Arquivo mensais:julho 2014

Rússia: Avião de combate ucraniano voava próximo ao boeing 777 da Malaysia Airlines

Via Telesur

A rota do Boeing 777, voo MH17 da Malaysia Airlines desviou 14 quilômetros ao norte segundo os rastreamentos. (Foto: EFE)

O Ministério da Defesa da Rússia assegurou, nesta segunda, que um avião de combate Su-25 ucraniano voava a cerca de 5 quilômetros da aeronave abatida da Malaysia Airlines. Este tipo de avião é dotado de sistema de mísseis ar-ar R-60, capazes de derrubar alvos à curta distância

O Ministério da Defesa da Rússia informou, nesta segunda, que os sistemas de rastreamento militares russos captaram a movimentação de uma aeronave militar ucraniana, mais precisamente um avião de ataque Su-25, que se aproximou cerca de 5 quilômetros do avião malaio abatido na última quinta.

A rota do boeing se encontrava em área em que operavam as Forças Armadas da Ucrânia, tendo desviado 14 quilômetros para norte.

“Registramos um avião da Força Aérea ucraniana em ascensão, este estava em torno de 3-5 quilômetros de distância”, assinalou.

“As características do Su-25 permitem que este alcance a altura de 10 mil metros, disse o general Andréi Kartopólov.

Explicou ainda que o Su-25 “está dotado de misseis ar-ar R-60 capazes de abater alvos a até 12 quilômetros de distância e impactar seguramente objetos situados a 5 quilômetros”.

“Prova do relatado é um vídeo obtido pelo centro de reconhecimento de Rostov”, afirmou Kartopólov, acrescentando que “Nos interessa saber a resposta da seguinte pergunta: Com que objetivo este avião ucraniano voava numa rota civil e no mesmo nível que o voo do boeing malaio?”

O alto funcionário do exército russo voltou a confirmar que a Rússia não entregou sistemas antiaéreos Buk a milícia popular que atua no leste da Ucrânia.

As equipes de resgate encontraram 282 dos 298 cadáveres das pessoas que se encontravam no avião.

Entrega dos dados sobre a catástrofe

O Ministério da Defesa russo anunciou a entrega, ontem, de todos os materiais relacionados com a catástrofe do Boeing aos especialistas malaios e europeus.

“Os materiais recolhidos pelo Ministério da Defesa russo serão entregues hoje aos especialistas dos principais estados europeus e a Malásia”, declarou Kartopólov na apresentação.

Tradução: Rennan Martins

Antônio David: Dilma pode vencer no primeiro turno, corre risco no segundo

Por Antonio David, via Viomundo

– Dos que consideram o governo Dilma ótimo/bom, 77% declaram ter a intenção de votar em Dilma (p.50). Considerando que hoje o cenário é de indefinição sobre segundo turno, e que mais ou menos um terço do eleitorado considera o governo ótimo/bom, esse dado é crucial. Esses 23% restantes representam nada menos do que entre 7% e 8% do eleitorado. Se Dilma conquistar esses 23% restantes ou boa parte dele, é grande a chance de ela ganhar a eleição no primeiro turno.

Há dois tipos de pergunta nessa pesquisa: espontânea (em que não são apresentados nomes de candidatos ao eleitor) e estimulada (em que são apresentados nomes).

– Na espontânea, chama a atenção que a maioria dos eleitores ainda está indecisa. A seguir, alguns dados sobre o perfil dos eleitores indecisos:

a) 54% ainda não sabem em quem votar. Na espontânea, Aécio tem 9%, Campos apenas 2%. Dilma, 22% (p.30)

b) As mulheres estão muito mais indecisas do que os homens (p.31). Na estimulada também (p.47)

c) Há mais indecisos na base potencial de Dilma: mais pobres e ensino fundamental (p.31), o que leva a crer que ela tem potencial de crescimento quando a campanha começar.

d) Há mais indecisos na região sul. (p.32)

– Acrescente-se aqui um dado importante: os candidatos ainda são pouco conhecidos. Inclusive Dilma. 32% dos eleitores dizem que conhecem Dilma “um pouco” e 15% “só de ouvir falar”. Esse mesmo dado para Aécio é 27% e 37%, Campos, 18% e 34%. (p.53-55). Portanto, tudo depende da campanha na TV e rádio, e dos eleitores que hoje estão indecisos e/ou não conhecem muito bem os candidatos.

