Arquivo mensais:abril 2014

CPI contra a corrupção? É o pré-sal, estúpido!

Da Federação Única dos Petroleiros – FUP

A cerrada campanha com que a mídia partidarizada vem sangrando a Petrobras nas últimas semanas segue incólume, sem as devidas reações por parte dos gestores da empresa. Além das disputas eleitorais que movem a oposição, sabemos que o arsenal de ataques contra a Petrobras tem por trás interesses muito maiores: acabar com o regime de partilha que fez da estatal a operadora única do maior campo de petróleo da atualidade. “É o pré-sal, estúpido!”, como diria o marqueteiro de Bill Clinton, que nas eleições norte-americanas de 1992, resumiu a vitória dos democratas com uma frase ácida que tornou-se célebre em todo o mundo: “É a economia, estúpido!”.

A última edição da revista Veja não deixa dúvidas sobre as reais intenções da campanha que tenta desmoralizar a gestão estatal da Petrobras, visando sua privatização. “Como o PT está afundando a Petrobras” é a matéria de capa da revista, cuja linha editorial é claramente tucana. Detalhe: o presidente da editora Abril, Fábio Barbosa, foi conselheiro da Petrobras entre 2003 e 2011 e um dos que mais defendeu na época a compra da refinaria de Pasadena.

O senador Aécio Neves (PSDB/MG), o principal articulador da campanha contra a Petrobras, também reafirmou aos empresários paulistanos suas intenções em relação à empresa: “Acredito que as concessões são a melhor forma de atrair investimentos”, declarou no dia 31 de março durante um almoço no Grupo de Líderes Empresariais.

Provável candidato tucano à Presidência da República, Aécio já havia defendido o regime de concessão para o pré-sal em outubro do ano passado, após o leilão de Libra. “A Petrobras não terá condições, sei lá, sequer de participar com os 40% devidos desse leilão de agora, como poderá pensar em participar daqui a dois anos, se fosse necessário, estratégico para o Brasil fazer outros leilões?”, discursou na época no Plenário do Senado.

FHC é outro tucano que voltou a defender publicamente as privatizações do seu governo. Em artigo recente, ele conclama a oposição a “tomar à unha o pião dos escândalos da Petrobras”, “reafirmando a urgência de mudar os critérios de governança das estatais”.

É por essas e outras que precisamos alertar a sociedade e o povo brasileiro para as reais intenções dos setores conservadores que atacam a Petrobras, inclusive por dentro da empresa, tentando retomar a agenda neoliberal que nos anos 90 sucateou e privatizou parte considerável da estatal. A Petrobras é e continuará sendo estratégica para o desenvolvimento do país. Não podemos permitir que sangrem um dos maiores patrimônios do povo brasileiro. Defender a Petrobras é defender o Brasil!

 

 

 

STF marca julgamento da ação penal contra o ex-presidente Collor

Por André Richter, via Agência Brasil

 

 

Acusado por crimes praticados durante o mandato presidencial, Collor vai a julgamento 22 anos depois do impeachment (Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Reprodução)

O Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para o dia 24 de abril o julgamento da ação penal que envolve o senador Fernando Collor (PTB-AL), acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) dos crimes de peculato e corrupção passiva. As acusações referem-se ao período em que Collor foi presidente da República, entre 1991 e 1992, ano do impeachment que marcou o final do seu governo.

A denúncia contra o ex-presidente foi recebida pela Justiça de primeira instância em 2000 e chegou ao STF, em 2007. O processo foi distribuído para o ministro Menezes Direito, mas com a morte do magistrado, em 2008, o processo passou para relatoria da ministra Cármen Lúcia.

Em novembro do ano passado, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao STF rapidez no julgamento da ação penal. Devido à demora do Judiciário para julgar o caso, a acusação por falsidade ideológica já prescreveu. “Para os crimes de peculato e de corrupção passiva, o prazo prescricional pela pena mínima já foi superado, de modo que, no entender do Ministério Público, é preciso conferir prioridade ao caso em tela”, afirmou Janot.

