Arquivo mensais:junho 2014

Pikettismos: a desigualdade na mira

Por Ladislau Dowbor, via Carta Maior

Carta Maior/Reprodução

Thomas Piketty, com a força da juventude e uma saudável distância das polarizações ideológicas que tanto permeiam a análise econômica, abriu novas janelas.

O livro de Thomas Piketty está nos fazendo refletir, não só na esquerda, mas em todo o espectro político. Cada um, naturalmente, digere os argumentos, e em particular a arquitetura teórica do volume, à sua maneira. Achei interessante comunicar em pequenas notas as reflexões que a leitura me trouxe. Inclusive como tira-gosto para que leiam o original. Os números de páginas se referem ao original francês.

A verdade é que Thomas Piketty, com a força da juventude e uma saudável distância das polarizações ideológicas que tanto permeiam a análise econômica, abriu novas janelas, trouxe vento fresco, nos permitiu deslocar a visão. Se bem que o problema da distribuição da renda sempre estivesse presente nas discussões, a teoria econômica terminou centrando-se muito mais no PIB, na produção de bens e serviços, e muito insuficientemente na repartição e nos mecanismos que aumentam ou reduzem a desigualdade.

Esta atingiu níveis obscenos. Quando uma centena de pessoas são donas de mais riqueza do que a metade da população mundial, enquanto um bilhão de pessoas passa fome, francamente, achar que o sistema está dando certo é prova de cegueira mental avançada. Mas para muita gente, trata-se simplesmente de incompreensão, de desconhecimento dos mecanismos.

A lenta dissipação da neblina que cerca o problema da desigualdade vem sendo construída nas últimas décadas. Basicamente, enquanto a partir dos anos 1980 o capitalismo entra na fase de dominação dos intermediários financeiros sobre os processos produtivos – o rabo passa a abanar o cachorro (the tail wags the dog) é a expressão usada por americanos como Joel Kurtzmann – e com isto passa a aprofundar a desigualdade, foram se construindo, com grande atraso, as análises das implicações.

Um amplo estudo do Banco Mundial ajudou bastante ao mostrar que basicamente quem nasce pobre permanece pobre, e que quem enriquece é porque já nasceu bem. É a chamada armadilha da pobreza, a poverty trap. Esta pesquisa mostrou que a pobreza realmente existente simplesmente trava as oportunidades para dela sair. Com Amartya Sen passamos a entender a pobreza como falta de liberdade de escolher a vida que se quer levar, como privação de opções. O excelente La Hora de la Igualdad da CEPAL mostrou que a América Latina e o Caribe atingiram um grau de desigualdade que exige que centremos as nossas estratégias de desenvolvimento em torno a esta questão. Isto para mencionar algumas iniciativas básicas. O livro do Piketty não surge do nada, sistematiza um conjunto de visões que vinham sendo construídas.

E há naturalmente o acompanhamento do desastre crescente através de tantas instituições de estudos estatísticos. Hoje conhecemos o tamanho do rombo, temos dados para tudo, sabemos quem são os pobres. O The Next 4 Billion do Banco Mundial mostra que temos quase dois terços da população do planeta “sem acesso aos benefícios da globalização”, outros dados nos mostram os dois bilhões que vivem com menos de dois dólares ao dia, outros ainda se debruçam sobre os que vivem com menos de 1,25 dólar ao dia (um pouco mais de um bilhão de pessoas), temos inclusive os detalhes dos 180 milhões de crianças que passam fome, de 4 milhões de crianças que morrem anualmente por não ter acesso a uma coisa tão elementar como água limpa. O Working for the Few, da Oxfam/UK, apresenta uma visão geral da desigualdade, em particular a da riqueza (patrimônio familiar acumulado), que ultrapassa de longe a desigualdade da renda.

Os nossos dilemas não são misteriosos. Estamos administrando o planeta para uma minoria, através de um modelo de produção e consumo que acaba com os nossos recursos naturais, transformando o binômio desigualdade/meio ambiente numa autêntica catástrofe em câmara lenta. Enquanto isto, os recursos necessários para financiar as políticas de equilíbrio estão girando na ciranda dos intermediários financeiros, na mão de algumas centenas de grupos que sequer conseguem administrar com um mínimo de competência as massas de dinheiro que controlam.

O desafio, obviamente, é reorientar os recursos para financiar as políticas sociais destinadas a gerar uma economia inclusiva, e para financiar a reconversão dos processos de produção e de consumo que revertam a destruição do meio ambiente.

Falta convencer, naturalmente, o 1% que controla este universo financeiro diretamente através dos bancos e outras instituições e crescentemente de modo indireto através da apropriação dos processos políticos e das legislações. As pessoas não entendem o que é bilionário, e realmente não é um desafio que faz parte do nosso cotidiano. Mas uma forma simples de entender esta estranha criatura nos é apresentada por Susan George: um bilhão de dólares aplicados em modestos 5% ao ano numa poupança, rendem ao seu proprietário 137 mil dólares ao dia. O que ele vai fazer com este dinheiro? Por mais guloso que seja o bilionário, não há caviar que resolva. O dinheiro, portanto, é reaplicado, e a fortuna se transforma numa bola de neve, gerando os super-ricos, os que literalmente não sabem o que fazer com o seu dinheiro.

