Arquivo mensais:julho 2014

Por que a Globo tornou novela o processo Kafkiano contra ativistas do Rio

Por Renato Rovai, em seu blog

Brasil de Fato/Reprodução

Há uma narrativa em curso que vem sendo construída pela TV Globo e que busca catalizar a opinião pública contra um grupo de ativistas que foi acusado de formação de quadrilha e ação criminosa pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. A investigação é repleta de inconsistências e de diz-que-diz. Leva em consideração desde P2 que acha que Bakunin é um black bloc , até acusações de quem declaradamente afirma fazê-lo por vingança.

Mas então por que cargas d´água que a Rede Globo decidiu fazer um novelão usando desde o Jornal Nacional até o Fantástico para contar essa história? Por que de repente aqueles que num primeiro momento eram vilões do Merval, do Jabor e do Willian Wack e depois se tornaram heróis, agora voltaram a ser mais do que vilões, mas criminosos que precisam ser presos e se possíveis amargar longos anos na cadeia. Mesmo sem que haja provas contundentes contra quase todos eles.

Em primeiro lugar, a Globo não perdoa.

Ela percebeu que uma das palavras de ordem mais mobilizadoras das ruas em 2013 foi contra a emissora. E mais do que isso, ficou irritadíssima porque seus repórteres tiveram de sair disfarçados para trabalhar. Quem ousasse ir com microfone da emissora ou qualquer coisa que identificasse que trabalhava na empresa dos Marinhos, corria riscos. Este blogueiro, ao escrever isso, não está saboreando este tipo de ação. Sempre foi e continuará sendo contra qualquer tipo de violência. É humanista e pacifista e não liga a mínima de ser chamado de babaca por conta disso.

Em segundo lugar, a Globo sabe fazer contas.

A direção da emissora percebeu que criminalizar as Jornadas de Junho e torná-la em algo historicamente relacionado à esquerda e ao crime pode ser uma boa estratégia eleitoral no curto e no médio prazo. Tanto que depois das matérias da Globo, o PSDB soltou uma nota pedindo a prisão daqueles manifestantes que foram parar em Bangu. Aliás, no mesmo dia em que esse pessoal foi preso, também foram presas pessoas acusadas de atuar contra Aécio na internet. Os mandados de prisão por duas investigações que não tinham nenhuma relação foram expedidos no mesmo dia.

Em terceiro lugar, porque a Globo não tem limites.

Quando se coloca numa batalha, ela só enxerga os objetivos. Não se preocupa com o que terá de fazer para atingi-los. A emissora apoiou incondicionalmente a ditadura militar e não deu um pio enquanto centenas de jovens eram torturados e assassinados. Ela tinha claro que a parceria com aquele regime lhe tornaria um império. Agora, a Globo sentiu que amadurece um projeto de democratização das comunicações e mesmo que ele tenha sido retirado do plano de governo de Dilma que foi ao TSE, o PT e Lula estão convencidos de que é algo urgente. Por isso, a direção da emissora vai apostar tudo em Aécio Neves. Talvez mais do que apostou em outras oportunidades em Serra e Alckmin.

Além disso, ela também percebeu que há riscos de ser derrotada em casa. No Rio de Janeiro, onde talvez vá se dar a disputa ao governo mais renhida, com quatro candidaturas relativamente embolas e com chances de vitória (Garotinho, Crivella, Pezão e Lindberg), a emissora só tem um candidato em que pode confiar plenamente, Pezão.

Garotinho se comporta como um inimigo da emissora, Crivella é da IURD e por consequência da Record e Lindberg é do PT. A narrativa que criminaliza ativistas no Rio também busca um efeito local. A tentativa é fazer crer que só o atual governo tem condições e pulso para lidar com esse “grupo de vândalos”.

Se para atingir seus objetivos a Globo tiver de fazer essas pessoas apodrecerem na cadeia, não titubeará. E por isso, essa ação contra eles ainda está longe de ser um caso encerrado.

Mais do que isso. Pode ser como o assassinato do príncipe Francisco Ferdinando, do império austro-húngaro, durante sua visita a Saravejo. O que parecia algo menor, levou à 1ª Guerra Mundial. Este processo Kafkiano que está sendo contado como uma novela das nove não é o fim de uma história. Tá mais com cara de ser o começo. Com um governo menos permeável às críticas pela esquerda, isso pode ser a regra e não exceção.

A Globo também sabe disso. E por isso está investindo tanto nesta história.

