Arquivo mensais:setembro 2014

Por que votar em Dilma Roussef?

Por Sérgio Almeida | 07/09/2014

1. Apresentação

Os governos brasileiros nos últimos 25 anos que se seguiram ao período da Ditadura poderiam ser simplificadamente enquadrados em duas grandes categorias: a dos neoliberais, defensores do “livre mercado”, e a dos social-desenvolvimentistas, onde a busca do bem-estar social é destacada. No primeiro grupo situam-se os governos Collor/Itamar e Fernando Henrique. No segundo, Lula e Dilma. Evidentemente, as duas dimensões – mercado e bem-estar – se interligam, razão pela qual nenhum governo pode desconsiderar completamente uma delas. Tratam-se aqui de prioridades, que terminam por definir as principais políticas públicas adotadas, com reflexos no dia a dia e no futuro de todos.

A escolha de um dos “dois caminhos” precisa levar em conta em que sociedade ele será trilhado: suas características econômica, social, cultural, de riquezas naturais disponíveis, seu nível de desenvolvimento tecnológico e como se dá sua inserção no cenário mundial, dentre outras. Ou seja, não se está analisando um caso teórico, mas sim o do Brasil, País com imensas injustiças sociais.

2. O caminho do “livre mercado”

Os neoliberais advogam o primado da estabilidade monetária e do controle da inflação sobre aplicação de recursos públicos em políticas sociais. Afirmam também que o Estado não deve interferir na economia. Liberadas, as “forças de mercado” se encarregariam de suprir a sociedade dos bens e serviços necessários ao seu bem-estar, mesmo os tipicamente de interesse social, como Educação e Saúde. Estado mínimo é seu lema. Por isso, defendem a independência do Banco Central e a privatização dos serviços públicos e empresas estatais, os mais radicais da própria Petrobras. Protestam contra o valor excessivo dos impostos recolhidos pelo Estado, justamente os utilizados para ações de governo. Enaltecem a “livre concorrência” entre agentes da economia – população, empresários, laboratórios farmacêuticos, empreiteiras, comerciantes etc – segundo eles capaz de baratear os preços de produtos e serviços socialmente necessários, tornando -os acessíveis a um número maior de pessoas. Difundem a crença de que a desigualdade é natural e tem suas vantagens, pois aqueles mal situados na sociedade “apressarão o passo” para alcançar os que lhes estão à frente. Em uma expressão que se popularizou, os adeptos do livre mercado dizem que “primeiro o bolo tem que crescer para depois ser dividido”. Por fim, apoiam a ideia de que o Brasil deve privilegiar as relações com países ricos do mundo, o que permitiria nosso desenvolvimento à sombra e em interação com as potências econômicas e militares do planeta. Nenhum governo encarnou melhor esses princípios que o de Fernando Henrique, no comando do País e do PSDB, principal partido de oposição até 2014. O candidato formal dessa corrente é Aécio Neves.

No item 4 deste texto será apresentada uma análise comparativa entre os resultados da opção política pelos caminhos “neoliberal” e “social-desenvolvimentista”.

3. A opção social-desenvolvimentista

Os defensores dessa via, representados por Lula e Dilma, a partir de 2003, colocaram as desigualdades econômicas e sociais do País como desafios a serem enfrentados. Por isso, estabeleceram metas aparentemente simples, mas de fato ousadas tendo em vista a distribuição historicamente concentrada de renda e riqueza no País. Uma das mais injustas do planeta.

Possibilitar a realização de “três refeições por dia” por todos os brasileiros, universalizar o acesso à energia elétrica, facilitar o ingresso de população de baixa renda em escolas técnicas e universidades, promover programas de aquisição de casa própria de baixo custo, garantir cobertura médica, ainda que limitada, em rincões remotos do País, foram alguns dos alvos de governo, sob permanente oposição dos adeptos do livre mercado. Contra esta mesma corrente, promoveram a elevação progressiva do salário-mínimo e o acesso ao crédito à população de baixa renda, ações que contribuíram para expansão do mercado interno e eliminação de parte expressiva dos bolsões de pobreza e miséria no Brasil.

Embora valorizando o desenvolvimento de políticas de cunho social, não abriram mão da estabilidade monetária e do controle da inflação. Resgataram o papel de empresas estatais, com destaque para a Petrobras, fato que favoreceu a recuperação de importantes setores industriais, notadamente o naval. Após 12 anos dos governos Lula-Dilma, o índice de desemprego é da ordem de 5%, considerado como de pleno emprego.

Nas relações internacionais, ampliaram parcerias e, soberanamente, enfrentaram diplomaticamente a potência econômica e militar imperial do planeta. Lideraram a formação do grupo dos BRICS e investiram no Mercosul e na formação de um bloco político-econômico com os países da A. Latina.