– Considero ser muito importante saber como se comportam os eleitores que consideram o governo Dilma regular. Considerando que quem considera o governo ótimo/bom tende a votar em Dilma e quem considera o governo ruim/péssimo tende a votar em outros candidatos, são os eleitores que consideram o governo regular que definirão a eleição. Hoje, mais de um terço encaixam-se nesse perfil. Como se comportam esses eleitores?

a) Na espontânea, 62% dos que consideram o governo Dilma regular não sabem em quem votar (p.34).

b) Na estimulada, apenas 30% declararam ter a intenção de votar nela. 31% ou não sabem ou pretendem votar em branco/nulo, e 40% em outros candidatos. [Dá 101% por conta dos arredondamentos]. Mas deste universo, 31% dizem que não votam em Dilma de jeito nenhum (p.66). Então, tirando 30% que votam nela e 31% que não votam nela, sobram expressivos 39%! Esses em particular definirão a eleição.

c) Entre os que consideram o governo Dilma regular, num segundo turno Dilma x Aécio, 43% votam em Aécio e 40% em Dilma. Na polarização PT x PSDB (petismo x antipetismo) a grande maioria se posiciona.

– Reparem na página 35 que 48% dos que dizem votar em Aécio na estimulada dizem não saber em quem votar na espontânea. No caso de Campos, é 56%. No caso de Dilma, 38%. Ou seja, por enquanto os oposicionaistas têm uma pequena vantagem entre os eleitores indecisos.

– Em relação à evolução da pesquisa estimulada (p.37), não se pode esquecer que nesses 5 meses Aécio só fez campanha; Dilma quase não fez. É natural que ele tenha subido um pouco e a diferença tenha caído.

– Um dado interessante na página 37: comparando a pesquisa de maio com essa, Dilma e Aécio estão estáveis, Campos caiu um pouco, e aumentou de 8% para 14% o percentual dos que dizem não saber em quem votar na estimulada. Ou seja, aumentou o percentual de indecisos. Como a avaliação do governo Dilma está estável, isso talvez decorra do fato de ter havido muita “campanha” de Aécio e Campos nos últimos meses, através da imprensa, sem que tenha havido campanha de Dilma na mesma proporção. Ou seja, campanha faz muita diferença.

– Nas páginas 42 e 44, reparem que essa variação (aumento de indecisos entre maio e junho) foi maior justamente na base potencial de Dilma: eleitores com ensino fundamental e mais pobres.

– Onde Dilma tem dificuldade?

a) Nas páginas 38, 48 e 64, está claro que o gargalo de Dilma é o Sudeste. Até no Sul Dilma tem folga (p.46).

b) Dilma está com dificuldade entre os mais jovens (páginas 47, 63 e 71) e grandes cidades (páginas 48, 64 e 72). Na tabela referente a segundo turno, dá pra ver que a dificuldade se estende à faixa de 2 a 5 SM e ensino médio (p.71). Ou seja: jovens em grandes cidades, que estudaram, mas ganham relativamente pouco (mas mais do que seus pais) e que não têm a memória do governo FHC, hiperinflação, desemprego etc. Acho que o sentimento é de grandes expectativas (criadas pelo lulismo) aliado a uma certa frustração e talvez a um certo sentimento de estagnação. A ver.

– Reparem na relativa pulverização do voto entre os mais jovens, 16 a 24 anos (p.47). Os mais velhos são mais conservadores, apegam-se àquilo que lhes dá mais segurança. Comparados aos mais velhos, é mais forte entre os jovens a busca por alternativas. Mas não se deve hiperdimensionar esse dado. Mesmo assim, também entre os mais jovens predomina a polarização petismo x antipetismo.

– Havendo segundo turno entre Dilma e Aécio, 55% dos eleitores de Campos votariam em Aécio contra 26% em Dilma (p.75).

– Um dado triste para a esquerda: havendo segundo turno entre Dilma e Aécio, 64% dos eleitores de Luciana Genro votam Aécio e apenas 20% em Dilma; 50% dos eleitores de Zé Maria votam em Aécio, contra 28% em Dilma. Portanto, a polarização que domina a sociedade é mesmo petismo x antipetismo (p.75).

– Dessa vez eles não perguntaram se a pessoa votaria em um candidato apoiado por Lula ou por FHC etc. Também não perguntaram sobre percepção e expectativas quanto a inflação, desemprego etc. Estranho terem omitido isso. Esses dados são importantes. Uma pesquisa anterior mostrou que FHC é péssimo cabo eleitoral ao passo que Lula é ótimo cabo eleitoral.

– Em resumo: Dilma tem chances reais de ganhar no primeiro turno. Na campanha ela tem boas condições de crescer e fazer a diferença entre ela e os demais aumentar. Mas, se houver segundo turno, eu diria como sendo razoável a chance de Dilma perder.

Para a íntegra da pesquisa, clique aqui

PS do Viomundo: Faz tempo que insisto que o PT, em vez de falar aos jovens das regiões metropolitanas, resolveu cair na esparrela de que as manifestações de 2013 foram coisa apenas de “coxinhas”, uma tese desmiolada que ganhou grande alcance graças à própria blogosfera. Em vez de pensar sobre o problema, foca na ínfima minoria dos que adotam a tática black bloc. Abraça a fulanização da política: Sininho, que não tem importância alguma, é usada para mascarar o problema real da falta de canais para o engajamento dos jovens na política. Os discursos raivosos contra os black blocs e a Sininho geram muitos cliques e audiência para a blogosfera. Mas os problemas reais dos quais eles derivam ficam intocados. É como se não tivessemos uma crise urbana, que atinge da qualidade do transporte público à falta de opções de lazer para os jovens. Infelizmente para o PT e felizmente para Aécio, os avestruzes ganharam o debate.

