Arquivo mensais:junho 2014

WikiLeaks vaza documentos sigilosos sobre acordo comercial internacional

Via Brasil Post

Telegraph/Reprodução

O ciberativista e criador do WikiLeaks, Julian Assange, comemorou na quinta passada (19) seu segundo ano na embaixada do Equador em Londres com o que sabe fazer melhor: vazar documentos secretos.

Há várias horas, o Twitter do WikiLeaks avisava que publicaria documentos que afetam 50 países e 68% do livre comércio internacional. Em seguida, foi divulgado um documento secreto do “Trade In Services Agreement” (Tisa), um acordo comercial e internacional de serviços criado pelos Estados Unidos em 2012.

Os protagonistas das discussões são EUA e União Europeia, mas participam do Tisa 50 países no total. No início, os grandes emergentes como China, Brasil e Índia, se recusavam a fazer parte do Tisa, dizendo que isso diminuiria as chances de acordo na Rodada Doha, que está paralisada há vários anos. Mas a China recentemente se mostrou interessada. Já o Brasil manteve-se à margem das discussões, e foi criticado por isso.

As discussões no Tisa foram centradas, inicialmente, na atualização das regras existentes do Acordo de Serviços. EUA e Japão submeteram as primeiras ofertas de acesso aos mercados, impulsionando assim compromissos efetivos de mais liberalização dos participantes.

Segundo o WikiLeaks, o acordo de livre comércio prevê a “liberalização” de tudo, até de dados pessoais. “O documento de serviços financeiros estipula regras que ajudam na expansão de multinacionais – com sedes em Nova York, Londres, Paris e Frankfurt – sobre outros países evitando barreiras regulatórias”, diz o WikiLeaks. A organização também afirma que os documentos provam que os EUA estão interessados em aumentar a fluxo de dados além das fronteiras, o que pode permitir a transferência de dados pessoais e financeiros.

O jornal australiano The Age avalia que as mudanças propostas no Tisa podem prejudicar a capacidade da Austrália de responder a qualquer crise financeira global no futuro. O jornal mexicano La Jornada disse que o documento mostra que o país negocia em segredo um acordo para maior abertura no comércio de serviços.

Segundo a avaliação do professor de direito da Universidade de Auckland (Nova Zelândia), Jane Kelsey, o caráter secreto da negociação ultrapassa o Acordo Estratégico Transpacífico de Associação Econômica (TTPA) e contraria a posição da Organização Mundial do Comércio (OMC) a respeito de uma maior transparência.

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Nota da redação: A legislação e o memorando secretos, originais, estão disponíveis aqui e aqui.

Em três dias, PM prende quatro ativistas em SP; advogado é agredido pela ‘tropa do braço’

Por Gisele Brito, via RBA

Para Advogados Ativistas, prisões questionáveis de militantes demonstram avanço da política de criminalização dos movimentos sociais promovida por forças conservadoras

Benedito Barbosa foi preso na manhã de ontem (25) enquanto acompanhava uma reintegração de posse no centro de SP

São Paulo – Em mais um episódio de truculência da Polícia Militar paulista, o advogado do centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, Benedito Barbosa, de 53 anos, foi preso na manhã de hoje (25), enquanto acompanhava uma reintegração de posse no centro de São Paulo. O advogado foi imobilizado e preso por homens da chamada “tropa do braço” quando tentava entrar no prédio para conversar com famílias no local. Machucado e sentindo-se mal, Dito, como é conhecido, chegou a urinar nas calças enquanto era arrastado pela calçada por policiais de armadura. Ainda assim, o advogado foi levado à delegacia, onde foi lavrado um boletim de ocorrência de resistência à prisão.

A detenção de Dito foi a quarta desde segunda-feira (23) a colocar em alerta entidades de direitos humanos pela forma como foram conduzidas: sem mandato de prisão ou flagrante, ativistas são detidos pela polícia e levados à delegacia, onde são acusados de resistir a uma prisão que, legalmente, não existe. Também hoje, o ativista digital Everton Rodrigues, um dos promotores da comunidade “Por que o Senhor atirou em mim?”, que questiona a violência policial, foi detido por dois policiais quando caminhava pela Vila Madalena e levado à delegacia aparentemente sem motivo. Ele ficou no local por mais de uma hora antes de ser liberado. Em ambos os casos, vídeos feitos por celular atestam a truculência da ação policial.

