Arquivo mensais:agosto 2014

Marina e sua perigosa mística

Marina já prometeu “independência do Banco Central” a sua companheira Neca Setúbal, acionista do Itaú. Isso equivale entregar o BC aos banqueiros.

Por Thiago Mitidieri

Estou percebendo um fenômeno, principalmente, entre as pessoas mais humildes, mais pobres, que afirmam que vão votar na Marina estabelecendo um nexo entre a decisão sobre o voto e a morte do Eduardo Campos. Pode parecer surreal mas já ouvi 1 dúzia de pessoas com esse perfil falando isso.

Hoje vi nas pesquisas que a Marina vai ganhar. Não estou conseguindo acreditar nisso.

O povo brasileiro é muito emotivo. Nossa mentalidade e nossos hábitos, nossa cultura, estão impregnados e são influenciados por instituições arcaicas como o catolicismo, e outras doutrinas que pregam a existência do além. Estamos cheios dessas peças mentais que representam o atraso, o retrocesso, a verdadeira herança maldita que remonta a tempos medievais.

Acho que a morte do Eduardo Campos está mexendo com o sentimento do povo e a Marina está colhendo esses louros.

O discurso dela agrada à classe que corresponde a 1% superior da população, estão defendendo a independência do banco central. Ou seja, é entregar a chave do galinheiro para as raposas da febraban, que aí, oficialmente, vão comandar a economia brasileira a favor da sua ideologia colonial.

Neca Setúbal. Neca? Do salgueiro? Ela é aristocrata, banqueira, ou seja, é uma raposa, uma predadora, em pele de socióloga progressista.

Se essa figura for eleita, está parecendo que vamos retroceder. Com todos os problemas, as merdas, cagadas que o PT fez, mesmo sendo um traidor da esquerda, será menos pior para o nosso futuro e para as futuras gerações que vão herdar um pais neocolonial.

Não foi por outra razão que o velho Prestes deu às mãos ao Getúlio.

“Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se… Não querem que o povo seja independente… Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo… Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.”

Nosso povo não está vendo que guiado por sentimentos “místicos” vai entregar o país a uma turma que defende a independência do banco central e externamente está articulado com interesses que querem se apropriar da Amazônia brasileira.

Mal ou bem, o ponto positivo do governo petista é alguma melhoria do ponto de vista social, com alguma ascensão social, etc. Logo, se as pessoas que foram beneficiadas estão raciocinando misticamente santificando Eduardo Campos. Então, votar na Marina equivale a louvar o novo santo.

Além do que, como até agora não foi explicada as causas do acidente, associado ao fato de que uma série de fatos estranhos estão cercando esse acidente, as pessoas estão pensando da seguinte forma: se “mataram” o Eduardo Campos é porque ele devia possuir algum dom especial… e a Marina está capitalizando isso.

E o PSB está gerando um Alien em si mesmo para entregar ao país, como um cavalo de Tróia, um presente de grego. Se o PSB realmente estivesse ao lado do progresso do país abortaria imediatamente essa aventura em que está se metendo ao apoiar a Marina Setúbal.

Não está fazendo sentido a Marina ganhar da Dilma senão por alguma bizarrice. E essa virada do jogo está associada a morte do Eduardo Campos, que está gerando uma reação, logo nas pessoas menos esclarecidas, que estão vulneráveis a fenômenos como o do Padre Cícero.

Estou vendo a coisa ficar feia. Alguma coisa precisa ser feita para esclarecer o povo.

Se com o PT andamos a passos de tartaruga e em muitos casos parece que damos um passo pra frente e dois para trás, como no caso do leilão de Libra, com a Marina vamos dar mais passos para trás. Não podemos interromper o processo de resgate de nossa dívida social. Ainda mais por um fator que pela emoção está tocando o coração do povo brasileiro, em especial, nossos irmãos humildes do Norte e Nordeste do Brasil.

Ou então, as pesquisas estão dando Marina para irmos nos acostumando com o resultado que já foi decidido nas estrelas.

Réplica ao artigo “O oportunismo do PSB e o futuro do Brasil”

Por Rômulo Neves

Assim que Marina Silva foi confirmada como candidata da coligação Unidos pelo Brasil à Presidência da República, no lugar de Eduardo Campos, começaram os ataques dos apoiadores do Governo. Como se, de uma hora para outra, Marina representasse todo o mal existente na arena política. O movimento, obviamente, tem uma conotação eleitoral, já que, por obra do acaso, a candidata à reeleição, que estava confortável nas pesquisas, passou a correr sério risco de perder a disputa.

O debate, porém, tem de ser retomado em outros termos, menos carregados de tinta e com mais clareza e franqueza. Nesse sentido, vale a pena recuperar os termos dos ataques, para verificar se é possível estabelecer algum diálogo, ou se trata-se apenas de diálogo de surdos.

