Arquivo mensais:julho 2014

Bob Fernandes: O “povo” deu aulas ao “topo” e à política com a Copa

Por Bob Fernandes, via facebook

No jornalismo, por questões de espaço, tempo e técnica, a realidade é fatiada. Em matérias e títulos distintos.

Cada reportagem trata de um assunto que se encerra em si mesmo… Isso é Copa, aquilo é política, isso é economia…

Na vida, na real, tudo é parte inseparável do todo.

As eleições estão ai. Páginas escritas nessa Copa deixam ensinamentos para a Política, e para o “topo”. Ensinam sobre quem soube jogar.

O Brasil recebeu 1 milhão de visitantes. Pesquisa do Datafolha diz: 83% dos estrangeiros aprovaram a Copa.

Os estrangeiros perceberam os altos custos, a desigualdade social, a insegurança… mas 95% querem voltar ao Brasil.

Impressionantes 95% disseram que a recepção a eles foi “ótima” ou “boa”. Performance extraordinária em qualquer lugar do mundo.

Quem recebeu os visitantes foi um conjunto de instituições, e o coletivo de cidadãos que chamamos de “o povo brasileiro”.

Note-se: num país onde 50 mil pessoas são assassinadas a cada ano, nada de grave aconteceu ao longo de um mês com esse 1 milhão de visitantes.

Disputas entre torcidas, farras homéricas Brasil afora, e foi no trânsito que dois argentinos, jornalistas, perderam a vida.

Espancamentos em manifestações, prisões arbitrárias, os assassinatos nossos de cada dia, tudo isso se deu entre brasileiros… Aprendamos algo com isso.

Aprenderam sobre o Brasil e sua gente bilhões de pessoas que acompanharam a Copa e o rosário de notícias.

Se os alemães souberam vender e comprar simpatia, quem recebeu bem 1 milhão de hóspedes também soube jogar.

Essa lição de maturidade coletiva deve ser assimilada pela Política, e pelo “topo”.

Pelos que anunciaram e apostaram no caos.

E por quem tenha sonhando em obter dividendos com a eventual glória alheia.

A eleição está ai. Virá a marquetagem, vendedores e vendedoras de fumaça.

Vai errar quem duvidar de novo da capacidade de entender, decidir e agir do chamado “povo brasileiro”.

As sabatinas de Aécio e Eduardo Campos

Por Paulo Nogueira, via DCM

Aécio na sabatina. DCM/Reprodução

A não ser que uma grande surpresa ocorra, Dilma se reelegerá presidente em outubro, e provavelmente no primeiro turno.

Sua maior arma não é nada ligado a ela diretamente. Nestes seus anos, a economia cresceu pouco, a inflação teve alguns espasmos e o Brasil deixou de ser o menino prodígio que foi, sob Lula, aos olhos do chamado mercado internacional. Não bastasse isso, há um desgaste na própria esquerda, por conta da repressão policial em manifestações de protesto.

O grande trunfo de Dilma está na fraqueza extraordinária de seus principais adversários, Aécio e Eduardo Campos.

Nos Estados Unidos, aconteceu uma coisa semelhante nas últimas eleições presidenciais. Obama levou menos por seus mérito e mais pela ruindade extrema de seu adversário republicano, Mitt Romney.

Em sua apoteose ao contrário, Romney disse que caso se elegesse iria esquecer quase metade dos americanos, exatamente os mais necessitados.

As duas sabatinas recém-promovidas por um grupo de marcas jornalísticas estampam o deserto de ideias que são Aécio e Campos.

Vejamos, primeiro, Aécio. O maior destaque que o UOL conseguiu dar às falas de Aécio foi o compromisso de que ele manteria o Bolsa Família e o Mais Médicos.

Será que ele e equipe não têm uma única ideia de programa social para apresentar aos eleitores?

Pelo visto, não.

E a sociedade clama por fatos novos na área social, coisas que beneficiem os mais pobres e reduzam a desigualdade brutal do país.

Não é apenas a falta de novas propostas que incomoda. Aborrece também a maneira com que Aécio abraça programas que ele execrou antes, e que simplesmente não existiriam se ele tivesse poder para bloqueá-los.

O Bolsa Família era o Bolsa Esmola. E o Mais Médicos era um insulto à classe médica brasileira. Não, mais que isso: a todos nós, brasileiros, vivos e mortos.

Pois de repente o Mais Médicos fica bom, e Aécio garante sua manutenção a cada entrevista mais profunda que dá.

Eu respeitaria a mudança de opinião se ela fosse precedida de um honesto pedido de desculpas. “Amigas e amigos: errei na avaliação do Bolsa Família e do Mais Médicos. Achei que eram ruins coisas que eram boas e podem ser ainda melhores. Perdão.”

Mas não. Mais um pouco e Aécio vai posar como autor das ideias.

Segundo relatos publicados no UOL, a plateia teve um papel importante na sabatina de Aécio.