4. Dados comparativos dos governos FHC e Lula/Dilma

A diferença entre as realizações do Governo Federal nos períodos 1995-2002, com FHC, e 2003-2014, com Lula/Dilma é abissal. Alguns parâmetros importantes são apresentados a seguir:

tabela Ceci

A opção social-desenvolvimentista reverteu uma persistente tendência à estagnação ou decadência da economia brasileira, nas chamadas duas “décadas perdidas”. A comparação também derruba por terra a ideia de que os adeptos do livre mercado são melhores gestores do que os atentos ao bem-estar. O combate às desigualdades, além de eticamente virtuoso, beneficiou o desenvolvimento econômico.

A pergunta que devemos tentar responder é: “Por quê, com tantos avanços na trilha do socialdesenvolvimentismo, Dilma não é a favorita disparada na atual campanha eleitoral?”

5. “Contra tudo isso que está aí”

As manifestações de junho e julho de 2013 fornecem uma boa pista para compreensão das razões do descontentamento difuso da sociedade para com a realidade brasileira, em que pese os avanços econômicos e sociais observados, especialmente na última década. Inicialmente, a motivação dos participantes era a suspensão do rejuste das tarifas de transportes urbanos. A repressão policial sobre eles fez crescer o movimento, que agregou ao preço das passagens protestos contra a própria violência policial, a qualidade insatisfatória dos serviços públicos, a corrupção política percebida pela sociedade – percepção amparada na realidade, mas alimentada permanentemente pela chamada grande mídia, assumidamente de oposição aos governos Lula-Dilma – dentre outra mazelas. Nas ruas, gritava-se “Somos contra tudo isso que está aí!”. Bandeiras de partidos políticos eram enxotadas pelas multidões. E, também, o “Congresso não nos representa!”, o que em boa parte é verdadeiro, pois o financiamento privado de campanhas, legalizado em 1997, transforma os parlamentares eleitos em fieis representantes dos seus patrocinadores e não dos que os elegeram.

Atualmente, 47% dos membros do Congresso Nacional são empresários, embora constituam menos de 3% da população do País. A oposição tentou capitalizar o movimento, atribuindo-lhe o caráter de revolta contra o Governo Federal. Em parte conseguiu.

Ficaram então flagrantes duas graves deficiências do Governo. Primeiro, a incapacidade de o Poder Executivo se relacionar com o Congresso em bases republicanas, sem que os entendimentos sejam pautados pela distribuição de cargos e favores políticos, quando não por financiamentos obscuros de partidos, ainda que estas sejam marcas da História do Brasil, desde sempre. O episódio do “Mensalão”, cujo julgamento no STF foi exibido durante longo período na TV, como uma novela da vida real, contribuiu para o descontentamento com o Governo e seu principal partido de sustentação, o PT, embora o próprio STF tenha posteriormente reconhecido que “não houve formação de quadrilha nem uso de dinheiro público”, as duas acusações que embasaram o processo.

Em segundo lugar, as deficiências na comunicação do Governo Federal com a população, submetida diuturnamente à informação dos grandes meios de comunicação, pertencentes a seis famílias, e que se colocaram no papel de principal “partido de oposição”, conforme afirmação da própria presidente da Associação Nacional de Jornais e executiva do Grupo Folha, Judith Britto (O Globo, 18/3/2010). O Governo não foi capaz de romper o cerco que lhe foi imposto pela mídia e hoje tem dificuldades, mesmo com horário eleitoral diário, de mostrar à população um lista imensa de realizações, algumas das quais relatadas no item anterior. A consulta ao site pac.gov.br mostra uma quantidade impressionante de obras e iniciativas realizadas, em todos os setores de atividade, mesmo que várias delas possam ser legitimamente contestadas por si sós ou pela forma como foram conduzidas. Ainda mais espantosa foi a capacidade da mídia para “escondê-las” do público.

Inflada ou não por mídia e oposição, as razões dos protestos não são obra de delírio coletivo.