1 – O PSB seria um partido oportunista, que teria traído um projeto de esquerda. Isso não se sustenta, já que não há, atualmente, no Brasil, um projeto puramente de esquerda sendo implementado. Mas não precisamos acusar o Governo de ser neoliberal para oferecer uma leitura alternativa. Basta-nos compreender que há limitações de ordens variadas, para a implementação de políticas progressistas. E essas limitações valem para o PT, para o PSB, para o PSOL, ou para qualquer agente que queira promover mudanças que contrariem interesses estabelecidos de agentes poderosos. Nem é preciso usar os mesmos argumentos dos críticos, apontado as alianças do PT para exercer o Governo, porque todos aqueles que compreendem o sistema politico brasileiro sabem que, até este momento, e provavelmente no futuro próximo, foi muito difícil governor sem o apoio de parcela das forças políticas do centro e, eventualmente, do centro-direita. Ideologicamente, diria que mais de dois terços da sociedade brasileira se distribui do centro da centro-esquerda, ao centro da centro-direita, sendo impensável, felizmente, qualquer alteração política profunda para for a desse parâmetro. Desse modo, compreendemos os movimentos de composição do PT, mas parece que os apoiadores do Governo não compreendem o mesmo movimento do PSB. E, exatamente por essa complexidade, é preciso ter muito mais habilidade política do que apresenta o atual Governo. Quando o PT publicou a Carta ao Povo Brasileiro, quando convidou o banqueiro Henrique Meirelles para ser Presidente do BC, quando convidou o empresário José de Alencar para ser Vice-presidente, não significou que o PT tenha “entregado o Brasil para o Império”. Significou apenas que quem exercia a liderança do partido naquele momento compreendeu e trabalhou com as próprias brechas do sistema colocado para realizar pequenos avanços. A atual presidente não tem condições de fazer isso, porque não tem habilidade política para tanto. Quem trabalha ou trabalhou com ela sabe. Outro elemento comumente apontado é o de que Marina estaria mais à direita de Dilma e que seria queridinha do mercado financeiro e de potências imperiais, o que significaria, consequentemente, que seu Governo seria, necessariamente, um Governo “entreguista”. Quem conhece política deveria saber que i) Marina tem um histórico tão combative quanto o de Dilma e que ii) conseguir o apoio de elementos do establishment é necessário para levar mudanças, ainda que pequenas, à frente. Lula foi queridinho de Bush e de grandes investidores e empresários. Isso não é defeito. Pelo contrário, é uma vantagem política. Se considerarmos o PSB a própria direita, teremos de considerar também como a própria direita o Governo do PT – a avaliação tem de ser a partir das ações e não do discurso. Veja que o Governo de Dilma é diferente da militância histórica do PT, de suas bases históricas, de seus segmentos organizados. As decisões do Governo de Dilma não são geradas a partir dessas bases partidárias. Então, não é válido apelar para essa estrutura, que, hoje, é quase uma alegoria legitimadora, para defender o atual Governo.

2 – Sabemos bem que a crítica pura da gestão não é suficiente para condenar um Governo. Mas a capacidade de comunicação e a habilidade política podem ser cruciais em alguns casos, especialmente quando as decisões e os debates são complexos e apertados, quando estão em jogo reformas profundas e o estabelecimento de instituições – como é o caso das decisões políticas atualmente no Brasil. Não estamos na Suíça, onde as decisões atuais são meramente operacionais. Nesse ambiente complexo, que é o brasileiro, é necessário muita habilidade, poder de atração e capacidade de diálogo. Lula tinha tudo isso. Dilma não tem, comprovadamente. Não sabemos se Marina estaria no mesmo nível de Lula – dificilmete -, mas é improvável que ela seja pior do que Dilma nesse quesito. O Governo foi péssimo na comunicação, na articulação, no diálogo, no estabelecimento de pontes, na delegação de tarefas, portanto na gestão, aspecto tão valorizado por Dilma. Mesmo que possamos identificar posicionamentos positivos, a implementação foi atabalhoada ou incompleta, por incapacidade de diálogo, por centralização demasiada, por descompasso entre o que se fala e o que se faz e se escreve. Isso gerou uma quantidade imensa de ministros fantoches, cujo maior mérito é o cargo em si, já que não há nem diálogo com o Planalto, nem direcionamento sobre a política a ser adotada. Nas relações com o Congresso isso se traduz em disputas ríspidas, com vitórias de pirro e, posteriormente, necessidade de cessões tão ou mais profundas do que seria necessário caso fosse adotada, desde o início, a estratégia do diálogo e da composição. Mas Dilma não tem essa capacidade. Ela não tem esse perfil, infelizmente. Nesse sentido, a falta de capacidade de gestão, que seria um problema secundário em uma máquina já azeitada, é potencializado, porque as engrenagens ainda estão passando por ajustes. O Estado brasileiro ainda está em formação. Marina agrega, atrai, respeita, ouve. Isso não é garantia de um bom governo, mas, sem dúvida, é condição para tal. Essa situação não existe atualmente.

