
Mesa: A juventude e a força das novas mídias
Por Rennan Martins
Prossigamos então na narrativa dos debates ocorridos neste importante evento, que foi interrompida por problemas técnicos no notebook deste que vos escreve. No dia 17, sábado, tivemos duas relevantes mesas e esta se dedicará a primeira, que debate o poder de mobilização e a independência da juventude e suas respectivas iniciativas de produção.
É possível observar que assim como a prensa de Gutemberg abalou as estruturas da sociedade, a internet também o fez, de forma ainda mais radical. A banda larga e o Wi-Fi incluíram milhões, se não bilhões de pessoas e tornou a todos um repórter em potencial, fazendo as relações entre cidadão e veículos de comunicação algo interativo e bilateral. Atualmente, observamos pessoas engajadas e capazes de contestar diretamente as versões oficiais e da grande mídia.
Podemos também considerar as manifestações de junho do ano passado como o primeiro levante de massas nacional que teve a internet como seu articulador mais importante. Os eventos eram organizados e discutidos pelas redes sociais, os ativistas pediam ainda as pessoas que morassem próximas aos locais de ocorrência dos atos que liberassem a internet pra que o fluxo de informação rua x redes fosse contínuo e em tempo real.
Desta discussão que aqui reportamos tivemos como debatedores Beá Tibiriçá, socióloga e integrante do Coletivo Digital. Pablo Capilé, um dos principais expoentes da rede Fora do Eixo, e Renato Rovai, jornalista e editor-chefe da Revista Fórum.
Beá abriu a mesa nos fazendo refletir sobre os movimentos de massa do ano passado e ressaltou a necessidade de uma visão abrangente sobre o tema, algo que fuja de qualquer esquema simplificador. Nos lembrou que uma característica preponderante dos levantes contemporâneos é a horizontalidade, a ausência de líderes. Avaliou também que a vontade dos jovens é o aprofundamento democrático, uma aproximação cada vez maior à democracia direta.
Rovai interveio analisando o quadro político de forma mais abrangente. Falou sobre a transição do caráter industrial de nossa sociedade para o da informação. Ponderou que a crise de representação de nosso atual sistema político se dá por distorções que o poder econômico tem produzido nos processos. Concluiu então que a reforma política é urgente no sentido de incluir aqueles que não se sentem representados.
Capilé, por sua vez, começou sua participação dizendo que a eleição de Lula trouxe aos cidadãos das cidades esquecidas a sensação do “é possível”. Disse também que a liderança de Gilberto Gil no Ministério da Cultura foi ímpar porque descentralizou as iniciativas de produção de mídia e cultura. Analisou que as manifestações do ano passado balizaram-se na questão da mobilidade urbana da desmilitarização da polícia na crise de representação política e na crise de narrativa da velha mídia.
Estas ricas visões sobre os novos caminhos e formas de fazer política e mídia nos dão ótimos recursos para repensar a atuação da sociedade civil e da blogosfera no processo político nacional. Continuemos engajados, sempre visando o aprofundamento democrático e a inclusão social.