Boa parte dela era composta de líderes do PSDB. Um deles era Serra, que chegou atrasado. A composição favorável da audiência levou a palmas em dose generosa. E também a comentários entre os presentes como este registrado pelo UOL: “Pena que os entrevistadores são petistas.”

Pausa para rir.

Um dia antes, o sabatinado fora Eduardo Campos. Para ser mais que um figurante de olhos azuis nas eleições, Campos tem que apresentar ideias novas.

Mas de novo: quais?

A frase considerada mais importante pelos editores da sabatina dizia mais ou menos o seguinte: “Dilma vai ser a primeira pessoa, desde a redemocratização, a entregar o país pior do que recebeu.”

É a chamada platitude, chavão, lugar comum. Como não tem tanto tempo assim no programa eleitoral gratuito, Campos tem que se concentrar em suas ideias. Todos sabem – afinal ele é candidato de oposição – que ele tem má opinião sobre Dilma.

Pode e deve ganhar tempo, portanto, sem repetir o que já é de conhecimento universal.

O momento mais revelador da sabatina de Campos veio na forma de um número milionário. Ele disse que iria construir 4 milhões de casas.

Promessas desse gênero remetem a velhas campanhas, em que os candidatos pareciam acreditar poder vencer uma eleição usando um número maior do que o de seus adversários.

Ou não tão velhas assim.

É um clássico, nas eleições de 2010, a promessa de Serra de que não apenas iria manter como dobraria o Bolsa Família.

Já ali Dilma mostraria ter sorte no quesito adversários.

Israelenses assistem a ataque noturno a Gaza no “cinema de Sderot”

Por Vanessa Martina Silva, via Opera Mundi

“Israelenses levaram cadeiras para assistir às últimas novidades de Gaza” e “bateram palmas quando explosões foram ouvidas”, conta o jornalista

O jornalista Allan Sorenson, correspondente do jornal dinamarquês Kristeligt Dagblad, postou em seu Twitter na noite de quarta-feira (09/07), segundo dia dos ataques de Israel contra a Faixa de Gaza, uma foto em que mostra israelenses assistindo e celebrando o bombardeio noturno à região.

À jornalista Sahar Habib Ghazi, do Global Voice, Sorenson confirmou a veracidade da imagem. Em seu post, ele afirma que “israelenses levaram cadeiras para uma colina em Sderot para assistir às últimas novidades de Gaza” e “bateram palmas quando explosões foram ouvidas”.

Sderot tem uma população de 24 mil pessoas. A imprensa internacional tem constantemente reportado a tensão em que vivem estes cidadãos devido à quantidade de foguetes que são lançados de Gaza.

Mais de 550 foguetes foram lançados por palestinos desde o começo da Operação “Margem Protetora”, ou “Penhasco Sólido”. Até o momento, não há o registro de nenhuma morte de cidadão israelense. Nesta sexta-feira (11/07), o governo de Tel Aviv afirmou que o número de palestinos mortos chegou a 100 e mais de 700 ficaram feridos pelos ataques aéreos de Israel contra Gaza.

O morador de Sderot, Kogan Baruch, afirmou ao site da emissora alemã Deutsche Welle que é “o governo do Hamas” que está atacando. “No momento, não tenho sentimento algum pelos que vivem na Faixa de Gaza. Se quiserem fazer alguma coisa e viver em paz, precisam mudar o próprio governo”, disse.

A escalada de violência israelense ocorreu após a morte de três adolescentes israelenses na Cisjordânia no final de junho. Como “vingança”, um jovem palestino foi queimado vivo e assassinado em Jerusalém.

Logo após a descoberta dos corpos dos três jovens, Israel iniciou uma ofensiva contra o Hamas. Aviões de guerra passaram a bombardear Gaza destruindo casas e instituições e foram realizadas execuções extrajudiciais. Até agora, quase 600 palestinos foram sequestrados e presos.

A tensão aumentou na região após anúncio, no começo de junho, do fim da cisão entre o Fatah e o Hamas, que controlam a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, respectivamente. Israel considera o Hamas um grupo terrorista e por isso suspendeu as conversas de paz que vinham sendo desenvolvidas com os palestinos com a mediação do secretário de Estado norte-americano, John Kerry.

Pepe Escobar: BRICS contra o consenso de Washington

Por Pepe Escobar, via Asia Times Online

BRICS

A principal manchete dessa terça são os BRICS, grupo de potências emergentes (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que se encontram reunidos em Fortaleza, nordeste do Brasil, lutando contra a (neoliberal) (des)ordem mundial por meio da criação de um novo banco de desenvolvimento e um fundo de reservas que visa socorrer crises financeiras.

O demônio está, é claro, nos detalhes de como farão isso.

Foi uma longa e sinuosa estrada desde Yekaterinburg, 2009, primeira reunião do bloco, até o muito esperado contragolpe no consenso de Bretton Woods – O FMI e o Banco Mundial – assim como no submisso Banco de Desenvolvimento Asiático, dominado pelo Japão.