Brasil anuncia que Mercosul negocia antecipar fim de tarifas comerciais com Chile, Colômbia e Peru

Por Luciana Taddeo, via Opera Mundi

Chanceler Luiz Alberto Figueiredo também disse que países do bloco estão prontos para apresentar oferta de acordo à UE

Os países do Mercosul negociam a antecipação dos prazos de eliminação das tarifas comerciais do bloco com Chile, Colômbia e Peru. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (28/07) pelo ministro brasileiro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, na véspera da cúpula presidencial que será realizada amanhã.

”Da nossa parte já está muito avançado”, disse Figueiredo, afirmando que há boa vontade no Mercosul de adiantar os prazos, idealizados inicialmente para 2019. “Agora o que é necessário é uma conversa com Chile, Colômbia e Peru para combinar essa desgravação, essa antecipação dos prazos”, explicou brevemente a jornalistas brasileiros.

Figueiredo disse que no caso do comércio com o Chile, no final do ano já se deve chegar à “tarifa zero” em quase todas as linhas tarifárias. “A ideia é ampliar nosso comércio com os demais países da região, e isso faz sentido porque o Mercosul não é exclusivista, ele é uma plataforma para que se comercie com outras regiões do mundo.”

Além das travas comerciais, reunião de chanceleres também abordou problemas econômicos da Argentina. Agência Efe/Reprodução

Ainda de acordo com o ministro, o benefício para o Brasil seria grande: “A liberalização comercial garante fluxos mais equilibrados, colocação dos nossos produtos em novos mercados. Enfim, essa diversificação do comércio internacional é fundamental para nós”, expressou.

Durante a reunião de chanceleres, o ministro sugeriu uma reflexão sobre os rumos e prioridades da agenda externa do bloco, correspondendo às expectativas dos interesses produtivos. “O Brasil sempre viu no Mercosul uma plataforma fundamental para a projeção dos interesses da região e em particular para a negociação comercial com outros países”, disse.

Sobre as negociações entre o Mercosul e a União Europeia, Figueiredo afirmou que o Brasil “mantém firme seu interesse na conclusão de um acordo”. “Sobre isso todos os sócios já alcançaram, ao longo de nossas negociações intra-Mercosul, ofertas compatíveis com os compromissos assumidos pelos chefes de Estado no relançamento das negociações”.

O chanceler da Argentina, Héctor Timerman, por sua vez, disse que é necessário impulsionar o diálogo com outros blocos da região. “Ainda que cada um tenha seu próprio enfoque, está claro que todos coincidem com o objetivo único de aprofundar o integracionismo econômico, político e social entre seus membros”.

Fundos Abutres

Sobre o problema de seu país, que entrará em estado de default (calote técnico) se não fizer um pagamento até a próxima quarta-feira (30/07) aos “fundos abutres”, credores que não aceitaram reestruturar a dívida arrastada e ampliada desde 2001, Timerman qualificou como uma “grave situação” e agradeceu o respaldo do bloco. Soube-se que o assunto foi discutido na reunião fechada dos chanceleres, mas não seus possíveis efeitos.

O chanceler argentino afirmou ser fundamental que o bloco assuma “conjuntamente a liderança necessária para impulsionar” uma reforma no sistema financeiro internacional. Segundo ele, o sistema atual responde a regras que não cabem no objetivo de desenvolvimento econômico com inclusão social.

“Essa ação dos fundos abutres deve nos mobilizar a todos para trabalhar de maneira decidida, conjunta e coordenada numa profunda reforma. (…) Necessitamos promover regras mais justas e equitativas para que os processos de reestruturação de dívidas soberanas impeçam a ação dos fundos abutres”, disse Timerman.

O paraguaio Eladio Loizaga, por sua vez, lembrou que o tema da reforma no sistema financeiro internacional vem sendo discutido na ONU. “Acreditamos que uma minoria não pode gerar esse tipo de descalabro em um esquema já acordado com os maiores detentores de bônus. Logicamente o Mercosul está dentro de um esquema muito menor, mas quer sobretudo que haja um respeito e acompanhamos a Argentina, que está pagando sua dívida e explicou que vai continuar fazendo isso dentro dos marcos legais”, explicou.

Quando questionando sobre um possível “default”, disse que a Argentina depositou o dinheiro equivalente aos pagamentos e que isso deveria ser levado em conta pela Justiça norte-americana. “Não deveriam sofrer essas consequências”, acredita.