Um segundo mecanismo a ser entendido, é a diferença entre a renda e o patrimônio. A renda é anual – resultado de salário, de aluguéis, do rendimento de aplicações financeiras etc. – enquanto o patrimônio (net household wealth, patrimônio domiciliar líquido) – constitui a riqueza acumulada, sob forma de casas, contas bancárias (menos dívidas), ações e outras formas de riqueza. A verdade é que quem ganha pouco compra roupa para os filhos, paga aluguel, gasta uma grande parte da sua renda em comida e transporte, e não compra belas casas, fazendas e iates, e muito menos ainda faz aplicações financeiras de alto rendimento. O pobre gasta, o rico acumula. Sem processo redistributivo, gera-se uma dinâmica insustentável a prazo.

O livro do Piketty não é apenas muito bom, é oportuno. Pois é nesta situação explosiva de desigualdade no planeta, quando até Davos (Davos, meu Deus!) clama que a situação é insustentável, que surge uma explicitação de como se dão os principais mecanismos que geram a desigualdade, como evoluíram no longo prazo, como se apresentam no limiar do século XXI, e em particular como o problema pode ser enfrentado.

O raciocínio básico é simples e transparente: os avanços produtivos do planeta se situam na ordem de 1,5% a 2% ao ano, enquanto as aplicações financeiras dos que possuem capital acumulado aumentam numa ordem superior a 5%. Isto significa que uma parte crescente do que o planeta produz passa para a propriedade dos detentores de capital, que passam a viver da renda que este capital gera, o que justamente nos leva à fantástica concentração de riqueza nas mãos de poucos. E do lado propositivo, esperar que mecanismos econômicos resolvam o desequilíbrio crescente faz pouco sentido: precisamos criar ou expandir, segundo os casos, um imposto progressivo sobre o capital. O que inclusive seria produtivo, pois incitaria os seus detentores a buscar realizar investimentos produtivos em vez de observarem sentados o crescimento das suas aplicações financeiras.

Utópico? Os ricos pagarem impostos não é utópico, é necessário. E tributar o capital parado nas cirandas financeiras, rendendo sem produção correspondente, é particularmente interessante. Na proposta de Piketty para a Europa, seriam 0% para patrimônios inferiores a 1 milhão de euros, 1% para os que se situam entre 1 e 5 milhões, e 2% para os acima de 5 milhões. Não é trágico, não deve levar os muito ricos ao desespero, e geraria o equivalente a 2% do PIB europeu (cerca de 300 bilhões de euros), o suficiente para liquidar por exemplo o endividamento público em pouco anos, e tirar os países membros das mãos dos intermediários financeiros. (889). Seria um bom primeiro passo.

Novo? Não, não é novo, mas é apresentado no livro do Piketty de maneira muito legível (inclusive para não economistas), extremamente bem documentada, e com uma clareza na explicação passo a passo que transforma a obra numa ferramenta de trabalho de primeira ordem.

 

Em defesa de uma reforma política e dos conselhos populares

Por Ronaldo Pagotto*, via Brasil de Fato

O voto é primeira forma de participação do povo na política, e na maior parte do tempo tivemos o direito ao voto restrito aos homens, ricos e letrados, passando a incluir mulheres apenas em 1932 juntamente com o voto secreto, e apenas com a constituição de 88 o voto dos analfabetos. Esse “percurso” não transcorreu sem intensa pressão popular.

No último dia 26 de maio do Diário Oficial da União publicou o Decreto 8243/2014, que institui o Política Nacional de Participação Social – PNPS e o Sistema Nacional de Participação Social – SNPS. Não tardou para uma reação conservadora tomar conta das redes sociais, noticiários, posicionamentos de partidos de oposição e parlamentares. É preciso entender o que está por trás do discurso conservador e da proposta do governo.

Antecedentes históricos

A história do Brasil poderia ser compreendida de diversas formas, mas se optarmos pela ótica da democracia e participação popular, podemos dizer que tivemos mais de 300 anos de monarquia, quase 70 de monarquia parlamentarista, mais de 40 de democracia restrita (voto censitário, masculino e de alfabetizados), duas ditaduras e entre elas e mais recentemente algumas poucas décadas de democracia representativa.

O voto é primeira forma de participação do povo na política, e na maior parte do tempo tivemos o direito ao voto restrito aos homens, ricos e letrados, passando a incluir mulheres apenas em 1932 juntamente com o voto secreto, e apenas com a constituição de 88 o voto dos analfabetos.