O Banco de Desenvolvimento dos BRICS – com capital inicial de US$50 bilhões – será destinado não somente aos BRICS, mas investirá em projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em escala global. O modelo referenciado é o BNDES, que apoia empresas brasileiras, investindo em toda a América Latina.

Temos ainda o acordo estabelecendo um montante de $100 bilhões em reservas correntes – o Contingente Reserve Arrangement (CRA), descrito pelo Ministro das Finanças russo, Anton Siluanov como “uma espécie de mini-FMI”. Este constitui um mecanismo não alinhado ao Consenso de Washington que proteção a crises de capital. A China contribuirá com $41 bilhões, Brasil, Índia e Rússia com $18 bilhões cada, e a África do Sul, com $5 bilhões.

A sede do banco será em Shangai – a despeito da tentativa de Mumbai de puxá-la para si.

Longe de tratar de economia e finanças, estas medidas são essencialmente geopolíticas – são as potências emergentes oferecendo uma alternatica ao falido Consenso de Washington. Ou, como dizem os apologistas do consenso, os BRICS talvez serão uma forma de “aliviar os desafios” que estes enfrentam frente ao “sistema financeiro internacional”. A estratégia também é um dos pontos-chave da fortificação da aliança entre China e Rússia.

Joguemos a bola geopolítica

Após a realização por parte do Brasil, contra todas as expectativas, de uma inesquecível Copa do Mundo – mesmo com a não correspondência de sua equipe nacional – é hora dos vizinhos Vladimir Putin e Xi Xinping chegarem pra uma partida de geopolítica em alto nível.

O Kremlin enxerga a relação bilateral com Brasília como altamente estratégica. Putin não só assistiu a final da Copa no Rio; distanciado da presidente Dilma Rousseff, ele também encontrou a chanceler alemã Angela Merkel (eles discutiram pormenorizadamente a questão ucraniana). Mesmo assim, o membro chave da comissão russa é Elvira Nabiulin, presidente do Banco Central do país; ela está empunhando a bandeira de que todas as negociações entre os BRICS passem ao largo do dólar.

O encontro de extrema força simbólica foi o de Putin com Fidel Castro, em Havana, assim como o perdão da dívida cubana de $36 bilhões. Este perdão que pode não ter um impacto tão significativo na América Latina, se comparado ao perene embargo imposto pelo Império do Caos.

Na América do Sul, Putin encontrará não só com o presidente uruguaio Pepe Mujica – para discutirem, entre outras coisas, a construção de um porto de águas profundas – mas também com o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, e ainda com Evo Morales, presidente da Bolívia.

Xi Jinping também se encontra em tour. Visita o Brasil, Argentina, Cuba e Venezuela. O que Pequim diz complementa Moscou; a América Latina é vista como altamente estratégica. O que pode ser traduzido em mais investimentos chineses e aprofundamento da integração Sul-Sul.

Esta ofensiva comercial/diplomática russa-chinesa é compreendida como um impulso no sentido de um mundo multipolar – lado a lado com líderes sul-americanos do campo político/econômico. A Argentina é um forte exemplo. Enquanto Buenos Aires enxerga a recessão no horizonte e luta contra fundos abutres norte-americanos – a epítome da especulação financeira – nas cortes de Nova York. Putin e Xi surgem oferecendo investimentos nos mais variados setores, desde o ferroviário até o energético.

O setor de energia industrial russo necessita, é claro, de investimentos e tecnologia das transnacionais ocidentais, assim como a China desenvolve-se com investimentos ocidentais, que lucram sobre a mão de obra barata. Porém, o que os BRICS tentam dar ao sul global é uma escolha; de um lado, especulação financeira, fundos abutres e a hegemonia dos Mestres do Universo; de outro, o capitalismo produtivo – uma alternativa estratégica de desenvolvimento capitalista, quando comparado a tríade EUA, União Europeia e Japão.

Assim mesmo, será um longo caminho para os BRICS que projetam um modelo produtivo e independente do cassino que é o capitalismo especulativo, ainda se recuperando da massiva crise de 2007/2008.

Alguns talvez vejam os BRICS como uma crítica construtiva ao capitalismo; uma forma de purgar o sistema do financiamento perene ao deficit fiscal norte-americano assim como da síndrome de militarização global – relacionada ainda ao complexo Orwelliano/Panóptico – subordinado à Washington. Como o economista argentino Julio Gambina pontuou, a questão não é ser emergente, mas independente.

Neste artigo, Claudio Gallo introduz o que pode ser a questão definitiva de nossos tempos: como o neoliberalismo – ditando direta ou indiretamente o rumo da maior parte do mundo – está produzindo uma desastrosa mutação antropológica que nos arrasta num totalitarismo global (enquanto todos discursam solenemente sobre suas “liberdades”)

É sempre muito instrutivo tornar os olhos à Argentina. A Argentina se encontra emprisionada por uma crônica dívida estrangeira imposta pelo FMI há 40 anos – e agora perpetuada pelos fundos abutres.

