Por Marcelo Zero, via facebook

Portal IG/Reprodução
A Sabesp, a mesma que deixou faltar água em São Paulo, assinou, em 2009, um Memorando de Entendimento com a Mekorot israelense para fornecimento de expertise na redução de perda de águas. Detalhe: sem licitação. A Mekorot, empresa pública de fornecimento de água de Israel, é acusada, com razão, de promover um apartheid hídrico na Palestina.
De acordo com as informações dos ativistas de direitos humanos, inclusive de Israel, que combatem o genocídio palestinos, a Mekorot tem sido responsável por violações e discriminações no direito à água, desde a década de 1950, quando construiu a rede nacional de água israelense, que está a desviar o rio Jordão da Cisjordânia para servir às comunidades israelenses. Ao mesmo tempo, priva as comunidades palestinas da possibilidade de acederem à água.
O consumo palestino nos territórios ocupados é de cerca de 70 litros diários por pessoa – bem abaixo dos 100 litros per capita diários recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) – enquanto o consumo diário per capita israelense, de cerca de 300 litros, é quatro vezes mais elevado.
A Mekorot se recusou a fornecer água às comunidades palestinas dentro de Israel, apesar da decisão judicial de um tribunal superior israelense ter reconhecido o seu direito à água.
A Mekorot é um suporte vital para o empreendimento ilegal da colonização: O apoio da empresa à ocupação colonial tem continuado desde a ocupação da Cisjordânia, Gaza e Montes Golã em 1967. Monopolizou o controlo sobre as fontes de água nos territórios ocupados, implementando políticas que reforçam os colonatos israelenses à custa das comunidades palestinas.
O relatório das Nações Unidas sobre as implicações dos colonatos israelenses nos direitos do povo palestino denuncia o papel da Mekorot na expansão dos colonatos.
Assim, qualquer cooperação com a empresa israelense beneficia automaticamente e contribui para a criação ilegal das colônias no território palestino.
A Mekorot participa no crime internacional de pilhagem dos recursos naturais e de destruição gratuita da infraestrutura de água: A empresa faz funcionar mais de quarenta poços na Cisjordânia, sobretudo na região do Vale do Jordão, que abastecem essencialmente aos colonatos israelenses.
A Mekorot trabalha em estreita parceria com o exército israelita, confiscando tubos de irrigação dos agricultores palestinos e destruindo as fontes de água que abastecem as comunidades palestinas. Só em 2012, o exército israelense demoliu 60 estruturas de água e de saneamento pertencentes a palestinos.
A Mekorot nega aos palestinos o direito humano à água como um instrumento para a política israelense de deslocação de populações: No verão, a empresa, escoltada pelo exército, fecha a torneira nas comunidades palestinas da Cisjordânia, deixando-as a seco. É um parceiro orgulhoso do plano “Negev Blueprint” do Jewish National Found, que verá 40.000 beduínos palestinos, cidadãos de Israel, expulsos de suas casas e levados para reservas, sendo sua terra utilizada para um colonato exclusivo de judeus no Negev.
Pelo visto, essa parceria com a empresa do apartheid hídrico não produziu efeitos positivos para a Sabesp. Em São Paulo, do ponto de vista hídrico, todo o mundo vai virar palestino.
Aparentemente,a Sabesp já rompeu o contrato com a Mekorot. Espero que sim.