Esse “percurso” não transcorreu sem intensa pressão popular. O povo brasileiro sempre se enfrentou com uma classe dominante marcadamente associada aos setores internacionais da burguesia e pouco afeitos as preocupações nacionais. O lugar do povo, na maior parte dessa história, foi o de expectador. De preferência calado, no desejo dessas forças anti-nacionais.

Nossa democracia tem raízes no final do século XVIII, mesmo a sociedade passando por mudanças profundas (urbanização, maior organização da sociedade, mecanismos de comunicação ágeis e mais acessíveis, etc.), mas as bases da nossa democracia não mudaram com ela. Ainda temos uma democracia de representantes e representados, cabendo aos representados escolher a cada 4 anos quem mais lhe apetece (ou menos prejudicará a sociedade). Campanhas milionárias, com pesados gastos com publicidades, para ofertar ao povo o que ele quer ouvir e buscar com isso atrair a simpatia e o voto. E nesse intervalo entre uma votação e outra, o povo não tem poderes institucionais para questionar o eleito, e não existem mecanismos oficiais de participação – nem ao menos para ouvir a opinião do povo, que quando muito acontece em pesquisas de institutos privados.

A última – e mais duradoura – ditadura militar naufragou em uma crise econômica e ao som das lutas pelo direito de votar para presidente. Por detrás dessa palavra-síntese, o que o povo expressou no final da década de 1970 até a constituinte era: queremos democracia real! A Constituinte de 1988 foi disputada item a item, e em grande parte dos temas de interesse popular, a aliança da direita com o chamado centrão derrotou as forças progressistas. Nesses temas estava a reforma política, a reforma agrária, saúde, educação, atuação do estado na economia, dentre outros.

O novo sempre vem

Os anos recentes vem demonstrando que a nossa democracia, fruto da luta popular e democrática, tem grandes limites. A simples participação do povo nos momentos episódicos do voto a cada 2 anos não basta, nosso sistema se amoldou a presença dos grandes grupos econômicos que hoje ajudam a conformar bancadas parlamentares representando interesses de grupos econômicos em uma proporção de 70 a 85% das nossas casas legislativas.

As grandes jornadas de junho e julho mostraram que há uma juventude, especialmente advinda das camadas populares e de trabalhadores, que querem mais. Mais participação, mais possibilidades de influenciar e decidir, de controlar os eleitos, de construir espaços de participação e envolvimento da sociedade. Só uma sociedade ativa, participativa, organizada, teremos condições de avançar nas conquistas sociais, na democratização da nossa sociedade, da representação dos setores populares e seus interesses. A participação é uma condição para avançarmos rumo a uma sociedade justa, democrática e de paz.

Sinais do velho modelo e do medo do povo

Os governos Lula e o atual governo Dilma não mudaram essa sistemática, mas em alguma medida procuraram estimular a participação popular via mecanismos de consultas públicas em milhares de conferências temáticas realizadas pelo país, com uma considerável participação popular e com diversas propostas nascidas nesses processos incorporadas em propostas de lei, da própria gestão do governo e em medidas concretas. Isso não se confunde com uma aplicação estrutural de uma política de participação, longe disso. Foi um modelo bastante limitado e criticável, mas que cumpriu o papel de estimular a participação.

Essa experiência resultou em uma proposta de Decreto Presidencial, o Decreto 8243/2014, que institui a Política Nacional de Participação Social – PNPS e o Sistema Nacional de Participação Social – SNPS, que converte essa experiência dos três governos em medidas permanentes do Estado. Importante esclarecer que não se trata de uma mudança na política de envolvimento da sociedade civil, ou quiçá uma ruptura para instituir o conselheirismo no Brasil.

Mesmo sendo um decreto sem novidades, instituindo como política de estado uma prática já assente nesses 12 anos, diversos setores das classes dominantes saíram atacando o decreto. Acusações de chavismo, sovietismo, colselheirismo, instituição de um estado paralelo, criar caminho para a duplicidade de poderes e outros absurdos da maior grandeza. A reação das elites locais não nos é estranha. Essa elite conduziu esse país na maior parte do tempo sob ditaduras, regimes de participação restrita ou monarquia. O povo nunca coube na conta da democracia brasileira, quando muito para votar e legitimar os processos eleitorais.

E um decreto simples, instituindo processos de participação popular, de ampliação dos canais de envolvimento da sociedade, bastante limitados, recebe um ataque mordaz e feroz. O que isso nos indica? Que essa elite é filha de pai, mãe e parteira das piores tradições anti-democráticas! Tem medo da participação popular, da presença do povo, e ataca o decreto como se fosse um ataque a democracia.

Acusam de atacar a democracia uma proposta que institui como mecanismos de Estado uma política de participação popular. Nada mais absurdo do que isso. Mas essa elite não o faz só para atacar essa proposta. Os atos de junho e as lutas dessas última década demonstram que o povo quer participar, quer discutir, se envolver, controlar os eleitos, ser eleito também e discutir os rumos da política nacional. Atacam a proposta de realização de uma Constituinte exclusiva para reformar o sistema político, que certamente cumprirá com o que ficou incompleto na Constituinte: limitar o poder econômico, ampliar os mecanismos e formas de participação, controle, opinião, além de corrigir distorções como a sub representação de setores importantes da sociedade.

