Arquivo mensais:agosto 2014

O estranho caso do juiz que manteve manifestantes na cadeia por eles serem da “esquerda caviar”

Por Mauro Donato, via DCM

Fabio Hideki

Fábio Hideki Harano e Rafael Lusvarghi não portavam explosivos, afirmou laudo técnico do Gate (grupo anti-bombas da PM) e do Instituto de Criminalística.

Um levava uma lata de spray fixador de tintas em tecidos e o outro um frasco de achocolatado.

Presos no último dia 23 de junho em um protesto contra a Copa, permanecem encarcerados e o laudo é uma atenuante mas a liberdade ainda parece longínqua. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, os falsos explosivos não são as únicas provas. Pesam ainda danos ao patrimônio, associação criminosa, desobediência e resistência.

Na última sexta-feira, ambos tiveram mais um pedido de liberdade negado. O juiz Marcelo Matias Pereira, da 10ª Vara Criminal, reafirmou que trata-se de “black blocs que atentam contra os poderes constituídos, desrespeitando as leis e os policiais que têm o dever de preservar a ordem, a segurança e o direito de manifestação pacífica.”

E mais, que como black blocs não passam de “esquerda caviar”.

“Além de descaradamente atacarem o patrimônio particular de pessoas que trabalham para conquistá-lo, sob o argumento de que são contra o capitalismo, mas usam tênis da Nike, celular, postam fotos no Facebook e até utilizam uma denominação grafada em língua inglesa, bem ao gosto da denominada esquerda caviar.”

O juiz se baseia, e julga, em laudos e provas e testemunhos concretos ou conforme sua ideologia política?

A patética definição rodrigoconstantinesca subiu na tribuna. O neologismo que visa desqualificar a ideologia socialista é sacado sempre que possível, sobretudo em atos individualizados.

Um socialista que sonegue impostos suja a ficha de todo mundo. Mas um capitalista não? Se ele o fizer, está dentro do previsto? É isso?

É curioso que se veja “hipocrisia naqueles que defendem causas nobres muito mais para parecer ‘legal’ que por causa dos resultados concretos daquilo que prega” (autor supra-citado). Uma coisa não exclui a outra, é tão difícil assim entender?

Segundo esse raciocínio, a madame dos jardins que ajuda uma instituição social também está sendo hipócrita. Por sua tendência político ideológica individualista não deveria ajudar ninguém. Ou podemos denunciá-la como “direita cachaça”.

Desprovido de provas concretas, o juiz Marcelo Matias Pereira resolveu mirar no abstrato.

Você, leitor, está descalço e com uma folha de parreira escondendo os genitais? Não? Sinto informar, você é esquerda caviar.

Tucanistão: a província de São Paulo e seus longos tempos bicudos

Por Fernando Brito, via Tijolaço

Vladimir Safatle, filósofo e professor da USP, publica hoje na Folha de S. Paulo um texto daqueles do tipo “seria cômico se não fosse trágico”.

Trata da longa dinastia tucana em São Paulo, ao qual chama de “Tucanistão”.

O mais avançado dos Estados brasileiros é, curiosamente, aquele onde há mais tempo nada muda, senão o membro da confraria bicuda.

E muda, aliás, muito pouco.

Montoro, Covas, Serra, Alckmin.

Safatle escreveu ontem, no máximo.

Não pegou a última tucanagem, a de se revelar um e-mail aumentando as medições de obra “para a campanha”, como escreve nm e-mail a diretora da construtora Tejofran.

Empresa que, aliás, nasceu de uma firma de limpeza de escritórios comprada em 1975 por Antonio Dias Felipe, o Português, amigo de Mario Covas e padrinho de seu filho Mario Covas Neto, o Zuzinha.

Hoje, ela divide contratos mililionários das obras de reformas de trens do Metrô paulista, ao lado da Siemens, da Alston , da Bombardier…

Dela, este Tijolaço já tratou aqui.

Agora, acompanhe Safatle em sua visita ao Tucanistão.

Tucanistão

“Bem-vindos ao Tucanistão, a terra da plena felicidade. Vocês acabam de desembarcar no aeroporto internacional que leva o nome do fundador de nossa dinastia, governador de nossa terra há 32 anos. Desde então, nossa amada dinastia está presente no coração de nosso povo de maneira praticamente ininterrupta.

Em nossos planos, haveria um Expresso Bandeirante que ligaria o aeroporto ao centro de nossa capital por trens rápidos. Ele não saiu do papel, mas isso não importa. Isso permitirá vocês passarem de carro lentamente pelo mais novo campus de nossa grande universidade, que leva o nome de nosso Segundo grande líder. No momento, ela está falida, com um deficit de 1 bilhão de reais produzido depois da passagem de um interventor nomeado pelo nosso Quarto grande líder. O próprio campus está sem aula por ter sido construído em terreno contaminado, mas tudo isso também não importa.

Depois do campus, vocês conhecerão o caudaloso rio Tietê. Há décadas ele está sendo despoluído. Grandes especialistas internacionais garantem que seu nível de poluição está caindo, mas ainda demorará algumas décadas para que os incautos sejam capazes de enxergar tal maravilha. Por falar em água, estamos passando atualmente por um “estresse hídrico de proporções não negligenciáveis”, mas não se preocupem. Como disse uma rainha francesa: quem não tem água que tome suco.

Se vocês olharem mais à frente verão nosso maravilhoso metrô cruzando velozmente nossa marginal. Não se deixem impressionar pelo fato de ele ser menor do que o de cidades como Santiago, Buenos Aires ou Cidade do México. Nós amamos nosso metrô do jeito que ele é, mesmo que inimigos tenham espalhado a informação de que investigações na Suíça e na França descobriram esquemas milionários de desvio e superfaturamento. Todos sabem que nossa dinastia é incorruptível. Se algo aconteceu, nosso Terceiro-Quinto grande líder não sabia de nada.

Não se espantem também com o tamanho dos muros e aparatos de segurança. Nossa polícia, que mata mais do que toda a polícia norte-americana junta, um dia conseguirá dar conta de todos esses bandidos. Nosso Terceiro-Quinto grande líder está pessoalmente empenhado nisso.

Alguns podem se impressionar com o fato de tanto fracasso não abalar nosso amor por nossa dinastia. É que eles ainda acham que devemos avaliar nosso líderes por aquilo que eles são capazes de fazer, mas nós descobrimos o valor do amor incondicional. Nós os amamos porque… nós os amamos. Por isso, nossa terra é o lugar da pura felicidade. O Tucanistão é a locomotiva do progresso imaginário, alimentada por choques tortos de gestão.”

Altamiro Borges: Flip denuncia a ditadura midiática

Por Altamiro Borges, em seu blog

Glenn Greenwald, em Paraty

A 12ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), encerrada neste domingo (3), foi um sucesso de público e de crítica. Cerca de 25 mil pessoas visitaram a bela cidade do litoral carioca e curtiram as palestras de mais de 45 escritores brasileiros e estrangeiros. Da rica programação, a mídia privada destacou apenas a presença das celebridades globais e de alguns autores de best-sellers. Ela deixou de realçar, porém, os debates mais polêmicos e instigantes, principalmente os que trataram do papel nefasto da própria mídia hegemônica na atualidade.

Num deles, o jornalista Glenn Greenwald, que ficou famoso após revelar os documentos vazados por Edward Snowden, ex-agente da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA, demonstrou como são promíscuas as relações entre o império e a mídia. Segundo matéria da Agência Brasil, o premiado repórter explicou que “o jornalismo que está sendo feito nos EUA em vez de denunciar as injustiças, endossa as violações cometidas pelas autoridades e pelo setor privado, o que ajuda a mascarar e ocultar ilegalidades que ocorrem no país. Para ele, a imprensa adotou uma falsa neutralidade que, na verdade, é uma forma de ativismo, de respaldar as ações do Estado”.

Diante da recente declaração de Barack Obama, reconhecendo que os EUA praticam a tortura, Greenwald ironizou: “A mídia americana utiliza a palavra tortura apenas quando é feita por outros países. Quando é feita pelos Estados Unidos, ela chama de técnicas de investigação rigorosas… Os que mataram civis inocentes palestinos são chamados pela imprensa de democratas lutando contra o terrorismo e os que mataram soldados israelenses são terroristas”. Para ele, o sistema que impera nos EUA é fundamentalmente corrupto e conta com a cumplicidade do Congresso, do Judiciário e da mídia, “que são controlados por atores envolvidos neste mesmo sistema”.

Em outra tenda de debate, o jornalista e escritor Bernardo Kucinski também fez ácidas críticas à mídia brasileira. “Substituíram a ditadura militar pela ditadura midiática, a dominação pelo consenso”, afirmou. Sua irmã e seu cunhado foram presos e mortos durante a ditadura, e seus corpos continuam desaparecidos até hoje. Para Kucinski, as investigações sobre estes crimes não avançam no país porque “os poderosos que apoiaram o golpe de 1964 continuam no poder”.

Crise do setor é maior desafio para novo presidente, diz Belluzzo

Por Vanessa Jurgenfeld, via Valor Econômico

A indústria é o maior problema a ser enfrentado em 2015 pelo presidente eleito, diz Luiz Gonzaga Belluzzo, o professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Nós caímos no conto de que a manufatura não tinha importância. O Brasil está abrindo mão da sua manufatura, esse é um problema estrutural da economia brasileira e é o maior problema que o próximo presidente vai ter que enfrentar.”

A afirmação foi feita durante a palestra “Diagnóstico da Economia Brasileira e Recomendações para o Próximo Presidente”, ontem à noite na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fespsp). “Mudar a orientação da política econômica, de modo a recuperar e promover um processo de industrialização, mesmo que em bases modestas do ponto de vista temporal, de modo que o Brasil não se transforme simplesmente em um produtor de commodities”, esse é o desafio, segundo o economista.

Na avaliação de Belluzzo, o país vive uma desaceleração muito forte e isso pode levar à recessão econômica (quando a economia registra dois trimestres consecutivos de crescimento negativo no PIB). Ele citou entre os principais fatores para essa situação o desempenho do setor industrial, que apresenta queda relevante de produção, principalmente no setor automotivo, que iniciou demissões.

Belluzzo lembrou que a crise argentina tem dado uma contribuição adicional para os problemas da indústria no que diz respeito à queda da exportação manufatureira brasileira, mas destacou que os problemas da indústria brasileira vêm de mais longo prazo.

Segundo ele, a valorização cambial é um dos s principais elementos negativos para a indústria. Nos últimos 20 anos, desde a estabilização de preços do Plano Real, houve vários períodos de forte valorização da moeda nacional, por isso Belluzzo considera esse um problema de longo prazo estrutural.

“Temos que compreender o longo processo de valorização cambial que a economia brasileira viveu, porque ela é crucial para entender o que a economia vive hoje”, disse. “A indústria sofre há anos a queda do nível de produção. Ela está encolhendo. O setor de bens de capital está praticamente destruído, não só pela valorização cambial, mas por outras razões. Uma das razões do baixo crescimento do país é que a indústria não cresce.” Para Belluzzo, ao se descuidar da indústria, o país cometeu “um erro estratégico de longo prazo, que produz consequências graves da qual é difícil de sair”.

Segundo o economista, o efeito que a medida teria sobre a inflação é um dos motivos que leva o Banco Central a não desvalorizar o real. “Estamos encalacrados nessa situação difícil”, afirmou. “Seria um desastre se a inflação saísse desses 5,7% e 6% em que está e saltasse para 10% ou 12%. Você começaria um processo de reindexação de novo”, alerta Belluzzo.

A valorização cambial, lembrou, deu origem a uma mudança na origem de peças, componentes e bens de capital, com favorecimento desse fornecimento a partir de produção na China, com custos menores do que o Brasil. “A valorização cambial tornou o Brasil um país caro para se produzir. Enquanto isso, a China manteve o yuan desvalorizado pela sua estratégia de industrialização.”

Outro problema para quem for eleito presidente, segundo Belluzzo, é que será preciso enfrentar o reajuste dos combustíveis. “O não reajuste afeta diretamente o caixa da Petrobras. A Petrobras é grande demandante de equipamentos, várias empresas se constituíram para atender à demanda da Petrobras e elas não recebem. Essa questão é muito importante, porque o investimento da Petrobras significa 10% da taxa de investimento hoje da economia brasileira. Temos aí um problema grave.”

Fidel Castro: Holocausto palestino em Gaza

Por Fidel Castro, via Portal Vermelho

Fidel recebe o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Havana, em julho.

Novamente, peço ao Granma que não dedique espaço de primeiro plano a estas linhas, relativamente breves, sobre o genocídio que se está cometendo contra os palestinos. Escrevo-as com rapidez apenas para deixar constância do que requer meditação profunda.

Penso que uma nova e repugnante forma de fascismo está surgindo com notável força neste momento da história humana, no qual mais de sete bilhões de habitantes se esforçam pela própria sobrevivência.

Nenhuma destas circunstâncias tem a ver com a criação do Império Romano há cerca de 2.400 anos, ou com o império norte-americano que, nesta região do mundo, há apenas 200 anos, foi descrito por Simón Bolívar quando exclamou que: “(…) os Estados Unidos parecem destinados pela Providência a infestar a América com misérias em nome da Liberdade”.

A Inglaterra foi a primeira real potência colonial que usou seus domínios sobre grande parte da África, do Oriente Médio, da Ásia, Austrália, América do Norte e muitas das ilhas antilhanas, na primeira metade do século 20.

Não falarei, nesta ocasião, das guerras e dos crimes cometidos pelo império dos Estados Unidos ao longo de mais de cem anos, mas só registrarei o que quis fazer com Cuba, o que fez com muitos outros países no mundo e só serviu para provar que “uma ideia justa desde o fundo de uma caverna pode mais do que um Exército”.

A história é muito mais complicada do que tudo o que foi dito, mas foi assim, em grandes traços, como a conheceram os habitantes da Palestina e, é lógico, igualmente, que nos meios modernos de comunicação se reflitam as notícias que diariamente chegam; assim ocorreu com a vexatória e criminosa guerra na Faixa de Gaza, um pedaço de terra onde vive a população do que restou da Palestina independente até apenas meio século atrás.

A agência francesa AFP informou, no sábado (2): “A guerra entre o movimento islamita palestino Hamas e Israel causou a morte de cerca de 1.800 palestinos (…), a destruição de milhares de lares e a ruína de uma economia já debilitada”, ainda que não assinale, à partida, quem iniciou a terrível guerra.

Depois adiciona: “(…) no sábado, ao meio-dia, a ofensiva israelense havia matado 1.712 palestinos e ferido 8.900. As Nações Unidas puderam verificar a identidade de 1.117 mortos, majoritariamente civis. (…) A Unicef contabilizou ao menos 296 menores [de idade] mortos”.

“As Nações Unidas estimaram (…) (cerca de 58.900 pessoas) sem casas na Faixa de Gaza.”

“Dez dos 32 hospitais fecharam e outros 11 foram afetados.”

“Este enclave palestino de 362 quilômetros quadrados não dispõe tampouco das infraestruturas necessárias para os 1,8 milhão de habitantes, sobretudo em termos de distribuição de eletricidade e de água.”

“Segundo o Fundo Monetário Internacional, a taxa de desemprego ultrapassa 40% na Faixa de Gaza, território submetido, desde 2006, a um bloqueio israelense. Em 2000, o desemprego afetava cerca de 20% e, em 2011, cerca de 30%. Mais de 70% da população depende da ajuda humanitária em tempos normais, segundo o Gisha [Centro Legal para a Liberdade de Movimentação].”

O governo de Israel declara uma trégua humanitária em Gaza às 07h00 (hora de Greenwich) desta segunda-feira (4), entretanto, às poucas horas rompeu a trégua ao atacar uma casa em que 30 pessoas, em sua maioria mulheres e crianças, foram feridas e, entre elas, uma menina de oito anos, que morreu.

Na madrugada deste mesmo dia, 10 palestinos morreram como consequência dos ataques israelenses em toda a Faixa e já subiu a quase dois mil o número de palestinos assassinados.

A matança chegou a tal ponto que o “ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, anunciou nesta segunda-feira que o direito de Israel à segurança não justifica o ‘massacre de civis’ que está perpetrando”.

O genocídio dos nazistas contra os judeus colheu o ódio de todos os povos da terra. Por que acredita o governo desse país que o mundo será insensível a este macabro genocídio que hoje está cometendo contra o povo palestino? Por acaso se espera que ignore quanto há de cumplicidade por parte do império norte-americano neste massacre desavergonhado?

A espécie humana vive uma etapa sem precedentes na história. Um choque de aviões militares ou aeronaves de guerra que se vigiam estreitamente ou outros fatos similares podem desatar uma contenda com o emprego das sofisticadas armas modernas que se converteria na última aventura do conhecido Homo sapiens.

Há fatos que refletem a incapacidade quase total dos Estados Unidos para enfrentar os problemas atuais do mundo. Pode-se afirmar que não há governo nesse país, nem o Senado, nem o Congresso, a Agência Central de Inteligência, o Pentágono, que determinarão o desenlace final. É triste, realmente, que isso ocorra quando os perigos são maiores, mas também as possibilidades de seguir adiante.

Quando houve a Grande Guerra Patriótica, os cidadãos russos defenderam seu país como espartanos; subestimá-los foi o pior erro dos Estados Unidos e da Europa. Seus aliados mais próximos, os chineses, que, como os russos, obtiveram a sua vitória a partir dos mesmos princípios, constituem hoje a força econômica mais dinâmica da terra. Os países querem yuanes, e não dólares, para adquirir bens e tecnologia e incrementar o seu comércio.

Novas e imprescindíveis forças surgiram. Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, cujos vínculos com a América Latina e com a maioria dos países do Caribe e da África, que lutam pelo desenvolvimento, constituem a força que, em nossa época, está disposta a colaborar com o resto dos países do mundo sem excluir os Estados Unidos, a Europa e o Japão.

Culpar a Federação Russa pela destruição, em pleno voo, do avião da Malásia é de um simplismo desconcertante. Nem Vladimir Putin ou Serguei Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia, nem os demais dirigentes deste governo fariam, jamais, semelhante disparate.

Vinte e seis milhões de russos morreram na defesa da Pátria contra o nazismo. Os combatentes chineses, homens e mulheres, filhos de um povo de cultura milenar, são pessoas de inteligência privilegiada e espirito de luta invencível, e Xi Jinping é um dos líderes revolucionários mais firmes e capazes que já conheci na minha vida.

Fidel Castro Ruz

4 de agosto de 2014

22h45

Fonte: Granma

Tradução de Moara Crivelente, da Redação do Vermelho

Perícia conclui que artefatos encontrados com manifestantes não são explosivos

Por Tadeu Breda, via RBA

Gate e Instituto de Criminalística relatam que objetos supostamente apreendidos com Hideki e Lusvargh não têm capacidade de ferir. ‘É outra prova que demonstra a ilegalidade da prisão’, diz advogado

Policiais prendem Rafael Lusvargh, acusado de portar ‘artefato explosivo’ que se revelou ‘inerte’.

São Paulo – Perícias realizadas pelo Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia Militar e pelo Instituto de Criminalística (IC) de São Paulo apontaram que não são explosivos os artefatos supostamente encontrados com os manifestantes Fábio Hideki Harano e Rafael Marques Lusvargh em 23 de junho, quando foram detidos durante protesto na Avenida Paulista, na capital.

Os laudos foram entregues nesta segunda-feira (4) aos advogados de Hideki, que hoje mesmo ajuntaram ao processo os novos indícios e, depois, repassaram as informações à RBA. A PM confirmou que as perícias foram concluídas, mas “não irá divulgar seu conteúdo por não ser a titular do inquérito”. A Secretaria de Segurança Pública não quis se manifestar sob a alegação de que se trata de um assunto da esfera judicial.

Os policiais civis que participaram da prisão de Hideki e Lusvargh atestam que ambos portavam explosivos. Os ativistas negam, e são respaldados pelo testemunho de manifestantes que acompanharam e filmaram as detenções. Ainda assim, os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público acataram a versão dos policiais e levaram a denúncia à justiça.

Os jovens respondem por associação criminosa, resistência, desobediência, incitação ao crime e porte de explosivos – acusação que agora deve cair por terra com o resultado da perícia. Os dois estão presos há 44 dias: Hideki encontra-se na penitenciária de Tremembé, a 150 quilômetros da capital, e Lusvargh, na carceragem do 8º Distrito Policial, no Brás, centro de São Paulo.

‘Bombas’

Hideki é acusado de trazer na mochila “artefato explosivo” ou “artefato incendiário de fabricação rudimentar”, segundo boletim de ocorrência lavrado pelos agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) no momento da prisão. Um vídeo mostra trechos da abordagem dos policiais a Hideki e da revista feita em seus pertences.

Lusvargh estaria em posse de uma “garrafa de iogurte com forte odor de gasolina”. O frasco consta no boletim de ocorrência, mas não é mencionado pelos policiais na narração dos fatos. Os agentes que abordaram Lusvargh tampouco se referem à garrafa de iogurte em seus depoimentos.

De acordo com o Gate, os materiais foram construídos à base de material inerte, desprovido de qualquer tipo de substâncias explosivas ou inflamáveis. Os objetos apresentaram ainda resultado negativo para todos os testes práticos e químicos a que foram submetidos.

Por isso, dizem os peritos, não poderiam colocar em risco a integridade física das pessoas. O IC chegou a conclusão semelhante: os materiais não possuem composição química compatível com a de materiais explosivos, nem compostos inflamáveis comumente usados em coquetéis molotov.

‘Flagrante forjado’

“É outra prova que demonstra a ilegalidade da prisão”, avalia Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado de Fábio Hideki. “Fábio foi vítima de um inquérito preparado e um flagrante preparado, que está se desmoronando.”

Greenhalgh lembra que o porte de explosivos era a principal acusação contra o manifestante – e o que justificava, perante a justiça, sua prisão preventiva. “Agora isso caiu. Quero que ele saia imediatamente da cadeia. Se não sair, ficará claro que se trata de uma prisão política.”

A Defensoria Pública, que representa Lusvargh, ainda não teve acesso ao laudo pericial do Gate e do IC, e preferiu não se pronunciar sobre as conclusões.

Alckmin

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse hoje (4) que a polícia age com “absoluto critério” garantindo o direito de manifestação, e afirmou que o trabalho das autoridades na prisão de Hideki e Lusvargh foi tão bem conduzido que a justiça ainda não teve como soltá-los.

“As pessoas acham que o governo prende e solta. Mas não temos o poder nem de prender nem de soltar. Tanto o trabalho da polícia foi bem feito que a Justiça não soltou”, alegou Alckmin, que é candidato à reeleição. O governador negou insinuações de que a polícia plantaria provas contra os manifestantes.

“Por que a polícia plantaria provas contra alguém? Os trabalhos da polícia são documentados. O trabalho da polícia é monitorado”, defendeu. “A polícia tem agido com absoluto critério garantindo o direito de manifestação. Infelizmente há infiltrados que começam a depredação.”

Ministra das Relações Exteriores do Reino Unido pede demissão em Gaza

Via Channel 4

A baronesa Sayeeda Warsi, ministra sênior das Relações Exteriores, pediu demissão do governo por discordar das decisões tomadas em torno da crise de Gaza.

tweetbaronesa

A Baronesa Warsi escreveu ao primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, seu pedido de demissão. O Channel 4 News já havia revelado na semana passada as profundas discordâncias da ministra em torno da abordagem do governo ao conflito em Gaza, o qual vitimou 1.834 palestinos, a maioria civis, e 64 israelenses, quase todos militares.

15 minutos após postar um tweet no qual anuncia sua demissão, este foi retweetado 2.630 vezes.

Sua demissão é um dos maiores protestos internos contra as políticas governamentais em Gaza.

Na carta de demissão, a ex-ministra alega que “a abordagem (governamental) e sua narrativa durante toda a crise em Gaza são moralmente indefensáveis, não condizem com os interesses britânicos e terão um impacto representativo na reputação do país, internacional e domesticamente”.

Na carta ela ataca também o novo secretário do exterior Philip Hammond, dizendo que seu predecessor, William Hague, tinha “restaurado o poder de decisão e a dignidade do gabinete das relações exteriores” , e que atualmente existe uma “grande apreensão” entre “os ministros e oficiais do governo com ‘as recentes decisões’”.

Ontem, o deputado conservador Crispin Blunt pediu maiores pressões em todas as partes envolvidas no conflito, afirmando também que o bombardeio a escola das Nações Unidas por parte de Israel foi um “ato criminoso”.

Na última quinta, a também deputada conservadora, Margot James, escreveu ao secretário Philip Hammond, apelando para uma reflexão em torno da questão de Gaza.

Esta demissão se dá enquanto o último acordo de cessar fogo vigora e com o anúncio da retirada das tropas do território de Gaza por parte de Israel.

Tradução: Rennan Martins