3 – Os militantes do PSB que optaram por abraçar a candidatura de Marina Silva não teriam nenhuma consciência da realidade nacional. Ou seja, esses militantes seriam vendidos ou idiotas. Fora a ofensa pessoal, tal argumento é o típico argumento que gerou, ao longo dos ultimo vinte anos, a polarização política que ora tentamos romper. Enquanto o PT se arvorava como o detentor exclusivo da pureza e da honestidade, o PSDB se arvorava o guardião da inteligência. Novamente, não será necessário responder no mesmo tom, bastando explicar que, assim como aqueles que optaram or Dilma, trata-se de uma opção a partir de uma avaliação sobre o “menos pior”, tanto porque não existe uma situação ou candidato ideal, como existe, dentro da coligação diferenças e disputas de posição ainda em aberto e que não serão definidas mesmo depois das eleições, sendo objeto de debate franco. Não importa que a minha posição hoje seja minoritária, porque ainda há espaço para o diálogo interno. Diria que, hoje, a conjuntura oferece a possibilidade de até termos mais espaço do que há um mês. Nos casos específicos do discurso excessivamente focado na inflação, que chega ao ponto de citar uma eventual autonomia do Banco Central, quero lembrar que a posição inicial da Marina era contrária a esse debate. Mesmo o assessor econômico mais próximo da Marina admite que esse debate não está maduro. De todo modo, reconhecer que isso seria uma diminuição da capacidade responsiva do Governo, especialmente em momentos de crise econômica – cíclicas no sistema produtivo que estamos inseridos – não me impede de apoiar criticamente a alternativa eleitoral que se apresenta, basicamente por dois motivos: i) pesando os prós e os contras, o balanço é positivo; e ii) há esperança de que esse debate seja retomado posteriormente, com o apoio de forças que venham a se somar no Governo. Os apoiadores de Dilma e críticos do PSB podem ter certeza de que Luíza Erundina, Roberto Amaral e tantos outros militantes do PSB têm o mesmo nível de consciência da realidade nacional do que eles. Apenas fazem uma avaliação diferente do que venha a ser o “menos pior”, de qual situação oferece mais chances para o diálogo, para o debate, para levar grandes discussões à frente. Superar a dicotomia burra em que se enfiou o Brasil nos últimos anos significa também superar essas simplificações e maniqueísmos do tipo: “se não pensa igual a mim, é um idiota”.

4 – Nesse sentido, a crítica de que o PSB estaria gerando grandes expectativas na classe trabalhadora e, ao final das contas, iria decepcioná-las é vazia. Quando combinamos essa avaliação com aquela de que o PSB já adotou um discurso completamente de direira, vemos que, a partir de uma análise lógica, ambas se anulam. Ou bem o PSB estaria enganando a classe trabalhadora, ou bem já estaria vendido e assumindo o discurso da direita. É logicamente impossível fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Mas não se trata nem de uma coisa, nem de outra. O PSB está escancarando as complexidades do processo decisório. Aqueles militantes que abraçaram a candidatura de Marina Silva acreditam que é possível produzir um diálogo a partir de posicionamentos iniciais diferentes, a partir de um debate franco, mesmo que seja complexo. O que não é possível é achar que essas complexidades estão resolvidas dentro do Governo. Pois os críticos da coligação Unidos pelo Brasil fazem supor que sim, que dentro do Governo essas desavenças e dificuldades não existem. As remessas recordes de lucros, a continuidade da dilapidação do patrimônio da Nação pelo pagamento do serviço da dívida engordado diuturnamente pelos altos juros, por novos empréstimos, pela emissão de swaps cambiais para segurar o dólar (para segurar a inflação até a realização das eleições), que contribuem para a diminuição da competitividade da indústria nacional – tudo isso o Governo pode fazer. Nesse caso, seriam apenas lapsos, plenamente perdoáveis. Mas, o que defendo neste texto é que não é necessário fingir que existe polarização. Infelizmente não existe, estamos optando por uma alternativa que, cremos, conseguirá um avanço ligeiramente maior do que o atual, que conseguirá, a partir da retomada do diálogo, uma unidade nacional um pouco mais ampla. Os críticos do PSB defendem o atual Governo como se este caminhasse na direção de grandes reformas. Sabemos que, no máximo, limita-se a gerenciar o possível. Sabemos que se trata de um objetivo limitado – ainda que legítimo. Mas mesmo sendo um objetivo limitado, é mal feito. Ainda no quesito lógica, é engraçado ver que as críticas se perdem em seu próprio novelo. Dou dois exemplos: em um momento, os planos de governo não tem valor algum, são meras peças decorativas e não devem ser levadas em consideração, em outro, a alternativa Marina Silva é achincalhada a partir de indicativos de seu plano de governo, ou, nesse caso, da coordenadora-adjunta do plano de governo. O plano de governo, a equipe que o produz, os debates em torno dele valem ou não valem? Precisamos definer isso, para verificar se a crítica é válida. Outro paradoxo lógico é aquele que aponta que o BC já é um instrumento dos mercados, a serviço dos grandes bancos. Nesse caso, dar autonomia jurídica ao BC não muda nada, então qual seria o ganho em gastar energia salvando uma instituição que já é mero lacaio dos barões globais das finanças? A questão é que não é assim. O BC é um instrumento importante para a atuação governamental, já que, para defender a estabilidade da economia e seu crescimeno, é preciso ter controle da política monetária em combinação com as outras políticas econômicas fundamentais. Claro que os críticos sabem disso, mas, na hora da crítica, vale tudo. No meu entendimento, a credibilidade dos críticos começa a morrer aí.