De acordo com denúncia apresentada pelo MPF, foi instaurado no governo do ex-presidente Collor “um esquema de corrupção e distribuição de benesses com dinheiro público” em contratos de publicidade. Segundo o órgão, o esquema envolvia o ex-presidente, o secretário particular da Presidência e empresários.

Os procuradores relatam que o esquema consistia no pagamento de propina de empresários aos agentes públicos para que eles saíssem vencedores em licitações de contratos de publicidade e propaganda com o governo. De acordo com o MPF, valores eram depositados em contas bancárias em nome de laranjas.

Na defesa apresentada no processo, os advogados de Collor negaram as acusações e afirmaram que a denúncia do Ministério Público apresenta falhas. Segundo a defesa, o órgão fez a acusação sem apontar os atos que teriam sido praticados pelo ex-presidente.

“Não fora bastante a falta de mínimo suporte probatório que sustente a imputação, a denuncia é também omissa na descrição da conduta que pretende atribuir ao acusado a fim de ter pretensamente concorrido para a suposta fraude nos procedimentos licitatórios que teria propiciado a alegada prática de peculato. A acusação em momento algum descreve qual foi a atuação do então presidente na realização das referidas licitações ou por que meio teria influenciado seu resultado a fim de propiciar a transferência ilícita de recursos públicos para terceiros”, afirmou a defesa.

Rússia deve aderir ao sistema de pagamentos chinês

Reuters / Barry Huang / Reprodução

Via RT

Por volta de 2018 a China será o maior cliente da Rússia em recursos energéticos, com um enorme montante em troca entre os países. Por isso, é conveniente a Rússia que esta se beneficie do China’s Union Pay System (Sistema Unificado de Pagamentos Chinês, numa tradução livre), Andrew Leungm um especialista chinês, conversou com a RT.

Visa e MasterCard acumularam 85% do mercado global de transações em 2013. Quais são as implicações disso para o resto do mundo?

Andrew Leung: Se olharmos para as transações em dinheiro, reparamos que estas são dominadas por empresas e governos ocidentais. Isto, é claro, se dá porque o dólar americano permanece supremo em termos de credibilidade. Nesta análise, devemos considerar também que os maiores bancos e bolsas de valores se encontram nas economias ocidentais. Este quadro tem mudado nos últimos tempos por conta da China estar se tornando o maior comerciante do mundo e o renminbi começa a prevalecer sobre o euro como a moeda mais corrente. Em termos de transações, de remessas de valores e uso de cartões de crédito, o Sistema Unificado de Pagamentos Chinês é hoje o terceiro maior do mercado. De fato, esta fatia do mercado é só uma pequena fração em comparação com Visa e MasterCard, mas com 7,7%, já representa o dobro do montante da Aerican Express. Em termos de transação por valores é hoje o segundo do mundo. É um sistema solidamente estabelecido. Sabemos que a Rússia está tentando iniciar um sistema de pagamentos doméstico, porém, por conta do pequeno volume que representaria e da baixa representatividade de sua economia no quadro mundial frente a China, poucas pessoas na Rússia creem ser este empreendimento viável. Pelas razões expostas, está aberta a oportunidade de uma parceria entre a Rússia e a China, ou ao menos da adesão da Rússia ao sistema de pagamentos chinês.

Os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) tem considerado a criação de um sistema independente feito por suas próprias instituições financeiras a fim de enfraquecer a supremacia do dólar. Isto é possível em sua opinião?

AL: Penso que é possível, ainda mais se considerarmos o quadro pós crise ucraniana. Neste momento, enquanto a crise se desenrola não há dúvida de que no futuro muitos países europeus serão dependentes dos recursos energéticos russos, ao mesmo tempo, é óbvio que os EUA pretendem exportar gás de xisto à Europa. Parece que o governo russo já está a parte desta situação, ainda mais considerando que o primeiro protocolo do novo presidente chinês (Xi), foi dirigido à Moscou. Os dois países, Rússia e China, já assinaram um acordo que triplica a energia exportada da Rússia aos chineses. No futuro, em 2018, a China será o maior consumidor da energia russa em todo o mundo. Esta relação comercial já é imensa e por isso requer um sistema de pagamentos. Analisando estas transações e sua tendência futura, faz sentido o uso do sistema chinês de pagamentos.