Na segunda-feira, duas pessoas foram presas separadamente e acusadas por associação criminosa. O secretário estadual de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella, afirmou que se tratavam dos primeiros “black blocs” presos e elogiou o trabalho da Polícia Civil, responsável pela prisão. O professor de inglês Rafael Marques Lusvarghi, de 29 anos, e o universitário Fabio Hideki Harano, de 26, são também são acusados de incitação à violência, resistência à prisão, desacato à autoridade e porte de artefato explosivo. Os dois permanecem presos. Imagens feitas por testemunhas mostram Hideki sendo abordado com uma mochila. No vídeo, os policiais o revistam e parecem não encontrar nada. Já Lusvarghi aparece sem bolsa ou outro acessório em que pudesse carregar qualquer objeto. A polícia ainda não apresentou os explosivos supostamente encontrados nem explicou a ligação dos dois homens com a tática black bloc.

Em entrevista à RBA após sua detenção, Dito disse que tentou entrar no prédio após ser avisado pela conselheira tutelar Ivanete Araújo de que os policiais estavam impedindo que representantes das famílias que ocupavam o edifício entrassem para acompanhar a retirada dos seus bens. Ela também relatou que crianças estavam chorando dentro dos cômodos depois de serem assustadas pelos PMs. “Eu nunca vi nada daquele jeito. Eles entraram dando pontapés nas portas e as crianças acordaram assustadas. Havia muita gente chorando. Não me deixaram entrar, mesmo me apresentando como conselheira tutelar”, afirmou Ivanete, que é responsável por duas das maiores ocupações em prédios no centro da cidade, a Mauá e a Prestes Maia, na região da Luz. “A gente queria ter certeza que não estava acontecendo nenhum abuso lá dentro”, completou.

Dito conta que se apresentou como advogado, mas, ainda assim, foi imobilizado com um mata-leão e depois cercado por seis policiais da “tropa do braço”, treinados para deter manifestantes violentos com técnicas de artes marciais. “Eles disseram que era preciso avisar o comandante. E eu usando a prerrogativa de advogado disse que eles que avisassem e já me pegaram pelo pescoço e me arrastaram. Quase me mataram”, contou o advogado, que milita há 30 anos por movimentos de moradia. “Esse tipo de abordagem não é comum. Normalmente, tem a Força Tática e policiais dos batalhões de área. Mas dessa vez, tinha policiais em motos, choque e esses de armadura preta”, descreveu.

Criminalização

Para o advogado Luiz Guilherme Ferreira, do grupo Advogados Ativistas, a prisão se soma a outras ocorridas contra militantes políticos como indicativo do avanço da criminalização dos movimentos sociais. “Há um aumento da repressão e ela ocorre de maneira ilegal”, afirma. No caso de Dito, exemplificou, não seria possível resistir à prisão sem que antes houvesse uma razão para a detenção. “Mas esse tipo de coisa vem acontecendo repetidas vezes, desde as manifestações do ano passado”, completou.

No caso dos dois homens acusados de ser black blocs, Ferreira destaca os indícios de que as provas foram plantadas para incriminá-los. “Fica claro que o flagrante foi forjado e o secretário de Segurança fala em público que a operação foi exitosa. Estão pouco se importando com a lei”, lamentou.

Grella disse ainda que 22 integrantes do Movimento Passe Livre (MPL) serão obrigados a comparecer a uma delegacia para prestar esclarecimentos sobre os atos de vandalismo ocorridos no último dia 19, durante manifestação que lembrava o aniversário de um ano da redução das tarifas do transporte público na cidade. O MPL afirma que não tem relação com os episódios e que o inquérito é mais uma forma de intimidar os movimentos sociais. Em resposta às declarações do secretário de Segurança Pública, o MPL convocou um debate público na frente do Tribunal de Justiça de São Paulo para o próximo dia 3 de julho para falar sobre o inquérito que investiga ativistas e movimentos sociais. Grella está convidado para participar do debate e negociar condições para a suspensão das detenções de ativistas.

“Toda essa repressão tem ligação direta com o Grella e com o governador Geraldo Alckmin. A polícia não decide tudo isso”, ressalta o advogado, que lembra que a repressão contra advogados tem se tornado cada vez mais comum. “Eu mesmo fui revistado várias vezes, inclusive na última manifestação. Antes, isso era menos comum. Hoje vem se naturalizando”, destacou Dito.