O banco dos BRICS e seu fundo de reservas são uma alternativa ao FMI e ao Banco Mundial para diversas outras nações, um escape das amarras nas quais estão a Argentina. Isto sem mencionar a possibilidade de que outras nações emergentes como Indonésia, Malásia, Irã e Turquia venham a contribuir.

Não há dúvida de que a gangue hegemônica dos Mestres do Universo resistiram em ceder suas cadeiras. Esta publicação do Financial Times sumariza a visão londrina do caso – Londres, que é um notório paraíso do cassino capitalista.

Estes são dias impetuosos na América do Sul. A hegemonia atlântica permanecerá parte do quadro, é claro, mas é a estratégia dos BRICS que se posta na estrada. E é a roda do mundo multipolar que o faz girar.

Tradução: Rennan Martins

PT esvazia sessão para evitar derrubada de decreto da Participação Social

Por Fernando Diniz, via Terra

Último Segundo/Reprodução

Deputados do PT e do PCdoB esvaziaram a sessão plenária desta terça-feira na Câmara dos Deputados para evitar uma derrota à presidente Dilma Rousseff. A Casa aprovou nesta noite, por 294 votos a 54, a urgência de um projeto que susta o decreto presidencial que estabelece uma política nacional sobre conselhos populares. Os deputados, no entanto, não conseguiram votar o mérito da matéria.

O texto assinado pela presidente Dilma Rousseff estabelece que órgãos da administração pública federal devem considerar mecanismos de participação, como conselhos populares, em suas decisões. O projeto de decreto legislativo foi proposto pelo DEM, que viu uma tentativa do governo federal em “implodir o regime da democracia representativa” e transformar o Legislativo em um “elefante branco”.

A urgência colocou a derrubada do texto da presidente na prioridade das pautas do plenário da Câmara, mas não houve quórum para conseguir votar o projeto nesta noite. Para analisar o mérito da matéria, era preciso que os deputados votassem um requerimento para colocar o projeto do DEM como primeiro item da pauta, mas não havia deputados suficientes para tal deliberação.

Apesar de constar na pauta de amanhã, a votação do projeto é considerada difícil, já que o PT e o PCdoB apresentaram uma série de requerimentos para tentar impedir a votação.

Câmara tentou negociar

Depois de editado o decreto, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), tentou evitar, em um primeiro momento, colocar a matéria em votação, mas não conseguiu convencer o governo a retirar o decreto e enviar um projeto de lei sobre o tema. O peemedebista passou a dizer publicamente que o texto é inconstitucional.

O decreto da presidente Dilma é uma tentativa de dar uma resposta às manifestações de junho do ano passado e aumentar a participação popular. Os governistas defendem que o texto não cria nenhum conselho e apenas organiza um sistema das entidades já existentes.

“Ela (Dilma) pega o que já existe no País, que são os conselhos de saúde, de educação e das pessoas com deficiência, e amplia para que outros setores da sociedade também possam participar de reuniões sobre a definição de políticas para sua cidade ou para seu estado”, disse o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (RS).

 

FMI empurra Ucrânia para “suicídio voluntário”

Via Diário Liberdade

Meramente ilustrativa

Ucrânia – Redecastorphoto – [Michael Hudson] Os alfarrábios pós-bolha assumem que chegamos ao “fim da história”, no que tenha a ver com grandes problemas. Mas ainda falta desmascarar e criticar o grande quadro: o modo pelo qual Wall Street financeirizou o domínio público para inaugurar uma economia neofeudal de pagar pedágio [orig. toll-booth] aos rentistas, ao mesmo tempo em que privatizou o próprio governo que, nos EUA, passou a ser governado pelo Tesouro e pelo Federal Reserve.

A história em que ninguém toca é a história de como o [vaidoso, presunçoso, "ético", moralista, metido a besta] capitalismo industrial [liberal] sucumbiu a um capitalismo financeiro insaciável e insustentável, o qual – perfeito neo “estágio final”! – é jogo de soma zero (só um ganha e, esse, leva tudo) jogado pelo capitalismo – de – cassino baseado em trocas de papéis “derivativos” e fundos hedge, as mais novas “inovações” da jogatina e da agiotagem.

Michael Hudson, 20/5/2009, Counterpunch, em: “The Toll Booth Economy” trecho aqui traduzido e acrescentado [NTs].

O “apoio” ocidental permitirá novos empréstimos pelo FMI e pelos europeus para segurar a moeda ucraniana, até que os oligarcas ucranianos possam transferir com segurança o dinheiro deles para bancos britânicos e norte-americanos – explica o economista Michael Hudson a RT.

RT: O senhor pode resumir para nós as etapas tentadas e testadas que resultarão dos empréstimos pelo FMI à Ucrânia, com o melhor do patrimônio público da Ucrânia sendo transferido para proprietários privados ocidentais – a função “quebra-joelho” do FMI, como o senhor a definiu memoravelmente?