6. Uma mutante na “terceira via”

A morte de Eduardo Campos, candidato à Presidência da República pelo PSB, em 13/08/2014, abriu espaço para candidatura de Marina Silva. Com o capital político de 20 milhões de votos obtidos no primeiro turno das eleições presidenciais de 2010, Marina cresceu vertiginosamente nas pesquisas de intenção de voto e ameaça a polarização PT X PSDB. Formada na política pelos movimentos populares na Amazônia, lutou contra o liberalismo econômico do qual Aécio é o representante legítimo, depois passou a ver virtudes em um libera lismo ecológico – ou eco-capitalismo, como costuma dizer – e hoje tem por coordenador do seu programa econômico um representante do pensamento liberal profundo, André Lara Rezende, ex-presidente do BNDES, de onde foi demitido após revelação de grampos telefônicos que o flagravam manipulando os leilões da privatização. Grande mutação. Marina também se diz “contra tudo isso que está aí”, advoga a prática de uma nova política, embora busque apoios eleitorais da mesma forma que os demais candidatos. Sem estrutura partidária consistente – Marina não foi capaz de montar seu próprio partido – afirma que, se eleita, vai governar com “os melhores”, que serão convocados em todas as agremiações políticas. Afirmação curiosa. Será que algum governante escolhe “os piores” para sua equipe de governo? Ou os “mais ou menos”? Marina faz pouco caso do Pré-Sal, pujante riqueza natural e maior descoberta da Petrobras na última década. Acaba de receber o apoio dos militares da linha dura. Na coordenação de sua campanha desponta uma bilionária dona do Banco Itaú, mais do que legítima representante do capital financeiro, responsável pelo desvio de recursos das atividades produtivas de bens e serviços para o bolso dos rentistas. Portanto, independentemente da sua trajetória, virtudes e limitações pessoais, a candidatura de Marina não representa uma terceira via e sim outra versão do neoliberalismo, fantasiada de politicamente correta, popular e ecológica.

7. O voto em Dilma

De forma simplificada, esses são alguns dos argumentos que justificam minha escolha por Dilma nessas eleições.

No Brasil, em que pese o desenvolvimento da última década, estamos longe do “melhor dos mundos”. Têm fundamento muitas das críticas contra os governos social-desenvolvimentistas.

Inúmeras mudanças se mostram urgentes e necessárias. A realização de uma Reforma Política, que confira aos diversos setores sociais representações no Congresso Nacional e nas demais casas parlamentares coerentes com seu respectivo peso político e não econômico, é primordial para viabilizar outras reformas, tais como a Tributária e a Agrária. A Reforma Política foi ensaiada por Dilma após as manifestações de 2013, mas ela foi politicamente derrotada pelo Congresso e pelo Judiciário. Outra medida necessária e urgente, a redução da taxa básica de juros, foi iniciada por Dilma mas não vingou, por pressão dos grandes bancos privados.

A regulamentação da mídia, capciosamente confundida com o “retorno à censura”, é decisiva para furar o bloqueio à informação, imposto à sociedade pelos barões que a controlam. O site “Manchetômetro”, de professores da UERJ, aponta que de 1º de janeiro a 4 de setembro de 2014, Dilma foi alvo de 234 matérias negativas nas primeiras páginas dos grandes jornais, contra 18 capas com informações positivas. Isso é campanha eleitoral, à margem da Lei.

O País também carece da formulação de um Projeto verdadeiramente Popular, focado no desenvolvimento com justiça social, com respeito ao meio ambiente e realizado soberanamente. O “fracasso” ou a falta de empenho do Governo em levar adiante algumas das ações apontadas mostram a importância da participação pública. O povo nas ruas em 2013 “empurrou” Dilma no sentido de realizá-las. Mas não foi suficiente , o caminho é árduo. Eleger Dilma não resolve todas essas questões, mas deixa em aberto o caminho e a esperança de continuarmos avançando rumo à construção de uma sociedade justa e fraterna no Brasil. Os partidos progressistas, que legitimamente lançaram candidaturas próprias, certamente estarão com Dilma em um eventual segundo turno.

Em 5 de outubro, Dilma Roussef é a melhor alternativa para o Brasil!

*Engenheiro, Especialista em Políticas Públicas e de Governo

Richa engana eleitor e perde tempo em programa de TV

Por Eduardo Mira | Via Requião PMDB

Propaganda tucana diz que candidato à reeleição está “bem à frente” na pesquisa, quando na verdade há empate técnico.

O candidato à reeleição Beto Richa foi condenado pela justiça eleitoral por tentar enganar o eleitor sobre o resultado da pesquisa eleitoral Datafolha. Richa perdeu 46 segundos do seu programa de TV na tarde de hoje por induzir o eleitor ao erro quando mencionou que estaria “bem à frente” do candidato Roberto Requião nas intenções de votos.

Na propaganda, Richa cita a pesquisa do Instituto Datafolha em que aparece com 39% das intenções de voto, apenas seis pontos percentuais à frente de Requião, que tem com 33%. De acordo com a decisão do TRE, “a propaganda do PSDB induziu o telespectador a pensar que Richa venceria no primeiro turno em função da desproporção dos gráficos apresentados, ignorando o empate técnico pela margem de erro de 3% para mais ou menos”. “Está clara a dissonância do resultado gráfico apresentado, quando comparado ao gráfico que seria resultante da correta aplicação dos dados obtidos pela pesquisa Datafolha”, considerou o juiz Lourival Pedro Chemim em sua decisão.

