Arquivo mensais:agosto 2014

No Brasil, os pobres pagam mais impostos

Por Bárbara Nascimento

Mais da metade da arrecadação tributária do país é sustentada pelos brasileiros com menor renda. Um estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) mostra que 53,8% do montante que entra nos cofres públicos é bancado por contribuintes que ganham até três salários mínimos, ou R$ 2,2 mil.

A parcela de brasileiros nessa faixa de renda representa, conforme o IBPT, 79% da população total do país. As pessoas que possuem rendimento mensal entre três e cinco mínimos respondem por 12,5% da arrecadação, e as que recebem entre cinco e 10, por 16%.

“Isso acontece porque o nosso país tem um sistema tributário concentrado no consumo. E no consumo não existe diferenciação entre o pobre e o rico na hora de cobrar o imposto. Dessa forma, o impacto do tributo é maior para as pessoas com renda menor”, explicou o presidente do IBPT, João Eloi Olenike. Ele acrescenta que este não é o padrão dos principais países, que tributam o crescimento da renda. “Mas, como o Brasil é basicamente pobre, se for tributar só ganhos de renda, a arrecadação vai ser baixa. E o governo precisa de arrecadação alta para fechar as contas”, completou.

Gastos

O estudo considera para o cálculo a arrecadação de R$ 1 trilhão, montante médio pago pelos contribuintes entre janeiro e abril de 2014, segundo o “impostômetro” do IBPT. O país atingiu essa meta neste ano 15 dias antes do que em 2013.

Com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, o IBPT concluiu que, além dos gastos com habitação, responsáveis pela maior parte do total arrecadado, 42,43%, os com transportes (23,81%) e alimentação (14,73%) são os que mais enchem os cofres públicos.

A pesquisa do IBPT foi feita com base no Censo 2010 e na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Peso no bolso

Veja quanto os tributos pesam no orçamento dos trabalhadores, em porcentagem:

Remuneração/ População / Percentual sobre o Total de arrecadação

Até 3 salários mínimos: 79,0% da população, estes pagam 53,8 % de todos tributos no pais;

De 3 a 5 salários : 10% da população, estes pagam 12,7 % dos impostos;

De 5 a 10 salários: 7,6 da população, estes pagam 16,6 % dos impostos;

De 10 a 20 salários: 2,4% da população, estes pagam 9,6 % dos impostos

Mais de 20 salários mínimos: 1 % da população, controlam mais de 40% da renda naiconal, mas pagam somente 7,3 % dos impostos.

Fonte: IBPT

Bombas de Ódio

Por Marcelo Zero, via facebook

Virou tradição. Mal se acerca o período eleitoral e surgem as bolinhas de papel que se transmutam em tijolos autoritários, quando não em bombas terroristas.

Em 2010, a sutil aterrissagem de bolinha em insigne calva lustrosa transmutou-se em gravíssimo atentado político, com direito a tomografia e amplíssimo espaço na mídia. Faltou pouco para transformarem Rio de Janeiro em Sarajevo e José Serra no arquiduque Francisco Fernando (Franz Ferdinand). Felizmente, a bolinha não serviu de estopim para a Primeira Guerra Civil brasileira.

Em 2014, já temos várias bolinhas.

A de Pasadena quer transformar um bom negócio, que virou mau negócio com a crise, e que agora voltou a ser um bom negócio, num negócio escabroso. É uma bolinha com ares de grande importância, que tem até a sua própria CPI. Rende dividendos para quem quer botar a mão no Pré-Sal, mas atinge a Petrobras, maior empresa do país. A bolinha pouco se importa, pois não é papel dela defender o Brasil.

Temos também a bolinha da “troca de figurinhas” entre a Petrobras e a assessoria do PT no Senado. Essa é uma espécie de bolinha falsamente ingênua: finge desconhecer o que todo o mundo sabe. Que a situação e a oposição, numa CPI, trocam informações e combinam estratégias com seus depoentes.

É também uma bolinha muito mal informada. Um mês antes dela aparecer, o Painel da Folha publicou a informação de que o governo de São Paulo vinha treinando parlamentares para defendê-lo na CPI do “trensalão”. Todo o mundo achou banal. Mas depois a bolinha se escandalizou com a mesma banalidade, no caso da CPI da Petrobras, e gritou “fraude”. Fraude mesmo é essa bolinha muito seletiva.

