Os “separatistas pró-Rússia” ajudaram os EUA?

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Destroços do boeing 777, voo MH17, da Malaysia Airlines. Euronews/Reprodução

Por Rennan Martins

(Alerta: Texto repleto de ironias)

Enquanto assistimos os EUA, a Ucrânia e toda a mídia ocidental, partes de todo desinteressadas na tragédia, na atrocidade ocorrida com o voo MH17 da Malaysia Airlines, apontar o dedo para Putin e os separatistas do leste, só podemos chegar a conclusão, ainda que sem provas, de que realmente foi a Rússia quem é culpada por este atentado. Neste caso, o que vale é a velha prática da repetição incansável que torna uma mentira, verdade.

Moradores da região de Bagdá observam estragos de explosão na véspera do aniversário de dez anos do início da guerra no país. REUTERS/Mohammed Ameen

Afinal, os anteriores casos de intervenção da OTAN, leia-se Iraque, Afeganistão e Líbia, foram um “sucesso”. As acusações histéricas, bem similares as que vemos atualmente nos noticiários, foram confirmadas e o Ocidente levou dignidade e democracia para os povos.

Deixemos de lado o sumiço da gravação das comunicações entre a aeronave e a torre de controle de Kiev, capital ucraniana. Os “democratas” do Euromaidan, aqueles que em Odessa incendiaram a Casa dos Sindicatos, assassinando 38 pessoas, já comprovaram total lisura e comprometimento com princípios humanistas.

Pravy sector, grupo neonazista que contribuiu no golpe na Ucrânia. Para os EUA, guerreiros da democracia.

Também precisamos ignorar a ausência de imagens e do rastreamento dos três caminhões necessários para operar um sistema antiaéreo Buk: o de comando, o do radar e o de disparo do projétil. É perfeitamente plausível a hipótese dos radares de Kiev e do sistema orwelliano de espionagem de Washington não terem captado estas movimentações.

Após todas as reações internacionais, é imperativa a constatação de que os “separatistas pró-Rússia” prestaram um valioso serviço a seus inimigos.

Na semana passada, antes deste incidente, Washington impunha mais sanções econômicas à Rússia. Seus parceiros da União Europeia preferiram não aderir. No mesmo dia de anúncio das medidas, diversos setores empresariais norte-americanos as desmoralizaram por meio de publicações na mídia corporativa. Alegavam que a Casa Branca se encontrava isolada na iniciativa e que as sanções somente serviam pra que perdessem espaço no mercado para os europeus.

Enquanto pela América Latina, o que se via era Putin percorrendo uma série de países, se aproximando política e comercialmente deles. O BRICS criou o Novo Banco de Desenvolvimento e o Arranjo de Reservas Contingentes. Estes fatos denotaram um verdadeiro furo ao bloqueio que EUA/UE estavam impondo à Moscou.

O que ocorreu, com os EUA assistindo impotentes, foi a criação dos primeiros organismos econômico-financeiros internacionais os quais não estarão sob tutela dos próprios. Para Washington, que se guia pelo princípio de contenção e isolamento de qualquer potência que ameace seu posto, o giro de Putin na região que é considerada seu quintal, e a concomitante ascensão formal do BRICS, é interpretado como verdadeira afronta a sua hegemonia.

Relembremos as linhas gerais da doutrina norteadora das relações internacionais dos EUA, a Wolfwoitz:

“Nosso primeiro objetivo é impedir a re-emergência de um novo rival, seja no território da ex-União Soviética ou em qualquer ponto, que represente ameaça da ordem que exerceu, antes, a União Soviética. Essa é a consideração dominante que subjaz à nova estratégia regional de defesa, e exige que trabalhemos para impedir que qualquer potência se imponha, numa região cujos recursos, sob controle consolidado, bastarão para gerar poder global.”

E então temos que, providencialmente, um avião comercial, repleto de civis das mais variadas nacionalidades, foi abatido pelos capangas de Putin. E o que ocorreu posteriormente?

O que vemos agora é a Alemanha, a Inglaterra e a França convencidas de que precisam impor mais sanções à Rússia. Vimos também o congresso norte-americano aprovar medidas de “ajuda” a seu governo vassalo de Kiev. A Ucrânia ainda beneficiou-se de todo ódio que grande parte do ocidente dirige agora aos separatistas, o que ajudará ainda mais no sentido de fecharmos os olhos para as atrocidades que o governo ucraniano comete reiteradamente na região.

Considerando o veredito final, desprovido de provas, de que os “separatistas pró-Rússia” são os autores deste atentado ao voo MH17 da Malaysia Airlines, é forçoso reconhecer ao menos que, os desdobramentos do evento foram completamente pró-EUA. Intrigante.

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PS do autor: O uso excessivo de ironias neste artigo pode ter comprometido seu entendimento. Esclareço.

O que quis dizer foi que é muito mais provável de terem sido os ucranianos quem derrubaram o voo MH17. Eles possuem motivação, já provaram falta de escrúpulo e ainda se beneficiam da situação atual. Talvez nunca saibamos o conteúdo das comunicações entre a aeronave e a torre de controle de Kiev, mas é preocupante o silêncio absoluto em torno do assunto.

O que vejo é o mesmo teatro o qual Washington encenou antes das guerras do Iraque, Afeganistão e Líbia. Tudo indica que este atentado foi uma falsa bandeira, um “empurrãozinho” que a Ucrânia deu aos EUA.

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