Essas bandeiras estão nas ruas, nesse momento em uma campanha que realizará uma consulta ao povo em setembro, perguntando: você é favorável a convocação de uma assembléia nacional constituinte exclusiva e soberana para reformar o sistema político brasileiro? Não percamos de vista, os inimigos desse decreto sobre a participação popular são os herdeiros dos inimigos das bandeiras democráticas da constituinte e da história do Brasil.

O povo já deu o seu recado: essa democracia chegou ao seu limite. É hora de eleger uma Assembléia Constituinte e realizar uma Reforma Política. O povo quer participar, quer exercer o poder, fazer o Brasil avançar. O temor da participação popular é apenas uma amostragem do quão anti-democrática são as elites nacionais. Temam o povo na política e saibam: a ditadura de vocês era a da minoria em face da maioria. Está chegando o tempo da democracia ser das maiorias para as maiorias.

*Ronaldo Pagotto, advogado e militante da Consulta Popular

 

Polícia prende manifestantes e intima membros do MPL para depor ‘à força’

Via Brasil de Fato

Mídia Independente Coletiva/Reprodução

Um professor e um estudante serão encaminhados a um CDP acusados de associação criminosa; 22 ativistas do Passe Livre foram intimados pela quinta vez para comparecerem ao Deic. Grupo se recusou a ir.

Dois supostos “black blocs” foram presos nesta segunda-feira (23) por porte de artefato explosivo, associação criminosa e incitação à violência. O professor Rafael Marques Lusvarghi e o estudante Fábio Hideki Harano participaram do protesto contra a Copa, em São Paulo, ontem. Os manifestantes foram abordados por policiais civis à paisana, sem nenhum tipo de identificação.

O Grupo de Apoio ao Protesto Popular (Gaap) disse, por meio de nota, que diversas pessoas que presenciaram o momento das detenções afirmaram que Lusvarghi estava sem camisa e que não portava nenhum tipo de artefato, pois estava de vestido.

Já Harano, ainda de acordo com o Gaap, é um manifestante de longa data, conhecido da rua e que nunca se engajou em nenhum tipo de comportamento violento.

Para o secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Fernando Grella, a prisão é a “resposta da lei para esses indivíduos”.

“Eles estão presos porque são os primeiros casos de ‘black blocs’ presos em flagrante por incentivar prática de crimes”, disse Grella em entrevista coletiva.

Ambos devem ser transferidos ainda nesta terça-feira (24) a um Centro de Detenção Provisória (CDP).

Depor à força

No mínimo 22 integrantes do Movimento Passe Livre (MPL) serão conduzidos forçadamente pela Polícia Civil para depor sobre atos de violência ocorridos na manifestação do último dia 19. Essa é a quinta vez que os militantes recebem intimações para comparecer ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).

Os membros do MPL se recusaram a depor, pois alegam que o inquérito é ilegal. O movimento explica que a intimação não busca apurar algum crime específico, “mas sim mapear e guardar informações a respeito dos manifestantes”.

“Entendemos que esse inquérito, além de ilegal, é uma tentativa de criminalização da luta social e uma continuação da sistemática violação de direitos das pessoas que já foram presas ilegalmente. Por isso exigimos seu trancamento imediato, por isso já impetramos um Habeas Corpus, e, mais uma vez, não iremos ao DEIC”, manifestou o movimento por meio de nota.

Já o secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Fernando Grella, disse que os ativistas serão ouvidos “sem dúvida nenhuma”.

Sarney anuncia que não vai se candidatar à reeleição para o Senado

Via Revista Fórum

Uipi/Reprodução

Perda de apoio de político e a frágil saúde da espoa teriam levado o senador a tomar tal decisão

O senador José Sarney (PMDB-AP) revelou que não vai concorrer à reeleição ao Senado. A decisão se tornou pública por meio de uma nota assinada pelo jornalista Cleber Barbosa, do gabinete de Sarney, divulgada hoje (24). O ex-presidente da República ocupava uma cadeira no Senado desde 1991.

De acordo com a nota do jornalista Cleber Barbosa, alguns motivos fizeram com que Sarney tomasse essa decisão, entre elas, o fato de que o senador pretende ficar mais perto de sua esposa, Dona Marly, que está doente e vive entre idas e vindas de hospitais.

Além do motivo familiar, há também os fatores políticos. No texto, Barbosa afirma que tal decisão já tinha sido comunicada ao PMDB na semana passada. A nota ainda trata das vaias que Sarney recebeu durante o lançamento do programa Minha Casa Minha Vida, em Macapá. “Lá mesmo, na festa da presidente Dilma, muitas pessoas aplaudiram, espontaneamente, a minha presença e a ajuda que tenho dado ao Brasil e ao estado”, declarou Sarney em nota.