PESQUISA IBOPE SOB SUSPEITA

Outra polêmica com relação à pesquisa eleitoral no Paraná envolve o governo Beto Richa e o Ibope. No último dia 28 de agosto, Requião encaminhou pedido de providências ao Procurador de Justiça do Estado do Paraná, Gilberto Giacóia, para que ele determine diligências a fim de esclarecer os termos do contrato entre o Instituto Brasileiro de Opinião, Pesquisa e Estatística (Ibope) e a Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar), empresa que tem o Governo do Estado como acionista majoritário.

Segundo registros do Portal da Transparência, o Ibope tem um contrato vigente com o atual governo Beto Richa no valor de R$ 4.631.040,00, via Celepar, por dois anos. O contrato inicial passou a valer no dia 8 de abril de 2013 com prazo de um ano. O valor foi de R$ 2.315.520,00. No entanto, ainda está vigente pelo mesmo valor, o que pode significar que foi prorrogado por mais um ano. Até o mês de maio último, o governo Richa pagou ao instituto o valor R$ 2.741.440,00.

“Pedimos que sejam investigados de que forma foi licitado o contrato, qual a finalidade dele, que tipo de serviço o instituto presta ao estado do Paraná e, principalmente, qual a idoneidade do instituto para realizar pesquisas de intenção de voto. Até porque aqui no Paraná o Ibope tem um patrão, que é o Beto Richa, que paga mais de R$ 300 mil por mês ao instituto”, afirmou Luiz Fernando Delazari, advogado da Coligação Paraná com Governo.

A pesquisa Ibope foi colocada em suspeição por apresentar, no último dia 25, ampla vantagem ao atual governador, candidato à reeleição, um resultado muito diferente do apresentado em outra pesquisa, do instituto Datafolha, que apontou uma semana antes empate técnico entre os candidatos Beto Richa e Roberto Requião.

Obras financiadas pelo Banco Mundial têm histórico de violações contra povos indígenas

Por Natasha Pitts | Via Adital

O Banco Mundial (Bird) tem um longo histórico de financiamento a obras que vulneram os direitos dos povos indígenas no mundo todo e, na Guatemala a situação não é diferente. A Organização Fraternal Negra Hondurenha (Ofraneh) está divulgando um comunicado rememorando os projetos financiados pelo Bird que ameaçaram e ainda ameaçam a existência dos povos indígenas, em nome de um “desenvolvimento neocolonialista”.

Entre os fatos recentes, no último dia 30 de julho, o Banco descartou as sugestões de organizações sociais acerca de sua nova política, denominada Standard Ambiental e Social (ESS7). A salvaguarda ESS7, avalia a Ofraneh, representa um retrocesso de décadas de negociações, pois permite aos Estados-nações descartarem sua aplicação em situações em que “a identificação como povos indígenas poderá exacerbar as tensões étnicas ,ou seja, incompatível com as disposições da Constituição nacional”. Assim, o Banco Mundial se esquiva de suas obrigações referentes aos povos indígenas e ao direito internacional, como indica o ponto 9 da salvaguarda ESS7.

“A diluída aplicação do direito à Consulta-Consentimento, Prévio, Libre e Informado (CPLI) se converte em uma das maiores ameaças para os povos indígenas ante as inconsistências em matéria de direito humanos que assolam a maioria dos Estados-nações, aquelas que recusam, em várias ocasiões, reconhecer os direitos dos povos indígenas, apesar de terem ratificado o Convênio 169, da OIT, e a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas”, alerta a Ofraneh.

Retrocedendo alguns anos, a Organização lembra que o ano de 1984 marcou um capítulo nefasto da história da Guatemala. Naquele ano, o Exército guatemalteco exterminou a população maya-achi do Rio Negro, em Baja Verapaz. Nos massacres de Rio Negro, Aldea Xococ, Pacoxom, Los Encuentros e Agua Fría, cerca de 400 indígenas foram assassinados e 3.445 foram deslocados forçadamente. O etnocídio foi fruto da construção da represa do Chixoy, financiada pelo Banco Mundial e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Apesar das denúncias apresentadas contra o Governo da Guatemala e dos chamados efetuados junto ao Bird e ao BID, a construção da represa continuou e foi finalizada em 1985. Em 2012, a Corte Interamericana de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos (OEA), emitiu uma sentença condenando o Estado da Guatemala, no entanto, até agora, nada foi feito.

Mesmo após o massacre de Chixoy e ciente das violações aos povos indígenas, o Banco Mundial concedeu um empréstimo de mais de 450 milhões de dólares para a construção da represa de Sardar Sarovar, no rio Narmada, India, que afetou o povo Adivasi, deslocando mais de 200 mil pessoas.

