Por Rennan Martins | Brasília, 29/09/2014
Ontem (28) a noite, a Record exibiu o penúltimo debate entre os presidenciáveis. A proximidade ao dia 5 de outubro naturalmente acirrou os ânimos e ataques, e quem perde com isso é a própria política e a democracia. Ataques moralistas vazios só contribuem para a despolitização.
A presidente e candidata a reeleição pelo PT, Dilma Rousseff, demonstrou mais uma vez vasto conhecimento dos problemas pelos quais passa nosso país e se torna a cada dia mais propositiva com a corrupção, deixando claro que toma medidas práticas no sentido de combatê-la, para além do discurso de indignação que em nada contribui. Sofreu duros ataques dos outros candidatos.
Eduardo Jorge, do PV, caiu muito no rendimento. Se anteriormente ele assumiu o importantíssimo papel de nos lembrar sobre o serviço da dívida pública que imobiliza o Estado, ontem conseguiu servir de auxiliar aos conservadores quando comparou os médicos cubanos a escravos.
Luciana Genro (PSOL) permanece lembrando aos telespectadores e adversários verdades incômodas, questionando o falido tripé macroeconômico. Dá sinais de que crescerá com vigor nos próximos anos. Vacilou quando não deu combate as declarações homofóbicas de Levi Fidelix.
Aécio (PSDB) melhorou seu desempenho e se mostra mais coerente, demonstrou que sabe debater sem necessariamente atacar o PT. Assim continuando, a tendência é que observemos certo crescimento na preferência do eleitorado em detrimento de Marina Silva.
Marina, candidata pessebista, assiste sua aura do “novo” desfazer-se, afunda nas próprias contradições e não dá sinais de saber como superar o discurso demagógico que profere. Mentiu quando afirmou que manterá a atuação dos bancos públicos, já que não é isto que consta em seu programa nem nas propostas de seus assessores econômicos. Quando confrontada por Dilma sobre a CPMF, respondeu longamente sem nada dizer.
Everaldo (PSC) é incapaz de articular uma frase que não envolva os tópicos da violência, corrupção e o sofrimento do “cidadão de bem”, aliando a isso chavões batidos sobre livre iniciativa. O que intriga é que o partidário ferrenho da globalização não titubeia em privatizar a Petrobras, mas considera que o dinheiro destinado a criação do Banco dos BRICS deveria ficar no Brasil.
Everaldo e Levi Fidelix (PRTB) atuaram em bloco, tabelaram durante todo o debate, realizando ataques descabidos, carregados de preconceito e senso comum. Um verdadeiro “jogo de compadres”.
Mas tudo isso foi ofuscado pelas declarações absurdas de Fidelix. O candidato conseguiu, em menos de 3 horas, afirmar que os investimentos no BRICS podem financiar cocaína dos países andinos, que os “bolivarianos” pretendem nos invadir, e ultrapassou todos os limites quando equiparou homossexuais a pedófilos, dizendo que deviam se tratar “bem longe da gente”.
Conclui-se desse debate que o Brasil precisa superar a política do denuncismo, que é demagógica e em nada acrescenta. E que é urgente, imperativa, a criminalização da homofobia. Não podemos mais tolerar tanto ódio e violência gratuita.