Leia a íntegra da nota:

“O senador José Sarney (PMDB-AP) manifestou-se, agora há pouco, a respeito do episódio ocorrido nesta segunda-feira (23) em Macapá, por ocasião do evento do programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal, em que foi hostilizado por militantes partidários de declarada oposição a ele.

Era esperado que isso pudesse ocorrer, diz, primeiro pelo acirramento do pleito eleitoral que se avizinha, segundo, pela própria mobilização feita com esse propósito, fato este do conhecimento de todos. Sarney diz ter sido convidado pessoalmente pela amiga e aliada Dilma Rousseff, presidente do Brasil e entusiasta do programa de habitação popular iniciado ainda na gestão de Luís Inácio Lula da Silva (sic), outro companheiro de sua estima. Sarney foi, mais uma vez, diplomático, seguiu o protocolo que o evento exigia, para prestigiar a amiga Dilma e os amapaenses beneficiados pelo programa.

Diz também ter recebido no evento – como ocorre por onde quer que vá no país e fora dele – o carinho e a consideração de brasileiros que reconhecem a importância de seu papel na condução do país à redemocratização. “Lá mesmo, na festa da presidente Dilma, muitas pessoas aplaudiram, espontaneamente, a minha presença e a ajuda que tenho dado ao Brasil e ao estado”, acrescenta o ex-presidente.

O senador, de 84 anos, também confirmou aquilo que seus amigos mais próximos e os aliados em Macapá foram comunicados na semana passada, de que não vai disputar a reeleição para o Senado em outubro próximo. “Essa decisão já estava tomada, comuniquei isso ao meu partido na semana passada. Entendo que é chegada a hora de parar um pouco com esse ritmo de vida pública que consumiu quase 60 anos de minha vida e afastou-me muito do convívio familiar”, declarou.

Sarney tem acompanhado de perto as idas e vindas da esposa, Dona Marly, aos hospitais em repetidas cirurgias e lentos processos de recuperação, em casa, como ocorre atualmente.

Ele confirma presença na Convenção do PMDB na próxima sexta-feira, dia 27. E diz também que irá participar das eleições deste ano, não como candidato, mas ajudando de todas as formas, aos inúmeros amigos e aliados que estarão na disputa. Também será a ocasião para se dirigir aos correligionários e simpatizantes, bem como aos cidadãos e cidadãs de bem do Amapá, a quem nutre “profunda gratidão.”

Diálogos Desenvolvimentistas: A escalada da violência na Ucrânia e seus desdobramentos internacionais

Portal Vermelho/Reprodução

Edição por Rennan Martins

No último dia 15, o renomado jornalista Mauro Santayana, publicou artigo intitulado “Um tiro no pé”, no qual noticia a suspensão das obras do gasoduto proveniente da Rússia, que passaria pela Bulgária, o que constituiria uma alternativa de fornecimento do gás russo à Europa, no caso da instabilidade ucraniana impedir esta transação.

A paralisação se deu após uma comissão norte-americana, liderada pelo senador John Mccain, visitar Budapeste. É sintomático o acontecimento, tendo em vista que a Europa abre mão da garantia de fornecimento do gás que alimenta suas indústrias, casas e comércio, e se sujeita a posição dos EUA, sem ao menos ter uma alternativa palpável de outra fonte do recurso.

Nesse ínterim é relevante acrescentar que a Rússia anunciou que a venda de gás a Kiev está condicionada a pagamento prévio. Um dos blogs de mais destaque na cobertura da crise na Ucrânia, o The Vineyard of the Saker, considera que a junta golpista passará a roubar o gás comprado pela Europa, que necessariamente passa por eles. União Europeia e Estados Unidos alimentaram esta aberração, agora também sofrem com seus efeitos.

A escalada do conflito se dá incessantemente e o risco de guerra aberta se torna cada vez mais iminente. As hostilidades praticadas por Kiev, apadrinhadas pelas potências ocidentais, tornam a intervenção militar russa na região questão de tempo para alguns analistas.

Considerando que o que está ocorrendo na Ucrânia é somente parte menor de um plano de contenção de potências por parte dos EUA, nossos colaboradores Ceci Juruá, doutora em políticas públicas, Paulo Timm, economista, Carlos Ferreira, engenheiro e Adriano Benayon, doutor em economia debateram o cenário internacional da atualidade a luz de fatos históricos. Nas colocações a impressão de que essa escalada na tensão resultará numa grande guerra chama a atenção.

Confira:

Ceci Juruá – Não seria a primeira vez em que os capitalistas das potências centrais caminham cegamente em direção a uma política suicida, mas esperemos que não conduzam a uma guerra, como já o fizeram em outras ocasiões similares.

Paulo Timm – Pessoalmente, acho que dificilmente escaparemos a uma nova Grande Guerra. Todos os antecedentes, similares a I e II Guerras estão presentes: Crise da Economia, Crise do Centro Hegemônico, disputas acentuadas por áreas de influência e território. Uma grande guerra jamais começa, também, grande. Ela se inicia, deflagrada até por um incidente marginal como o famoso atentado em Sarajevo, e vai aglutinando forças em conflito. Vejo um potencial bélico muito grande entre USA x RUSSIA e, lamentavelmente, não encontro aí mais do que interesses nacionais. Sou de uma Era da internacional comunista em que reverenciávamos o internacionalismo proletário como defesa intransigente da urss, acima, até, do nacionalismo. E confiávamos, cegamente, que lá naquela luz do Kremlin, que jamais cessava de brilhar uma luz, um grande líder velava pelo destino da classe trabalhadora do mundo inteiro. Hoje sinto que isso foi um erro. Levou a muitos erros de interpretação dos comunistas, principalmente no Brasil, em 1935, depois em 1954, vésperas da morte de Vargas. Lembremo-nos que os jornais ditos comunistas não foram poupados pela ira popular no 24 de agosto fatídico. Hoje, honestamente, mesmo sem ser entusiasta do Governo PT e da Dilma, acho que eles estão à esquerda de Putin.

Mas é aquela velha história: Se eu errei antes e mesmo agora erro às vezes, posso estar enganado quanto ao caráter político da Russia atual.

Ceci Juruá – Creio que agora apoiamos Putin não mais como sobrevivente da União Soviética, mas porque ele está em defesa da paz, e não por ideologia, mas por necessidade.

Carlos Ferreira – A Primeira Guerra Mundial, foi tenazmente fomentada com o intuito da Inglaterra de bloquear o crescimento da Alemanha como potência mundial, principalmente em atendimento a doutrina inglesa de não permitir o surgimento de nenhuma Marinha de Guerra que pudesse ameaçar o poderio da marinha real britânica. Por conseguinte, a hegemonia da Inglaterra no domínio dos mares, base então de seu secular poder mundial. Justamente contra isto, a Alemanha vinha implementado um formidável programa de construção naval, provendo a marinha imperial alemã de meios navais modernos, capazes e poderosos. Soma-se a isto o desejo da França de recuperar os territórios perdidos na Guerra com a Prússia, na qual foi derrotada, bem como o desejo pueril do Tzar de dominar o estreito de Bósforos.

Utilizando os tratados de ajuda militar mútua, ficou fácil tecer e viabilizar o incidente de Sarajevo, conduzindo aquela carnificina que foi a Primeira Guerra Mundial. Ressalta-se que a Alemanha tudo vez para evitar a guerra, mas em vão contra a intransigência inglesa que prevaleceu.

Realmente, como já escrevi, vejo o momento atual como uma situação análoga aquela de 1913/1914, isto é, a manutenção de hegemonias e no momento presente, praticada pelos EUA, que aplica a ferro & fogo a sua doutrina de poder (Zbigniew/Wolfowitz). Tudo, mas tudo mesmo será feito para impedir o surgimento de uma potência ou potências, que possam rivalizar militarmente com os EUA. Neste contexto, a Rússia é a “bola da vez”, após a qual será tratada a China, que por sinal também já sofre forte processo de contenção.

Deve-se observar também os processos de desestabilização dos BRICS, que serão intensificados se na reunião programada para o próximo mês em Fortaleza, ocorrer a criação de bancos próprios e a heresia máxima, utilização de moedas nacionais nas transações entre membros.

Já há uma “Guerra Morna”, com forte possibilidade de escalar e se tornar incontrolável. A Rússia está sendo levada a um ponto insustentável de pressão política/midiática/econômica/militar. Não há como prever até onde Putin terá condições de aguentar, sem reagir militarmente e levar a guerra, que é o grande objetivo a ser alcançado.

Adriano Benayon – Não me pauto por ideologia, por considerações como se alguém está à esquerda, se é marxista, se não é etc. Claro que PT, Lula e Dilma não são esquerda.

São incaracterísticos demais do ponto de vista da filosofia política (nem tem estofo cultural para isso; e claro que tampouco o têm os vendilhões do PSDB, PMDB e de n outras siglas; aliás, ao contrário de vocês, penso que FHC não merece respeito algum, não apenas por sua carreira política caracterizada pela corrupção entreguista, mas também do ponto de vista intelectual, como demonstrei em alguns tópicos de meu livro).

Por outro lado, parece-me incontestável a superioridade de Putin em relação a esses elementos amorfos e cuja maior preocupação em suas vidas são suas próprias carreiras políticas.