Há uma clara vantagem no uso de um único sistema de pagamentos internacional por conta da facilidade e rapidez com que flui o dinheiro. O sistema chinês encontra-se isolado?

AL: É claro que a China usa diversos sistemas, como o Swift por exemplo, no caso de pagamentos internacionais, e o sistema europeu para liquidações na Europa. A China é o maior comerciante do mundo, portanto é inevitável sua penetração na economia global, no mercado financeiro e nos sistemas de pagamento. Porém, estamos desenvolvendo nosso próprio sistema de pagamentos, que é o Union Pay.

Qual é a vantagem de possuir um sistema de pagamentos nacional? Isso não desestimula investimentos estrangeiros?

AL: Se estamos falando de investimentos no sistema, mais que em investimentos no país, então é claro que o Union Pay é hoje o segundo maior em volume e terceiro em fatia do mercado no mundo, mesmo estando muito atrás de Visa e MasterCard. O mundo, por sua vez, tem se tornado mais multipolar, diferentes regiões e blocos de comércio se desenvolvem, exemplo disso é a UnAsia, ASEAN+3, ASEAN+1, também temos os parceiros do Transatlântico e Transpacífico, a China tem desenvolvido blocos de transações regionais por conta própria, por isto creio ser conveniente a essas diversas regiões que tenham seus próprios sistemas de pagamento. Este é um desenrolar natural num mundo multipolar que emerge.

Tradução: Rennan Martins

Ucrânia: Escalada da violência pode chegar à guerra civil

Manifestantes construíram barricadas ao redor de prédio governamental que ocupam em Donetsk, no leste da Ucrânia (Opera Mundi/Reprodução)

A polarização acelera sem perspectivas de solução democrática na Ucrânia. As instituições sobreviventes ajoelham perante a truculência neonazista. O governo golpista de Kiev afunda na própria ilegitimidade.

Relatório Sitrep, via The Vineyard of the Saker

A situação na Ucrânia mudou rapidamente, para pior.

  • Dois candidatos à presidência, do leste do país, foram atacados ontem pelos fascistas de Kiev (‘camisas marrons’). Mikhail Dobkin escapou só com tinta e farinha jogados contra ele, mas há notícias de que um guarda-costas foi ferido. E Oleg Tsarev, severamente espancado, salvou-se por um triz de ser linchado por gente do Setor Direita. Mas nada disso impedirá o “ocidente democrático” de concluir que as eleições sempre serão “livres e democráticas”.
  • Um grupo de ativistas do Setor Direita cercou o prédio do Parlamento em Kiev, acusaram o regime atualmente no poder de indecisão e incompetência por ainda não terem atacado o leste da Ucrânia. O Setor Direita quer armas para “fechar a fronteira com a Rússia e dar cabo da insurreição no leste”.Depois de algumas negociações, deram ao suposto “presidente” o prazo de 24 horas para aceitar todas as suas exigências. Iulia Tymoshenko parecia apavorada; parece que declarou que o Setor Direita deve assumir imediatamente o poder.
  • Agora já não há dúvidas de que começou a operação “antiterroristas”. Várias cidades e pelo menos um aeroporto no leste foram atacadas por forças pró-regime de Kiev. Há notícias de combates em vários pontos da região.
  • Enquanto isso, EUA e União Europeia preparam nova rodada de sanções contra a Rússia.
  • Lavrov, ministro de Relações Exteriores da Rússia, disse que, se o regime de Kiev usar de violência, as conversações marcadas para 5ª-feira, em Genebra, serão inúteis.
  • Putin telefonou a Obama e eles tiveram o que os diplomatas descrevem como “franca e animada troca de ideias”.
  • Está confirmado: o vídeo do suposto “Tenente-coronel russo” é falso. Foi feito por membro do Partido UDAR de Klitchko.

Parece que depois de alguns dias de confusão e caos, o regime de Kiev e seus patrocinadores ocidentais resolveram tentar resolver o problema pela força bruta.