Michael Hudson: O princípio básico a ter em mente é que a finança hoje é guerra, por meios não militares. O objetivo de empurrar o país até que se perca no endividamento, é conseguir arrancar dele o superávit econômico, apossando-se, logo depois, da propriedade nacional. A principal propriedade nacional a ser “obtida” é aquela que gere exportações e divisas (moeda estrangeira). No caso da Ucrânia, significa a manufatura concentrada no leste e as empresas de mineração – itens que, hoje, estão em mãos dos oligarcas. Para os investidores estrangeiros, o problema é como transferir para mãos estrangeiras esses bens e a renda que eles geram – numa economia cujos pagamentos internacionais estão presos em déficit crônico, resultado da fracassada “restruturação” pós-1991. É onde o FMI entra.

O FMI não foi criado para “consertar” déficits domésticos de governos. Os empréstimos que o FMI faz têm destino definido: têm de ser usados para pagar credores externos, sobretudo para manter a taxa de câmbio do país. O efeito, quase sempre, é subsidiar capital especulativo que voa para fora do país – com juros cambiais maiores; para os depositantes e credores sobram menos dólares ou euros. No caso da Ucrânia, entre os credores estrangeiros estaria a Gazprom, que já recebeu alguma coisa. O FMI transfere um crédito para sua “conta Ucrânia”, a qual então paga credores estrangeiros. O dinheiro realmente jamais chega à Ucrânia ou a outros países que tomam empréstimos do FMI. É depositado em contas de estrangeiros, inclusive governos estrangeiros tomadores, como no caso dos empréstimos do FMI à Grécia. Esses empréstimos vêm com “condicionalidades”, condições impostas para obter o empréstimo. Uma dessas “condicionalidades” é a que impõe a “austeridade”. Esse processo de novos empréstimos aumenta o endividamento – o que força o governo a apertar cada vez mais o orçamento, trabalhar com déficits orçamentários menores e vender patrimônio público.

RT: A Ucrânia deve esperar o chamado “efeito-FMI”, com 1/5 da população empurrada para emigrar. Quais as consequências de o país ver partir a parte de melhor formação educacional e profissional da população?

MH: A Ucrânia já depende do dinheiro que os emigrados mandam para casa, que já chega a 4% do PIB (cerca de US$ 10 bilhões/ano.) A maior parte desse dinheiro vem da Rússia, o restante da Europa Ocidental. O efeito dos planos de austeridade do FMI é forçar maior número de ucranianos a emigrar à procura de emprego. E eles terão de mandar para as famílias parte do dinheiro que ganhem fora da Ucrânia, o que fortalecerá a moeda ucraniana na relação com o rublo e com o euro.

 

RT: Em que sentido as ferramentas do FMI são, na realidade, “armas de destruição em massa”, como o senhor escreveu? [1]

MH: Déficits mais baixos de orçamento provocam “austeridade” e desemprego ainda mais profundos. O resultado é uma espiral econômica para baixo. Menos renda, menos arrecadação de impostos. Então os governos são mandados equilibrar os orçamentos… com a venda de patrimônio público – principalmente monopólios existentes, cujos compradores podem aumentar os preços, para fazer aumentar os lucros e o saque econômico. O efeito disso é converter a economia numa economia de “pagar pedágio” aos rentistas. As estradas públicas recebem “postos de [pagar] pedágio”, outros sistemas de transporte, água, esgotos, são privatizados. Isso faz aumentar o custo de vida, e, portanto, o custo do trabalho – mas os salários são reduzidos e reduzidos, sangrados pela austeridade financeira que faz encolher os mercados e eleva o desemprego.

RT: Pode-se dizer que o FMI é “arma de destruição em massa” também em sentido mais literal. A organização ameaçou publicamente e chantageou a Ucrânia; disse que teria de “redesenhar” o pacote de ajuda, a menos que Kiev fizesse guerra contra os ucranianos no leste do país e impedisse os protestos. Essa atitude não converte o FMI em criminoso, literalmente, no mínimo cúmplice ou instigador de guerra e assassinato?

MH: A “condicionalidade” do FMI prevê que assim estaria “pacificando” o leste da Ucrânia. Nessa retórica orwelliana, pode-se pacificar a ferro e fogo; pacificação à bala é a paz dos cemitérios.

O único meio pelo qual se pode alcançar paz econômica e política real é uma federalização da Ucrânia, com unidades independentes, mas coligadas, de modo que cada região consiga ser independente dos cleptocratas em Kiev – a maioria dos quais “nomeados” pelo ocidente.

Quanto às acusações de práticas criminosas, sempre dependem do acusador, do procurador e da corte! Até hoje, nenhum país acusou o FMI por crimes de guerra ou por crime econômico. O máximo que os eleitores podem fazer é rejeitar governos que se rendam às condições que o FMI imponha. Muitos eleitores que podem votarão “com os pés” e andarão para bem longe das urnas eleitorais, simplesmente abandonarão a economia que naufraga. Portanto, o que se deve reconhecer a favor do FMI é que a Ucrânia e outros dos seus “clientes” estão cometendo suicídio voluntariamente. Não se pode dizer que estejam sendo assassinados. A austeridade é uma política. Só raramente os neoliberais armam-se e assassinam governantes que se oponham à austeridade.