As imagens da detenção de Dito foram exibidas na tarde de ontem na Câmara Municipal, e provocaram defesa apaixonada da polícia por parte do vereador Coronel Telhada (PSDB). “Acusar a polícia com mentiras é inadmissível. A polícia agiu certo com o inocente, entre aspas”, ironizou. “A polícia é legalista e não importa se é advogado, manifestante, coronel ou deputado, vai fazer cumprir a lei sempre”, concluiu.

A reportagem da RBA solicitou informações à Polícia Militar sobre as detenções dos militantes, mas até a publicação do texto, ainda não havia recebido resposta.

Diálogos Desenvolvimentistas: A Associação dos Engenheiros da Petrobras se posiciona sobre os ataques à empresa

Edição por Rennan Martins

Eugênio Mancini – A AEPET merece respeito e admiração pelo papel relevante que, desde a sua criação, vem desempenhando em defesa da Petrobras, dos seus empregados e dos interesses da nação brasileira. Na atual conjuntura, no entanto, penso que devemos ter muito mais cuidado na escolha da estratégia de defesa a ser utilizada. A aceitação, pura e simples, da enxurrada de denúncias veiculada diariamente pela imprensa engajada, sem qualquer comprovação, pode reforçar junto à opinião pública o entendimento de que tudo se passa na empresa conforme retratado pela mídia.

Engrossar a ladainha da imprensa pode ser, em minha opinião, um grande equívoco, pois, boa parte das suspeitas levantadas poderá não ser verdadeira, mas, a impressão de corrupção generalizada na Companhia permanecerá.

A rigor, apenas o caso da operação Lava-Jato, envolvendo um ex-diretor da Petrobras em atividades ilícitas, é reconhecido como possibilidade de corrupção também na empresa, durante o período em que ele ainda era diretor. Essa suspeita, no entanto, ainda requer comprovação, o que, me parece, vem sendo exaustivamente buscado pela Polícia Federal, pelo Ministério Público, pelo Tribunal de Contas, pelo Congresso e pela própria mídia, esta última interessada, como sabemos, em fragilizar ao máximo a Petrobras.

O cidadão comum, bombardeado pela campanha maciça da imprensa nos últimos meses, está formando uma imagem negativa da nossa empresa. Quando os próprios empregados da Petrobras repercutem as mesmas denúncias e suspeitas veiculadas por aquela imprensa comprometida, estão, no final, contribuindo para cristalizar, na opinião do público, um posicionamento contrário à Petrobras e ao monopólio estatal do petróleo, com imprevisíveis consequências políticas futuras. A intenção de defender a Companhia pode, portanto, funcionar ao revés.

A escolha, portanto, é muito delicada. Não podemos nos omitir, porém, devemos evitar a adesão simplista ao denuncismo desenfreado que tomou conta do noticiário. Separar o joio do trigo, como ensina a tradição, é indispensável, mas, não podemos esperar isso de nossa imprensa dita investigativa.

A manifestação de um petroleiro sobre o que está acontecendo exige elevados níveis de discernimento e de responsabilidade. De resto, defendo a apuração dos crimes de corrupção e prevaricação que forem cometidos, de acordo com os instrumentos disponíveis, dentro da lei e da ordem, sem preconceitos e sem injustiças.

Fernando Siqueira – Temos denunciado a imprensa Golpista que não perde oportunidade para denegrir a imagem da Petrobras. Lembro que, em 1995, na campanha pela quebra do monopólio, a Veja entrevistou o Diomedes (que me passava a presidência da Aepet), entrevistou a mim e a todos os diretores da Petrobras. Lembro que o jornalista entrevistador, o Arnaldo César, que tinha uma boa relação com a Aepet, nos disse algo mais ou menos assim: “olha, meus amigos quero alertá-los de que, de tudo o que vocês disseram, pode não sair nada na Revista. Há uma matéria já pronta e o grupo de redação só espera que eu consiga um fato negativo das entrevistas. Se ele não aparecer, nada sairá do que vocês disseram. Estou alertando para vocês não ficarem zangados comigo”.

Dito e feito a edição da seguinte Veja publicou uma matéria de 10 páginas batendo furiosamente na Petrobras e os “empregados marajás”. A Aepet e a Petrobras redigiram matérias contestando ponto a ponto o artigo da Veja. Ela, obviamente não publicou; a Petrobras transformou a sua matéria-resposta em um texto publicitário, reduzindo para 5 páginas. Nem assim a veja aceitou como matéria publicitária paga. Ela alegou que não iria se desmoralizar perante os seus leitores.

