundo, para o Consórcio Brasil (formado pela CSN privatizada, pelo grupo Bradesco, e pelo Fundo Previ). Na época o leilão estava estimado em R$ 92 bilhões de reais, mas o controle foi repassado ao grupo privado por apenas R$ 3,3 bilhões, ou seja, um valor 28 vezes menor em relação ao previsto inicialmente!

Mas a privatização não ficou restrita ao patrimônio público, também foi realizada uma contenção de investimentos na área de saúde, com o incentivo aos planos de saúde, e uma tortura diária com o risco de privatização das Escolas Técnicas e das Universidades Federais. O ensino técnico foi fragmentado e perdeu toda a sua base de composição humanística.

Quem ler o Plano Diretor de Reforma do Estado no seu formato puro verá que a proposta principal era transformar as universidades, escolas técnicas (hoje Institutos Ferais de Educação Tecnológica) e os hospitais públicos em organizações sociais. Traduzindo, transferir os serviços sociais para a estranha neologia da iniciativa privada de interesse social. Qualquer semelhança com os casos de escassez financeira da USP, UNICAMP e da UNESP, não é mera coincidência, e sim reprodução de modelo FHC em São Paulo.

Com exceção dos três grandes agentes financeiros (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o nosso BNDES), apenas uma grande empresa com controle acionário público foi mantida: a sociedade de economista PETROBRÁS. Só por curiosidade, nesta mesma época o desconhecido empregado público Paulo Roberto da Costa subia na sua carreira, e passava a ocupar espaço no campo das atividades comerciais da empresa.

Tal processo não teve continuidade por dois fatores: 1º) a grande mobilização social em torno da Vale do Rio Doce atrasou o andamento da política de privatizações; 2º) a eleição de Luís Inácio Lula da Silva em 2002.

Antes da campanha eleitoral, a empresa já possuía até um novo nome comercial PETROBRAX, e demonstrando que os caminhos estavam desenhados. Ou seja, numa eventual eleição do ex-ministro do Planejamento de FHC, José Serra, a PETROBRAS seria privatizada.

Hoje, seguindo um caminho contrário, a PETROBRÁS mantém controle público e se constituí não apenas na maior empresa petrolífera da América Latina, mas numa das maiores do mundo, disputando espaço com as gigantes norte-americanas, russas e chinesas.

Além disso, a PETROBRÁS é a principal mola para alavancar os projetos do Pré-sal, de onde teremos recursos para promover uma verdadeira revolução nos campos da saúde e da educação. Logo, não é mais um patrimônio a ser jogado fora, mas uma fiadora do futuro!

Tamanha é a importância da PETROBRÁS para a economia brasileira, que um dos primeiros escândalos fabricados pela imprensa foi a compra da Refinaria de PASADENA nos Estados Unidos. O que ficou escondido na informação repassada pelo cartel Veja-Globo-Folha-Estadão, foi o fato de o Brasil ter fincado as suas bases de atuação no maior mercado consumidor de petróleo e maior economia do planeta, num resenho completo da geopolítica-estratégica proposta nos anos noventa.

A empresa estatal, que no período FHC era considerada como deficitária e desprezível, símbolo do atraso, hoje é a principal fiadora do nosso desenvolvimento energético e ponta de lança na expansão da influência econômica do país no mercado internacional.

Logo, há algo mais na divulgação seletiva de nomes da lista da figura “altamente confiável” de Paulo Roberto da Costa! Diga-se de passagem, sem nenhuma base material que dê sustentação à onda de denuncismo.

Pergunto, se o novo astro da mídia de direita já atuava na área comercial da PETROBRÁS desde o governo de Fernando Henrique Cardoso, porque não tivemos listado o nome de nenhum parlamentar do PSDB ou do DEM? Será que o personagem em questão se tornou desonesto e constituiu a sua fortuna no exterior de uma hora para a outra? Será que não teve nenhuma participação na onda de privatizações da década de noventa?

Bom, se para José Serra a formação de cartel é uma medida comum no mercado, para a Veja, a Globo, a Folha e o Jornal Estado de São Paulo, não há necessidade de demonstrar provas concretas das suas denúncias. A liberdade de imprensa e o direito ao sigilo da fonte são considerados alvará de irresponsabilidade, especialmente quando o alvo forem os quadros, partidos e movimentos de esquerda.

A verdade é que não estamos apenas diante de uma tentativa de desgastar o Governo, o que já se mostrou ineficaz em outras oportunidades, pois sempre que defrontado com problemas de corrupção, a atual gestão nunca jogou a lama para debaixo do tapete, mas ao contrário, sempre puniu os responsáveis. O alvo de todas as denúncias é a própria estatal petrolífera! O governo é um dos alvos, mas o que a imprensa de direita pretende é criar um pânico internacional como a fracassada tentativa pré Copa do Mundo. As consequências pretendidas são a eleição dos seus candidatos, e uma onda de quebradeira econômica.

