Por Rodrigo Medeiros, via Jornal GGN

De acordo com o IBGE, a PIM-PF Regional, houve o recuo da produção industrial em 11 dos 14 locais pesquisados em junho deste ano. A queda acumulada no Brasil foi de 2,6% no primeiro semestre. A indústria encontra-se praticamente estagnada nos últimos 12 meses, chegando a acumular quedas de 2,9% no Espírito Santo nesse mesmo período e 1,8% em São Paulo. Segundo informou a CNI, o coeficiente de penetração das importações industriais gerais foi de 22,5% para o primeiro trimestre do ano, tendo o mesmo crescido desde 2011.
Um tema complexo e que mobiliza a atenção de distintos fóruns diz respeito ao fenômeno da desindustrialização. Pode-se muito bem dizer que este é um fenômeno presente em muitos países, mas que para o caso brasileiro apresenta algumas adversidades adicionais pelo fato de que a nossa desindustrialização se iniciou antes de termos nos tornado um país desenvolvido. Citarei abaixo alguns poucos aspectos do projeto de pesquisa que desenvolvi com o pesquisador Marcos Aurélio Lannes Jr., do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes).
Segundo o IBGE, nas Cotas Regionais, a participação da indústria de transformação no valor adicionado foi de 14,6% em 2011. Os serviços responderam por 67,0% e a agropecuária por 5,5%. No Espírito Santo, objeto central da nossa preocupação na pesquisa, a indústria de transformação é responsável por 10,5% do valor adicionado, sendo que a indústria extrativa adiciona 22,3% do valor, os serviços 55,2% e a agropecuária 6,2%.
A indústria sofreu uma perda expressiva de competitividade na fabricação de manufaturados nos últimos anos. Elevações dos salários, dos preços da energia e a valorização do câmbio aumentaram fortemente os custos de produção no Brasil, tendência não compensada pelos ganhos de produtividade. Tornou-se uma “sabedoria convencional” dizer que o caminho é tornar o setor produtivo mais inovador, ainda que a competição por mão de obra qualificada com o setor de serviços seja desfavorável à indústria. Enquanto a indústria encontra grandes dificuldades de repassar o aumento real dos salários dos trabalhadores ao preço final dos produtos, os serviços conseguem pagar mais para os funcionários elevando os seus preços por não serem tão sujeitos à competição estrangeira.
Países que ignoram “a saúde” de suas indústrias de transformação correm perigo. Para Dani Rodrik, do Institute for Advanced Study (Universidade de Princeton), “sem uma vibrante base manufatureira, as sociedades tendem a ser divididas entre ricos e pobres”. A produtividade do trabalho é, em média, 75% maior nas manufaturas do que no restante da economia. Maior produtividade representa maior probabilidade de distribuir renda com baixo conflito social.
Pesam atualmente sobre nós os desafios da produtividade, que passa pela elevação qualificada dos investimentos em infraestrutura e educação. Essa questão é mais complexa para as unidades federativas menos desenvolvidas. Afinal, existem sérias dificuldades de articulação de políticas de desenvolvimento regional na Federação. Uma burocracia pesada e onerosa tampouco facilita a realização de investimentos públicos e privados mais complexos, algo que impacta adversamente na produtividade da economia brasileira.
Rodrigo Medeiros é professor do Ifes (Instituto Federal do Espírito Santo)