Sobre a Venezuela passar a presidência pro-tempore do bloco para a Argentina – em vez de ser transmitida ao Paraguai, como um gesto político que chegou a se cogitar -, o chanceler afirmou que seu país quer “que o Mercosul seja institucional” e, por isso, defendeu que a ordem de precedência alfabética seja respeitada.

“Me prometeram unzinho”, diz apoiador de Campos e Marina

Via Pragmatismo Político

Eduardo Campos, Marina Silva e os donos do imóvel (Agência Estado)

Dono de casa usada para ‘comitê voluntário’ do PSB constrange Eduardo Campos e sua vice, Marina Silva, ao revelar que lhe prometeram dinheiro pela iniciativa

O presidenciável socialista Eduardo Campos (PSB) passou por uma saia-justa ao lado da vice Marina Silva na inauguração de um comitê voluntário em Osasco, na Grande São Paulo.

O dono da casa, Edivaldo Manoel Sevino, disse esperar receber dinheiro pela iniciativa. Ao gravar um depoimento para ser usado pela campanha, Sevino perguntou se poderia falar a verdade. Encorajado pelos assessores de Marina, fez um gesto com a mão e disse que esperava “receber unzinho” pela atitude.

Marina disse que desconhecia qualquer promessa de pagamento e que é preciso considerar que “pessoa simples” tem outra “visão” sobre a política.

Questionada por jornalistas sobre o episódio, Marina rechaçou a prática de pagar por apoio político e disse que pediu para os seus aliados que organizaram o evento apurarem o caso. “Isso é muito grave”, afirmou. “Não trabalhamos dessa forma, nunca fizemos esse tipo de coisa e isso nem pode de acordo com a lei”.

Experiência eleitoral em 2010

Antes de saber sobre a expectativa do voluntário, Marina atribuiu a iniciativas como a do morador de Osasco o fato de ter recebido quase 20 milhões de votos na eleição de 2010.

“Não é só fazer uma casa de Eduardo e Marina. É também fazer uma doação indireta de uma pessoa que tudo o que ganha, R$ 150, de repente abdica disso para nos receber. Em 2010 tivemos inúmeras dessas contribuições. Quando vocês não entendem porque foram quase 20 milhões de votos, é por isso que foram quase 20 milhões.”

Segundo a assessoria do PSB, mais de 370 pessoas no país já manifestaram interesse em receber a estrutura em suas residências. Os voluntários não recebem remuneração pela disponibilização de seus imóveis para a campanha e têm a função de recepcionar os candidatos e divulgar material de campanha na cidade.

com Agência Estado e Folhapress

Procurador-geral é a favor da criminalização da homofobia

Por André Richter, via Agência Brasil

Rodrigo Janot. Marrapa/Reprodução

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) parecer a favor da criminalização da homofobia. Janot sugere ao Supremo que a punição por atos contra homossexuais seja aplicada pela Justiça nos termos da Lei 7.716/1989 (Lei de Racismo), que estabelece o tempo de prisão para crimes resultantes de preconceito de raça, etnia e religião.

Segundo Janot, a homofobia deve ser tratada como crime de racismo até que o Congresso Nacional aprove uma lei específica para disciplinar as punições. “Razões de equivalência constitucional, ancoradas no princípio de igualdade, impõem a criminalização da discriminação e do preconceito contra cidadãos e cidadãs lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, pois a repressão penal da discriminação e do preconceito de raça, cor, etnia, religião ou precedência nacional já é prevista pela legislação criminal brasileira e não há justificativa para tratamento jurídico diverso, sob pena de intolerável hierarquização de opressões”, de acordo com o parecer.

A manifestação do procurador foi enviada ao STF com base em um recurso da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais contra decisão individual do ministro Ricardo Lewandowski, que arquivou, no ano passado, o mesmo pedido para tratar a homofobia como crime de racismo. Na ocasião, o arquivamento foi solicitado pelo então procurador-geral Roberto Gurgel. Não há data para o processo ser julgado.

Em um mundo de inevitáveis colisões

Por Luiz Gonzaga Belluzzo, via Carta Capital

O arranjo de cooperação financeira e monetária feito pelos Brics colide com os interesses americanos

Não vai ser fácil para os Estado Unidos partilharem a liderança monetária com a China

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul firmaram em Fortaleza um acordo de cooperação financeira e monetária. Esse arranjo está consubstanciado na criação do Novo Banco de Desenvolvimento e no Fundo Contingente de Estabilização. O banco conta com capital de 50 bilhões de dólares e o fundo, com 100 bilhões, poderá mobilizar recursos para defender as moedas daqueles países em caso de situações de crise de balanço de pagamentos. O banco tem capacidade de alavancar recursos de outras instituições financeiras.

