Por Julie Lévesque, via Global Research

IB times/Reprodução
Quando tentamos estabelecer quem está por trás do abate ao voo MH17, temos algumas questões centrais e evidências factuais as quais não podem ser ignoradas:
1. A Malaysia Airlines confirmou que o piloto foi instruído a voar a uma altitude mais baixa pela torre de controle de Kiev, quando entrou em espaço aéreo da Ucrânia (Malaysian Airlines MH17 Was Ordered to Fly over the East Ukraine Warzone)
2. A rota do voo foi modificada. Ainda não se sabe de quem partiu esta ordem, mas já se sabe que não foi a Eurocontrol:
O MH17 foi deslocado de sua rota usual a qual passa pela região sudeste, acima do mar de Azov, e então sobrevoou a região de Donetsk. Oblast. (The Flight Path of MH17 Was Changed. July 17 Plane Route was over the Ukraine Warzone)
De acordo com a Malaysia Airlines “A rota de voo usual (acima do mar de Azov) foi declarada segura horas antes pela Organização Internacional de Aviação Civil. A Associação Internacional de Transporte Aéreo também informou que aquele espaço aéreo não estava sujeito à restrições.”
A rota regular do MH17 (e outros voos internacionais) passou mais a sudeste, por cima do mar de Azov, durante um período de 10 dias antes do 17 de julho (dia do desastre). É sabido que a ordem pra mudança da rota não partiu do controle aéreo europeu, o Eurocontrol, enquanto isto, a gravação das comunicações entre o MH17 e a torre de controle de Kiev foi confiscada pelo governo da Ucrânia. A ordem de mudança da rota partiu da torre de controle de Kiev? O piloto foi instruído tomar outra rota? (Malaysian Airlines MH17 Was Ordered to Fly over the East Ukraine Warzone)
3. A presença de uma aeronave militar a jato ucraniana foi confirmada pelo controlador de tráfico aéreo espanhol “Carlos” no aeroporto Borispol, em Kiev, logo após o boeing 777 ter sido abatido, testemunhas locais de Donetsk também confirmaram a informação. (How American Propaganda Works: “Guilt By Insinuation”, Spanish Air Controller @ Kiev Borispol Airport: Ukraine Military Shot Down Boeing MH#17)
O controlador aéreo espanhol usou o twitter pra relatar os acontecimentos em tempo real. Em sua versão, a tragédia não se tratou de acidente, ele afirma que as autoridades ucranianas abateram o MH17 e queriam fazer parecer um ataque dos “separatistas pró-Rússia”. Sua conta do twitter foi derrubada logo em seguida a tragédia. Ainda que as informações por ele prestadas carecem de averiguação, algumas declarações foram confirmadas pela Malaysia Airlines e as autoridades russas.
Houve relatos de que os relatos do controlador espanhol eram falsos e que a conta do twitter residia em Londres. Mesmo com estas informações desencontradas, “Carlos” prestou diversas entrevistas nos últimos 2 a 3 meses, confira a que ele prestou ao RT (Spanish Air Controller @ Kiev Borispol Airport: Ukraine Military Shot Down Boeing MH#17)
4. A Rússia tornou públicas as imagens de satélite e evidências que possui. Estas sugerem que:
a) A junta de Kiev movimentou sistemas antiaéreo Buk em Donetsk e nas regiões próximas a do atentado;
b) Um avião de guerra ucraniano SU-25 voou próximo ao MH17;
c) O relatório apontou a possibilidade de um ataque ar-ar ao MH17;
d) Este relatório apontou ainda inconsistências por parte dos relatos da torre de controle da Ucrânia;
As autoridades russas não chegaram a uma conclusão no tocante a culpa pelo abate da aeronave. (MH17 Show & Tell: It’s the West’s Turn – Russian Satellites and Radars Contradict West’s Baseless Claims)
5. Os EUA, a despeito de seu aparato global de espionagem, não mostrou nenhuma imagem de radar ou satélite a fim de corroborar com suas acusações de que a Rússia, apoiando a oposição do leste ucraniano, foram os responsáveis pelo atentado ao MH17.
Estão os EUA simplesmente lendo blogs? Ou são estes blogs os norteadores da inteligência norte-americana? Ou esses blogs são fabricação da inteligência de Washington para tentar culpar a Rússia? Um deles em particular, o “Ukraine at War”, não passa de uma coleção de informação manipulada e propaganda viciada. As informações por lá veiculadas parecem preceder as declarações da “inteligência norte-americana”. (Assigning Blame to East Ukraine Rebels: US Appeals to “Law of the Jungle” in MH17 Case)
6. “O Ministro da Defesa russo confirmou que no momento do abate ao MH17 havia um satélite dos EUA sobrevoando a área”:
O governo russo apela à Washington que divulgue as fotos e dados capturados pelo seu satélite. (How American Propaganda Works: “Guilt By Insinuation”)
7. Uma fonte da inteligência norte-americana afirma que “Nossas agências de inteligência possuem imagens de satélite que expõem em detalhes a bateria antiaérea que disparou o míssil, porém o sistema parece ter sido operado por tropas do governo ucraniano, vestidos no que parecem ser uniformes ucranianos”. Estas imagens poderiam confirmar as evidências apresentadas pela Rússia as quais mostram a movimentação de sistemas antiaéreos ucranianos na região de Donetsk e proximidades, local da queda do MH17. (Fact number 4, Whistleblower: U.S. Satellite Images Show Ukrainian Troops Shooting Down MH17)
8. A Rússia defendeu a formação de uma equipe de especialistas independes para investigação:
O presidente Putin declarou reiteradas vezes que o trabalho de investigação requer “um grupo representativo de especialistas respondendo as instruções da Organização Internacional da Aviação Civil (ICAO)”. Os pedidos de uma investigação independente especializada, coordenada pela ICAO não demonstram alguém que tenha algo a esconder. (How American Propaganda Works: “Guilt By Insinuation”)
9. Os EUA afirma, sem prova alguma, mas “com confiança”, o envolvimento da Rússia:
No dia 20 de julho, o secretário de Estado John Kerry confirmou que os separatistas pró-Rússia estão envolvidos no atentado a aeronave da Malaysia Airlines, dizendo também que estava “bem clara” a parte da Rússia no caso. Estas são as palavras que usou: “Está bem claro que o sistema (antiaéreo) foi transferido da Rússia para os separatistas. Sabemos disso confiantemente. Sabemos com confiança, com confiança, que os ucranianos não possuíam este sistema nas proximidades, então, obviamente que o dedo aponta para os separatistas.” (Ibid.)
