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Elpais/Reprodução
Luis Felipe Scolari derrotou os alemães em 2002, na final do Mundial da Coreia-Japão. Porém, é muito provável que seja mais lembrado por essa acachapante derrota que sofreu o Brasil no Mineirão, em Belo Horizonte, mesmo local onde poucos dias antes Neymar e companhia sofreram até as lágrimas para vencer nos pênaltis o Chile, nas oitavas de final.
Ninguém poderá dizer que ele nada ganhou em sua carreira. Luiz Felipe Scolari (65 anos) já foi campeão do mundo com a seleção brasileira em 2002, quando derrotou por 2 a 0 a Alemanha. Porém, sem dúvida que passará a história como o técnico que dirigiu a “verdeamarela” em qualidade de anfitriã do Mundial de 2014, tendo caído categoricamente numa derrota por 7 a 1, na semifinal, diante dos mesmos alemães.
O estádio Mineirão de Belo Horizonte, mesmo local onde sofreram até as lágrimas no último dia 28 para superar o Chile nos pênaltis nas oitavas de final, foi o cenário da maior humilhação esportiva brasileira das últimas décadas.
Scolari, que há 16 anos chegou a declarar que o falecido ex-ditador Auguto Pinochet – quando já havia sido preso em Londres – “fez mais coisas boas que más” tendo justificado a repressão do regime militar chileno dizendo que “há determinados momentos em que se deve ter ordem ou então a anarquia desata”, chegou ao mundial em meio a críticas de baixo rendimento de sua equipe nas partidas amistosas, e por deixar de fora do time figuras como Robinho e Ronaldinho Gaúcho, que bem se sabe não ser a figura de antes, mas que realizou boa temporada no brasileirão passado.
Se por um lado a chegada as semifinais deu a ilusão a torcida de que era possível sonhar com o hexacampeonato, por outro, na partida contra a seleção chilena acendeu-se o alarme por conta da pressão que sofreram os jogadores, tando pela necessidade de se obter um bom resultado como pelo contexto social que viva o país, onde a empolgação com o futebol permitiu que se reduzisse as violentas manifestações de rechaço aos gastos milionários para a organização do Mundial.
A incerteza da seleção brasileira cresceu mais nas quartas de final, onde derrotou a Colômbia, também sem não sofrer, por 2 a 1. No entanto, não foram essas dúvidas que se destacaram, mas sim a lesão na coluna que deixou Neymar fora da competição, o atacante do Barcelona que se mostrou referência desta equipe. E então tivemos um Scolari que se viu sem ideias, sucumbindo como nunca antes e em sua própria casa diante dos alemães dirigidos por Joachim Low, equipe que o treinador brasileiro disse respeitar, antes do “Mineiraço”.
Em coletiva de imprensa na segunda-feira anterior a partida, Scolari referiu-se as críticas que recebia o próprio Low frente a seleção alemã, de quem duvidavam que tivesse condições para aspirar a Copa. “Não importa. De mim também dizem que não sirvo pra ganhar um Mundial”, disse, sem saber que desta vez, seus detratores tinham razão.
Tradução: Rennan Martins