Aécio construiu aeroporto pra si mesmo, com dinheiro público

Por Miguel do Rosário, via Tijolaço

Notícia contra Aécio na capa da Folha? Esse é o primeiro espanto, tanto que merece algumas especulações. A Folha tem procurado se descolar um pouco do tipo de jornalismo partidário e unilateral praticado pelo Globo. Contrataram o Ricardo Melo, para fazer um contraponto à esquerda. Agora deram um passo ainda maior e contrataram Guilherme Boulous, dirigente do MTST. Lá tem o Jânio de Freitas, que sempre bate na própria linha do jornal. E a Ombudsman costuma criticar abertamente o tucanismo da empresa.

O que parece haver é um conflito entre o lado familiar da companhia, que tende a um tucanismo sectário, e o lado profissional, preocupado em manter um jornal lucrativo.

O problema é que, no Brasil, um escândalo só vale se houver uma campanha. Ou seja, os outros jornalões também tem de entrar. As revistas, idem. Daí o caso se espalha para todos os veículos de médio porte do país.

Isso ainda não acontece. De vez em quando, Folha ou Estado divulgam algum escândalo tucano. Mas não se cria uma campanha jornalística, como ocorre com qualquer escândalo petista. E o assunto morre.

Esse escândalo do aeroporto é muito grave, porque revela um síntese escandalosa do famigerado patrimonialismo brasileiro.

Coisa de coronel nordestino das antigas.

Aécio Neves não apenas construiu um aeroporto na fazenda de seu tio, ao custo de R$ 14 milhões, mais R$ 1 milhão pela desapropriação do terreno (valor que seu tio contesta e quer mais). Ele construiu para seu uso particular, porque a sua fazenda “preferida”, aquela onde ele mais costuma ir quando se cansa das noitadas no Rio, fica ali ao lado.

O pior de tudo é que o aeroporto, pronto em 2010, é usado apenas por ele, Aécio Neves, que não se deu ao trabalho sequer de concluir a documentação para torná-lo realmente público.

Outro fato interessante: por que se demorou tanto tempo para se descobrir tal coisa? Por que a imprensa de Minas nunca divulgou isso?

Uma das razões da Folha divulgar tal fato com tanto alarde é a constatação de que isso viria à tôna nessas eleições, e a melhor maneira de tratar o episódio é divulgá-lo e dar o direito de resposta a Aécio.

A Folha dá quase metade de página, e na mesma edição, para Aécio responder à denúncia.

É melhor assim do que ver a denúncia cair nas mãos de um “blog”…

A prova de que esse raciocínio é correto está na coluna Painel, da mesma Folha. A coluna dá quatro notas para tentar explicar contradições na declaração de bens de Aécio, reveladas por um “blog”, ao qual a coluna acrescenta o adjetivo “petista”.

Fosse um blog contra o PT, não poria o nome “tucano”…

Os “separatistas pró-Rússia” ajudaram os EUA?

Destroços do boeing 777, voo MH17, da Malaysia Airlines. Euronews/Reprodução

Por Rennan Martins

(Alerta: Texto repleto de ironias)

Enquanto assistimos os EUA, a Ucrânia e toda a mídia ocidental, partes de todo desinteressadas na tragédia, na atrocidade ocorrida com o voo MH17 da Malaysia Airlines, apontar o dedo para Putin e os separatistas do leste, só podemos chegar a conclusão, ainda que sem provas, de que realmente foi a Rússia quem é culpada por este atentado. Neste caso, o que vale é a velha prática da repetição incansável que torna uma mentira, verdade.

Moradores da região de Bagdá observam estragos de explosão na véspera do aniversário de dez anos do início da guerra no país. REUTERS/Mohammed Ameen

Afinal, os anteriores casos de intervenção da OTAN, leia-se Iraque, Afeganistão e Líbia, foram um “sucesso”. As acusações histéricas, bem similares as que vemos atualmente nos noticiários, foram confirmadas e o Ocidente levou dignidade e democracia para os povos.

Deixemos de lado o sumiço da gravação das comunicações entre a aeronave e a torre de controle de Kiev, capital ucraniana. Os “democratas” do Euromaidan, aqueles que em Odessa incendiaram a Casa dos Sindicatos, assassinando 38 pessoas, já comprovaram total lisura e comprometimento com princípios humanistas.

Pravy sector, grupo neonazista que contribuiu no golpe na Ucrânia. Para os EUA, guerreiros da democracia.