Em tempos recentes, surgiu a bolinha da Wikipédia, uma bastante ridícula. E olha que o páreo é duro! Querem transformar a “rede de informática do Planalto”, uma rede acessada por milhares de computadores, tablets e smartphones, inclusive de muitos visitantes, em “Planalto” e “Dilma”. Querem transmutar um ato isolado em “política” contra a “liberdade de imprensa”.

Ora, seria necessário um grau extremo de parvoíce para se fazer uma política desse tipo com base em alguns perfis da Wikipédia, uma bagunça informativa, elaborada com fontes anônimas, que ninguém leva muito a sério. No caso em questão, as informações críticas, gotas num generoso oceano de elogios, passaram despercebidas por mais de um ano. Mas a bolinha, muito oportuna, decolou, deixando para trás e para o olvido mal explicados aeroportos.

Nos últimos dias, apareceu, no chorume digital em que se transformaram as redes sociais, a bolinha do atentado contra o candidato Eduardo Campos. Mal foi anunciada a trágica morte do candidato, e surgiram especulações ridículas e piadas de extremo mau gosto sobre o acidente. Uma lei que surgiu da CPI do Apagão Aéreo, em 2007, elaborada pela Aeronáutica com base na Convenção de Chicago sobre Aviação Civil, foi apresentada como evidência do atentado, por prever a proteção das fontes de informação ao longo da investigação de acidentes aéreos. Essa bolinha patética sequer se deu o trabalho de ler a lei sancionada em maio. Se tivesse, teria visto que o art.88-D da lei prevê que, em caso de indício de delito, os investigadores da Aeronáutica são obrigados de comunicar o fato à autoridade policial competente. Além disso, os relatórios da investigação, bastante detalhados, são públicos. Só um forte ódio e uma débil cabeça podem explicar especulações desse tipo.

Entretanto, se as bolinhas são, em si, pequenas e ridículas, o dano que elas causam é substancial. E não é apenas ao governo ou ao PT. O dano maior, imensurável, é o dano à democracia.

Pois elas distorcem a informação e contaminam o clima político do país. Elas são verdadeiras bombas de ódio.

Na falta de propostas, para além das prometidas “medidas impopulares”, só resta à oposição e a sua mídia atacar o governo e sua base com fantasmas morais, evocados por um neoudenismo tardio. Na ausência de agenda estratégica, apela-se para a agenda mesquinha e baixa das delegacias de polícia. Na falta de fatos a seu favor, cria-se o factoide contra o governo. Na falta de esperança, busca-se instilar o ódio contra o governo. Na ausência de grandes ideias, apela-se para a pequenez das banalidades. Na falta de informação veraz, equilibrada e ampla, lançam-se as bolinhas de papel.

Afinal, o importante é derrotar o “lulopetismo”, seja de que forma for, seja com que candidato(a) for.

Democracias precisam de imprensa atuante e crítica, mas também de imprensa responsável, que cumpra seu dever de bem informar a população. Veículos de informação que não informam e se dedicam a fabricar escândalos com fins eleitoreiros e a incitar o ódio não contribuem para a democracia. Contribuem para a crescente degradação do clima político do Brasil.

Por isso, hoje não há mais debates, há discussões acaloradas entre surdos. Não há mais adversários, há inimigos a serem destruídos. Não há mais tolerância, há um ódio espesso que se infiltra nas redes sociais e se espalha pelas ruas. Não há mais política, há uma guerra insensata que ameaça a governabilidade e o futuro do país. Nessa guerra, não há “terceira via” e “nova política”. A oposição, e seus candidatos, só têm um lado: o lado do antipetismo. A agenda básica é uma só: acabar com o PT e com o “bolivarianismo que tomou conta do Brasil”, como assinalou, de forma sincera e cândida, a nova tábua de salvação da direita brasileira.

No Brasil atual, precisaríamos que a informação fosse respeitada como direito fundamental, cujo proprietário é o cidadão, o qual também tem o direito relacionado de demandar que a informação oferecida pelos jornalistas seja verdadeira, no caso das notícias, e honesta, no caso das opiniões, sem interferências externas, tanto das autoridades públicas quanto do setor privado.

