Em defesa do salário-mínimo regional do Paraná

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Por Rennan Martins | Brasília, 26/08/2014

No último dia 19, os três principais candidatos ao governo do Paraná – Beto Richa (PSDB), Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião (PMDB) – foram sabatinados na Federação das Indústrias do Paraná (Fiep). Cada candidato contou com 30 minutos para falar de suas propostas e mais 30 para responder perguntas da plateia.

O principal objeto de discussão do evento foi o documento “Propostas para a Competitividade da Indústria Paranaense 2015-2025”. Este fora entregue aos candidatos na semana anterior e discorre sobre os chamados “fatores-chave de competitividade”, sendo eles: tributação; relações de trabalho; educação; política e gestão pública; financiamento produtivo; segurança jurídica e burocracia; meio ambiente e sociedade; inovação; infraestrutura; produtividade; mercados e política econômica.

Requião, o primeiro a discursar, pautou suas propostas na desoneração do setor, no forte investimento produtivo e na revitalização dos salários. Lembrou que quando estava a frente do governo o estado saiu da sétima para a primeira colocação em crescimento industrial, e que atualmente caiu duas posições.

Beto Richa falou em seguida, e baseou-se no aumento do diálogo entre o governo e a indústria e maiores investimentos em infraestrutura. Disse ainda que “O setor produtivo sabe que no nosso governo é respeitado, com diálogo permanente, e que suas ideias são acatadas. Minha proposta é aprimorar ainda mais essa boa relação”.

Gleisi Hoffmannn foi a última a se apresentar e explanou que pretende ampliar o ensino profissionalizante, elaborar um Programa de Aceleração do Crescimento estadual e constituir conselhos os quais funcionariam como fóruns de discussão de maneira a integrar todas as regiões.

O ponto polêmico das discussões deu-se em relação ao salário-mínimo regional paranaense. Este é definido em quatro faixas que variam de R$ 948,20 à R$ 1095,60. A Fiep reivindicou que o aumento anual deveria ser revisto – para baixo – relegando ao governo um papel menor nas negociações. Os candidatos Beto Richa e Gleisi Hoffmann se comprometeram com a proposta, Requião, por sua vez, discordou categoricamente da possibilidade, dizendo ainda que ficou “espantado com a proposta da Fiep”.

Análise da proposta

O salário-mínimo regional do Paraná – instituído em 2006 sob o governo de Requião – constituiu um avanço econômico e trabalhista sem precedentes. Quando de sua aprovação, os mesmos empresários que hoje pedem que o baixemos, diziam que o estado quebraria. Pois bem, não somente não quebrou como tornou-se líder nacional em crescimento industrial na época.

Dizem os que querem arrochar o trabalhador que um salário-mínimo alto desestimula a contratação e gera desemprego. É preciso que eles expliquem então como a região sul é a de menor índice de desemprego do país, com somente 3,8% da população desocupada, segundo o IBGE.

O Paraná é a quinta maior economia do país e contava, em 2011, com um PIB per capita de R$ 22,7 mil, 5,58% maior que o índice nacional, de R$ 21,5 mil, dados do IPARDES. A composição do PIB estadual conta com 27,28% de participação da indústria, segmento que mais consegue agregar valor aos produtos.

Nota-se que o salário-mínimo paranaense não só é viável como ainda induz o crescimento econômico, já que aumentar o poder de compra da população aquece as atividades produtivas e comerciais.

É evidente, portanto, que Beto Richa e Gleisi Hoffmann estão desconectados da realidade econômica da região. Deveriam saber que reduzir a renda dos trabalhadores, da maioria, não constitui opção viável nem sensata.

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