
Por Adriano Benayon
Há a necessidade de formar solidariedade entre os brasileiros em defesa da Nação, há necessidade de não alienar muita gente capaz de entender o saqueio sofrido pelo País. Grande número de pessoas sofreu, durante anos, lavagem cerebral da mídia e dos meios universitários e de outros formadores de opinião, conforme a qual o grande perigo vem da esquerda.
Devemos desnudar os fatos, e aí eu já vi muita gente de direita, mudando de lado no espectro doutrinário (e nem isso é essencial). Lembro-me até de Santiago Dantas, o brilhante civilista, professor de direito, que se tornou ministro com João Goulart e inaugurou a política externa independente (ensaiada por Jânio Quadros, poucos anos antes).
Peço que percebam a habilidade dos saqueadores imperiais e de seus propagandistas em ocultar a natureza do que suas políticas significam: isso mesmo, saqueio imperial.
Entretanto, eles habituaram todos a qualificar suas políticas como neoliberais ou mesmo liberais. Mas não há necessidade alguma de cair nesse engodo, nem de ajudar os imperiais a venderem suas políticas de escravização sob a capa de nomes tão bonitos.
Então quando vocês estiverem fustigando os entreguistas Aécio (com perdão da palavra) e os do PSB-Rede, não se refiram às políticas ou agendas neoliberais, liberais, mas sim à pauta imperial, à agenda do saqueio de nossos recursos naturais e de nosso trabalho.
Insisto nisso, porque os vejo todos repetindo aquelas expressões, no fundo doutrinárias, com as quais muita gente simpatiza, por serem de classe média ou outra razão qualquer, tradicionalmente influenciados pelas ideias pseudo-democráticas, aquelas que imaginam ser possível democracia sob um regime que não estabelece limite algum à concentração, seja no espaço nacional, seja na arena mundial. Parece coisa de preferência, como time de futebol, simpatia com a teoria determinado pensador, escritor etc.
Não é nada disso: o que está em jogo é o saqueio imperial. E, se não se der os nomes aos bois, muitos ficam sem perceber.
Vocês sabem melhor que eu, e há que ser breve. O sistema imperial, liderado pela oligarquia angloamericana, desvia o foco do que interessa, sob vários subterfúgios doutrinários: serve-se até da esquerda, como da direita, do anticomunismo, dos direitos humanos, indígenas, em suma qualquer coisa.
Liberal é uma palavra associada a “libertário”, liberdade, democracia etc. Aquelas coisas bonitas que teriam sido ideários das revoluções francesa e norte-americana, e que na prática – e mais ainda ao longo do tempo – vieram a ser praticadas ao contrário nesses países. Mas muita gente simpatiza no abstrato e se distrai na observação dos fatos concretos.
Além disso, liberal é “marketado” como oposto à intervenção do Estado na economia e na vida dos cidadãos (o contrário do Estado policial nos EUA, mormente após o 11.09.2001). Mas a galera não está sabendo. Então, vejam bem quantos pequenos empresários, ou funcionários, pequenos burgueses acham lindo essa coisa de liberdade na economia e na vida política. Essas ideias não correspondem ao que o império pratica, mas servem para vender o peixe podre que impinge aos incautos.
*Adriano Benayon é doutor em Economia e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento
