
Rodrigo Vianna
Por Rennan Martins
O tempo passa, as eleições se tornam mais e mais próximas no horizonte político. Com isto, a linha de atuação e as estratégias dos candidatos ao palácio do planalto vão delineando e diferenciando entre si. É o xadrez eleitoral.
A eleição deste ano é peculiar pelo esvaziamento do debate político-econômico e pelo altíssimo grau do bombardeamento midiático. A promessa é que será uma das mais encarniçadas desde a abertura política.
As opções estão a mesa: a continuidade do projeto petista, com sua mescla de certas concessões ao mercado, incentivo ao consumo e atenção as camadas mais pobres. O retorno a abordagem tucana de diminuição do Estado, ampla abertura comercial e inserção subserviente do Brasil na economia mundial. E por fim a proposta da chapa PSB/Rede, que defende uma suposta nova política, a qual sinaliza mais concessões ao mercado que o atual governo, clamando em concomitante por um retorno ao lulismo.
Destas três abordagens, as duas primeiras são bastante claras. Eduardo e Marina permanecem em certa ambiguidade por conta de contradições internas e também pela polarização PT/PSDB. Mais por vir.
Este cenário moveu nossos colaboradores ao debate reproduzido abaixo. Dele participaram André Luís, economista e funcionário do BNDES, Gustavo Santos, de mesmos atributos, e um terceiro participante que prefere não se identificar, mas que, pela relevância das colocações não poderíamos deixar de incluir.
Confira:
Comentarista 1 - Eduardo ainda é pouco conhecido. Vai ter pouco tempo e meios para reverter isso, mas a campanha tucana ficou assustada com dois dados de pesquisas: a) Eduardo tem aparecido um pouco à frente de Dilma e Aécio entre os entrevistados que dizem conhecer bem os 3 candidatos; e b) quando os vices são citados a chapa Eduardo-Marina aparece na frente de Aécio (que não tem vice definido). Assim como a direção nacional do PT tentou de diversas formas evitar que Eduardo saísse candidato este ano, agora é a vez dos tucanos agirem para evitar que Aécio fique fora do segundo turno. O problema dos tucanos é que se Eduardo for para o segundo turno tenderão a apoiá-lo, mas sabem que se quem passar for o Aécio não receberão necessariamente o apoio de Eduardo nem do PSB. A disputa entre os dois vai ficar mais evidente nas próximas semanas, sendo que Eduardo tende a levar vantagem na reta final pelo raciocínio do “voto útil” de quem não quer a volta dos tucanos. Como Aécio não pode se indispor explicitamente com Eduardo e o PSB, a campanha tucana vai ter que se valer de manobras de bastidores. A dúvida é: será que a campanha do PT vai continuar agindo para sufocar a candidatura do PSB ou vai enxergar nela uma oportunidade de tirar Aécio do segundo turno e com isso enfraquecer o PSDB até ele virar um novo DEM?
André Luís - Concordo com sua análise, o Eduardo pode até apoiar o PSDB, mas acho difícil que a base pessebista largue o PT para apoiar Aécio. Minhas divergências com o Eduardo é com relação aos membros de sua equipe econômica, se não fosse isso poderia ser uma opção. Claro que se houver disputa sobre quem vai para o segundo turno entre ele e Aécio, eu voto nele para tirar o PSDB do segundo turno.
Comentarista 1 – Ameaçador à reeleição da atual presidente? Concordo. Daí o dilema da campanha do PT. Por um lado, é mais cômodo continuar usando o medo da volta dos tucanos como instrumento para manter a coesão dentro do partido e o apoio popular. Por outro lado, tirar os tucanos do segundo turno nacional (e, se possível, interromper o ciclo tucano no governo do estado de são paulo) é uma forma bastante efetiva de desarticular o principal foco neoliberal no Brasil contemporâneo.
Gustavo Santos – Ameaçador só se chegar no segundo turno. Ainda não. Não adianta desarticular o PSDB se o PSB quiser ocupar o mesmo espaço. Não quero com isso dizer que eles tem essa intenção. Mas não podemos dizer que isso está descartado das possibilidades dado as atuais circunstâncias. Concordo com você. O PT vive uma simbiose com o PSDB porque os erros de um são o principal cabo eleitoral e razão para votar no outro.
Precisamos de um terceiro partido para impedir que nossa política Seja apenas um campeonato para descobrir os erros dos outros. Um terceiro partido programático e ideológico.
Mas para que tenha sucesso esse terceiro partido teria que abraçar o nacionalismo porque o esquerdismo não nacionalista já é dominado pelo PT e o liberalismo pelo PSDB e DEM.
Pena que o Eduardo tenha abandonado essa grande chance de se destacar efetivamente e no momento perfeito Onde os outros partidos estão com a credibilidade abalada. E o PSB tinha esse DNA.
Agora a intelectualidade brasileira o considera apenas um oportunista, mas até o ano passado ele era considerado como um potencial estadista. Queimou capital político de décadas em um ano só para juntar muito fundo de campanha. Não consigo entender essa postura.