Entremos na justiça invocando o artigo 5º da Constituição. Até hoje não deu em nada.

Por outro lado, no Governo Itamar, o TCU e o Senado fizeram 3 investigações na Petrobras, virando-a do avesso. Como não acharam nada, nada publicaram e a imprensa, de forma criminosa escondeu os fatos. Cobramos do relator da CPI, senador José Fogaça, e do Presidente do TCU, ministro Adhemar Ghise (se não me engano) divulgação dos resultados da CPI e da devassa do TCU. Eles não responderam e a imprensa “esqueceu os fatos”.

Mas houve uma vantagem: a mídia parou de bater na Companhia, pois ficou sem os argumentos. E é mais ou menos o que está acontecendo com Pasadena: como foi demonstrado que o negócio foi bom na época, a mídia está “esquecendo Pasadena”

Portanto, caro Eugênio, acho que devemos incentivar os órgãos investigadores mais sérios, que são o Ministério Publico e a Polícia Federal a investigarem as denúncias contra a Petrobras, como o caso da operação lava-jato que nos parece coisa grave. Com isto, se pode depurar a instituição de uma meia dúzia de pessoas que desonraram os seus cargos e expuseram a companhia e seus empregados à sanha da mídia que defende os interesses estrangeiros.

Como eu disse antes, a Companhia tem cerca de 88.000 empregados sérios, honestos e competentes, que não podem ser postos sob suspeita porque meia dúzia de irresponsáveis que agiram de forma incorreta.

A razão principal dessa nova campanha para denegrir a imagem da nossa empresa é a descoberta do pré-sal. O FHC fez uma Lei, a 9478/97 que dá todo o petróleo para quem o produzir e uma obrigação de pagar 10% de Royalties e cerca de 18% em impostos, tudo em dinheiro.

O Governo Lula fez um novo marco regulatório que melhorou a questão para a União em dois pontos: 1) na partilha de produção (concessão por FHC) a propriedade do petróleo volta para a União e esta ressarce os custos de produção em petróleo; 2) a Petrobras será a operadora única do pré-sal.

Este segundo ponto causou uma reação brutal nos lobistas do Cartel internacional: Se a Petrobras for operadora única ela impede que ocorram os dois principais focos de corrupção na produção mundial: o superdimensionamento dos custos de produção (ressarcidos em petróleo) e o subdimensionamento na medição da produção.

Pode checar nas entrelinhas dessa nova campanha difamatória que “a Petrobras não tem recursos nem tecnologia para ser operadora única”.

Noam Chomsky: O acordo comercial de Obama como um “ataque neoliberal” para favorecer a “dominação” corporativa

Via IHU

Chomsky, um dos intelectuais mais representativos da atualidade. Raw Story/Reprodução

O Acordo Comercial Transpacífico – TPP (sigla em inglês) do governo Obama é um “ataque” ao povo trabalhador na intenção de favorecer a “dominação” corporativa, de acordo com o autor e ativista Noam Chomsky.

“Este acordo é feito para levar adiante o projeto neoliberal de maximizar os lucros e a dominação, além de pôr os trabalhadores do mundo em competição uns com os outros, de forma a reduzir salários e aumentar a insegurança”, Chomsky disse durante uma entrevista ao HuffPost Live, 13-01-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O governo Obama vem negociando o Acordo Comercial Transpacífico – TPP com 11 países do Pacífico durante anos. Embora o acordo não tenha sido finalizado e muito dele venha sendo mantido sob sigilo, grupos americanos corporativos de interesse – incluindo a Câmara do Comércio dos EUA – já manifestaram forte apoio, descrevendo-o como um acordo de livre comércio que irá encorajar o crescimento econômico.

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos também defendeu as negociações, dizendo que o acordo irá incluir proteções regulatórias robustas. Porém, os sindicatos e uma série de grupos tradicionalmente progressistas de interesse – incluindo ambientalistas e defensores da saúde pública – criticaram duramente o acordo.

Chomsky sustenta que grande parte das negociações dizem respeito a questões alheias em relação ao que muitos consideram um acordo, e diz que elas estão focadas, isto sim, em limitar as atividades que os governos podem regular, impondo novos padrões de propriedade intelectual no exterior e aumentando o poder político corporativo.

“É chamado de livre comércio, porém não passa de uma piada”, disse Chomsky. “Estas são medidas altamente protecionistas projetadas para minar a liberdade de comércio. Na verdade, grande parte do que vazou sobre o Acordo Comercial Transpacífico – TPP indica que não se trata absolutamente de acordos comerciais, mas sim dos direitos dos investidores”.

O governo Obama está tratando os termos do acordo como informações confidenciais. Ele vem impedindo muitos funcionários do Congresso de ver os textos da negociação e limitando a informação disponíveis aos próprios congressistas. Os únicos documentos da negociação disponíveis publicamente vieram à luz através de arquivos vazados. Documentos recentes foram publicados no WikiLeaks e no HuffPost.

De acordo com os documentos que vazaram, o TPP irá empoderar as empresas para alterar diretamente as leis e regulamentações dispostas por países estrangeiros perante um tribunal internacional. Ao tribunal seria dado a autoridade não só para anular as normas legais dos países como também impor penalidades econômicas a eles. Sob os tratados da Organização Mundial do Comércio – OMC, as empresas devem convencer um país soberano a trazer casos comerciais diante de uma corte internacional. Chomsky disse que o acordo é uma escalada para os objetivos políticos neoliberais anteriormente dispostos pela OMC e pelo Acordo de Livre Comércio da América do Norte.

“É muito difícil fazer qualquer coisa do TPP porque ele vem sendo mantido em segredo”, contou Chomsky ao HuffPost Live. “Eu diria: um segredo pela metade. Não é segredo algum para as centenas de advogados e lobistas das empresas que estão escrevendo a legislação. Para eles é perfeitamente público este acordo. Na verdade, eles estão o escrevendo. O acordo está sendo mantido em segredo para a população, a qual, é claro, levanta perguntas e dúvidas obviamente.

Vários membros do Congresso, incluindo companheiros democratas de Barack Obama, atacaram o sigilo intenso em torno das negociações. Mas outros querem dar ao TPP o caminho mais curto para sua aprovação.

Os senadores Max Baucus (Democrata, do estado de Montana) e Orrin Hatch (Republicano, do estado de Utah) introduziram uma lei, na terça-feira, que impedirá membros do Congresso de apresentar alterações ao acordo comercial de Obama, qualquer que ele venha ser.

Porém, o movimento para acelerar o Acordo Comercial Transatlântico – TPP encontrou ventos contrários na Casa Branca, onde nenhum democrata concordou em apoiar a legislação. O porta-voz John Boehner (Republicano, do estado de Ohio) disse que o projeto não passa sem o apoio dos democratas.

Noam Chomsky brincou dizendo que é claro que o governo e os legisladores irão querer acelerar um acordo comercial como este, que pode estar mais ao lado dos interesses das empresas do que ao lado dos interesses da população.

“É muito compreensível que ele seja mantido em segredo”, disse Chomsky. “Por que as pessoas deveriam saber do que acontece com elas?”

 

Bob Fernandes: Enquanto rola a Copa, “suruba” na Política

Por Bob Fernandes, via facebook

Há poucos meses a “Rede”, da Marina Silva, vinha para purificar a política, assim como o “novo” encarnado por Eduardo Campos.

E o PSDB criticava as “alianças espúrias” com o lixo da “velha política”. Bem, enquanto a bola rola na Copa, o que está acontecendo?

Alfredo Sirkis, do “Rede” carioca, abrigado no PSB de Campos, desistiu de ser candidato a deputado. Sirkis explica:

-É tudo uma suruba (…) coligações orgiásticas…

Referência às coligações no Rio de Janeiro. Uma, entre o PSB, do “novo” -Eduardo Campos e Marina- e o PT de Dilma e do candidato petista ao governo, Lindbergh Farias.

O acordo é Romário, do PSB de Campos, candidato ao Senado. Apoiando, e sendo apoiado, pelo PT de Lindbergh e Dilma.

A outra orgia, no Rio, nasce como vacina contra o “Aezão”. Que vem a ser a aliança entre Aécio e Pezão. Candidato ao governo (RJ), Pezão é do PMDB, suposto aliado de Dilma.

Aécio Neves é, como se sabe, candidato contra Dilma. Mas em São Paulo o seu partido, o PSDB, costura aliança com o PSB, que tem Campos como candidato a presidente…portanto contra Aécio.