A Ofraneh também recorda que o Bird respaldou, entre 1979 e 1988, no Paraguai, a ditadura de Alfredo Stroessner, com a construção da mega-represa do Yacireta. O montante do valor aplicado na obra superou os 11 bilhões de dólares e deslocou mais de 100 mil indígenas e camponeses, que nunca foram compensados pelos danos.

Há o temor de que o Banco Mundial inicie uma nova etapa de desrespeito sistemático aos direitos dos povos indígenas e sejam revividos momentos, como o do massacre de Chixoy. A Ofraneh aponta que o Bird possui um fundo de 60 bilhões de dólares voltado para o financiamento de megaprojetos, muitos deles relacionados à construção de represas e hidrelétricas, situação que poderá se transformar em um “holocausto para os povos indígenas”.

Bob Fernandes: Escândalos. Ou se reforma a Política ou seguirá a podridão

Por Bob Fernandes | Via Facebook

Quem perde, ou ganha, com os vazamentos de Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobras que teria US$ 23 milhões em contas na Suiça e delatou para tentar escapar a 50 anos de cadeia?

PMDB, PP e PT são os alvos principais. João Vaccari, Secretário de Finanças do PT, é um dos citados.

E se nada for provado? Pouco importará. O estrago já terá sido feito.

Em 2010, Erenice Guerra, da casa Civil da Presidência, foi massacrada. Há dois meses aquela denúncia foi arquivada pela justiça federal a pedido do Ministério Público. Por falta de provas.

Na lista de quase 40 nomes agora vazada, ministros, senadores, deputados, os ex-governadores Sergio Cabral (RJ) e Roseana Sarney (MA), do PMDB, e Eduardo Campos, do PSB, já morto.

Acossada por suas contradições e seguidos recuos, Marina se vê obrigada a defender a memória do morto. E a explicar o que seria “novo” no PSB e no seu entorno.

Já Dilma terá que explicar tantos vivos há tanto tempo na Petrobras, no governo e entre seus aliados.

Há quem imagine benefícios para Aécio depois dos vazamentos. Não será fácil. No pacote vazado brilha também o PP, grande parceiro do PSDB e de Aécio em Minas.

O governador Alberto Pinto Coelho é do PP. Dinis Pinheiro, vice de Pimenta da Veiga, candidato tucano ao governo de Minas, também é do PP.

Aécio acusa: “É o mensalão 2″. A rigor é o quarto desses escândalos denominados “mensalão”.

O do PT foi o segundo, o terceiro foi o do DEM em Brasília, e o primeiro, do longevo 1998, é o do próprio PSDB, e ainda a ser julgado em Minas.

A campanha atual já arrecadou R$ 352 milhões. Entre as empresas que teriam sido citadas pelo delator estão empreiteiras, nessa eleição novamente no rol dos mega doadores.

Nesse jogo a regra é clara e vale para todos os grandes partidos: eu dou e vocês devolvem no governo.

Paulo Roberto dizia: “Se eu falar, não vai ter eleição”.

Na eleição passada outro Paulo falou: Paulo Vieira de Souza, a quem chamaram de “Paulo Preto”.

Diretor da Dersa no governo tucano de Serra, aquele outro Paulo já alertava nos tempos da CPI Delta & Cachoeira:

-Se abrirem as contas de São Paulo e Rio, o Brasil cai.

Ou se reforma a Política pra valer ou seguirá a podridão generalizada.

A quem interessa calar a internet? Os 66 perseguidos de Aécio

Via Muda Mais

O candidato à presidência pelo PSDB, Aécio Neves, parece mesmo não entender nada sobre liberdade na internet, participação social e democracia. Após perseguir politicamente a jornalista Rebeca Mafra, do Canal Brasil, que recebeu um mandado de busca e apreensão por supostamente causar “crimes contra a honra” do candidato na rede, o tucano voltou à baila. Agora, chegou a vez de Aécio processar 66 perfis no Twitter, dentre eles, os de turquim5, Pablo Villaça, Altamiro Borges e Antonio Mello, além dos perfis do Diário do Centro do Mundo e do Seja Dita Verdade por “disseminação de mentiras e ofensas” contra ele.

O tucano ingressou com uma Ação de Obrigação de Fazer (processo número 1081839-36.2014) contra o Twitter pedindo que ele preserve e forneça todos os dados cadastrais e registros eletrônicos (IP, data, hora e porta de comunicação) atrelados à criação e acessos dos 66 perfis. Segundo Aécio, os tuiteiros em questão “formam uma rede virtual de disseminação de mentiras e ofensas contra o autor, o que sugere uma atuação orquestrada, quiçá paga, para detrair sua honra, nome e história”, além de alegar que são robôs.

