Diálogos Desenvolvimentistas: A Associação dos Engenheiros da Petrobras se posiciona sobre os ataques à empresa

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Edição por Rennan Martins

Eugênio Mancini – A AEPET merece respeito e admiração pelo papel relevante que, desde a sua criação, vem desempenhando em defesa da Petrobras, dos seus empregados e dos interesses da nação brasileira. Na atual conjuntura, no entanto, penso que devemos ter muito mais cuidado na escolha da estratégia de defesa a ser utilizada. A aceitação, pura e simples, da enxurrada de denúncias veiculada diariamente pela imprensa engajada, sem qualquer comprovação, pode reforçar junto à opinião pública o entendimento de que tudo se passa na empresa conforme retratado pela mídia.

Engrossar a ladainha da imprensa pode ser, em minha opinião, um grande equívoco, pois, boa parte das suspeitas levantadas poderá não ser verdadeira, mas, a impressão de corrupção generalizada na Companhia permanecerá.

A rigor, apenas o caso da operação Lava-Jato, envolvendo um ex-diretor da Petrobras em atividades ilícitas, é reconhecido como possibilidade de corrupção também na empresa, durante o período em que ele ainda era diretor. Essa suspeita, no entanto, ainda requer comprovação, o que, me parece, vem sendo exaustivamente buscado pela Polícia Federal, pelo Ministério Público, pelo Tribunal de Contas, pelo Congresso e pela própria mídia, esta última interessada, como sabemos, em fragilizar ao máximo a Petrobras.

O cidadão comum, bombardeado pela campanha maciça da imprensa nos últimos meses, está formando uma imagem negativa da nossa empresa. Quando os próprios empregados da Petrobras repercutem as mesmas denúncias e suspeitas veiculadas por aquela imprensa comprometida, estão, no final, contribuindo para cristalizar, na opinião do público, um posicionamento contrário à Petrobras e ao monopólio estatal do petróleo, com imprevisíveis consequências políticas futuras. A intenção de defender a Companhia pode, portanto, funcionar ao revés.

A escolha, portanto, é muito delicada. Não podemos nos omitir, porém, devemos evitar a adesão simplista ao denuncismo desenfreado que tomou conta do noticiário. Separar o joio do trigo, como ensina a tradição, é indispensável, mas, não podemos esperar isso de nossa imprensa dita investigativa.

A manifestação de um petroleiro sobre o que está acontecendo exige elevados níveis de discernimento e de responsabilidade. De resto, defendo a apuração dos crimes de corrupção e prevaricação que forem cometidos, de acordo com os instrumentos disponíveis, dentro da lei e da ordem, sem preconceitos e sem injustiças.

Fernando Siqueira – Temos denunciado a imprensa Golpista que não perde oportunidade para denegrir a imagem da Petrobras. Lembro que, em 1995, na campanha pela quebra do monopólio, a Veja entrevistou o Diomedes (que me passava a presidência da Aepet), entrevistou a mim e a todos os diretores da Petrobras. Lembro que o jornalista entrevistador, o Arnaldo César, que tinha uma boa relação com a Aepet, nos disse algo mais ou menos assim: “olha, meus amigos quero alertá-los de que, de tudo o que vocês disseram, pode não sair nada na Revista. Há uma matéria já pronta e o grupo de redação só espera que eu consiga um fato negativo das entrevistas. Se ele não aparecer, nada sairá do que vocês disseram. Estou alertando para vocês não ficarem zangados comigo”.

Dito e feito a edição da seguinte Veja publicou uma matéria de 10 páginas batendo furiosamente na Petrobras e os “empregados marajás”. A Aepet e a Petrobras redigiram matérias contestando ponto a ponto o artigo da Veja. Ela, obviamente não publicou; a Petrobras transformou a sua matéria-resposta em um texto publicitário, reduzindo para 5 páginas. Nem assim a veja aceitou como matéria publicitária paga. Ela alegou que não iria se desmoralizar perante os seus leitores.

Entremos na justiça invocando o artigo 5º da Constituição. Até hoje não deu em nada.

Por outro lado, no Governo Itamar, o TCU e o Senado fizeram 3 investigações na Petrobras, virando-a do avesso. Como não acharam nada, nada publicaram e a imprensa, de forma criminosa escondeu os fatos. Cobramos do relator da CPI, senador José Fogaça, e do Presidente do TCU, ministro Adhemar Ghise (se não me engano) divulgação dos resultados da CPI e da devassa do TCU. Eles não responderam e a imprensa “esqueceu os fatos”.

Mas houve uma vantagem: a mídia parou de bater na Companhia, pois ficou sem os argumentos. E é mais ou menos o que está acontecendo com Pasadena: como foi demonstrado que o negócio foi bom na época, a mídia está “esquecendo Pasadena”

Portanto, caro Eugênio, acho que devemos incentivar os órgãos investigadores mais sérios, que são o Ministério Publico e a Polícia Federal a investigarem as denúncias contra a Petrobras, como o caso da operação lava-jato que nos parece coisa grave. Com isto, se pode depurar a instituição de uma meia dúzia de pessoas que desonraram os seus cargos e expuseram a companhia e seus empregados à sanha da mídia que defende os interesses estrangeiros.

Como eu disse antes, a Companhia tem cerca de 88.000 empregados sérios, honestos e competentes, que não podem ser postos sob suspeita porque meia dúzia de irresponsáveis que agiram de forma incorreta.

A razão principal dessa nova campanha para denegrir a imagem da nossa empresa é a descoberta do pré-sal. O FHC fez uma Lei, a 9478/97 que dá todo o petróleo para quem o produzir e uma obrigação de pagar 10% de Royalties e cerca de 18% em impostos, tudo em dinheiro.

O Governo Lula fez um novo marco regulatório que melhorou a questão para a União em dois pontos: 1) na partilha de produção (concessão por FHC) a propriedade do petróleo volta para a União e esta ressarce os custos de produção em petróleo; 2) a Petrobras será a operadora única do pré-sal.

Este segundo ponto causou uma reação brutal nos lobistas do Cartel internacional: Se a Petrobras for operadora única ela impede que ocorram os dois principais focos de corrupção na produção mundial: o superdimensionamento dos custos de produção (ressarcidos em petróleo) e o subdimensionamento na medição da produção.

Pode checar nas entrelinhas dessa nova campanha difamatória que “a Petrobras não tem recursos nem tecnologia para ser operadora única”.

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