5 – Segundo alguns, o governo Marina significará perdas sociais, porque todas as decisões serão tomadas em detrimento dos trabalhadores. Aqui, precisamos ser bem honestos: qualquer que seja o Governo eleito, haverá, em 2015, uma turbulência que afetará os trabalhadores. Não existe mágica. A ver: i) o câmbio está valorizado, o que prejudica as exportações, a competitividade e, consequentemente, o saldo da balança; ii) os preços administrados estão represados, para segurar a inflação; iii) a política de crescimento via aumento do consumo interno está muito perto de atingir seu limite; iv) segue em curso um processo de desindustrialização; v) a inflação já está no teto da meta, mesmo com uma taxa de juros relativamente alta. Esses elementos geram uma situação que exigirá, de qualquer Governo, uma reordenação dos fatores a curto prazo. Os recursos do pré-sal ainda não estarão disponíveis nesse momento para salvar o Governo, seja ele qual for. Então, não é apenas o André Lara Resende ou o Eduardo Gianetti da Fonseca que promoverão alterações no quadro atual que afetarão os trabalhadores. Poderia ser o Papa, para usar uma expressão popular – que haverá turbulências. Mas, segundo os críticos do PSB, o Governo faria mágica e conseguiria – sem os recursos adicionais do pré-sal, de uma só vez, i) manter o atual nível de empregos; ii) baixar a inflação; iii) aumentar o investimento; iv) frear o processo de desindustrialização; v) aumentar a competitividade, provavelmente por meio de vi) desvalorização cambial; vii) manter o atual nível dos preços administrados; viii) diminuir o estoque da dívida; ix) aumentar os investimetos sociais; e x) aumentar o salário mínimo acima da inflação. Isso não existe. Mas é mais fácil apontar o dedo para mostrar que o outro terá problemas, do que dizer como resolverá os seus, em caso de eventual reeleição. A formula atual, cujo único mérito é a manutenção do nível do emprego, não se sustenta e, mesmo assim, ela não é boa, já que o crescimento foi baixo, a balança comercial está deficitária, o investimento está baixo, os juros estão altos, a inflação – sem nenhuma supervalorização desse quesito – no teto da meta, mesmo com os preços represados; e o endividamento não está diminuendo como nos mandatos anteriores. Nem mesmo quando consideramos o emprego como prioridade única (ainda que eu concorde que tenha de ser a prioridade número 1 – sem escamotear que a manutenção do nível de emprego depende, no médio e longo prazo, de incremento da inovação, desenvolvimento de tecnologia, aumento dos mercados e aumento da produtividade), é possível afirmar que o modelo atual consegue cumprir seu objetivo já em 2015, já que as estatísticas de criação de novos empregos já estão caindo. Em suma, é ofensivo à inteligência dos debatedores, fazer supor que o Governo tem uma formula mágica. Não tem. Deveríamos estar discutindo, caso a crítica fosse no sentido de encontrar soluções para o país, quais seriam as medidas prioritárias a serem adotadas pelo Governo, pelo menos para manter positivos os resultados de suas prioridades anunciadas (vale mencionar que elas não são anunciadas claramente, porque o Governo é opaco e centralizador). Aqui uma rápida provocação: os militantes do PSB e dos partidos da coligação desta lista são, de certa forma, ridicularizados por não fazerem parte do “core” decisório do partido. Pois bem, tampouco os críticos, com vasta experiência e renome, participantes deste debate, o são no atual Governo. Dito isso, aponto a contradição da crítica: do PSB é cobrado uma receita bastante clara e milagrosa, já o Governo, novamente, é perdoado, porque se trata apenas de um lapso, de um problema menor, de um detalhe, o fato de não haver uma indicação clara de como as contradições apontadas acima seriam resolvidas.