O PTB, do Robertão Jefferson, traiu Dilma. Já está nos braços de Aécio.

O PSD do Kassab queria a vice do Alckmin, mas nesta quarta, 25, decidiu ficar com Dilma.

Sempre tem solução.

Os cupidos trabalham. ou ao menos plantam: Kassab seria candidato ao Senado com apoio do PSDB. E Serra seria o vice de Aécio… isso tem quem queira, mas não rola a química.

Ainda a química: o PR oscila entre Dilma e Aécio. No PP a executiva quer Dilma e decidiu, mas um pedaço do partido namora o mineiro e ameaça ir à justiça.

E o Sarney? O Sarney diz que vai se aposentar.

Quem vencer a eleição vai governar como? Com que maioria?

Seja quem for, vai governar com o PMDB do Eduardo Cunha etc. E com essa caquerada toda.

Melhor voltarmos ao Messi, Robben, Thomas Müller, Neymar e Cia.

América Latina realiza primeira cúpula de Investimentos Climáticos

Via Portal Vermelho

O Cantareira, um dos símbolos do que pode fazer as mudanças climáticas. Último Segundo/Reprodução

Começou nesta terça-feira (24), na Jamaica, a primeira cúpula dos Fundos de Investimentos Climáticos (CIF, sigla em inglês) na América Latina e no Caribe, na qual os atores da região, onde a luta contra a mudança climática está ligada ao modelo de desenvolvimento, avaliam estratégias para não repetir os erros dos países desenvolvidos.

“A mudança climática nos países em desenvolvimento é um tema de desenvolvimento. Há uma tendência de pensar que a luta contra a mudança climática é responsabilidade dos países mais ricos e dos que mais poluem, entretanto, a escolha do modelo sobre o qual uma nação vai crescer é crucial”, disse em entrevista à EFE, Claudio Alatorre, especialista em mudança climática do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

“Todas as decisões contam. Em desenvolvimento urbano, planejamos cidades densas ou mais espalhadas? Construímos mais infraestruturas como estradas ou damos mais ênfase no transporte coletivo e nas ciclovias? Há opções para se escolher e muitas são de políticas e investimentos”, acrescentou.

O BID é a organização multilateral com a qual o CIF organiza seu fórum este ano, um encontro realizado a cada 18 meses e que reúne governos, setor privado, comunidades indígenas, organizações de desenvolvimento e pesquisadores.

Brasil, Bolívia, México, Chile, Colômbia, Peru, Honduras e as nações caribenhas são os “países piloto” da região que participam dos CIF, fundos criados em 2008 como um compromisso dos países desenvolvidos para fornecer recursos para projetos sustentáveis nas nações em desenvolvimento.

Com informações da EFE

Brizola: São Paulo, amnésia criminosa

Por Gilberto Felisberto Vasconcellos*, via Caros Amigos

Contexto Livre/Reprodução

Patológico é o esquecimento de Leonel Brizola, a imprensa em São Paulo não deu sequer uma linha. Vexame. O Homem, o líder, o político representativo da América Latina. Faz dez anos que morreu (21/6) e nada, nenhuma menção. Tudo passou em brancas nuvens. A perda da memória não é lacunar ou localizada, é sistemática, pega todos os meios de comunicação e escolas. Nenhum professor escreve artigo, nenhum programa de auditório evoca Leonel Brizola na história do Brasil. A historiografia brasileira contemporânea é um lixo.

Quer dizer então que o povo paulista não gosta dele? Negativo. O povo em São Paulo nunca soube quem era ele. Nunca. A mais vaga ideia. Nunca deixaram que dele soubessem alguma coisa. Quem foi, o que fez, quais foram os seus poderosos inimigos. Boicote permanente. Acredito que desde antes do golpe de 64 foi armado o boicote. Que se façam pesquisas nas teses universitárias, nos cursos ministrados nas pós-graduações, nas páginas de jornais e revistas. Nada será encontrado. Absolutamente nada.

Darcy Ribeiro antes de 64 já havia sido apagado nas ciências sociais em São Paulo, embora tivesse sido aluno de Sergio Buarque de Holanda na escola de sociologia. Os sociólogos de São Paulo ficaram enciumadíssimos porque Darcy Ribeiro criou a Universidade de Brasília para descolonizar o pensamento brasileiro, que era uma forma de despaulistizar a hegemonia nas ciências sociais, reflexo da Revolução Constitucionalista de 32 e instrumento separatista de balcanização cultural do Brasil.