Em vez disso, temos uma espécie de lodo político que impede a circulação do oxigênio da democracia, a informação veraz, ameaçando sufocá-la. Com efeito, esse lodo político criado por veículos de comunicação que apostam no ódio e na desinformação ameaça engolir não apenas os suínos que nele chafurdam, mas a democracia brasileira e a todos nós.

E esse, meus caros, é um mal que dista muito de ser banal. Essas bolinhas são bombas que explodem todos os dias no coração da democracia do Brasil.

Veja essa: Para ficar no cargo, Serraglio decreta “luto oficial” no PMDB pela morte de Campos

Via Blog do Esmael Morais

Deputado Osmar Serraglio se agarra ao “cadáver” do presidenciável Eduardo Campos para se segurar na presidência do PMDB do Paraná; parlamentar decretou hoje “luto de três dias” com objetivo de manter fechada a sede da agremiação, em Curitiba, na tentativa de adiar reunião convocada amanhã (15), às 14 horas, para dissolver a executiva; tropa de Requião avisa que o encontro vai ocorrer de qualquer jeito, até na rua, pois já teria a maioria das assinaturas necessárias para fazer a troca do comando no partido; Serraglio e outros membros da executiva que ainda flertam com o tucano Beto Richa, mesmo depois de derrotados na convenção peemedebista.

O presidente do PMDB do Paraná, deputado Osmar Serraglio, na marca do pênalti, “decretou” hoje na sigla que dirige luto de três dias pela morte do presidenciável Eduardo Campos (PSB). O ex-governador pernambucano vai ser enterrado neste domingo (17) em Recife.

Na verdade, o luto de Serraglio não tem nada a ver com uma justa homenagem ao político socialista. Pelo contrário. Trata-se de um subterfúgio que o parlamentar encontrou para adiar a dissolução da executiva estadual peemedebista que ele comanda.

Segundo Sérgio Ricci, membro do diretório peemedebista, o ainda presidente “decretou” o luto para fechar a sede da agremiação e evitar a reunião do diretório estadual convocada para amanhã, às 14 horas, com finalidade de “gongá-lo” do cargo. Segundo ele, isso de nada adiantará porque o encontro será realizado na rua, em frente ao prédio da Rua Vicente Machado, no Centro de Curitiba.

“Quando Tancredo Neves e o velho Ulisses Guimarães morreram o partido não fechou as portas em sinal de luto. As ‘sinceras homenagens’ do Serraglio é mais uma prova de como ele ‘advogado’ pelos outros partidos, não pelo PMDB”, critica Ricci.

Requião quer dissolver a executiva porque esta ainda tem membros remanescentes que torcem pela reeleição do governador Beto Richa (PSDB). O próprio Serraglio sonhava com a vice do tucano.

O diretório do PMDB é composto por 71 membros. Para a autoconvocação do colegiado são necessárias 21 assinaturas. A tropa de choque do senador Roberto Requião, candidato do partido ao governo do estado, reuniu 40 apoios. Para dissolver a executivo é preciso 36 assinaturas, portanto, o grupo tem quatro a mais.

Adriano Benayon comenta entrevista do Benjamin Streinbruch

O presidente da Companhia Siderúrgica Nacional, Benjamin Streinbruch, prestou entrevista ao Estadão na qual alega que “Só louco investe no Brasil”. A Associação Desenvolvimentista Brasileira, por meio de seu integrante e colaborador Adriano Benayon, doutor em economia e diplomata aposentado, abre espaço para resposta a suas colocações.

Por Adriano Benayon

Steinbruch foi um dos maiores beneficiários das corruptíssimas privatizações levadas a cabo pelo famigerado FHC.

Os tucanos, que têm o desplante de posar de moralistas, e viver de apontar corrupções (muitas verdadeiras, outras não) dos petistas, praticaram a mega-corrupção numa escala jamais vista.

A incrível doação-privatização, como define Hélio Fernandes, da CSN envolveu até o fato de o filho de FHC ser funcionário de Steinbruch. Parece, ademais, evidente que a contrapartida para esse presentão não poderia ser apenas essa.