6 – Não vale a pena entrar no mérito, mas vale a pena registrar o desconforto com as insinuações de que a morte do Eduardo teria sido encomendada pela Marina. Sempre em tom despretencioso, na terceira pessoa. Trata-se de irresponsabilidade idêntica a de insinuar que a morte do ex-Governador de Pernambuco teria sido obra do Governo. É repugnante. Desconforto menor, mas sempre presente, são as insinuações de que todos os que acreditam na opção de um Governo da Marina são lacaios do Império. Como se as conquistas de Lula no cenário internacional, por exemplo, não tivessem sido precedidas de longo trabalho – décadas, desde os tempos de sua atuação com líder sindical – de sedução de lideranças internacionais estabelecidas. Nesse caso, sou eu quem digo: ou se trata de desconhecimento ou má-fé, ou melhor, nesse caso, pouco comprometimento com um debate correto. Preferem dizer que se trata de forças políticas a serviço da elite empresarial e financeira, sem compromisso com a Nação. Na verdade, Marina seria funcionária de Soros. É como se disséssemos que Lula era capacho do Bank of Boston e marionete do George Bush.

7 – Por fim, é interessante notar que os críticos do PSB enxergam em tudo e em todos meros vendidos ao sistema internacional. François Hollande seria, por essa leitura, um peão das outras grandes potências. Todos os empresários, seja nos países desenvolvidos ou nos países em desenvolvimento, enxergariam em seus Governos uma barreira para sua atuação dos mercados. Aqui, atrevo-me a dizer que se trata de um pouco de desconhecimento mesmo. As potências, não apenas EUA, mas França, Alemanha e China, trabalham a partir de seus interesses nacionais e isso envolve a atuação conjunta de seus empresários, seus exércitos, seus diplomatas, seu governo enfim. É extremamente ingênuo achar que o mundo está dividido apenas em empresários e trabalhadores. O sentido da nacionalidade está impregnado na atuação desses países – governo e capital. Eles se articulam, obviamente, com outros elementos de identidade e vinculação social – um grande empresário francês, por exemplo, reconhece na pessoa de um grande empresário americano ou brasileiro elementos que os identificam -, mas no momento de definir suas políticas, é ao seu Governo que ele recorre. Não se pode negligenciar o valor do nacionalismo para a leitura da realidade internacional. Dividir o mundo apenas em empresários e trabalhadores, em elite e sindicatos é um erro de análise. Dividir o mundo apenas em centro e periferia, também. As duas cisões operam simultânea e concorrentemente. Isso nos leva a duas conclusões, importantes, do meu ponto de vista, para avaliar a Marina como mais promissora do que um segundo Governo Dilma: i) existem brechas no sistema internacional que têm de ser aproveitadas para a consecução dos nossos interesses nacionais. Ter trânsito no meio internacional é crucial para identificar e aproveitar essas brechas. Lula sabia identificar e aproveitar as brechas, bem como tinha trânsito. Marina também. Dilma não. Com a honrosa exceção da iniciativa do Banco dos BRICS, Dilma não tem quase nenhum significado internacional, um pouco por opção (equivocada), um pouco por falta de habilidade; e ii) é necessário resgatar algum sentimento de unidade, para que possamos construir uma base de sentimento nacional e, consequentemente, passar a compreender o fenômeno e atuar internacionalmente também com base no nacionalismo. Ele é importante para a elevação de bem-estar dos trabalhadores, porque, na divisão global dos recursos, os empresários não precisariam do nacionalismo para atingir seus resultados. É dever dos governos zelar pela elevação do bem-estar de sua população – composta majoritariamente, mas não somente, por trabalhadores – e ele, governo, precisa do apoio dos empresários nacionais para esse fim. Sem o sentimento do nacionalismo, é difícil conseguir esse apoio. Disso, resulta que, para conseguir essa elevação, o discurso classista tem de ser combinado, de maneira muito habilidosa, com o discurso do nacionalismo, da unidade nacional. É fácil perceber que isso não combina com a demonização de uma classe – especialmente a classe media, que tem ramificações na formação da opinião tanto entre classes de renda mais alta como classes de renda mais baixa. Dilma não consegue mais gerar esse sentimento, agregar essas forças e combiner esses discursos, porque sua liderança já não tem legitimidade. Desconfio, por mera observação que é uma minoria dos eleitores de Dilma que a enxergam como o símbolo de uma Nação. Marina tem a capacidade de reverter esse quadro.

8 – Minha esperança é a de que Marina ganhe; que consigamos aprofundar o debate sobre os próximos passos no campo da economia e, também, no campo de reformas estruturantes; que consigamos agregar lideranças políticas progressistas em torno do novo Governo; que possamos realizar o debate franco; que uma grande parte da população se sinta compelida a participar do debate público, liberta da dicotomia burra que ora impera, o que compensaria a falta de apoio partidário formal de um eventual Governo da Marina. Lembro que, nesse sentido, o argumento de que o PSB e a Rede não dispõe do mesmo capital eleitoral-partidário do PT perderia sua validade, caso consigamos realizar um Governo mais aberto ao diálogo – que é o plano. Esse capital eleitoral – sobre cuja amplitude tenho sérias dúvidas – seria amplamente compensado pelo capilaridade de um debate público mais aberto.