A estratégia maximalista de “sem conversas; só violência” faz pleno sentido com a prática usual dos EUA e o currículo dos neonazistas de Kiev. Por alguns dias, houve indícios de que talvez pudesse acontecer alguma negociação real. Mas agora parece que já descartaram a ideia, a favor de ataque violento.

 

Ah, sim, claro! A recente visita do diretor da CIA a Kiev (já admitida pelo governo dos EUA) absolutamente nada teve a ver com isso. Claro. Com certeza.


Agora, muito dependerá da força com que os fascistas contem, para esse ataque.

Pessoalmente, duvido muito que o objetivo de pacificar o leste da Ucrânia seja alcançável. Os doidos podem derrubar uma cidade, ou duas, mas a possibilidade de derrotar todas é meta praticamente inexequível – sobretudo se tiverem de avançar de cidade a cidade, com o tempo correndo.

Além do mais, e ainda que o Kremlin não deseje ser posto nessa situação, tenho certeza de que os militares russos intervirão, caso o banho de sangue se torne massivo.

Estou começando a ter a sensação de que os militantes do 1% ocidentais concluíram que uma guerra civil na Ucrânia e/ou uma intervenção russa pode ser melhor opção que uma Ucrânia democrática e federalizada.

Dentro da lógica e do sistema de valores distorcidos deles, podem estar certos: há cada dia mais sinais de que um referendo ou qualquer chance democrática possa ser usado para que o leste da Ucrânia separe-se do país. E assim, pela via anglo-sionista tradicional, concluíram: “se não pode ser minha, queimamos tudo.”

A ideia de que a Ucrânia se possa converter em outro Afeganistão, contudo, é extremamente simplória. O Afeganistão era país unido exclusivamente em torno de uma força: o ódio ao ocupante estrangeiro.

Além do mais, as tropas soviéticas que lutaram lá estavam oficialmente cumprindo seu “dever internacionalista”, não estavam defendendo o próprio povo ou a própria terra. Mesmo assim, a União Soviética ocupou, sim, todo o Afeganistão, o que significa ocupar vasta área hostil. Estou absolutamente convencido de que os russos não organizarão operação militar para parar no rio Dniepr (e quem, na Rússia ou no leste da Ucrânia, precisa condenar-se a viver “dividindo o teto” com neonazistas?)


Por fim, e ao contrário do mito dominante, os militares soviéticos foram bastante bem sucedidos no Afeganistão, e só saíram de lá porque Gorbachev e o povo russo entenderam que seria sem sentido, além de absolutamente imoral, invadir outro país. Em outras palavras, os soviéticos saíram do Afeganistão por uma questão política, não pelo valor da resistência afegã, que não conseguiu manter-se nem três anos em Cabul depois da saída dos soviéticos.

Na Ucrânia, diferente do Afeganistão, tudo que os militares russos terão de fazer é varrer as forças envolvidas na repressão contra o leste; e deixar que os locais assumam o comando. Não é muito diferente do que os russos fizeram na Geórgia: eliminaram as forças armadas georgianas, ajudaram o pessoal de Ossetia Sul e Abkhazia a organizar-se, retiraram-se e reconheceram a soberania das duas repúblicas.

Outra via possível para os militares russos é engajar-se em ataque curto, mas potente, contra instalações chaves e unidades envolvidas no golpe contra o leste da Ucrânia e, na sequência, deixar que os locais organizem sua “República de Donetsk”, ou “Novorossia” ou seja lá o nome que queiram dar, e reconhecer o novo estado independente. Nenhuma dessas alternativas era sequer remotamente possível no Afeganistão. Portanto, a conversa de “um novo Afeganistão para a Rússia” não passa de delírio desejante que as elites ocidentais inventaram para elas mesmas.

A próxima semana será crucial, e o resultado do conflito será decidido, provavelmente, nos próximos dias. Permaneçam sintonizados.

Com pena de Sheherazade? Leva pra casa

Raquel Sheherazade, que nessa posição, retrata bem o papel que exerce com suas opiniões (Pragmatismo Político/Reprodução)

Por Paulo Nogueira, via DCM

Não poderia ter sido mais bizarra a maneira encontrada por Sílvio Santos para lidar com o caso Sheherazade.