Elite paulista

A classe dominante paulista, que é formada no topo pelos estamentos multinacionais, odiava Leonel Brizola. Continua odiando. Querem tacar fogo em sua memória. Por isso Lula escalou Lupi para fazer a faxina pró-imperialista dentro do PDT. Não sabemos se Lupi nasceu na Freguesia do Ó, mas seguramente é paulistocêntrico. Não há manifestação ideológica dominante que não seja bandeirante e multinacional. A patota FHC considera Leonel Brizola um inculto, quando na verdade o pensamento original brasileiro está mais para o caudilho revolucionário do que para os colonizados das ciências sociais.

Mas, afinal, por que a classe dominante paulista odeia tanto Leonel Brizola? A resposta disso encontra-se na aristocracia professoral da USP e da Fapesp diante do golpe de 64. Recentemente a Revista Fapesp perpetuou um balanço de direita, inidôneo e deformado, sobre o golpe de 64. Jovens e velhos historiadores petucanos quiseram perdoar a burguesia bandeirante da Fiesp por ter sido a ponta de lança de Wall Street e Pentágono em 1964. Ocultaram que a burguesia bandeirante foi protagônica do golpe. E a maior loucura: FHC e Florestan Fernandes aparecem como as principais vítimas, e não Leonel Brizola e Darcy Ribeiro. É assim que a classe dominante vencedora escreve a história do Brasil.

A verdadeira crítica histórica do golpe de 64 (Gunder Frank e Rui Mauro Marini) foi também recalcada pela historiografia chapa branca endolarada. Essa historiografia dominante é um hibridismo petucano. Que não lida com as causas, principalmente quando se trata do imperialismo e da acumulação de capital para além do whisky do embaixador Gordon e do teutochimarrão do doutor Goldemberg.

“Petucanismo”

“Os jornalões e a Globo se arrependem de araque. Os golpistas de 64 são lindos quando promovem à autocrítica. O que não se faz nunca é perguntar: quem se deu bem com a derrubada de João Goulart?”

O petucanismo é uma espécie de pós-modernismo típico da universidade shopping center. Leonel Brizola tinha razão quando asseverava que a Guerra Fria não explicava o golpe de 64; afinal, a abertura política (democracia das multinacionais) foi promovida pelo tesudo Rockfeller. A gênese da piração de Mourão Filho, a vaca fardada em Juiz de Fora, está na Guerra do Paraguai do empresário Barão de Mauá, que acreditava em lucros honestos e em ética na política. Claro, claro, o problema passa pelas becas e pesquisas a peso de ouro cacifando os figurões acadêmicos para deixarem Leonel Brizola debaixo do tapete. O nome de Leonel Brizola é associado por correspondência antitética com o seguinte: por que na historiografia medram a inópia conceitual e a penúria estilística? Oswald de Andrade já dizia: sem historiadores intelectualmente idôneos nós estamos fordidos. De Ford. De Ford que bancou o lépitopi dos literatos. Estamos fordidos. A economia do automóvel perseguiu Leonel Brizola, inclusive o cantor pop norte-americano Bob Dylan, que foi preferido à Luís da Câmara Cascudo.

O que foi a forderola de Richard Morse em 1964, hoje é a super-exploração Toyota da força de trabalho, ainda que Lula, personagem de telenovela, seja considerado na sacristia do PT como o homem providencial que acabou com a luta de classes no Brasil. A imprensa inteirinha (inclusive OAB e ABI) apoiou o golpe de 64, antes e depois da tortura.

Os jornalões e a Globo se arrependem de araque. Os golpistas de 64 são lindos quando promovem a autocrítica. O que não se faz nunca é perguntar: quem se deu bem com a derrubada de João Goulart? O ministro Francisco Weffort chegou ao céu da bem aventurança petucana porque provou que o populista João Goulart deveria ter sido derrubado. O único problema para o sociólogo do populismo é que depois da derrubada de Goulart veio a ditadura. Não por acaso o sociólogo banhou-se nas águas tucanas. O golpe de 64 é a prova do progresso de São Paulo. Isso foi dito em 1964 por Gunder Frank, o enguiço das ciências sociais. São Paulo reproduz até hoje o assassinato cultural feito contra Leonel Brizola e Darcy Ribeiro.

*-Gilberto Felisberto Vasconcellos é jornalista, sociólogo e escritor