Aécio diz que a “análise do comportamento dos perfis revela indícios de atuação organizada, pois, além da promoção conjunta para disseminação de conteúdo falso ou ofensivo ao autor, as publicações são semelhantes e há redirecionamento de links entre esses perfis”. Mas Aécio, deixa a gente te contar um segredo: as publicações semelhantes são naturais no Twitter. As pessoas postam tweets e têm seus tweets retuitados, sabia não? Aliás, a interação é a própria alma e força das redes sociais.

Perfis processados por Aécio:

Aécio ainda solicitou segredo de Justiça [como fez no caso Rebeca], pedido que foi indeferido. Ele também solicitou que a justiça, “até a efetiva identificação dos responsáveis, ABSTENHA-SE de comunicar os usuários eventualmente identificados, sob pena de destruição de provas eletrônicas necessárias ao deslinde do caso.” A causa tem por valor R$10.070,00.

Em entrevista ao Muda Mais, o blogueiro Altamiro Borges afirmou que, para ele, o processo é previsível e não é nenhuma surpresa, já que Aécio detesta a liberdade de expressão e é totalmente contra as redes sociais. “Aécio gosta da midiazona que não investiga nada. Essa iniciativa do candidato só demonstra que o discurso dele sobre liberdade de expressão é falso”, acredita Borges. Segundo Miro, Aécio “é o rei da censura em Minas Gerais e, se fosse na época da ditadura, ele poderia ser um grande general”, diz. O blogueiro irá conversar com seu advogado e tomar as providências necessárias.

Em seu perfil no twitter, o cineasta Pablo Villaça falou a respeito do ato “autoritário, antidemocrático e insano” de Aécio. “Em 2014, AE-5 Neves ainda não entendeu o que é democracia e liberdade de expressão. Quer me censurar judicialmente. Não adianta querer me calar judicialmente, @AecioNeves. Moro em MG, conheço sua gestão pavorosa e tenho PLENO DIREITO de gritar isso”, disse Villaça.

Ainda bem que, graças ao Marco Civil da Internet, sancionado por Dilma Rousseff em abril deste ano, o Brasil é o país com as leis mais avançadas para proteger a liberdade de expressão e a privacidade dos internautas. Mas é claro que ainda temos que avançar rumo a uma internet livre e popular. Por isso, em seu segundo mandato, Dilma pretende concentrar forças na regulamentação do Banda Larga Para Todos, programa que objetiva universalizar o acesso à internet no Brasil.

Leia o desabafo de Pablo Villaça em seu perfil no twitter:

“AE-5 Neves continua a se mostrar o governador autoritário que não permite uma palavra negativa sobre sua gestão na imprensa mineira. Agora, eu e outros 65 internautas estamos sendo notificados judicialmente por AE-5 Neves. Somos acusados de ser ROBÔS e/ou de “agirmos em rede” para atacá-lo. Porque ele jamais poderia ser criticado se não fosse algo com tom conspiratório ou pago, claro. Inacreditável, isso. AE-5 tenta censurar pesquisas no Google, manda polícia invadir casa de internauta e agora isso. Em 2014, AE-5 Neves ainda não entendeu o que é democracia e liberdade de expressão. Quer me censurar judicialmente. É o que digo desde o início da campanha: vocês agora vão conhecer o AE-5 Neves que em MG já conhecemos tão bem. E não vão gostar. Não adianta querer me calar judicialmente, @AecioNeves. Moro em MG, conheço sua gestão pavorosa e tenho PLENO DIREITO de gritar isso. Você pode estar acostumado a não receber críticas por parte da imprensa mineira, @AecioNeves, mas não sou funcionário de jornal que aceita intimidação ou se cala por qualquer outro interesse. E sua visão de “democracia” se tornará ainda mais conhecida Brasil afora graças a mais este ato autoritário, antidemocrático e – sem meias palavras – insano. Como cidadão, não aceito ser calado assim. E que fique o aviso pra quem não mora em MG e não conhecia a figura: @AecioNeves é assim. Tenta calar quem o critica. Vejam meu exemplo. Já me chamaram de muita coisa, mas de “robô” foi a primeira vez. Mas é o PT que quer censurar a imprensa e implantar uma ditadura no Brasil. Claro. Hum-hum. Certinho, campeão. Há um motivo pro candidato de AE-5 Neves estar prestes a ser derrotado já no 1º turno em MG. E pra ele estar em TERCEIRO nas pesquisas aqui. Enfim. Bom domingo a todos. Não vou deixar que AE-5 Neves estrague o meu”, disse Villaça.

Confira a íntegra do processo aqui.

Marina Silva: aquela que mudou de lado

Por Leonardo Boff | Via Carta Maior

As opções do PSB e de Marina Silva representam um retrocesso do que havíamos ganho em 12 anos. Este projeto velho, foi aplicado no Brasil pelo governo do PSDB.