Dito isso, reconheço que tem procedência a maior parte das afirmações críticas que faz o atual grande empresário, ex-dono de uma parte de uma indústria têxtil (Vicunha) que estava em dificuldades.

Essas afirmações são mesmo óbvias, pois com as atuais taxas de juros e de câmbio, as indústrias brasileiras, além de já não serem muito competitivas e sofreram da infra-estrutura desnecessariamente cara e pouco eficiente (transportes e energia), fica difícil competir no exterior. No mercado interno, é também óbvio que estão em grande desvantagem em relação às transnacionais.

Com o modelo “brasileiro” de dependência financeira e tecnológica, instituído crescentemente, desde 1954, o País se desestrutura, todos gritam e ninguém tem razão.

Equador “não pedirá permissão” a ninguém para fazer negócios com a Rússia

Via RT

O presidente do Equador, Rafael Correa, assegurou que “não pedirá permissão” a ninguém para vender alimentos a “países amigos”, se referindo ao esforço que a União Europeia vem fazendo no sentido de impedir que países latino-americanos se aproveitem do embargo russo a produtos europeus.

Interpelado numa coletiva de imprensa sobre o eventual mal-estar que poderia gerar a postura do Equador frente a União Europeia, Correa disse não estar ciente de queixas das instituições europeias sobre o tema, pontuando que, caso ocorram, receberam a resposta oportuna. “Até onde sei a América Latina não é parte, ao menos até hoje, da União Europeia”, assinalou.

Essa semana a Financial Times publicou, citando alguém do alto escalão da União Europeia, que a possibilidade da América Latina tomar o lugar da União Europeia no mercado de alimentos da Rússia causa preocupação a Bruxelas, que planeja manter negociações políticas para dissuadir a algum dos países latino-americanos de aumentar suas exportações a Rússia.

O ministro equatoriano do Comércio Exterior, Francisco Rivadeneira, considera que seu país tem uma grande oportunidade de aumentar suas exportações para a Rússia depois que Moscou tomou a “decisão de comprar da América Latina”. Nesse sentido, o funcionário adiantou que quito pode oferecer a Moscou hortaliças, frutas e produtos marinhos, e que a lista específica das possíveis propostas se encontra em estudo.

A Rússia proibiu por um ano a importação de carnes de boi, porco e aves, verduras, hortaliças, frutas, pescado, queijos, leite e produtos lácteos provenientes dos EUA, da União Europeia, Austrália, Canadá e Noruega, em resposta as sanções que estes países lhe impuseram.

Tradução: Rennan Martins

Datafolha: Beto Richa cai e está empatado com Requião

Via Blog do Tarso

O instituto de pesquisas Datafolha, contratado pela RPC/Globo e Folha de S. Paulo, acabou de divulgar pesquisa para a disputa ao governo do Estado do Paraná.

Há empate técnico!

O governador Beto Richa (PSDB), que tenta a reeleição, está com 39% (pode estar com 36% pela margem de erro), o senador e ex-governador Roberto Requião (PMDB) tem 33% (pode estar com 36% na margem de erro), a senadora e ex-Ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT), tem 11% (pode estar com 14% na margem de erro), Bernardo Pilotto (PSOL) e Ogier Buchi (PRP) 1% cada um, e os candidatos Geonisio Marinho (PRTB), Rodrigo Tomazini (PSTU) e Tulio Bandeira (PTC) não chegam a 1%. Brancos e nulos 5% e não sabe ou não respondeu 10%.

Na rejeição os dois também estão empatados: Requião tem 27% (pode estar com apenas 24% pela margem de erro) e Beto tem 23% (pode estar com 26% pela margem de erro).

A tendência é de Beto Richa perder as eleições, pois os votos de Gleisi iriam todos para Requião no segundo turno.

Pesquisa realizada entre os dias 12 e 14 de agosto, com 1.226 eleitores em 46 municípios do Paraná, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança de 95%. Registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) sob o número 00014/2014 e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00358/2014.

Na última pesquisa publicada, em dezembro de 2013, o Instituto Paraná Pesquisas/Gazeta do Povo apontava o governador Beto Richa (PSDB) com 42%, a senadora Gleisi Hoffmann (PT) 23% e o senador Roberto Requião (PMDB) 19%, com margem de erro de 2,5 pontos porcentuais. Requião tinha 28% de rejeição, Richa 14% e Gleisi 11%. No 2º turno: Richa 54% X Gleisi 32%, Richa 57% X Requião 28%. Espontânea: Richa 15%, Requião 5%, Gleisi 3%.

