Festa no Vale do Anhangabaú (SP), 1º de maio de 2013. (Rede Brasil Atual/Reprodução)
Por Rennan Martins
Hoje, 1º de maio de 2014, o mundo encontra-se em comemorações, reflexões e luta no Dia Internacional dos Trabalhadores. Pertinente é, portanto, lembrarmos das raízes históricas deste feriado e ao mesmo tempo olharmos para o presente, para assim adquirir consciência do que já foi conquistado e do que ainda tem de ser, do cenário político e social atual e da situação da classe trabalhadora.
O primeiro de maio original, o evento histórico o qual posteriormente baseamos este dia, ocorreu em Chicago, Estados Unidos. Em 1886, no dia que aqui tratamos, 400.000 trabalhadores, sindicalistas anarquistas, entraram em greve, demandando 8 horas diárias de jornada de trabalho.
Dois dias depois ocorreu um ato público que contou com 6.000 pessoas. Este ato foi brutalmente reprimido. As forças policiais obrigaram os manifestantes a retornarem as fábricas, com a morte de um manifestante e dezenas de feridos.

Representação da explosão orquestrada contra os sindicais na Haymarket Square, Chicago, EUA. (Libcom/Reprodução)
Chocados com a violência com que foram tratados, os grevistas reuniram-se na noite seguinte na Haymarket Square para mais um protesto. O evento desenrolava-se ordenadamente, perto das 22 horas, chovia intensamente e as lideranças finalizavam o encontro com um público em torno de 200 pessoas. Foi quando um contingente policial de 180 homens chegou ao local com ordens de dispersão imediata, alguns momentos depois, uma bomba explodiu entre os policiais, foram 7 mortos e cerca de 70 feridos.
A escalada da tensão e do medo seguiu-se aos acontecimentos, potencializada pela propaganda da imprensa e da igreja. As autoridades rapidamente acusaram oito líderes sindicais (August Spies, Albert Parsons, Samuel Fielden, Adolph Fischer, George Engel, Michael Schwab, Louis Lingg e Oscar Neebe), 5 deles não estavam nem presentes no ato. Formou-se um júri composto por familiares das vítimas, empresários e religiosos ligados aos industriais.
As palavras finais do magistrado encarregado demonstram o caráter político do julgamento: “A lei está sob julgamento. A anarquia está sob julgamento. Estes homens foram selecionados, escolhidos pelo Grande Júri, e processados porque são os líderes. Estes não são mais culpados que as centenas de seus seguidores. Senhores jurados: condenem estes homens, façam deles exemplos, enforque-os e assim salvarão nossas instituições, nossa sociedade.”
Oscar Neebe foi condenado a 15 anos de prisão, os outros à forca. Parsons, Engel, Spies e Fischer chegaram ao final do corredor da morte. Louis Lingg cometeu suicídio um dia antes de sua execução. Em 1893, o governador Altgeld libertou os restantes, alegando que foram julgados sob “histeria, júris encomendados e um juiz comprometido”.
Sabe-se hoje que a explosão foi promovida por policiais em serviço do patronato industrial.
Toda esta retrospectiva nos é de suma importância para a exposição que se pretende. O Brasil tem seus oito operários. Possuímos um exemplo de um julgamento enviesado e duvidoso. Temos também nossa imprensa e sua atuação partidária que promove o medo e manipulação. Pormenorizo.
Nossos oito operários são os que morreram nas construções dos estádios para a Copa do Mundo. Um evento que está sendo preparado sob violações de direitos, desocupações e sujeição do Estado brasileiro à FIFA e suas corporações parceiras. Não podemos esquecer seus nomes: Fabio Hamilton da Cruz, Fábio Luiz Pereira, Ronaldo Oliveira, José Pita Martins, Marcleudo de Melo Ferreira, José Antônio da Silva Nascimento, Raimundo Nonato Lima da Costa, José Afonso de Oliveira Rodrigues.
O nosso julgamento duvidoso é o do tão falado mensalão petista. Os réus foram condenados na ausência de provas materiais, com o auxílio da Teoria do Domínio do Fato. Ives Gandra, jurista renomado e de posições políticas à direita, é de opinião que houve injustiças. O próprio criador da teoria, o jurista alemão Claus Roxin, considerou a aplicação do STF errônea. Sem esquecer da famigerada declaração da ministra Rosa Weber: “Não tenho prova cabal contra ele (José Dirceu), mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite”. Condenado no regime semi-aberto, Dirceu está há quase 6 meses no fechado.
A nossa imprensa conhecida como grande mídia está aí, diariamente promovendo o caos, o pessimismo e a calúnia com sua atuação. A política econômica é descredibilizada a despeito dos inegáveis avanços ocorridos. Os inimigos políticos destes meios são caluniados e tem suas reputações assassinadas sem uma base concreta para tal ação. Temos jornalistas de opinião que promovem o justiçamento, incitam e justificam a violência só praticada contra ladrões de galinha.
Olhando para trás, seria até desonesto negar que houve melhoras e conquistas dos trabalhadores, porém, a situação atual exige mobilização e engajamento.
O primeiro de maio é antes um dia de luta que um dia de festejo.