Para Boff, Marina Silva abandonou suas raízes e dedica-se a um projeto de pessoal de poder.

Já vai acalorada a campanha presidencial com uma disputa aberta entre Dilma Rousseff, atual Presdenta e a pretendente Marina Silva. Trata-se, na verdade, do confronto de dois projetos: a manutenção por parte do PT de um projeto progressista, marcado por fortes políticas públicas que permitiram integrar uma Argentina inteira na sociedade organizada. A prática política, imposta pelas elites, era de os governos fazerem políticas ricas para os ricos e pobres para os pobres. Mas aconteceu uma viragem em nossa história. Alguém do povo chegou ao centro do poder e conferiu outra direção ao poder político. Não se pode negar que o Brasil numa perspectiva geral, especialmente na ótica dos pobres, melhorou muito. Negá-lo é mentir à realidade.

A este projeto progressista se opõe o que a candidata Marina chama de “nova política”. Quando observada de perto, porém, não passa de um projeto conservador e velho que beneficia os já beneficiados e que alinha o país à macroeconomia voraz que faz com que 1% dos americanos possua o equivalente ao que 99% da população ganha. Esse projeto visa conter o processo progressista, evidentemente, sem anulá-lo, porque haveria, sem dúvidas, uma rebelião popular.

As opções do PSB e de Marina Silva representam um retrocesso do que havíamos ganho em 12 anos. A centralidade não será o Estado republicano que coloca a “coisa (res) pública” em primeiro plano, o estado dinamizador de mudanças que beneficiam as grandes maiorias a ponto de ter em 12 anos dimiudo a desigualdade social em 17%. O foco é o Estado menor para conceder maior espaço ao mercado, ao livre fluxo de capitais sem lei, reafirmando as teses neoliberais: o aumento do superavit primário, que se faz com corte dos gastos públicos, com arrocho salarial e desemprego para assim controlar a inflação e finalmente impondo a autonomia do Banco Central. Especialmente este último ponto é grave porque um presidente foi eleito também para gerenciar a economia (que é parte da política e não da estatística) e não entregá-la às pressões dos capitais, dos bancos e dos rentistas. Seria um atentado à soberania monetária do pais.

Este projeto velho, foi aplicado no Brasil pelo governo do PSDB, não deu certo, quebrou a economia da União Européia e lançou o mundo numa crise da qual ninguém sabe como sair. O efeito imediato será, como referimos, o arrocho salarial e o desemprego com o repasse de grandes lucros para os donos do capital financeiro e dos bancos.

Marina quer governar com os melhores da sociedade e dos partidos, por cima das alianças inevitáveis no nosso presidencialismo de coalização. As alianças se farão, provavlemente, com o PSDB e com o PMDB e terá assim que engulir José Sarney, Renan Calheiros e Fernando Collor que ela tanto abomina. Caso contrário, Marina corre o risco de não ver passar no parlamento, os projetos que propõe, por falta de base de sustentação.

Quem a escuta e lê seu programa parece que fez um passeio pelo Jardim do Eden: tudo é harmonioso, todos são cooperativos e não há conflitos por choques de interesses. Esquece que vivemos num tipo de sociedade de mercado (e não apenas com mercado) como a nossa que se caracteriza pela competição feroz e por parca cooperação. Estimo que Marina, religiosa como é, se inspire no sonho do paleo-cristianismo dos Atos dos Apóstolos onde se diz que “a multldão era um só coração e uma só alma;ninguém considerava sua a propriedade que possuía; tudo entre eles era comum”(At 4,32).

Estas opções mostram claramente que ela mudou de lado. Antes quando estava no PT do qual é uma das fundadoras falava-se na opção pelos pobres e por sua libertação. Construía no canteiro dos explorados e injustiçados. Agora ela constroi no canteiro dos seus opressores: os endinheirados, os bancos, o capital financeiro e especulativo. Leva a eles o tijolo, o cimento e a água. Seus assessores na economia são todo neoliberais. Os seringueiros do Acre e a família de Chico Mendes, este colocado entre as elites, numa formulação infeliz e até injuriosa feita por Marina. Eles são conscientes de que foram agentes dessas elites que o assassinaram; por isso, protestaram veementemente contra sua opção e reafirmaram a tradição do PT apoiando a candidata Dilma.

Minha suspeita é de que Marina persegue o poder e visa a alcançar a presidência, por um projeto pessoal, custe o que custar. Diz-se por ai, que uma profetiza de sua igreja evangélica, a Assembléia de Deus, profetizou que ela, Marina, seria presidenta. E ela crê cegamente nisso como crê no que, diariamente lê na Bíblica, passagens abertas ao acaso, como se aí se revelasse a vontade de Deus para aquele dia. São as patologias de um tipo de compreensão fundamenalista da Bíblia que substitui a inteligência humana e a busca coletiva dos melhores caminhos para o país.