Mas, sim, foi exatamente o que aconteceu no Chile, em 1974, no governo de Pinochet. O governo dos EUA estava, então, sim, por trás dos assassinatos. Nesse sentido, pode-se dizer que a Ucrânia é replay do Chile (e do Brasil/1964 [Nrc]) há quarenta anos.

RT: Todos conhecem os efeitos da austeridade na Grécia e em outros países; pesquisas mostram que muitos ucranianos rejeitam a austeridade; hoje, até o FMI já admite que a austeridade não funciona. Por que os governantes da Ucrânia insistem nisso? Será que receberam “garantias” e já têm emprego prometido no ocidente, depois que forem expulsos de seus países, talvez, pelas urnas?

MH: Os líderes ucranianos são, praticamente todos, cleptocratas. O objetivo deles não é ajudar o país, mas ajudar a consolidar o próprio poder. O objetivo deles não é ajudar o país, mas ajudar a consolidar o próprio poder deles. George Soros escreveu que o melhor modo de eles fazerem isso é encontrar sócios ocidentais. Assim os EUA e a Europa terão meios para apoiar os cleptocratas, no processo de fecharem o cerco à economia. Apoio ocidental garantirá mais empréstimo à moda FMI para reforçar a moeda ucraniana, de modo que os ucranianos possam levar seu dinheiro em segurança para o ocidente, para bancos britânicos e norte-americanos.

RT: O senhor entende que a União Europeia chegará a acolher a Ucrânia como membro pleno, para que, nos termos do acordo de associação, os estados-membros possam arrancar do país a melhor parte de seu patrimônio e usar seus trabalhadores como algo bem próximo de mão de obra escrava, pagando-lhes o salário mínimo ucraniano de 91 centavos de dólar por hora de trabalho?

MH: A União Europeia, de fato, nem tem interesse em admitir a Ucrânia como membro. Há uma Política Agrícola Comum [orig.Common Agricultural Policy (CAP)], subjacente à criação entre França e Alemanha, do Mercado Comum em 1957, que define o oeste da Ucrânia como rica terra ocidental; e aquela área ainda é, até hoje, área predominantemente rural. O que os investidores estrangeiros querem é comprar a Ucrânia e “refeudalizar” o país, criando grandes estabelecimentos comerciais rurais, grandes fazendas. Mas a UE dificilmente fornecerá os subsídios necessários para financiar a mecanização e investimentos em capital, para a agricultura na Europa Ocidental.

A União Europeia não precisa integrar formalmente a Ucrânia, para beneficiar-se do trabalho barato. Basta arruinar a economia ucraniana, como arruinaram a economia grega, da Irlanda, da Letônia, para que os trabalhadores ucranianos tenham de partir para o ocidente. E os trabalhadores de maior mobilidade são, tradicionalmente, a geração que está hoje na casa dos 20 anos, a mais bem formada que o país produziu, que fala vários idiomas e tem as competências que mais fazem falta no ocidente.

RT: O senhor escreveu que a Ucrânia “deve ter consultado os EUA”, para explodir aquele gasoduto. O senhor acha que a OTAN apoiará qualquer coisa, até o terrorismo, para tornar o gás russo menos “confiável”, sobretudo num momento em que as gigantes norte-americanas do fracking estão empenhadas em campanha gigante de propaganda & publicidade (“Relações Públicas”) na Europa?

MH: Os EUA pressionaram a Europa para que tornasse ainda mais custosa a economia europeia e dependente das exportações de gás dos EUA. O objetivo principal foi privar a Rússia de divisas. O que a OTAN pensa é, essencialmente, o que o primeiro-ministro Arseniy Yatsenyuk tuitou na 2ª-feira, 16/6/2014: a Ucrânia “não continuará a subsidiar a Gazprom [ao ritmo de] US$5 bilhões/ano, para que a Rússia [com esse dinheiro] consiga armar-se outra vez contra nós”.

A posição dos EUA hoje é a mesma de 1991: sem manufatura a Rússia não pode ser potência militar séria capaz de se autodefender. E sem comprar tecnologia estrangeira e sem vastos subsídios estatais – como os governos de EUA e europeus asseguram às suas respectivas economias nacionais – a Rússia não conseguirá criar manufatura. Assim sendo, a OTAN está hoje dedicada a tentar impedir que a Rússia ganhe dinheiro suficiente para modernizar sua economia, sob o pressuposto de que:

(1) qualquer potência industrial sempre é potencialmente potência militar; e de que

(2) qualquer potência militar pode ser usada para construir a própria independência política, que afastará qualquer país da esfera de influência dos EUA.

RT: Algo mais que o senhor queira acrescentar?