Ibope: Dilma tem 34%; Marina, 29%; Aécio, 19%

Via Uol

A Redação/Reprodução

Pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira (26) mostra a ex-senadora Marina Silva (PSB) em segundo lugar na corrida presidencial, com 29% das intenções de voto.

É a primeira pesquisa que o instituto faz depois da morte do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos e da definição de Marina como candidata a presidente pelo partido. Também é o primeiro levantamento feito após o início do horário eleitoral gratuito na TV e no rádio.

A presidente Dilma Rousseff (PT), que busca a reeleição, lidera a disputa, com 34%. O senador Aécio Neves (MG), candidato pelo PSDB, caiu do segundo para o terceiro lugar e tem 19%. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

O resultado reforça a tendência verificada pela pesquisa Datafolha divulgada em 18 de agosto. No levantamento da semana passada, Marina já aparecia numericamente à frente de Aécio, com 21% contra 20%, mas havia empate técnico entre os dois, levando em consideração a margem de erro. Agora, a ex-senadora está com vantagem de dez pontos percentuais sobre Aécio e somente cinco pontos abaixo de Dilma.

Na pesquisa Ibope divulgada hoje, o pastor Everaldo Pereira, candidato pelo PSC, e Luciana Genro, do PSOL, estão com 1%. Somados, os outros candidatos têm 1%.

A proporção de eleitores dispostos a votar em branco ou anular é de 7%. Os indecisos representam 8%.

Na última pesquisa Ibope, divulgada em 7 de agosto, Dilma aparecia com 38%, Aécio tinha 23% e Eduardo Campos, então candidato do PSB, estava com 9%.

O resultado de hoje indica que a eleição deve ir para o segundo turno já que Dilma não tem mais do que a soma dos demais candidatos.

O Ibope testou dois cenários de segundo turno. Em uma eventual disputa entre Dilma e Marina, a candidata do PSB aparece à frente, com 45%, contra 36% da petista. Neste cenário, são 11% de indecisos e 9% de eleitores dispostos a votar em branco ou nulo.

No outro cenário, Dilma lidera com 41% contra 35% de Aécio, 12% de votos nulos ou brancos e 11% de indecisos.

O instituto entrevistou 2506 pessoas entre o dia 23 e hoje. Contratada pela Rede Globo, a pesquisa foi registrada no TSE com o número BR-00428/2014.

Rejeição e avaliação do governo

O Ibope também mediu a rejeição aos candidatos. A presidente Dilma é a mais rejeitada. A proporção de eleitores que dizem não votar na petista de jeito nenhum é de 36%. Marina é rejeitada por somente 10%; e Aécio, por 18%.

De acordo com o instituto, 34% dos entrevistados consideram o governo Dilma ótimo ou bom. Para 36%, a administração é regular. E a proporção dos que a consideram ruim ou péssima é de 29%. Dois por cento dos não souberam responder.

Aécio não quer participação popular na Reforma Política

Via Muda Mais

Aécio tem dito por aí que, se eleito, lutará com unhas e dentes para promover a reforma política no Brasil. Legal, Aécio. Essa é uma proposta antiga do governo Dilma. O problema do discurso do presidenciável é que ele quer fazer tudo a portas fechadas, sem participação popular.

Enquanto a presidenta Dilma, numa resposta clara à voz das ruas, propôs que a Reforma fosse encaminhada ao Congresso o mais rápido possível, mas que fosse construída em diálogo direto com o povo, Aécio diz que fará essa reforma com “ação firme do governo”. O jornalista Fernando Rodrigues escreveu um artigo para a Folha de S. Paulo dizendo que Aécio quer uma “reforma política analógica”.

Dilma, em pronunciamento em cadeia nacional no Dia do Trabalho, deixou clara a diferença em uma Reforma construída em consonância com a sociedade civil. “Encaminhei ao Congresso Nacional uma proposta de consulta popular para que o povo brasileiro possa debater e participar ativamente da reforma política. Sempre estive convencida de que sem a participação popular não teremos a Reforma Política de que o Brasil precisa”. Além da formação de uma Constituinte Exclusiva, o governo defende um plebiscito popular para ampliar ainda mais a participação do povo na tomada de decisões e fiscalização das ações do poder público.

Aécio já declarou que acha a Constituinte “perigosa e desnecessária” e o plebiscito “prejudicial institucionalmente”. Já que, para ele, o Congresso “tem os meios, se houver vontade política, de encaminhar uma ampla reforma política pelos meios institucionais, sem falar em Constituinte ou plebiscito”. Colocar o povo pra dizer o que é pra que, né, Aécio? Se dá pra fazer tudo de dentro do gabinete.

Essa proposta não foi a única ação de Dilma para aumentar o participação do povo na política. Ela também criou a Política Nacional de Participação Social e o Sistema Nacional de Participação Popular, sancionados em junho deste ano. O governo e os partidos da base tiveram enorme dificuldade em aprovar as propostas já que, surpresa! O PSDB e coligados eram contra a iniciativa. A maior participação popular na política está prevista na Constituição e não fere nenhum princípio democrático, como alguns setores da mídia e a oposição gostam de divulgar.

Aécio parece ter dificuldade de entender, então a gente deixa a dica por aqui: quanto mais povo, mais democracia. Nós não queremos voltar ao passado e desejamos que, cada vez mais, cada brasileiro e brasileira faça parte da política desse país que passou a ser de todxs nos últimos 12 anos.

Vale lembrar:

1. Aécio, em sua proposta, quer acabar com a reeleição. Pra gente, isso mostra como o partido está confuso, já que foi Fernando Henrique que se empenhou para a reeleição acontecer, lá em 1997.

2. O mesmo Fernando Henrique defendeu uma Constituinte Exclusiva para fazer a Reforma Política (link is external) em 1994 e 1998. Como a proposta pode ser prejudicial agora?

Tesoureiro de campanha de Marina diz que documentos do Avião, estavam no avião que caiu

Via Plantão Brasil

Arquivos segundo o mesmo teriam sido perdidos, devido a pulverização

O deputado Marcio França (PSB/SP), que é também tesoureiro da campanha presidencial, escancarou, nesta segunda-feira, a falta de argumentos do PSB para justificar como o partido utilizou um avião fantasma, que não tem dono declarado, nos voos da dupla Eduardo Campos e Marina Silva; “Documento de avião você carrega no avião. Se estava no avião, já não existe mais”, afirmou; ele também insinuou que a candidata Marina Silva não prestará esclarecimentos; “Responder ela tem que responder, no limite da responsabilidade dela”; pelo jeito, no que depender do PSB, as vítimas do acidente em Santos (SP) e os colaboradores de Eduardo Campos que morreram no acidente ficarão a ver navios.

- O PSB, aparentemente, decidiu debochar da sociedade brasileira. Nesta segunda, quando foi questionado sobre o avião fantasma utilizado por Eduardo Campos e Marina Silva, o deputado Márcio França (PSB/SP) escancarou a falta de argumentos para defender o que parece ser indefensável. “Documento de avião você carrega no avião. Se estava no avião, já não existem mais”, afirmou.

Isso indica que a estratégia do PSB parece a ser a de varrer o assunto para debaixo do tapete. Explica-se: caso não consiga demonstrar de quem é o avião e como ele era pago pela campanha, o partido estará sujeito à impugnação de sua candidatura.

A história é relativamente simples. O antigo dono da aeronave, um usineiro falido, repassou o jatinho a amigos de Eduardo Campos, que assumiram o pagamento de algumas parcelas do leasing. Tais empresários, sem capacidade financeira para comprar um jato de R$ 18,5 milhões, foram recusados pelo cadastro da Cessna, fabricante da aeronave. No entanto, pertencendo ao usineiro ou aos amigos do ex-governador, o avião não poderia ser utilizado numa campanha política, por não estar registrado numa empresa de táxi aéreo. Daí o argumento de Marcio França sobre a possível destruição dos documentos.

Ele também insinuou que Marina Silva não prestará grandes esclarecimentos. “Responder ela tem que responder, no limite da responsabilidade dela”, disse ele. França disse acreditar que Marina não tenha conhecimento sobre como foi feita a negociação que colocou o avião à disposição de campanha.

Ao adotar essa posição, o PSB coloca as vítimas do desastre, sejam eles ex-colaboradores de Campos ou pessoas que perderam seus imóveis em Santos, a ver navios. O seguro não será pago e ninguém se responsabilizará pelas indenizações e reparações por danos materiais. Afinal, o documento estava no avião.

Um escárnio.

A crise hídrica em São Paulo

Rodo News/Reprodução

Por Heitor Scalambrini Costa*

Contra fatos não há argumentos. O que acontece atualmente com relação ao desabastecimento de água em São Paulo se enquadra na retórica de que uma mentira repetida muitas vezes acaba virando verdade.

O governo paulista insiste em negar que se as obras necessárias tivessem sido realizadas poderia ser menos dramática a atual situação. E insiste ainda em responsabilizar São Pedro pelo caos evidente. A culpa não é da seca! A seca é parte do problema, pois desde sempre se soube que ela poderia vir.

Os gestores públicos também negam que existe racionamento, afirmando que o abastecimento de água está garantido até março de 2015, apesar de, na prática, o racionamento existir oficialmente em dezenas de municípios.

Em visita ao interior de São Paulo, no inicio de agosto, pude constatar uma situação que ainda não tinha me dado conta. A gravidade da crise hídrica atinge não apenas a região metropolitana da capital, como a imprensa dá a entender ao enfatizar o colapso do sistema Cantareira, mas atinge todo o Estado mais rico da União.