Nem mandou embora e nem manteve tudo igual.

Ela continua no SBT, mas para ler apenas o que escrevem, e não para gritar teatralmente suas opiniões arquiconservadoras.

Foi um prêmio de consolação para Sheherazade, que mesmo numa mudez parcial continuará a receber seus 90 mil reais mensais.

Foi, também, uma vitória da civilização, porque houve consequências para a abjeta incitação ao crime feita por Sheherazade ao elogiar os delinquentes que amarraram um jovem negro a um poste.

Sobraram as lamúrias falaciosas de Sheherazade e súditos segundo as quais a liberdade de expressão foi agredida.

Ora, liberdade de expressão absoluta não existe. Ou então poderíamos, por exemplo, dizer que foi injustiçado o apresentador do SBT do Paraná que chamou dias atrás um jogador de macaco.

A melhor definição para os limites da liberdade de expressão veio, no passado, de um juiz americano.

Suponha, disse ele, que numa sessão de cinema lotada alguém irrompesse e gritasse “fogo” no auditório.

Seria um caos com consequências imprevisíveis.

E se o autor do berro invocasse depois a liberdade de expressão? Foi esta a especulação que o juiz fez, para chegar à conclusão de que você não pode dizer tudo que quer.

O arranjo que Sílvio Santos encontrou para Sheherazade é obviamente provisório. Para ela, não é satisfatório, a longo prazo, se limitar ao papel de apresentadora.

E para o SBT, em algum momento, vai ficar claro que é um salário muito alto para alguém que apenas lê o texto do telejornal.

Mas por ora a situação é satisfatória.

Com o silêncio parcial de Sheherazade, ou a voz restrita, Silvio Santos consegue mitigar o risco de ver crescer a discussão em torno dos 150 milhões de reais por ano que o SBT recebe em verbas publicitárias do governo.

Tanto dinheiro assim para promover justiçamentos e crime?

Quanto a Rachel Sheherazade, vale para ela o que ela disse para sobre o jovem acorrentado.

Você que a admira está com pena? Leva pra casa, então. Adota.

Eduardo Campos e Marina lançam candidatura prometendo ‘nova política’

Reprodução/Facebook/Eduardo Campos

Por Najla Passos, via Carta Maior

Ambos reiteraram que o que os une é um compromisso programático, embora do programa, ainda em construção, muito pouco tenha sido, de fato, divulgado.

 

A coligação PSB-Rede-PPS-PPL colocou fim às especulações, nesta segunda (14), ao confirmar Eduardo Campos e Marina Silva como candidatos a presidência da república e a vice, respectivamente. Durante o “ato político-cultural” de lançamento, no Hotel Nacional, em Brasília, ambos reiteraram que o que os une é um compromisso programático, embora do programa, ainda em construção, muito pouco tenha sido, de fato, esclarecido.

Campos criticou duramente a política econômica da presidenta Dilma sem explicar como fará diferente, apesar da insistência da imprensa. Também afirmou que irá aumentar a busca ativa de beneficiários do Bolsa Família. Só não esclareceu como. Reafirmou sua intenção de reduzir o número de ministérios pela metade. Porém, apertado pelos jornalistas, não deixou claro se os cortes serão feitos na área social, como se cogita.

O candidato garantiu que não distribuirá cargos para amealhar apoio político e se comprometeu a deixar os partidos fisiologistas na oposição. Segundo ele, é passada a hora do país dar um basta nos partidos que amargam décadas no poder, em clara alusão ao PMDB. “Chegou a hora do Brasil pegar o fisiologismo, o patrimonialismo e a velha política e mandar para a oposição, porque, na oposição, eles não sobrevivem”, incitou.

Questionado pela imprensa se é possível governar o país sem coligações, saiu pela tangente. “Pode-se fazer pactuação pelo programa, e não por distribuição de cargos”. E quando encurralado a explicar melhor se as coligações que fez para se eleger governador se diferem das que Dilma firmou para se eleger presidente, insistiu no mantra. “Sim, porque foram feitas em cima de programas que foram cumpridos, tanto que fui reeleito com 83% dos votos”, afirmou.