MH: O que está em questão é se as economias, em todo o mundo deixarão o poder da finança continuar a desmontar e minar o poder de governos eleitos e, portanto, a minar o poder da própria democracia. Governos são soberanos. Nenhum governo precisa, de fato, pagar sua “dívida externa” ou submeter-se a políticas que minam os três pilares que definem um estado: a capacidade para criar a própria moeda; para impor impostos e para declarar guerra.

O que está em disputa é quem manda no mundo: o 1% que existe como oligarquia financeira, ou os governos progressistas eleitos. Os conjuntos de objetivos de um lado e do outro são antitéticos: melhorar os padrões de vida da população e ampliar a independência nacional; ou render-se a uma economia rentista, à austeridade e a dependência.

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Nota dos tradutores

[1] 13/5/2014, Michael Hudson, “The New Cold War’s Ukraine Gambit”, cap. do livro Flashpoint in Ukraine (Stephen Lendman, Ed.).

Juca Kfouri: o que fica pro futebol brasileiro

Por Juca Kfouri, via Blog da Boitempo

O que é pior, o vira-latismo ou o puxa-saquismo? Se o primeiro se confundir com espírito crítico certamente o segundo é pior, porque mera bajulação. Comecemos pelo começo: a imagem do Brasil depois da Copa é muito melhor do que, com carradas de motivos, se imaginava antes dela. Fez-se, em resumo, um bom anúncio do país. Porque houve a festa que se imaginava que haveria nos estádios e não houve a tensão prevista fora dele.

Por incrível que possa parecer, Joseph Blatter, o poderoso chefão da Fifa, tinha razão: a sedução do futebol falou mais alto, ainda mais porque, paradoxalmente, se a Copa não apresentou nenhuma seleção inesquecível, mostrou jogos formidáveis, como uma homenagem ao país que já foi o do jogo bonito. Repita-se para suavizar o que virá a seguir: o Brasil ganhou a 20a Copa do Mundo da Fifa e ainda por cima prendeu gente dela que há décadas atenta contra a economia popular, um legado inestimável, exemplar, digno de ser aplaudido de pé assim como a hospitalidade nacional.

Tamanhas vitórias não escondem as derrotas e aqui não se fará nenhuma menção, além desta, à goleada alemã. Por falar nisso, em alemães, nossa Copa foi muito melhor que a da África do Sul, mas não foi, como organização, melhor que a de 2006. Claro, da Alemanha se espera perfeição e a Alemanha esteve perto disso. Do Brasil esperava-se uma catástrofe e o Brasil ficou longe disso. Contudo, na Alemanha não foram construídos elefantes brancos como os de Manaus, Cuiabá, Natal e Brasília, cujas contas jamais serão pagas a não ser que ocorra mais um milagre brasileiro.

Lá não morreram tantos trabalhadores, nem caiu viaduto com duas mortes, nem se desalojou tantas famílias, nem nada custou tanto a ponto de a nossa Copa ter superado o custo dos três últimos torneios e nenhum estádio foi invadido por torcedores como o Maracanã pelos chilenos. Tampouco faltou luz no jogo de abertura. Esquecer tais fatos em nome da imagem externa é que é o verdadeiro vira-latismo, como se a aprovação estrangeira nos bastasse.

É verdade sim que o governo federal, um mês antes de a Copa começar, partiu em busca de empatar um jogo que perdia por 4 a 0 e que conseguiu vencer, digamos,por 6 a 5 — o que exige elogios ao ataque assim como críticas à defesa. Ocorre que há quem queira fazer apenas elogios e outros que só desejam criticar, todos movidos ou por cegueira partidária ou por outros interesses.

Não se trata de negar o sucesso da Copa, mas de dizer que poderia ser melhor. Tudo, aliás, sempre pode ser melhor, por melhor que tenha sido. Trata-se de não esquecer o quanto custou em vidas e dinheiro, em desalojamentos e atrasos, em remendos de última hora, uma porção de coisas para as quais os estrangeiros não estão nem aí, mas que devem preocupar os que estão aqui e que, enfim, pagarão a conta. Porque outro legado da Copa é a consciência de que megaeventos são muito bons para quem os promove e para as celebridades que gravitam em torno,mas não são necessariamente bons para quem os recebe, razão pela qual será excelente se os próximos forem submetidos à consulta popular.

O turista que veio não se hospedou nos melhores hotéis nem comeu nos melhores restaurantes, preferiu albergues ou sambódromos, lanchonetes ou churrasquinhos de gato. Até mesmo os aeroportos inconclusos (o de Brasília é simplesmente espetacular, registre-se) suportaram bem a carga,entre outras razões porque o movimento foi menor que o normal neste período.

Em resumo: o Brasil ganhou a Copa de virada e o resultado pode ser considerado excepcional, digno de comemoração para irritação dos vira-latistas. Mas não foi de goleada como bimbalham os puxa-sacos. Além do mais, se o jogo acabou para o mundo, segue correndo no nosso campo. A um custo que ainda será mais bem apurado.