Também precisamos ignorar a ausência de imagens e do rastreamento dos três caminhões necessários para operar um sistema antiaéreo Buk: o de comando, o do radar e o de disparo do projétil. É perfeitamente plausível a hipótese dos radares de Kiev e do sistema orwelliano de espionagem de Washington não terem captado estas movimentações.

Após todas as reações internacionais, é imperativa a constatação de que os “separatistas pró-Rússia” prestaram um valioso serviço a seus inimigos.

Na semana passada, antes deste incidente, Washington impunha mais sanções econômicas à Rússia. Seus parceiros da União Europeia preferiram não aderir. No mesmo dia de anúncio das medidas, diversos setores empresariais norte-americanos as desmoralizaram por meio de publicações na mídia corporativa. Alegavam que a Casa Branca se encontrava isolada na iniciativa e que as sanções somente serviam pra que perdessem espaço no mercado para os europeus.

Enquanto pela América Latina, o que se via era Putin percorrendo uma série de países, se aproximando política e comercialmente deles. O BRICS criou o Novo Banco de Desenvolvimento e o Arranjo de Reservas Contingentes. Estes fatos denotaram um verdadeiro furo ao bloqueio que EUA/UE estavam impondo à Moscou.

O que ocorreu, com os EUA assistindo impotentes, foi a criação dos primeiros organismos econômico-financeiros internacionais os quais não estarão sob tutela dos próprios. Para Washington, que se guia pelo princípio de contenção e isolamento de qualquer potência que ameace seu posto, o giro de Putin na região que é considerada seu quintal, e a concomitante ascensão formal do BRICS, é interpretado como verdadeira afronta a sua hegemonia.

Relembremos as linhas gerais da doutrina norteadora das relações internacionais dos EUA, a Wolfwoitz:

“Nosso primeiro objetivo é impedir a re-emergência de um novo rival, seja no território da ex-União Soviética ou em qualquer ponto, que represente ameaça da ordem que exerceu, antes, a União Soviética. Essa é a consideração dominante que subjaz à nova estratégia regional de defesa, e exige que trabalhemos para impedir que qualquer potência se imponha, numa região cujos recursos, sob controle consolidado, bastarão para gerar poder global.”

E então temos que, providencialmente, um avião comercial, repleto de civis das mais variadas nacionalidades, foi abatido pelos capangas de Putin. E o que ocorreu posteriormente?

O que vemos agora é a Alemanha, a Inglaterra e a França convencidas de que precisam impor mais sanções à Rússia. Vimos também o congresso norte-americano aprovar medidas de “ajuda” a seu governo vassalo de Kiev. A Ucrânia ainda beneficiou-se de todo ódio que grande parte do ocidente dirige agora aos separatistas, o que ajudará ainda mais no sentido de fecharmos os olhos para as atrocidades que o governo ucraniano comete reiteradamente na região.

Considerando o veredito final, desprovido de provas, de que os “separatistas pró-Rússia” são os autores deste atentado ao voo MH17 da Malaysia Airlines, é forçoso reconhecer ao menos que, os desdobramentos do evento foram completamente pró-EUA. Intrigante.

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PS do autor: O uso excessivo de ironias neste artigo pode ter comprometido seu entendimento. Esclareço.

O que quis dizer foi que é muito mais provável de terem sido os ucranianos quem derrubaram o voo MH17. Eles possuem motivação, já provaram falta de escrúpulo e ainda se beneficiam da situação atual. Talvez nunca saibamos o conteúdo das comunicações entre a aeronave e a torre de controle de Kiev, mas é preocupante o silêncio absoluto em torno do assunto.

O que vejo é o mesmo teatro o qual Washington encenou antes das guerras do Iraque, Afeganistão e Líbia. Tudo indica que este atentado foi uma falsa bandeira, um “empurrãozinho” que a Ucrânia deu aos EUA.

O Decreto 8243, a participação social e a histeria da Casa Grande

Por Jeferson Miola, via Carta Maior

O Decreto 8.243 traduz os pactos anunciados pela Presidente Dilma em junho de 2013, e é uma inspiração para o debate sobre o padrão de democracia que queremos.

“Artigo 1º – Fica instituída a Política Nacional de Participação Social – PNPS, com o objetivo de fortalecer e articular os mecanismos e as instâncias democráticas de diálogo e a atuação conjunta entre a administração pública federal e a sociedade civil”.

O Artigo que abre este texto é a base do Decreto 8243, assinado pela Presidenta Dilma em maio deste ano. A oposição – PSDB, DEM, PPS – lidera movimentos no Congresso para sustar o Decreto presidencial. Com a proposição de Decretos Legislativos [PDC nº 1491 na Câmara e PDS nº 117 no Senado] que visam derrubar a proposta do governo, trancaram a pauta do Congresso, impedindo qualquer votação.

A justificativa do PDC nº 1491 é uma coleção de argumentos reacionários e retrógrados com a linguagem da guerra fria e apegados a uma visão medieval do mundo. Eles argumentam que “O Decreto presidencial corrói as entranhas [sic] do regime representativo, um dos pilares do Estado democrático de Direito ….”.