Em outubro/2013 o Instituto Paraná Pesquisas apontava Richa com 43,8%, Gleisi 23,2% e Requião 20,7%. A Paraná Pesquisas entrevistou 2.512 eleitores entre 30 de setembro e 6 de outubro, em 90 municípios do Paraná, com margem de erro de 2%.

Em agosto/2013 o mesmo Instituto apontava Beto com 39%, Gleisi 24% e Requião 21%. Pesquisa realizada nos dias 10 a 14 de agosto, em 72 municípios do Paraná, com 1.503 eleitores, e margem de erro de 2,5 pontos porcentuais.

O Brasil precisa apostar na indústria

Por Antônio Corrêa de Lacerda, via Carta Capital

É preciso criar um ambiente favorável para o setor industrial competir com os produtos importados e voltar a crescer

Em um momento de intenso debate a respeito dos desafios e alternativas que se apresentam para a economia brasileira, a Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) acaba de lançar o Manifesto Cresce Brasil 2014 – Novos desafios (confira a íntegra ao lado). O objetivo da iniciativa é contribuir para o debate dos grandes temas nacionais, especialmente focados na questão da infraestrutura e da indústria para o desenvolvimento, a partir de contribuições de colaboradores que apresentaram suas propostas para debate e validação no âmbito da entidade. Coube-me discutir a questão do crescimento econômico e o papel da industrialização.

A perda de dinamismo do crescimento econômico brasileiro reforça a necessidade premente do aumento dos investimentos e ampliação do valor agregado local. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi de apenas 2% ao ano, na média de 2011 a 2013, a metade do observado no período 2003-2010, cuja média anual foi de 4%. Em 2014, o crescimento dificilmente superará 1%.

Recuperar a capacidade de investir é um pré-requisito para um crescimento mais robusto e continuado. Os investimentos são cruciais para ampliar a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que leva em conta as inversões em construção civil, incluindo infraestrutura e máquinas e equipamentos, que respondem por 52% do total. Em 2013, apesar de ter apresentado um crescimento de 6,3% comparativamente a 2012, a FBCF está estacionada em cerca de 18% em proporção do PIB, nível considerado insuficiente para suportar o crescimento da atividade sem gerar pressões inflacionárias e aumento da vulnerabilidade externa. Em 2014 estamos tendo nova reversão, o que poderá fazer com que o nível absoluto retorne a 2012.

No que se refere ao setor industrial brasileiro, a longa estagnação é preocupante. O nível da produção industrial atual (dados de dezembro de 2013) é semelhante ao observado há mais de cinco anos, em setembro de 2008, antes dos efeitos da crise norte-americana. Desde então, ocorreu uma lenta recuperação em 2009 e 2010, porém logo seguida de estagnação, nos anos seguintes. Tomando-se um período um pouco mais longo, tendo como base a média de 2004, a produção física da indústria, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) cresceu apenas 18% no acumulado. Em contrapartida, o consumo, medido pelas vendas reais do comércio ampliado (que inclui construção civil e automóveis), cresceu no mesmo período, 97%.

Isso significa que o salto no consumo, muitas vezes derivado de políticas de incentivo governamental, como desoneração tributária, redução de juros, ampliação do crédito, dentre outras, não foi aproveitado para a expansão industrial. Não que a indústria brasileira não dispusesse de capacidade produtiva. Pelo contrário. Ao longo do período citado, a ociosidade média industrial girou em torno de 20%, de acordo com os dados levantados pelo Nível de Utilização da Capacidade Industrial (NUCI) da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O problema, portanto, não é de capacidade produtiva, mas, de competitividade. Como as condições sistêmicas – aquelas que independem das empresas – são desfavoráveis comparativamente aos concorrentes internacionais, fator agravado com o longo processo de valorização do real, abre-se um enorme espaço para o crescimento das importações, que acabam ocupando o lugar da atividade doméstica.

