Rússia coloca estação espacial internacional sobre a mesa em resposta à sanções de Washington

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A ameaça da Rússia de se separar do projeto sobre a estação espacial internacional mostra como estão distantes e como se deterioraram as relações entre Moscou e Washington. Foto: AP

Via The Guardian, tradução de Giovanni G. Vieira

Moscou diz que vai rejeitar pedido dos EUA para prolongar a vida da ISS para além de 2020, em retaliação às sanções de Washington.

A Rússia lançou dúvidas sobre o futuro a longo prazo da Estação Espacial Internacional, um projeto de cooperação pós-guerra fria, uma vez que ela retaliou na terça-feira contra as sanções dos EUA sobre a Ucrânia.

O vice-primeiro ministro do país, Dmítri Rogózin, disse que Moscou iria rejeitar um pedido dos EUA para prolongar o uso da estação para além de 2020, e proibir Washington de usar os motores dos foguetes de fabricação russa para lançar satélites militares.

Moscou tomou a iniciativa, que incluiu também a suspensão da execução de GPS locais do sistema de navegação por satélite no seu território a partir de junho, em resposta aos planos de Washington para negar licenças de exportação de produtos de alta tecnologia que poderiam ajudar os militares russos.

“Estamos muito preocupados em continuar a desenvolver projetos de alta tecnologia com um parceiro “tão confiável como os Estados Unidos, que politiza tudo”, disse Rogózin em entrevista coletiva.

Washington quer manter a estação internacional no espaço até pelo menos 2024.

A ameaça da Rússia de se separar de um projeto que deveria terminar a corrida espacial mostra como as relações estão distantes e se deteriorando entre os antigos rivais da Guerra Fria, desde que a Rússia anexou a Crimeia em março de 2014.

Desde o final do projeto do ônibus espacial dos EUA, a Soiúz tem sido a única maneira de astronautas poderem chegar à estação espacial, cuja tripulação inclui tanto americanos como russos.

Num momento em que Moscou está lutando para modernizar seu programa espacial, Rogozin disse que os planos dos EUA de negar licenças de exportação para alguns itens de oi-tech foram um duro golpe para a indústria russa.

Rogozin disse que Moscou estava planejando mudanças estratégicas em sua indústria espacial a partir de 2020 e tem como objetivo usar o dinheiro e os recursos intelectuais que agora vão para a estação espacial de um projeto “com mais perspectivas”.

Ele também sugeriu que a Rússia poderia usar a estação sem os EUA. “O segmento russo pode existir independentemente do americano. Os EUA não podem fazer o mesmo”, disse ele.

A Nasa está trabalhando com empresas para desenvolver táxis espaciais, com o objetivo de restaurar o transporte dos EUA para a estação em 2017. Os EUA pagam à Rússia mais de 60 milhões de dólares por pessoa, para que seus astronautas possam voar até a estação.

A reviravolta na Ucrânia, onde Washington diz que a Rússia apoia os separatistas e o Kremlin acusa os EUA de terem ajudado os manifestantes na derrubada de um presidente amigo de Moscou, fato ocorrido em fevereiro de 2014, levou à pior crise entre leste e oeste, desde a queda da União Soviética em 1991.

Além das sanções ao setor de alta tecnologia, os EUA impuseram proibições de vistos e o congelamento de bens de funcionários, políticos e empresas-chave ligadas ao presidente da Rússia, Vladímir Putin. A União Europeia também impôs sanções.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia disse na terça-feira que as últimas medidas da UE foram uma “abordagem exausta, banal”, que serviram apenas para aprofundar a discórdia e prejudicar os esforços para resolver a crise na Ucrânia.

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