E, numa espécie de exorcismo, alertam para “os riscos aos quais as políticas públicas passam a se submeter, ante a necessária oitiva das decisões tomadas no âmbito do aberrante ‘sistema de participação social’ ”. Sim, eles dizem: “aberrante ‘sistema de participação social’ ”.

Advertem também para a “clara intenção da Presidente da República: implodir o regime de democracia representativa”. Para eles, é uma “tentativa de subversão da ordem constitucional posta, uma vez que a sanha autoritária da Presidente da República apenas aguarda o instante para se revelar e assumir o seu lugar”. Neste trecho embolorado, só faltou menção ao “ouro de Moscou”.

Defendem “a necessidade de se combater esta insanidade consolidada no Decreto nº 8243”. No dicionário reacionário, traduza-se por insanidade a participação da sociedade e a prática democrática de gestão.

Além disso, consideram a participação uma “ostensiva e flagrante inconstitucionalidade” a ser eliminada, mesmo que tal ato represente “ostensiva e flagrante inconstitucionalidade” que rompe o princípio da autonomia e independência dos Poderes da República.

A histeria da oposição é ainda mais excêntrica quando se sabe que o Decreto 8243 simplesmente articula e integra num sistema nacional, os vários mecanismos de participação previstos na Constituição e nas leis brasileiras.

É bom lembrar que estamos no terceiro milênio, no ano de 2014, no Brasil, América do Sul, e o planeta é a Terra. A despeito da inconformidade dos conservadores, o Brasil que inaugura o século XXI é o país que escolheu Lula e Dilma para liderarem um projeto de mudanças extraordinárias.

Essa é uma realidade insuportável para a elite reacionária que secularmente se valeu da exclusão política e de práticas autoritárias para viabilizar um padrão elevado de acumulação de riquezas e concentração de terras. É compreensível que PSDB, DEM e PPS se desdobrem para interditar esse novo Brasil – eles são saudosos daquele país arcaico da fala grossa e da obediência servil.

Essa elite sempre resistiu a mudanças; o Brasil foi o último país a acabar a escravidão, e a República nasceu abrindo guerra aos pobres – Canudos/Bahia, Chibata/RJ e Contestado/SC. Ao longo da história, subtraíram do povo direitos elementares, como da instrução e do acesso a escolas e Universidades, condenando nosso povo ao analfabetismo durante séculos.

Eles conservam um medo atávico do povo. Para eles, o povo continua sendo o escravo negro da senzala que está sempre prestes a se revoltar. É uma elite que, em pleno século XXI, ecoa as vozes da Casa Grande; se apavora com a possibilidade do povo se reunir, conhecer, participar, opinar, decidir.

Essa elite tolera somente aquela democracia que pode ser controlada, da eleição a cada quatro anos, dominada pelo poder econômico e organizada pelas regras que manejam e controlam.

O Brasil, porém, não é mais a colônia das capitanias hereditárias e da lógica patrimonialista. O país que finalmente é respeitado no mundo, tem hoje um povo que conquistou muito, adquiriu consciência de suas próprias possibilidades e quer mais mudanças para melhorar ainda mais a vida. Um povo que já não tolera o cabresto e o mandonismo, porque anseia por transparência e participação.

A sociedade brasileira não cabe mais dentro desta democracia limitada; quer mais espaço para exibir sua exuberante diversidade e ver atendidas suas urgências. O caminho aberto pela Presidente Dilma é um convite para que todos os Poderes – inclusive Legislativo e Judiciário –, e todas as esferas de governo – municipais e estaduais – aprofundem os mecanismos de expressão ativa da sociedade para aprimorar a gestão pública com transparência e melhorar a qualidade dos serviços públicos.

As experiências exitosas de gestão participativa comprovam a melhora da capacidade de planejamento estatal, a eficiência dos serviços públicos e a eficácia das políticas públicas. Melhoram também os indicadores de desenvolvimento e, em especial, se amplia o combate à corrupção.

A elite egoísta é contra o progresso e a modernização do Brasil com democracia e igualdade. Mas a agenda do país do século XXI é mais democracia, não menos; é mais república, não menos; é mais participação, não menos; é mais direitos, não menos; é mais cidadania, não menos.

O Decreto 8.243 traduz os pactos anunciados pela Presidente Dilma em junho de 2013, e é uma inspiração para o debate público sobre o padrão de democracia que necessitamos para responder aos desafios desse novo Brasil do século 21.

Seu debate amplo cria um ambiente apropriado para a discussão de outra necessidade democrática premente: da reforma política que responda à exigência de uma república moderna e fundada numa democracia que não seja comprada pelo dinheiro.