Os chamados BRICS anunciam o banco e o fundo no ano do 70º aniversário da concertação internacional que levou à constituição das instituições monetárias e financeiras internacionais de Bretton Woods.

Nos trabalhos elaborados para as reuniões que precederam as reformas de Bretton Woods em 1944, John Maynard Keynes formulou a proposta mais avançada e internacionalista de gestão da moeda internacional. Baseado nas regras de administração da moeda bancária, o Plano Keynes previa a constituição de uma entidade pública e supranacional encarregada de controlar o sistema internacional de pagamentos e de provimento de liquidez aos países deficitários. Tratava-se não só de contornar o inconveniente de submeter o dinheiro universal às políticas econômicas do país emissor, como observamos agora, mas de evitar que a moeda internacional assumisse a função de um perigoso agente da “fuga para a liquidez”.

As transações comerciais e financeiras seriam denominadas em bancor e liquidadas nos livros da instituição monetária internacional, a Clearing Union. Os déficits e superávits seriam registrados em uma conta corrente que os países manteriam na Clearing Union. No novo arranjo institucional, tanto os países superavitários quanto os deficitários estariam obrigados, mediante condicionalidades, a reequilibrar suas posições, o que distribuiria o ônus do ajustamento de forma mais equânime entre os participantes do comércio internacional. No Plano Keynes, não haveria lugar para a livre movimentação de capitais em busca de arbitragem ou de ganhos especulativos.

Em 1944, nos salões do hotel Mount Washington, na acanhada Bretton Woods, a utopia monetária de Keynes capitulou diante da afirmação da hegemonia americana que impôs o dólar, ancorado no ouro, como moeda universal.

Essas características do arranjo monetário realmente adotado em Bretton Woods sobreviveram ao gesto de 1971 (a desvinculação do dólar em relação ao ouro) e à posterior flutuação das moedas em 1973. Na esteira da desvalorização continuada dos anos 70, a elevação brutal do juro básico americano em 1979 derrubou os devedores do Terceiro Mundo, lançou os europeus na “desinflação competitiva” e culminou na crise japonesa dos anos 90. Na posteridade dos episódios críticos, o dólar fortaleceu-se, agora em obediência ao papel dos Estados Unidos como “demandantes e devedores de última instância”.

A crise dos empréstimos hipotecários e seus derivativos, que hoje nos aflige, nasceu e se desenvolveu nos mercados financeiros dos Estados Unidos. Na contramão do senso comum, os investidores globais empreenderam uma fuga desesperada para os títulos do governo americano.

A pretendida e nunca executada reforma do sistema monetário internacional, ou coisa assemelhada, não vai enfrentar as conturbações geradas pela decadência dos EUA. Vai sim acertar contas com os desafios engendrados pelas assimetrias de ajustamento provocadas pelo desarranjo da economia sino-americana, ancorada na força do dólar e no poder dos mercados financeiros dos Estados Unidos.

Impulsionada pela “deslocalização” da grande empresa dos EUA e ancorada na generosidade da finança privada do país, o processo de integração produtiva e financeira das últimas duas décadas deixou como legado o endividamento sem precedentes das famílias “consumistas” americanas, a migração da indústria manufatureira para a Ásia “produtivista” e os desregramentos do endividamento público nos países desenvolvidos.

A interdependência sino-americana não esgota seus efeitos no desequilíbrio comercial entre os dois países, mas avança suas consequências para dentro da Ásia manufatureira e estende sua influência à África e à América Latina, não só como como fontes provedoras de matérias-primas, mas como espaço de expansão de empresas chinesas que iniciam um forte movimento de internacionalização. Está claro que os chineses ensaiam cautelosa, mas firmemente a internacionalização do yuan ao ampliar a conversibilidade financeira e multiplicar rapidamente os acordos de troca de moedas (swaps) com seus parceiros comerciais mais importantes.

Não vai ser fácil para os americanos partilharem a liderança monetária com a China. Muitos argumentam que a política de inundação de liquidez destinada a adquirir, sobretudo, títulos de dívida de longo prazo (quantitative easing) em nada afetou sua utilização como moeda de denominação das transações comerciais e financeiras, a despeito do avanço do yuan nos negócios entre os países asiáticos e, provavelmente, agora, nas transações entre os BRICS.