Nem me parece válido sequer comparar um líder de potência que vem contribuindo para algum equilíbrio na balança de poder mundial, inclusive através de entendimentos com outras potências na direção do Oriente, com figuras que objetivamente, fazem a alegria dos banqueiros com os juros mais altos do mundo, cumulam de benefícios e subsídios os grandes concentradores, as montadoras de veículos e outras transnacionais, liberam os letais transgênicos e agrotóxicos, satisfazem o agronegócio e agravam a inserção do Brasil em posição subalterna na divisão internacional do trabalho. Além disso, são tão fracos que subsidiam também e às centenas de bilhões de reais a mídia que os vilipendia.

Se isso é ser esquerda, quero distância da esquerda. Já Putin renacionaliza empresas importantes, defende os interesses nacionais, impede que as ONGs usem a Rússia como casa da sogra, como fazem no Brasil. Se isso é ser direita, então nada contra a direita.

Quanto aos comunistas, reconheçamos e não condenemos demais os erros que cometeram no Brasil. Em momentos importantes, foram enganados pelos serviços secretos britânicos, por exemplo. Se hoje forem capazes de se juntar aos que querem defender o Brasil, cuja própria integridade está em dificuldades, sejam bem-vindos. Que os anticomunistas, também iludidos pelos serviços secretos angloamericanos não continuem a ver nos comunistas a fonte de todos os males e que aprendam as lições: foram usados pelo império e jogados fora como laranja chupada. Os empresários que temiam ser expropriados pelos comunistas, o foram pelas transnacionais.

Copa: o Brasil ganhou, a mídia perdeu

Por Luís Nassif, em seu blog

Joatam/Reprodução

Já se tem o resultado parcial da Copa: reconhecimento geral – da imprensa nacional e internacional – que é uma Copa bem organizada, com estádios de futebol excepcionais, aeroportos eficientes, sistemas de segurança adequados, logística bem estruturada e a inigualável hospitalidade do povo brasileiro.

Vários jornais (internacionais) já a reconhecem como a maior Copa da história.

Agora, voltem algumas semanas atrás, pouco antes do início da Copa. A imagem disseminada pela imprensa nacional – era a de um fracasso retumbante. Por uma mera questão política, lançou-se ao mundo a pior imagem possível do Brasil. O maior evento da história do país, aquele que colocou os olhos do mundo sobre o Brasil, que atraiu para cá o turismo do mundo, foi manchado por uma propaganda negativa absurda. Em vez das belezas do país, da promoção turística, do engrandecimento da alma brasileira, da capacidade de organização do país, os grupos de mídia nacionais espalharam a imagem de um país dominado pelo crime e pela corrupção, sem capacidade de engenharia para construir estádios – justo o país que construiu duas das maiores hidrelétricas do planeta -, com epidemias grassando por todos os poros.

Um dos jornais chegou a afirmar que haveria atentados na Copa, fruto de uma fantasiosa parceria entre os black blocks e o PCC. Outro informou sobre supostas epidemias de dengue em locais de jogo da Copa.

O episódio é exemplar para se mostrar a perda de rumo do jornalismo nacional, a incapacidade de separar a disputa política da noção de interesse nacional. E a falta de consideração para com seu principal produto: a notícia.

Primeiro, cria-se o clima do fracasso.

Criado o consenso, abre-se espaço para toda sorte de oportunismos. É o ex-jogador dizendo-se envergonhado da Copa, é a ex-apresentadora de TV dizendo que viajará na Copa para não passar vergonha.

Tome-se o caso da suposta corrupção da Copa. O que define a maior ou menor corrupção é a capacidade de organização dos órgãos de controle. O insuspeito Ministério Público Federal (MPF) montou um Grupo de Trabalho para fiscalizar cada ato da Copa, juntamente com o Tribunal de Contas da União e a Controladoria Geral da União. O GT do MPF tornou-se um case, por ter permitido economia de quase meio bilhão de reais.

Antes da hora, é fácil afirmar que um estádio não vai ficar pronto, que um aeroporto não dará conta do movimento, que epidemias de dengue (no inverno) atingirão a todos, que os turistas serão assaltados e mortos. Fácil porque são apostas, que não têm como ser conferidas antecipadamente.

Quando o senhor fato se apresenta, todos esses factóides viram pó.

A boa organização da Copa não é uma vitória individual do governo ou da presidente Dilma Rousseff. É de milhares de pessoas, técnicos federais, estaduais e municipais, consultores, membros dos diversos poderes, especialistas em segurança, trânsito, empresas de engenharia, companhias de turismo, hotelaria.

E tudo isso foi jogado no lixo por grupos de mídia, justamente os maiores beneficiários. Eram eles o foco principal de campanhas publicitárias bilionárias, sem terem investido um centavo nas obras. Pelo contrário, jogando diuturnamente contra o sucesso da competição e contra qualquer sentimento de autoestima nacional.

Suape: promessas não cumpridas (2)

Porto de Suape. Angular Aero Foto/Reprodução

Por Heitor Scalambrini Costa*

O Complexo Industrial Portuário de Suape (CIPS), chamado por segmentos da sociedade pernambucana de “joia da coroa”, “locomotiva do desenvolvimento”, “poupança do povo”, “redenção do Nordeste”, e “Eldorado”, entre outros, vive momentos de desnudamento de uma realidade cruel.

