
Ligação Teen/Reprodução
E eis que a Copa comprada não tinha fundos em seu cheque. A Alemanha se mostrou melhor em produzir gols que a própria Volkswagen. Foram 7 a 1. O choro, notado desde o início e por vezes considerado exagero, ao menos ganhou razão de ser após esta vergonha histórica.
E então nos deparamos com a final. Os hermanos em campanha suada, dramática como o tango, de um lado. De outro, os alemães com sua inédita simpatia e a já conhecida frieza e aplicação.
Há a ala dos indiferentes, para os quais o campeonato só teria graça se fôssemos campeões. Mas não podemos deixar de discutir pra quem torcer, ou no mínimo, apoiar nessa final.
Então, os colaboradores, Laurez, ACQ e Gustavo Santos travaram esta discussão, ACQ ao lado dos alemães, e Gustavo, com os argentinos.
Pra craiar a polêmica, Laurez cita uma passagem de Umberto Eco sobre em sua obra O Cemitério de Praga. É claro, ironizando.
Confira:
“Os alemães eu conheci, e até trabalhei para eles: o mais baixo nível conceptível de humanidade. Um alemão produz em média o dobro das fezes de um francês. Hiperatividade da função intestinal em detrimento da cerebral, o que demonstra sua inferioridade fisiológica. No tempo das invasões bárbaras, as hordas germânicas constelavam o percurso com montes desarrazoados de matéria fecal. Por outro lado, mesmo nos séculos passados, um viajante francês logo compreendia se havia transposto a fronteira alsaciana pelo volume anormal dos excrementos abandonados ao longo das estradas. E Não somente: é típica do alemão a bromidrose, ou seja, o odor repugnante do suor, e está provado que a urina de um alemão contém 20 por cento de azoto, ao passo que a das outras raças, somente 15.
O alemão vive em um estado de perpétuo transtorno intestinal, resultante do excesso de cerveja e daquelas salsichas de porco com as quais se empanturra. Eu os vi certa noite, durante minha única viagem a Munique, naquelas espécies de catedrais desconsagradas, enfumaçadas como um porto inglês, fedorentas de sebo e de toucinho, até mesmo a dois, ele e ela, mãos apertadas em torno daquelas canecas de bebida que por si sós dessedentariam uma manada de paquidermes, nariz com nariz num bestial diálogo amoroso, como dois cães que se farejam, com suas risadas fragorosas e deselegantes, sua túrbida hilaridade gutural, translúcidos de uma gordura perene que lhes unge os rostos e os membros como óleo sobre a pele dos atletas de circo antigo.”
ACQ: Como sou da elite meio branca e meio loira, além de cidadão do mundo, alérgico a nacionalismos e patriotadas, já vou logo avisando que torcerei pela gloriosa Mannschaft no domingo!
Desta vez estarei com o Ratzinger, contra el Paco – Malo y Boludo! Huevón!
¡Pelé! ¡Pelé! ¡Pelé!
Maradona, ¡yo cago en la leche de tu puta madre!
Meu desejo, secreto, é ir à desforra em 2018, com a Rússia, para de novo tomar Berlim.
A história, já dizia um amigo meu prussiano (primo do Heinrich Band, inventor do bandoneón), sempre acontece duas vezes; primeiro, como tragédia, depois, como farra… (Isso mesmo, farra!)
Gustavo Santos: Umberto eco sabe das coisas: eles cagaram na nossa cabeça e foi realmente o dobro dos franceses na copa de 98 em saldo de gols. Incrível precisão.
Já torceria mesmo para Argentina. Porque estou adorando ver a alegria deles na televisão. É uma alegria como a nossa. Eles merecem esse título. Estão enfrentando com coragem o sistema financeiro internacional e está sofrido.
E também porque está nojenta a manipulação da globo para fazer a torcida torcer em peso contra a Argentina no estádio. Está tão explícito e mentiroso que dá vontade de vomitar.
Mas tudo indica que a copa está comprada para Alemanha ganhar e não é só a Globo que entrou nessa, a FIFA também, os jornais alemães estão com espírito de já ganhou.
Mas a maioria dos brasileiros deve torcer pela Alemanha e tem ótimos motivos. Apesar de tudo o que eu disse. Acho eles simpáticos e admiráveis. E estão realmente com um timaço! Merecem ganhar. São favoritos. Mas para eles é só um jogo de futebol. Vão colocar lá toda a dedicação e inteligência que possuem. A vitória seria resultado da competência.
Para os argentinos será uma guerra pela felicidade do seu povo. Vão dar a alma e o sangue. Sua vitória será resultado da paixão. Sou um brasileiro médio. Futebol pra mim é paixão. Vou com a Argentina pro maior templo do futebol para ver outro maracanazo sul-americano!
Alea jacta est!
ACQ: Cada uma que a gente escuta e lê!
O texto a que você se refere é de um personagem do Eco, o Simonino Simonini, um tremendo casca grossa, que concentra em si os mais numerosos e piores preconceitos que podem caber em um ser humano. No romance, ele narrará as teorias conspiratórias mais extravagantes dos últimos séculos, a mais célebre das quais sendo os Protocolos dos Sábios de Sião (livrinho de cabeceira do Adolfo), que, segundo Simonino, teria sido tramado justamente no cemitério de Praga.
O Laurez deixou de transcrever o parágrafo seguinte do libelo contra os alemães no romance do Eco:
(Os alemães) “Enchem a boca com seu Geist, que significa espírito, mas é o espírito da cerveja que os estupidifica desde jovens e explica por que para além do Reno jamais se produziu algo de interessante na arte, salvo alguns quadros com fuças repulsivas e poemas de um tédio mortal. Sem falar da sua música: não me refiro àquele Wagner barulhento e funerário que hoje abestalha até os franceses, mas, pelo pouco que escutei, as composições do seu Bach são totalmente desprovidas de harmonia, frias como uma noite de inverno, e as sinfonias do tal de Beethoven são uma orgia de estardalhaço.”
Quaquaquaquá! E quaquaquaquá! E quaquaquaquá!
Tá bom, torcer para a Argentina é bom também, mas precisa tascar com racismo os conterrâneos do Marx, Engels, Liebknecht, Bertot Brecht, Max Weber, Adorno, Thomas Mann?
E, depois, Gustavinho, misturar futebol com a crise financeira e o imperialismo, é demais também, né! Esse papo choramingoso deu no que deu porque segue o padrão Felipão!
Francamente! Frankfurtamente!
Gustavo Santos: Olha a frase do Eco que o Laurez sabiamente encontrou:
“Um alemão produz em média o dobro das fezes de um francês”.
E não é que cagaram em nossa cabeça o dobro dos franceses em 98?
Os alemães são melhores, mas prefiro ver a alegria da torcida argentina. Se os Argentinos ganharem será um épico dramático. Se a Alemanha ganhar será apenas uma vitória esportiva.
Entre o teatro e o esporte, fico com o primeiro. Cansa menos as pernas e mais o coração.