Seja como for, a crise demonstrou que a almejada correção dos chamados desequilíbrios globais vai exigir regras de ajustamento não compatíveis com o sistema monetário internacional em sua forma atual, aí incluído o papel do dólar como moeda reserva. Isso não significa prognosticar a substituição da moeda americana por outra moeda, seja o euro, seja o yuan, mas constatar que o futuro promete solavancos e colisões nas relações comerciais e financeiras entre as nações.

Bob Fernandes: O “mercado”, que toca o terror na eleição, quebrou o mundo

Por Bob Fernandes, via facebook

O “mercado” não quer Dilma. Isso está nas manchetes há dias, semanas. A Bolsa sobe ou cai a depender de pesquisas que mostram Dilma em baixa ou em alta.

E não só pelos erros do governo Dilma.

Em 2002, em pleno governo Fernando Henrique, o “mercado” fez terror com a hipótese da vitória de Lula. Qual foi o resultado daquele terror todo?

Basta conferir num site de buscas. O governo Fernando Henrique terminou melancólico, com dólar a quase R$ 4, risco-país acima de 4 mil pontos, e inflação de 12, 53% ao ano.

Sobre qualquer assunto que tenha algo a ver com economia, largos setores da mídia dão voz preferencial e, a depender da mídia muitas vezes única, a “especialistas” do “mercado”.

O que é o tal “mercado”?

É o sistema de bancos e demais instituições financeiras. Assim sendo, vale lembrar os custos da crise criada no e pelo “mercado” e que explodiu em 2008.

Mark Anderson, ex-chefe da Standart and Poor’s, o homem que rebaixou a nota de crédito dos EUA, diz que o custo final da crise mundial é de US$ 15 trilhões.

Estima-se que hoje o chamado “mercado de derivativos” seria de US$ 1,2 quatrilhão. Isso é 20 vezes todo o PIB do mundo. Ou seja, é só ficção. É “dinheiro” de mentira.

Isso existe apenas como alavanca para quem pilota o tal “mercado” acumular ainda mais fortuna. Com grandes riscos para o próprio sistema financeiro. Nem se diga para os demais pobres mortais.

Relatório da ONG britânica Oxfam informa: 85 pessoas das 7 bilhões e 200 milhões da Terra têm patrimônio igual à metade da população do mundo.

O 1% mais rico do mundo tem US$ 110 trilhões. O que é 65 vezes mais do que tudo que tem metade da população mundial.

No Brasil, apenas 4 dos bancos tiveram lucro líquido de R$ 50 bilhões em 2013. Isso é mais do que a soma do PIB de 83 países no mesmo ano passado.

Isso é o tal “mercado”. O resto é conversa mole e disputa pelo Poder.

Guilherme Boulos: “O Alckmin está fazendo proselitismo eleitoral”

Por Igor Carvalho, via SpressoSP

Governo de SP desrespeitou acordo firmado com MTST, ordenou reintegração de posse em ocupação da zona sul e ainda acusou o líder do movimento de moradia de querer provocar conflito durante a ação da PM

Na manhã desta segunda-feira (28), o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), desrespeitou um acordo firmado com o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) ordenando a remoção de 4 mil famílias da ocupação conhecida como Portal do Povo, no Morumbi, zona sul da capital.

Através de uma nota veiculada pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), o coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos, foi acusado pelo governo paulista como responsável pelo imbróglio,

“A Secretaria de Segurança Pública lamenta que o Sr. Guilherme Boulos, que se intitula líder do MTST, utilize o déficit habitacional existente na cidade de São Paulo para fazer proselitismo político-eleitoral. O que incomoda o Sr. Boulos é que a ação da PM hoje impediu que ele montasse o cenário para uma reintegração conflituosa, e não pacífica como ocorreu”, afirmou o governo paulista.

Em entrevista ao SPressoSP, Boulos respondeu. “O Alckmin é governador e canditato à reeleição, ele sim está fazendo proselitismo eleitoral. Ele descumpriu um acordo firmado conosco e provocou toda essa situação.”

Havia um acordo firmado entre o governo de São Paulo, através da Polícia Militar, e o MTST para que as famílias saíssem pacificamente do terreno ocupado na próxima quarta-feira (30).

Porém, na manhã desta segunda-feira (28), a Tropa de Choque chegou de surpresa no local e removeu todas as famílias, às 7h, quando várias pessoas já estavam no caminho do trabalho.

Foto de capa: Ninja