Sonegação milionária da Globo começa a ser divulgada

Por Rafael Zanvettor, via Caros Amigos

Globo não pagou imposto pela aquisição dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002

Foram divulgadas, nesta quinta-feira (17) pelo blog O Cafezinho, 29 páginas do processo da Receita Federal contra a Rede Globo. O relatório divulgado comprova que as organizações Globo criaram um esquema internacional envolvendo diversas empresas em sedes por todo o mundo para mascarar a compra dos direitos da Copa do Mundo de 2002. O objetivo principal seria o de sonegar os impostos que deveriam ser pagos à União em pela compra dos direitos.

A expectativa é que os primeiros documentos viessem a público no domingo, pouco depois da final da Copa, mas, por questões de segurança, a divulgação aconteceu nesta quinta-feira.

Operação

A engenharia da Globo para disfarçar a operação envolveu dez empresas criadas em diferentes paraísos fiscais. Todas essas empresas pertencem direta ou indiretamente à Globo, segundo os documentos. O esquema funcionava de modo que o dinheiro para a aquisição dos direitos era pago através de empréstimos entre empresas pertencentes à Globo sediadas em outros países. Deste modo, a empresa brasileira TV Globo, não gastava dinheiro diretamente com a operação. Posteriormente, as empresas que detinham os direitos de transmissão eram compradas pela TV Globo.

“Essa intrincada engenharia desenvolvida pelas empresas do sistema Globo teve, por escopo, esconder o real intuito da operação que seria a aquisição pela TV Globo dos direitos de transmitir a Copa do Mundo de 2002, o que seria tributado pelo imposto de renda”, afirma em relatório do processo o auditor fiscal Alberto Sodré Zile.

Com o esquema, o sistema Globo incorre em simulação e evasão tributária, ou seja, sonegação. O imposto sobre importâncias remetidas ao exterior para aquisição de direitos de transmissão de evento esportivo são de 15%; no caso da empresa beneficiária estar sediada em paraísos fiscais, esta taxa passa a ser de 25%, caso da Globo.

Débito ao País

O cálculo do imposto de renda devido pela empresa chega a 183.147.981, 20 milhões de reais com base no valor pago pela compra, de 732.591.924,140 milhões de reais. Além do imposto devido, a empresa também deve pagar uma multa, que por se tratar de caso que envolve sonegação, chega a 274.721.970,05 milhões de reais. A este valor podem ser acrescidos os juros de mora, como descrito em processo divulgado no ano passado, de 157.230.022,58 milhões de reais. Deste modo, o valor total do débito da Globo com a população brasileira chega ao valor de 615.099.957,16 milhões de reais, sem contar a correção.

Voo MH-17: um “atentado” suspeito demais

Por Paul Craig Roberts, via Outras Palavras

Tentativa de culpar Rússia sem evidências sugere o pior: isolados e em declínio, EUA tentariam manter supremacia por meio de provocação e guerra permanentes

As sanções unilaterais impostas pelos EUA e anunciadas por Obama em 16/7, bloqueando o acesso a financiamentos bancários de empresas russas de armas e energia, comprovam a impotência de Washington. O resto do mundo, incluindo duas das maiores associações comerciais dos EUA, já deram as costas ao presidente.

A Câmara de Comércio dos EUA e a Associação Nacional de Fabricantes [orig. National Association of Manufacturers] fizeram publicar anúncios e emitiram opiniões nas páginas do New York Times, Wall Street Journal e Washington Post protestando contra as sanções inventadas pelos EUA. A Associação Nacional de Fabricantes disse que “estamos desapontados com os EUA, por ampliarem sanções unilaterais de modo que muito prejudica a posição comercial norte-americana no mundo.” A Agência Bloomberg noticia que “reunidos em Bruxelas, líderes da União Europeia recusaram-se a acompanhar as medidas impostas pelos EUA.”[3]

Na tentativa de isolar a Rússia, o insano habitante da Casa Branca isolou Washington.

As sanções não terão efeito sobre empresas russas. As empresas russas podem obter mais financiamentos do que carecem, de bancos chineses, franceses e alemães.

Os três traços que definem a cidade de Washington – arrogância, soberba e corrupção –, também emburrecem a capital norte-americana e a fazem incapaz de aprender. Gente arrogante, tomada de soberba, nunca aprende. Quando encontram resistência, respondem com propinas, ameaças e coerção. A diplomacia exige capacidade razoável para aprender com os erros — os próprios e os dos outros; mas já há anos Washington esqueceu a diplomacia. Washington só conhece a força bruta.

Consequentemente, os EUA, com as sanções, só são capazes de solapar o próprio poder e a própria influência. As sanções só têm estimulado os países a se afastarem do sistema de pagamentos em dólares, que é o fundamento do poder norte-americano.

Christian Noyer, presidente do Banco da França e membro do Conselho de Administração do Banco Central Europeu, disse que as sanções de Washington estão afastando as empresas e os países do sistema de pagamentos em dólares. A soma gigantesca de dinheiro que os EUA assaltaram, sob a forma de “multa” aplicada ao banco francês BNP Paribas, por manter transações com países que os EUA “desaprovam”, mostra bem claramente os graves riscos que ameaçam todos os que ainda insistam em negociar em dólares, quando os EUA ditam as regras que bem entendam.