Democratizar o futebol brasileiro

O resultado em campo e a eliminação do Brasil não alteram, em nada, a minha opinião sobre a crise existencial que arrasa o futebol brasileiro há mais de uma década. O buraco é muito mais embaixo. Os que dirigem o futebol nacional não deram as caras, se esconderam em ambas oportunidades. Como de costume, evitaram e evitarão ao máximo falar sobre as propostas para o futuro pois não entendem bulhufas do que deve ser feito. Entendem de política, de se manter no poder, de explorar o futebol, de mamar nas tetas da vaca. E como disse o senhor José Maria Marin na primeira reunião do Bom Senso na CBF: “Posso afirmar que não temos nada a aprender com ninguém de fora, principalmente no futebol. Sempre tivemos os melhores do mundo no Brasil. Já vencemos cinco vezes a Copa”.

Ninguém tem necessidade daquilo que desconhece. “Coitado”, ele e seus pares achavam que tudo ia muito bem e que o talento bruto resolveria a questão. Não fazem ideia de que a Seleção Brasileira é o menor, apenas a ponta do iceberg (incrível dizer isso depois de tomar de 7), dos problemas do nosso futebol. Devemos aceitar esta derrota como mais uma das muitas importantes lições que a Copa nos trouxe até aqui. Se a procura por um legado era apenas para justificar o excesso dos gastos públicos, agora passou a ser o último lampejo de dignidade. Então proponho uma solução ao caos, DEMOCRATIZEM A CBF e salvem o futebol brasileiro.

Campeões, Bicampeões, Tricampeões, Tetracampeões, Pentacampeões, vocês que construíram o futebol brasileiro dentro de campo, estão convocados. Precisamos de vocês, precisamos ainda mais dos que já provaram sua capacidade fora de campo, gerindo, planejando, vivenciando o que há de melhor no futebol contemporâneo mundial.

Leonardo, Raí, Cafu, Juninho Pernambucano, Kaká, Ricardo Gomes, Roque Junior, Edmilson, Juninho Paulista, Vagner Mancini, Tite, Paulo Autuori e tantos outros, venham, passou da hora de discutirmos um plano de desenvolvimento nacional do futebol, de criarmos regras e licenças para capacitar os novos treinadores, de formar melhor as nossas jovens promessas, de desenvolver ou resgatar o estilo de jogo brasileiro, de proteger as boas práticas de gestão, de punir os infratores, de trazer a família de volta aos estádios de futebol, etc…

Se a CBF não promove esse debate, montemos a nossa Seleção fora dos gramados para desbancar a paralisia da entidade e desatar os nós das amarras políticas que impedem o desenvolvimento, a transparência e a democracia do nosso futebol.

Não os queremos apenas para que deem a cara e tenham a imagem explorada como aconteceu com alguns de nossos companheiros nos últimos anos. Queremos sua experiência, sua paixão pelo esporte, sua alma vencedora e incansável para concretizar mudanças significativas a longo prazo. Acadêmicos, cientistas, estudiosos também são bem vindos, o conhecimento de vocês é fundamental na construção de um novo rumo.

À imprensa e ao torcedor, digo: Não esperem milagres, não acreditem em soluções mágicas como uma simples troca de comissão técnica ou o aparecimento de um novo Neymar. Se o planejamento e o trabalho forem executados por pessoas competentes, apaixonadas e com conhecimento técnico em cada uma das diversas dimensões do futebol, ainda assim, levaremos pelo menos 10 anos para chegar lá. Uma caminhada de mil milhas começa com um simples primeiro passo.

Dilma e Aécio

A presidenta Dilma Rousseff está convocando o Bom Senso FC para uma reunião na sexta-feira da semana que vem para dar prosseguimento à conversa iniciada no último dia 26 de maio, quando se manifestou solidária com o movimento e convencida de que o legado da Copa do Mundo para o futebol brasileiro deve ser a urgente reforma de seus métodos de gestão e a correspondente democratização de suas práticas.

“Agora que temos os estádios, como fazer para mantê-los lotados?”, pergunta a presidenta ao mesmo tempo em que responde: “A grande lição da Copa é a necessidade de reformar o futebol brasileiro”.

Aécio Neves é amigo de José Maria Marin e o homenageou, escondido, no Mineirão. Deu-se mal porque o que escondeu em sua página na internet, Marin mandou publicar na da CBF. Aécio também é velho amigo de baladas de Ricardo Teixeira e acaba de dizer que o país não precisa de uma “Futebras”, coisa que ninguém propôs e que passa ao largo, por exemplo, das propostas do Bom Senso FC.

Uma agência reguladora do Esporte seria bem-vinda e é uma das questões que devem surgir neste momento em que se impõe um amplo debate sobre o futuro de nosso humilhado, depauperado e corrompido futebol. Mas Aécio é amigo de quem o mantém do jeito que está. Não está nem aí para os que reduziram nosso futebol a pó.

*- Este artigo é uma compilação de textos extraídos do Blog do Juca Kfouri.