A economia real e a economia publicada

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Por Ceci Juruá*

A direita cosmopolita está tentando divulgar na imprensa – com a CBN de porta bandeira – uma falsa imagem dos resultados da política macroeconômica do Governo brasileiro. No entanto, analisando-se corretamente o noticiário efetivo – isto é, não só o título, mas a matéria inteira – percebe-se a ausência de fundamentos concretos nas críticas dos políticos candidatos de oposição. Destaco abaixo alguns números e declarações que me parecem expressar melhor os resultados obtidos em áreas estratégicas. Minha posição, claro, é que os resultados obtidos entre nós só podem ser avaliados mediante comparação com nosso próprio passado recente e com os resultados de outros países. Isto é globalização.

Aspectos positivos no noticiário econômico da semana

Inflação

Gráfico sobre metas de inflação e resultados anuais obtidos, acaba de ser publicado no Valor de 2 a 4 de maio. No segundo governo FHC, a média da taxa de inflação entre 1999 e 2002, foi de 8,78% anuais. Do primeiro governo FHC é melhor nem falar, as taxas foram bem mais altas. No primeiro quadriênio Lula a média anual ficou em 7,67%, e no segundo quadriênio foi de 5,15%. Nos três primeiros anos do governo Dilma, tivemos média de 6,08%. Pergunta : quem controlou melhor a inflação desde 1999? Lula, Dilma, Lula e FHC, nesta ordem. Mais claro impossível.

Consumo x Investimento

Luiza Heleno Trajano, diretora-presidente do Magazine Luiza não tem dúvida. Diz: Não existe isso de termos uma coisa ou outra, é possível consumir e investir. A inadimplência já se estabilizou e caiu, e as pessoas já estão com contas mais organizadas. (idem, Valor 2 a 4 de maio)

Na mesma página, F3, Luiz Carlos Cappi, do Bradesco, declara que Hhá muita fervura nas expectativas, como se estivéssemos às vésperas de um desastre, no qual ele, Cappio, não acredita. Sobre o Brasil, ele é claro e se pronuncia: Na macroeconomia a política monetária está no lugar e a questão fiscal está sendo tratada com responsabilidade. Sobre o aumento de participação dos bancos públicos, Cappio também está tranquilo. Segundo suas declarações, aquela política de expansão do crédito atendeu a uma política anticíclica necessária em virtude da desaceleração da economia mundial.

Participação dos investimentos estrangeiros na dívida pública local, em percentual

Em artigo de Silvia Rosa e Antonio Perez, temos um gráfico com os percentuais que discrimino a seguir:

MÉXICO : 54,7 % PERU: 49,6 % MALÁSIA: 44,7 % POLÔNIA: 41,2 % HUNGRIA: 38,3 % INDONÉSIA: 33,6 % TURQUIA: 23,9 % RUSSIA: 22,2 %

Só depois desse conjunto de países é que aparece o BRASIL, com o informe de que aqui a participação dos estrangeiros na dívida pública interna é de 17,4 %.

Para concluir enfatizo declaração do presidente da Guiné, onde uma empresa liderada por investidor franco-israelense acaba de perder os direitos sobre concessões de mineração por supostas práticas de corrupção. Diz o presidente daquele país, Guiné, esperar fortemente que a companhia brasileira, Vale, participe da operação, já que ela não se envolveu em casos de corrupção.

*- Ceci Juruá. Economista e pesquisadora, doutora em políticas públicas, ex-professora universitária, Membro do Conselho Consultivo da Confederação Nacional de Trabalhadores Universitários (CNTU) de profissão regulamentada.

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