Movimentos sociais, ao longo dos anos, têm denunciado questões referentes à ação da empresa Suape – como a imoralidade dos procedimentos judiciais que tramitam na Vara Privativa da Fazenda Pública da Comarca do Cabo de Santo Agostinho; o desvio de verbas públicas, através do ajuizamento de ações judiciais e simulação de audiências não realizadas nessa mesma Vara da Fazenda; os danos ambientais e sociais causados pela empresa; a continuada violação de direitos humanos; o tráfico de influência no Poder Judiciário de Pernambuco; a ausência do Ministério Público nos procedimentos de remoção/expulsão de milhares de famílias da área; e a falta de legitimidade da empresa Suape como proprietária das terras que hoje abrigam o Complexo.

Com a atração de inúmeras empresas, como refinaria, estaleiros, termoelétricas, siderúrgica e petroquímica, o que se verifica há alguns anos é o completo desrespeito às leis vigentes por parte da empresa gestora do Complexo; é a falta de responsabilidade social das empresas que lá se instalaram; e, principalmente, a visão anacrônica do governo estadual, responsável pela degradação ambiental daquele território. Os reflexos desta política obstinada, que considera a natureza um entrave ao crescimento econômico, inclui a interrupção drástica e dramática dos modos de vida da população local – ferindo direitos adquiridos de pescadores, marisqueiras e agricultores familiares, expulsos de suas moradias, abandonados sem condições de trabalho ou qualquer assistência social digna desse nome.

O mantra mais utilizado pelo governo estadual em suas ações de marketing político, que o tem projetado nacionalmente, é a geração de empregos e o aumento da renda proporcionado pela implantação desse Complexo Portuário e Industrial. Sem dúvida, cresceu muito o emprego de baixa qualidade, temporário, com salários irrisórios, devido às obras de construção dos empreendimentos, atraindo tanto trabalhadores pernambucanos como de outras regiões do país. Todavia, agora, com o término desta etapa de construção civil, os responsáveis se vangloriaram e manipularam a opinião pública, “lavam as mãos” perante o comportamento de empresas que não cumprem suas responsabilidades sociais e trabalhistas para com os seus empregados. Um comportamento no mínimo irresponsável.

A promessa de emprego abundante, usada na propaganda política, se tornou um verdadeiro calvário para os trabalhadores. O Ministério Público do Trabalho (MPT) estima que as empresas do Complexo vão demitir mais de 50 mil trabalhadores entre 2014 e 2016, em particular, aqueles que trabalharam na construção da Refinaria e de outras obras da Petrobrás.

Na tentativa de fazer valer os direitos legítimos daqueles que com sua força física ajudaram na construção de Suape, e preocupado com o desemprego em massa, o MPT criou, em dezembro de 2013, o Fórum para Recolocação da Mão de Obra de Suape (REMOS), tentando assim minimizar o que já estava acontecendo: demissões em larga escala, calotes das empresas, como o não pagamento de salários, um total desrespeito a direitos básicos da classe trabalhadora.

O que se verifica atualmente no território de Suape é a barbárie nas relações entre o capital e o trabalho, com a omissão do governo do Estado e da Empresa Suape. Sem tirar, obviamente, a responsabilidade da Petrobrás que contratou os consórcios de empresas para a realização das obras. Os responsáveis pelo descalabro existente não se manifestam diante da gravidade da situação. Fazem de conta que não é com eles.

A situação é explosiva e muito tensa. Diante da falta de cooperação das empresas que insistem nas irregularidades, o Fórum REMOS foi desfeito no inicio do mês (4/6) pelo MPT. Os trabalhadores, devido à falta de pagamentos dos salários e das garantias que lhes concede as leis trabalhistas, estão sendo despejados de onde vivem, não tendo sequer dinheiro para suprir suas necessidades materiais de sobrevivência. São relatadas situações em que famílias perderam o direito ao plano de saúde, com todas as consequências que isto implica.

Revoltados com a demora no atendimento de seus legítimos direitos, as vias de acesso ao Complexo têm sido tomadas por estes trabalhadores, que denunciam o abandono a que estão submetidos. Os órgãos de repressão, chamados para “garantir a ordem”, espancam e prendem trabalhadores em violentos e injustificados embates.

Promessas de trabalho. Promessas de vida melhor. Promessas e mais promessas, agora desmascaradas, desnudam a realidade da “gestão moderna e eficiente” do governo de Pernambuco, cuja propaganda cínica segue à risca a Lei de Ricupero: “No governo é assim: o que é bom à gente mostra; o que é ruim a gente esconde”.

*- Heitor Scalambrini Costa é professor da Universidade Federal de Pernambuco e Coordenador Geral do Fórum Suape – Espaço Socioambiental