Dos 645 municípios paulistas, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo) é responsável por fornecer água a 364, quem somam um total de 27,7 milhões de pessoas. Nos outros 281 municípios (não abastecidos pela Companhia), o abastecimento de água a 16 milhões de pessoas fica a cargo das próprias prefeituras ou de empresas por elas contratadas.

Se, por um lado, a companhia estadual de abastecimento nega haver adotado rodízio de água em qualquer um dos municípios atendidos por ela, inclusive na capital, tal afirmação é logo desmentida pelos usuários que relatam interrupções no abastecimento, principalmente à noite.

Nos municípios não atendidos pela Sabesp, medidas restritivas estão sendo tomadas por centenas de empresas e gestores locais devido à crise. Em Guarulhos, na grande São Paulo, o abastecimento de 1,3 milhões de moradores é atendido por um serviço municipal, o SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto), e seus moradores passam sem água um em cada dois dias.

Em 18 municípios, cerca de 2,1 milhões de pessoas estão submetidas ao racionamento oficial no estado de São Paulo, correspondendo a 5% da população total, segundo levantamento do jornal Folha de São Paulo (11/Ago). Além do racionamento, medidas de incentivo à economia de água têm sido adotadas, indo desde multas para reprimir o desperdício a campanhas com rifas de carro e TV para quem poupar e reduzir o consumo voluntariamente.

O que chama a atenção de todos, além da dimensão estadual da crise hídrica em São Paulo, é a insistência dos gestores em negar a existência do racionamento na área de atuação da Sabesp – mesmo contestados pelos moradores, que sofrem na prática com o rodízio provocado pela companhia, com cortes crescentes no fornecimento de água.

A contrapartida do poder é a ação responsável. E o governo paulista tem se mostrado irresponsável com o seu povo, além de incompetente e medíocre para resolver questões básicas para a sua população. É hora de assumir a gravidade da situação e dos erros cometidos, e, naturalmente, fazer as obras urgentes e necessárias para garantir o fornecimento seguro deste bem fundamental à vida.

Chega de hipocrisia, chega de culpar São Pedro que não pode se defender.

*- Heitor Scalambrini Costa é professor da Universidade Federal de Pernambuco

O candidato do “kit macho” e os Tiriricas do Mal

Por Kiko Nogueira, via DCM

O candidato a deputado federal pelo PSDB de Brasília Matheus Sathler é um caso de polícia e um retrato do nível de confusão mental a que chegou a direita religiosa no Brasil.

Advogado, 31 anos, casado, evangélico, Matheus já tinha feito algum barulho em julho quando afirmou que defenderia “as crianças vítimas do estupro pedófilo homossexual”.

Foi agora advertido pelo diretório do partido por causa de um vídeo no horário gratuito em que promete que, se eleito, criará o “kit macho” para ensinar “meninos a gostarem somente de mulher”.

Uma nota oficial do PSDB declara que “o Sr. Matheus Sathler, desde a sua filiação no partido e enquanto pleiteava sua candidatura nunca manifestou e nem defendeu essas posições hoje defendidas” e que “não admitirá utilização de seu nome em propaganda contrária aos ideais do partido.”

Balela. Os partidos têm pouco ou nenhum controle sobre isso. Se a coisa é feia para os que pleiteiam o governo do estado, no baixo clero a situação é ainda mais dramática.

A falta de noção de Matheus é parecida com a de Daniela Schwery, a candidata do PSDB de São Paulo que espalhou uma versão segundo a qual Dilma Rousseff tramou o acidente de Eduardo Campos. Pegue alguém com defeitos de fábrica — ignorância, preconceito, fanatismo, burrice, histeria, histrionismo –, passe uma demão de subliteratura conservadora e pronto. Eis um nome para combater o comunismo que assola o país.

Sathler é um clássico do sujeito que bate a carteira e grita “pega ladrão”. Como Danilo Gentili, Roger, Lobão e outros aloprados, fala barbaridades, ofende, calunia, mente, distorce. Quando acionados ou questionados por suas vítimas, eles acusam a censura e a ditadura.

Se o vídeo do “kit macho” for tirado do ar, Sathler garante que pretende ir à Justiça. “Eu vou entrar com um mandado de segurança garantindo a minha liberdade de expressão”, disse ao Ig.

O YouTube tem imagens de alguns de seus cultos. Num deles, sobe ao púlpito para garantir que ex-comunista, ex-homossexual, ex-ladrão, ex-sequestrador e ex-bandido entram no céu, menos ex-crentes. (Segundo Tiago Tadeu, programador do DCM e ex-crente, é uma pregação corriqueira para não perder o dinheiro dos fieis). A mulher dele, Sabrina, do lar, aparece cantando hinos gospel.

O obscurantismo de Sathler já lhe rendeu mais do que 15 minutos de fama. É pouco provável que seja eleito, mas sua existência dá uma boa noção de que Tiririca está longe de ser o pior palhaço do Brasil.