Serei duro na crítica? Sou. E o sou para alertar os eleitores/as sobre a responsabilidade de eleger uma presidente com tais ideias. Já erramos duas vezes, com Jânio e com Collor. Não nos é mais permitido errar agora que a humanidade passa por uma grave crise global, social e ambiental e que reverbera em nosso país. Não devemos desistir do que deu certo e avançou e que deve ainda ser mais aprofundado e enriquecido com novas políticas públicas.

Beto Richa destroi o ensino básico do Paraná

Via Blog do Tarso

O Ministério da Educação divulgou hoje (05) o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2013 que mostra que o Paraná, que já esteve em primeiro lugar, agora é o nono colocado. O Índice reúne dois conceitos importantes para a qualidade da educação: fluxo escolar e médias de desempenho nas avaliações.

O Índice começou a ser calculado no mesmo período da gestão Requião 2003-2010. Em 2005, o Paraná estava em 6º lugar com pontuação 3,6. Dois anos depois, em 2007, o Estado tinha subido para segunda posição, com 4. Em 2009, o Paraná alcançou o 1º lugar, com pontuação 4,2. Até aqui, a prioridade do Governo do Estado era a educação.

O então governador Roberto Requião determinou que 30% do orçamento seria destinado para a educação. E uma revolução no ensino público começou. Livros didáticos eram feitos pelos professores e distribuídos de graça. As escolas começaram a ser reformadas, ganharam quadras cobertas e novos colégios foram construídos.

Os professores ganharam atenção especial: salários revistos e um programa de qualificação continuada, o PDE. Por dois anos poderiam ficar fora das salas de aula estudante e se atualizando. Também foram comprados 1.100 ônibus para o transporte escolar e retomados os Jogos Colegiais e criadas as Patrulhas Escolares.

Dentro das escolas tecnologia com as TVs multimídias e internet gratuita. Fora das escolas, incentivos como o festival Fera com Ciência. O ensino público foi valorizado. Os professores tinham boas condições de trabalho. Os funcionários da educação tinham orgulho de serem funcionários do governo do Paraná.

No entanto, em 2011 o Paraná começou a cair na colocação do Ideb. Neste ano, a pontuação registrada foi 4 e o Paraná ficou em terceiro lugar. E o índice divulgado hoje – 3,8 – derrubou o Paraná para a nona posição e comprova o que os professores e a APP-Sindicato comandada pela Professora Marlei têm dito em greves e protestos: a educação está abandonada.

Uma greve neste ano parou o ensino público por uma semana no Paraná, reuniu 30 mil educadores e teve a solidariedade de alunos e da sociedade. Escolas com problemas de infraestrutura, pagamentos atrasados, contratos temporários precários, problemas com a merenda escolar, retrocesso. “Vamos trocar de governo”, apelou o senador Roberto Requião pelo Twitter ao saber da nova colocação do Paraná no ranking.

A senadora Gleisi Hoffmann (PT) informou que o Paraná atingiu a nota de 3,4 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básico (Ideb) de 2013, caindo de 3º para 8º na posição do ranking do ensino médio. Em 2011, o estado havia alcançado nota 3,7 no Ideb. 2011.

Isso comprova que os alunos tiveram pior desempenho neste último período.

Gleisi Hoffmann, que é candidata na coligação Paraná Olhando Pra Frente, lamentou a notícia e alerta a falta de compromisso do governo com o ensino e relembra que o Paraná descumpriu o investimento mínimo em outras duas pastas, Saúde e Segurança.

“O resultado do Ideb mostra que a falta de compromisso do atual governo do estado não se restringe a Saúde e Segurança com o não investimento mínimo de 12%. Ou ainda as viaturas sem combustível, mas se espraia pela educação comprometendo o futuro dos nossos jovens e do nosso estado. Isso envergonha o Paraná” lamenta Gleisi.

Entre as nove unidades federativas que apresentaram crescimento, Goiás pulou do quinto lugar em 2011, com Ideb de 3,6, para o topo do ranking, em 2013, com 3,8. O Rio de Janeiro saltou da 15ª posição (com 3,2) para a quarta (com 3,6), empatado com Santa Catarina, Minas Gerais e Pernambuco. São Paulo se manteve na segunda posição, apesar da queda na nota, de 3,9 para 3,7. O Rio Grande do Sul pulou de 10º (com 3,4) para o terceiro, 3,7. O Paraná estava em 3º e agora caiu para 8º.

Os dados de Requião e Gleisi são um pouco diferentes, mas os dois apontam que Beto Richa destruiu o ensino básico do Paraná.