10. As declarações do secretário de Estado John Kerry as quais alegam envolvimento da Rússia no atentado são contraditas por diversas fotos de satélite e testemunhas locais. (Ibid.)
11. Os oficiais de inteligência norte-americanos indicam que não há evidências de que o governo russo envolveu-se no atentado. (US Intelligence on Malaysian Flight MH17: Russia Didn’t Do It. “US Satellite Photos do not Support Obama’s Lies”, O autor refere-se a esta reportagem da Associated Press: US INTELLIGENCE: No ‘Direct’ Russian Involvement In Downing Of MH17)
12. Algumas horas após a queda, as autoridades de Kiev apresentaram um vídeo no qual os separatistas admitem o abate da aeronave, este foi submetido a análise de especialistas os quais concluíram ser o material uma fabricação:
“O segundo fragmento da fita é apresentado como se fosse único, porém, na realidade trata-se de uma emenda de três peças. Uma análise espectral e temporal demonstrou que o diálogo consistiu de cortes de fragmentos unidos. A fita possui algumas pausas curtas que indicam a manipulação: o arquivo de áudio consistiu na gravação de diversos diálogos diferentes”. (Ibid.)
A codificação do vídeo indica que o arquivo foi criado no dia 16 de julho, um dia antes da aeronave ser abatida. Essa informação precisa de maiores confirmações, mas, se mostrar-se acurada, indicaria claramente que as autoridades ucranianas realizaram o atentado e fabricaram as evidências a fim de culpar a oposição. (Did Ukraine Fabricate Evidence to Frame Russia for MH17 Shoot Down?)
13. John Kerry “referiu-se a um vídeo que os ucranianos tornaram público o qual expõe uma unidade SA-11 se dirigindo de volta à Rússia após a queda do boeing 777”. O vídeo foi “postado via facebook na conta do Ministro do Interior da Ucrânia”.
Um outro vídeo do “Buk russo” disponibilizado sugere que os ucranianos estariam exibindo equipamento próprio. (Key Piece of Video “Evidence” for Russian Responsibility for Malaysian Plane Shootdown Debunked)
14. O Promotor Geral da Ucrânia Vitaly Yarema afirmou que os separatistas não possuem sistemas antiaéreos Buk:
“O Ministro do Interior Anton Gerashchenko declarou no dia 17 de julho que o boeing 777 da Malaysia Airlines foi abatido por um sistema de mísseis Buk… Enquanto o Promotor Geral Vitaly Yarema disse, na sexta, ao jornal ucraniano Pravda que: “Após o abate do avião de passageiros, os militares reportaram que os terroristas não possuem sistemas de defesa antiaéreos Buk e os S-300… Estes armamentos não nos foram roubados” (Militias Do Not Have Ukrainian Buk Missile System — Ukraine General Prosecutor)
15. O MH17 está sendo usado para atacar a Rússia economicamente. Ocorreu um aumento nas sanções a despeito da ausência de evidências que culpem o país. Estas medidas objetivam enfraquecer a moeda russa (rublo) e desestabilizar o sistema monetário russo. (The Malaysian Airlines MH17 Crash: Financial Warfare –against Russia, Multibillion Dollar Bonanza for Wall Street)
16. Em 1962, o órgão executivo norte-americano denominado Joint Chief of Staff planejou a Operação Northwoods, que tratou-se de uma missão secreta de “operação de falsa bandeira” na qual uma aeronave civil seria abatida no intuito de culpar o governo cubano. Esta operação objetivava fabricar pretexto pra declarar guerra contra Cuba. (A Implementação desta trapaça foi vetada pelo Presidente John F. Kennedy)
A queda do voo MH17 e as reações das autoridades dos EUA e da grande mídia são fortemente similares ao cenário projetado pela Operação Northwoods. De acordo com o escritor R. Teichmann:
“Entre outras coisas, os documentos apontam o seguinte. Eu (Teichmann) inseri comentários entre parênteses para ilustrar porque o incidente com o MH17 pode ser uma reformulação da proposta da Operação Northwoods:
É possível criar um incidente o qual demonstrará convincentemente que os armamentos cubanos (ou um sistema antiaéreo de mísseis Buk fornecido pela Rússia aos separatistas) atacaram e abateram uma aeronave civil (ou o voo MH17 malaio) em rota, proveniente dos EUA, em direção à Jamaica, Guatemala, Panamá ou Venezuela (ou, atualmente, para Kuala Lumpur).
É possível que criemos um incidente o qual parecerá que os comunistas cubanos (ou dos separatistas do leste ucraniano) tenham abatido um avião civil norte-americano (ou o boeing 777 malaio) em região de águas internacionais (no leste da Ucrânia), que será retratado como um ataque sem motivação. (Framing Russia? Fabricating a Pretext to Wage War: Flight MH-17 and “Operation Northwoods”)
Tradução: Rennan Martins