Não é por acaso que mesmo com uma elevação de 1,5% no último trimestre, e significativos indicadores positivos de alta da economia, tanto os grandes meios de comunicação de direita, quanto os asseclas do mercados financeiro tentam diariamente apresentar um quadro de pânico. Não mais absurdo do que a preocupação da Globo com as tarifas de luz, quando em 2015 teremos o ingresso pesado da energia diversos pólos eólicos. Há uma indústria do terror para forçar a elevação da taxa de juros, reduzir os investimentos e paralisar a economia.

Felizmente, a economia brasileira segue insistindo na resistência aos prognósticos alarmistas, e mostrando um vigor muito superior aos centros do capitalismo avançado. Isso não quer dizer que a nossa estratégia econômica não precise de ajustes, mas isso não deve ser feito pelo afastamento do estado, mas pelo aprofundamento do seu papel de investidor. O aumento do gasto público, e não o corte, é essencial para a garantia de um mercado consumidor estável.

Mas, todas as vezes que as ações da PETROBRÁS são derrubadas na Bolsa, perde-se uma fortuna muitas vezes maior do que os desvios da patética figura de Paulo Roberto da Costa. A empresa também perde credibilidade e, principalmente, capacidade de investimento.

Na onda do quanto pior melhor, típico de quem não a menor responsabilidade com o desenvolvimento do país, o alvo de determinados grupos de imprensa é a possibilidade de o Brasil avançar social e economicamente com a utilização dos recursos do Pré-sal.

Então, estes ataques constantes realizados por determinados grupos midiáticos não são direcionados apenas ao governo, como atestou a presidenta da Associação Nacional dos Jornais, mas à nossa economia, ou melhor, ao nosso modelo econômico.

Será muito mais fácil vender uma empresa com capital reduzido, do que uma potência econômica como hoje a PETROBRÁS se apresenta. O processo eleitoral não envolve apenas uma disputa pelo poder central do Estado, mas de diretrizes econômicas e da nossa própria soberania como nação.

Assim como Aécio e Marina Silva defendem o tripé do arrocho econômico e a independência do Banco Central, também acenam para uma nova onda privatista.Dar um tempo no pré-sal e focar o ódio político na PETROBRÁS, é apenas mais um passo para vender a rentável empresa estatal a preço de bananas ao capital internacional.

A experiência da Vale do Rio Doce já comprovou que esta não é uma medida difícil para os defensores da lógica do privatismo, pois a PETROBRÁS é uma sociedade de economia mista. Basta apenas a vendas de algumas ações, para derrubar toda a onda progressista dos últimos doze anos, e jogar pela janela o nosso futuro político, social e econômico!

Sandro Ari Andrade de Miranda é advogado em Brasília/DF, Mestre em Ciências Sociais.

Gazprom obriga Polônia a suspender fornecimento de gás à Ucrânia

Por Aleksêi Lossan | Via Gazeta Russa

Para estatal russa, fornecimento reversivo de gás é ilegal e não respeita cláusulas do contrato firmado com a polonesa PGNiG.

Presidente do grupo Gazprom, Aleksêi Miller (centro) Foto: Reuters

A Gazprom, empresa estatal que detém o monopólio russo da venda de gás, recusou o aumento de fornecimento solicitado por empresas polonesas, que enfrentam uma demanda maior devido às baixas temperaturas na Europa. A decisão afetou a Ucrânia, que parou de usufruir do fornecimento reversivo de gás vindo de Polônia, considerado pela Gazprom uma prática ilegal e uma violação do acordo firmado entre os países.

De acordo com uma declaração oficial da empresa polonesa PGNiG , a Gazprom não aprovou a sua solicitação referente ao aumento do volume de gás, fazendo com que a empresa deixasse de receber 20% da demanda anunciada. No entanto, os representantes da Gazprom afirmam que a Polônia continua usufruindo do mesmo volume diário de gás, equivalente a 23 milhões de metros cúbicos, que não pode ser aumentado devido ao preenchimento das reservas subterrâneas da Rússia em andamento. Com isso, a Ucrânia parou de receber gás vindo da Polônia, conforme os contratos do fornecimento reversivo entre a polonesa PGNiG e a ucraniana Naftogaz, que estabeleciam a entrega de 4,2 milhões de metros cúbicos diariamente.

Influência da Gazprom

“Mais uma vez, a Gazprom demonstra sua influência nas negociações com a União Europeia, forçando-a a tomar logo uma decisão referente ao futuro da Ucrânia. Além disso, a atitude da empresa russa visa demonstrar aos colegas ucranianos que o volume de gás adquirido conforme os contratos de fornecimento reversivo não será capaz de cumprir as demandas do país, principalmente na época mais fria do ano”, explicou Iliá Balákirev, analista sênior da agência de investimentos UFS IC. Segundo ele, “os consumidores europeus podem até vender o excesso, mas não prejudicarão a si mesmos” para fornecer gás para a Ucrânia.