O ataque dos EUA contra o banco francês serviu para que muitos recordassem as numerosas sanções passadas e se pusessem em alerta contra sanções futuras, como as que ameaçam o banco Commerzbank da Alemanha. Já é inevitável um movimento para diversificar as moedas usadas no comércio internacional. Como Noyer destacou, o comércio entre a Europa e a China não precisa do dólar e pode ser integralmente pago em euros ou renminbi.

O fato de os EUA imporem regras só deles a todas as transações denominadas em dólares, em todo o mundo, está acelerando o movimento de países que se afastam do sistema de pagamento na moeda norte-americana. Alguns países já criaram acordos bilaterais com seus parceiros comerciais, para que os pagamentos se façam nas respectivas moedas próprias.

Os países BRICS já estão estabelecendo novos métodos de pagamento, independentes do dólar, e estão criando seu próprio fundo monetário, para financiar seus negócios.

O valor do dólar dos EUA como moeda de troca depende de seu papel no sistema internacional de pagamentos. Se esse papel vai desaparecendo, também começa a sumir a demanda por dólar e o valor de troca do dólar. A inflação entrará na economia dos EUA via preços de importações, e os norte-americanos, já tão pressionados, verão cair ainda mais os seus padrões de vida.

No século 21, a cada dia menos gente confia nos EUA. As mentiras de Washington, como “armas de destruição em massa” no Iraque (que nunca existiram); “armas químicas usadas por Assad” (que jamais as usou); e “armas atômicas do Irã” (que absolutamente não existem) já são tratadas como absolutas mentiras por outros governos. São mentiras e mais mentiras, que os EUA usam para destruir países e ameaçar outros países com destruição, para manter o mundo em eterno sobressalto.

Washington nada tem a oferecer ao mundo, que consiga acalmar o sobressalto e a aflição que os EUA distribuem pelo planeta. Ser nação amiga de Washington implica aceitar todas as suas chantagens. E muitos já começam a concluir que a amizade não compensa o preço altíssimo que custa.

O escândalo da espionagem universal pela Agência de Segurança Nacional dos EUA contra o mundo, e a recusa dos EUA a se desculparem e desistirem da prática reiterada daqueles atos aprofundaram ainda mais a desconfiança, que já se vê hoje até entre os próprios aliados dos EUA. Pesquisas, em todo o planeta, mostram que outros países veem os EUA como a maior ameaça à paz.

Nem o próprio povo norte-americano confia no governo dos EUA. Pesquisas mostram que ampla maioria de norte-americanos entendem que os políticos, a imprensa empresarial prostituída [orig. presstitute media] e grupos de interesses privados, como Wall Street e o complexo militar/de segurança, violentam todo o sistema para servir seus próprios interesses, às custas do povo dos EUA.

O império de Washington está começando a rachar, circunstância que provoca ação desesperada. Hoje, (17/7, 5ª-feira), ouvi notícias na National Public Radio sobre um avião de passageiros malaio que caiu em território da Ucrânia. A notícia era verdadeira. Mas foi apresentada em tom de fazer crer que teria havido alguma espécie de complô urdido pela Rússia e “separatistas” ucranianos. Na BBC, mais e mais opiniões enviesadas, cada vez mais enviesadas. Até que matéria sobre as “mídias sociais” “noticiava” que o avião teria sido derrubado por um sistema russo de armas antiaéreas.

Nenhum dos “especialistas” ouvidos sequer se preocupava com o que os “separatistas” teriam a ganhar com derrubar um avião de passageiros. Nada disso. Elas já haviam decidido que a Rússia “é culpada”, o que “evidentemente” “obriga(ria)” a União Europeia a apoiar sanções ainda mais duras contra a Moscou. A BBC acompanhava o script dos EUA e “noticiava” o que Washington queria ver nas manchetes!

A operação tem, isso sim, todos os indícios de ter sido concebida em Washington. Todos os promotores oficiais de guerras rapidamente apareceram em todos os canais de televisão e em todas as manchetes. O vice-presidente dos EUA Joe Biden declarou que “a aeronave foi explodida em voo”. Que “não foi acidente”. Ora! Por que alguém teria tanta certeza, antes de qualquer confirmação oficial? Visivelmente, Biden não procurava culpar o governo ucraniano. Claro que quem abateu a aeronave em “pleno voo” foi… a Rússia! É o modo como Washington opera: grita “culpado!” tantas e tantas vezes, até que já ninguém se lembre de exigir provas.

O senador John McCain pôs-se imediatamente a “declarar” que havia cidadãos norte-americanos no avião, o que bastava para ele “exigir” ações punitivas contra a Rússia (tudo isso antes de alguém conhecer a lista de passageiros do avião e as causas da queda).