Os dados da balança comercial brasileira denotam a ampliação do déficit do segmento de manufaturados, que atingiu 104,3 bilhões de dólares em 2013. Trata-se de uma crescente ampliação da dependência de importados e uma perda de capacidade de exportação. Basicamente, nossa geração de superávit comercial está cada vez mais restrita aos produtos básicos (o complexo agromineral) e aos semimanufaturados, como mostra o gráfico abaixo, com o saldo da balança comercial do Brasil, por setores (A diferença entre o total e o somatório dos básicos, semimanufaturados e manufaturados refere-se a Operações Especiais).

Tomando-se o setor de bens de capital, de enorme importância para a geração de valor agregado, a participação dos importados no consumo brasileiro de máquinas e equipamentos cresceu de 52% em 2007, para 66% em 2013. A indústria brasileira de bens de capital mecânicos vem perdendo espaço para os fabricantes de outros países, em especial dos chineses, cuja participação mais que dobrou (de 8,2% para 16,6%) no mesmo período e que ocupa o segundo lugar no rol dos países de origem, somente sendo superados pelos Estados Unidos. Vale ainda destacar que computadas as importações por peso, a China atinge o primeiro lugar, denotando clara distorção de preços praticados. É algo que tem de ser objeto de práticas de defesa comercial, pois há fortes indicadores de práticas desleais de comércio. O déficit comercial setorial atingiu 20,1 bilhões de dólares, com crescimento de 18% em relação ao ano anterior, só sendo superado pelo resultado negativo observado nos setores de eletroeletrônicos e de químicos e fármacos.

O aumento da participação dos importados no setor de bens de capital mecânicos, no entanto, não decorre de falta de capacidade física de produção. O nível de ocupação médio do setor é da ordem de 75%, o que denota uma ociosidade de 25% nas fábricas. O problema é de competitividade. Dadas as condições sistêmicas de produção local, especialmente tributação, carência de financiamento, condições de logística e de infraestrutura, dentre outros fatores relevantes, os produtores locais não conseguem concorrer em igualdade de condições com os seus concorrentes de outros países. Além disso, a situação adversa também afeta a capacidade de exportação do setor. Em 2013 as vendas para o exterior do setor apresentaram uma queda de 7%. Embora a desvalorização do real tenha apresentado um melhora relativa da competitividade dos produtores brasileiros, o nível atual do câmbio ainda se encontra aquém do necessário para compensar os demais efeitos adversos citados anteriormente.

Uma das principais consequências do processo de desindustrialização em curso é a perda de dinamismo do emprego industrial. Em 2012, por exemplo, de cada 100 empregos criados no Brasil apenas 3 foram gerados na indústria. A participação do setor no estoque total de empregos caiu de 18,8% em 2007 para 17,2% em 2012.

Trata-se de uma das consequências da desindustrialização precoce em curso no País. Precoce porque, ao contrário do observado em países desenvolvidos, como Alemanha, a queda da participação da indústria de transformação no PIB e na geração de empregos decorre do aumento da produtividade, da evolução tecnológica e do incremento do setor de serviços. A participação da indústria de transformação no PIB brasileiro, que já foi superior a 30% há duas décadas, representa hoje 14%, contra 15% na Índia, 28% na Coréia do Sul e 34% na China.

A desindustrialização “made in Brazil” decorre não de um movimento virtuoso de transformação qualitativa da indústria para áreas mais sofisticadas, mas de um processo de desmobilização de elos da cadeia produtiva local, substituída por importações crescentes. É um mito que a indústria brasileira seja muito protegida. Excluídas as exceções de alguns poucos segmentos, a alíquota efetiva de importação é das mais baixas dos países do G-20. Tanto é que o déficit da balança comercial de produtos manufaturados praticamente triplicou nos últimos cinco anos, como já abordado.

Estabelecer e implementar uma estratégia para o desenvolvimento da indústria brasileira é crucial para garantir a sustentabilidade do crescimento econômico e das contas externas. É preciso criar um ambiente favorável à produção e geração de valor agregado local e isso não será atingido com medidas pontuais e com data marcada para terminar, como é o caso da maioria dos incentivos adotados.

*- Antonio Corrêa de Lacerda, economista e consultor, é doutor pelo Instituto de Economia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e professor-doutor da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de S. Paulo)