“O fornecimento do volume mínimo de gás conforme os contratos firmados é uma decisão lógica tomada pela Gazprom, que está ciente da venda reversiva do produto à Ucrânia”, disse Ivan Kapitonov, vice-presidente do Departamento de Regulação Estatal da Economia da Academia de Economia Nacional e Administração Pública da Rússia. Em sua opinião, a Ucrânia e seus parceiros ocidentais estão usando uma brecha contratual que consiste na ausência da proibição de revenda do gás fornecido pela Gazprom. “O começou do outono na Europa aumenta a demanda por gás usado no aquecimento, e além da Rússia não existem e não existirão no futuro mais próximo outras fontes capazes de complementar o volume de gás recebido atualmente com o objetivo de suprir a crescente demanda”, afirmou o especialista. “A decisão de não aumentar a quantidade de gás fornecido tomada pela Gazprom é uma resposta adequada à situação atual”, acrescentou.

Alternativas

As autoridades ucranianas voltaram a receber o volume de gás reversivo da Polônia e da Hungria após o aumento de US$ 268 para US$ 485 (R$ 629 para R$ 1.138) do preço referente a mil metros cúbicos pago pela ucraniana Naftogaz após o reajuste feito pela Gazprom. No entanto, o monopólio russo considera a manobra ilegal devido ao fato de o produto ser retirado durante a sua passagem pelo território ucraniano, o que torna o fornecimento “reversivo” apenas no papel. Além disso, segundo a Gazprom, a prática contradiz as cláusulas dos contratos firmados com as empresas europeias. Ao mesmo tempo, a dívida ucraniana pelo gás já recebido supera US$ 5 bilhões (R$ 11,74 bilhões).

“Apenas os países vizinhos da Ucrânia são de fato capazes de realizar o fornecimento reversivo para o seu território, mas a maioria deles enfrenta a falta de gás. Apenas os Estados localizados no norte europeu, tais como a Alemanha, são capazes de dividir os seus recursos com os necessitados”, disse Ilia Balákirev. Portanto, segundo ele, os ucranianos podem esperar ajuda apenas da Polônia e da Eslováquia.

A redução do fornecimento de gás ao território polonês foi acompanhada pela decisão tomada pela Gazprom de baixar a quantidade do produto enviado pelo gasoduto Iamal-Europa, tendo como destino Alemanha. De acordo com dados fornecidos pela alemã Gascade, no período entre 3 e 10 de setembro, o volume diário recebido pelo país baixou de 82 milhões para 73 milhões metros cúbicos, enquanto o representante da empresa eslovaca Slovensky Plynarensky Priemysel também confirmou a redução do gás vindo da Rússia em cerca de 10%.

Na opinião de Dmítri Baranov, especialista sênior da empresa de administração Finam Management, o problema do fornecimento reversivo pode ser resolvido usando métodos legais. De acordo com o especialista, a Gazprom emitiu múltiplos avisos sobre a intenção de iniciar processos nos tribunais caso os parceiros europeus começassem as práticas polêmicas. “Os contratos firmados entre o monopólio russo e os Estados europeus contêm as informações claras sobre o volume, preço e condições de fornecimento de gás, que não incluem a possibilidade de distribuição reversiva deste produto. As ações contrárias já são motivo para iniciar um procedimento legal para solucionar o problema”, explicou. Para Baranov, um acordo celebrado entre a Rússia, Ucrânia e União Europeia seria a melhor forma de resolver as suas diferenças. “Acredito que o estabelecimento de tal acordo não é uma missão impossível, caso todos os lados consigam minimizar a questão política e se concentrar na resolução dos assuntos econômicos referentes ao fornecimento de gás”, disse.

Quem banca a mídia?

Por Thiago Cassis | Via UJS

É no mínimo estranho assistirmos ao Jornal Nacional ou folhearmos a Veja, por exemplo, e acompanharmos as constantes tentativas de distorcer e ocultar as ações positivas do governo federal (quem não se lembra das 21 interrupções em 15 minutos de William Bonner durante a entrevista que Dilma Rousseff concedeu ao seu telejornal?) e nos depararmos nesses mesmos veículos com uma enorme quantidade de publicidades do próprio governo.

Já passou da hora de parar de sustentar esses veículos que nada mais são do que resquícios da ditadura.

45% da verba que vai para TV’s abertas, por exemplo, vai para a própria Rede Globo… O critério utilizado para distribuir o dinheiro da publicidade é a audiência. Dessa forma as empresas que já estão consolidadas sempre receberão mais.

Esse é o Estado seguindo uma lógica de empresa privada.

Essa forma de distribuição apenas contribui para a criação de monopólios nas comunicações… e está escrito na Constituição do Brasil:

Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio.

Acontece que os artigos que regem a comunicação não são regulados no país. E parece que vai continuar assim: somadas as posses dos candidatos das eleições deste ano contabilizamos 32 empresas de televisão, 141 rádios e 16 jornais impressos.

Essa é uma batalha que o governo terá que travar no próximo período… ou então o circo da mídia continuará se repetindo e de nada vai adiantar alguns poucos ficarem gritando contra isso.