As “investigações” estão sendo feitas pelo regime de Kiev, fantoche de Washington. Acho que já se poderia escrever a conclusão hoje, sem investigar coisa alguma.

É alta a probabilidade de que apareçam provas fabricadas, como as provas fabricadas que o secretário de Estado Colin Powell dos EUA apresentou à ONU, para “provar” a existência das inexistentes “armas de destruição em massa” iraquianas. Washington safa-se há tanto tempo, com tantas mentiras, golpes, encenações e crimes, que já se convenceu de que se safará sempre.

No momento em que escrevo, não há ainda informação confiável sobre o avião, mas a velha pergunta dos romanos vale sempre: cui bono? Quem se beneficia?

Os “separatistas” nada têm a ganhar com derrubar um avião de passageiros, mas Washington, sim, tinha “bom” motivo: culpar a Rússia. E bem poderia ter também um segundo motivo. Dentre os muitos rumores, há um rumor que diz que o avião presidencial do presidente Vladimir Putin voava rota semelhante à do avião malaio, com diferença de 37 minutos entre um e outro avião. Esse rumor disparou especulações de que Washington teria decidido livrar-se de Putin, mas errou o alvo: tomou o avião malaio pelo jato presidencial russo. O site Russia Today (RT) noticia que os dois aviões teriam aparência semelhante.

Antes de começarem a “explicar” que Washington seria sofisticada demais para ‘errar’ de avião, lembro que quando os EUA derrubaram um avião iraniano no espaço aéreo do Irã, a Marinha dos EUA “explicou” que “pensara” que os 290 civis assassinados naquele atentado estivessem num jato iraniano, um F-14 Tomcat, jato de combate fabricado pelos EUA, e muito usado também pela Marinha dos EUA. Ora! Se a Marinha norte-americana não consegue distinguir nem entre um jato de combate que usa todos os dias, e um avião de passageiros iraniano… é claro que os EUA podem se atrapalhar e confundir dois aviões de passageiros que, como diz RT são, sim, até que “parecidos”.

Durante toda a matéria da BBC, publicada para inventar a culpa da Rússia, nenhum “especialista” lembrou-se do avião iraniano de passageiros que os EUA “abateram em pleno voo”. Ninguém “exigiu” sanções contra os EUA.

Seja qual for o desfecho do incidente com o avião malaio, os fatos indicam um perigo na política soft de Putin contra a intervenção armada e violentíssima dos EUA na Ucrânia. A decisão de Putin, de responder com diplomacia, não com recursos militares, às provocações de Washington na Ucrânia, deu vantagem inicial ao governante russo – como se comprova na reação da UE e de associações de empresários norte-americanos contra as sanções de Obama. Contudo, ao não impor fim imediato, por meios militares, ao conflito que Washington patrocina e comanda na Ucrânia, Putin deixou a porta aberta para os crimes e complôs que Washington está maquinando — e que são especialidade dos EUA.

Se Putin tivesse aceitado o pedido dos antigos territórios russos do leste e sul da Ucrânia, para se reincorporarem à Rússia, o imbróglio ucraniano teria acabado já há meses; e a Rússia não estaria exposta a tantos riscos.

Putin não colheu o benefício de ter-se recusado a enviar soldados para os antigos territórios russos: a posição oficial” de Washington é que há soldados russos operando na Ucrânia. Quando os fatos não ajudam a “confirmar” o que mais interessa à agenda de Washington, “dá-se um jeitinho” nos fatos.

A imprensa empresarial norte-americana culpa Putin; já decidiram que o presidente russo é autor de toda a violência na Ucrânia. É coisa inventada na cabeça de Washington, mas “virou fato” nos jornais e televisões: é o que basta como justificativa para qualquer sanção.

Dado que não há prática ou ato, por sujos que sejam, que Washington não abrace, Putin e a Rússia estão expostos a alto risco de se tornarem vítima de atentados graves ou dos golpes mais abjetos.

A Rússia parece hipnotizada pelo Ocidente, sob forte motivação para ser incluída como parte. Esse anseio por ser aceita trabalha a favor da agenda e dos golpes de Washington.

A Rússia não precisa do Ocidente; a Europa, sim, precisa da Rússia. Opção interessante para a Rússia é cuidar de seus interesses e esperar que a Europa a procure, interessada.

O governo russo não deve esquecer que a atitude de Washington em relação à Rússia é modelada pela “Doutrina Wolfowitz”, que diz:

“Nosso primeiro objetivo é impedir a re-emergência de um novo rival, seja no território da ex-União Soviética ou em qualquer ponto, que represente ameaça da ordem que exerceu, antes, a União Soviética. Essa é a consideração dominante que subjaz à nova estratégia regional de defesa, e exige que trabalhemos para impedir que qualquer potência se imponha, numa região cujos recursos, sob controle consolidado, bastarão para gerar poder global.”

Tradução: Vila Vudu