Interrogado sobre como irá contornar as diferenças ideológicos do PSB e da Rede em relação à questão energética, em particular, precisou contar com a ajuda de Marina para sair da saia justa. “Nós fizemos um grande esforço e o que vai orientar a coligação é o que está no programa”, afirmou a pré-candidata, como se este já estivesse pronto e fosse de conhecimento público.

Campos tentou explicar como espera promover a transferência dos quase 20 milhões de votos obtidos por Marina na última eleição para a sua candidatura, que registra em média 8% das intenções, segundo as últimas pesquisas, enquanto ela, que portava 12% em outubro, depois que se uniu a ele só aglutina cerca de 7%.

As pesquisas indicam que 73% quer mudanças, mas o povo ainda não sabe o candidato, o partido, o programa e o número que representará essa mudança. Isso só vai acontecer quando a campanha ganhar as ruas”, justificou.

Claro e cristalino, mesmo, só ficou a estratégia que pretende usar para se destacar na campanha: isolar o governo Dilma dos dois outros mandatos petistas, comandados pelo ex-presidente Lula, do qual tanto ele quanto Marina fizeram parte. “Mais do que um gerente, o Brasil precisa de uma liderança”, afirmou. E na coletiva à imprensa, tentou detalhar os motivos. “De 2010 para cá, o Brasil está andando de outra forma. Veja a política macroeconômica, as medidas de proteção ambiental”, justificou.

Apoios registrados

A variedade de matizes ideológicas dos convidados de honra exibia os mais conhecidos rostos da oposição ao governo Dilma no parlamento, à exceção dos parlamentares do PSOL, que lançaram o senador Ranolfe Rodrigues (AP) como candidato próprio, e da dobradinha PSDB-DEM, que fecharam em torno de um outro neto de político famoso, o tucano Aécio Neves (MG).

Além de parlamentares dos partidos da coligação, como os deputados do PSB Alfredo Sirkis (RJ), Romário (RS) e Luíza Erundina (SP), além dos senadores João Capiberibe (PSB-AM) e Roberto Freire (PPS-SP), estavam lá protocolando apoio vários parlamentares do PDT, como os senadores Pedro Taques (MT) e Cristovam Buarque (DF), e os deputados Miro Teixeira (RJ). Do PMDB, segundo principal partido da base governista e merecedor das criticas do próprio Campos, compareceram Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcelos (PE).

O aclamado escritor Ariano Suassuna, presidente de honra do PSB, também foi ao evento dar sua mensagem de apoio. Da mesma forma que o pianista Arthur Moreira Lima, filiado ao PSB, que tentou brindar a plateia com um recital erudito, comprometido pela má qualidade do som.

Não se sabe se por incapacidade de organização ou para se valer da velha estratégia de marketing, o espaço escolhido, com capacidade para mil pessoas, não comportava o público presente, o que deu ares ao evento de sucesso maior do que o esperado: pessoas se aglomeravam em pé ou sentadas no chão. O problema é que o ar condicionado não dava vazão e o humor dos presentes começou a declinar bem antes do encerramento da longa cerimônia.

No início do evento, foi lançada a carta de princípios da coligação que, segundos os candidatos, também irá orientar o programa futuro:

• Intensificar e aprimorar o diálogo com os diversos setores da sociedade, em parceria com os partidos aliados, para a elaboração do programa de governo;

• Motivar e mobilizar a população e todos os demais partidos na defesa do Brasil e da causa democrática, acima de divergências e da competição eleitoral.

• Buscar um realinhamento das forças políticas que historicamente demonstraram compromisso com a democracia, a soberania nacional, a justiça social e a cidadania e a defesa do meio ambiente, em torno de uma agenda estratégica para o desenvolvimento sustentável do país;

• Apoiar as iniciativas que estimulem o debate democrático sobre temas de interesse nacional de empenhar esforços para participar dessas iniciativas;

• Rejeitar todas as práticas que possam provocar o desgaste dos demais candidatos à Presidência da República, como os ataques pessoais nas ruas, nos meios de comunicação ou na internet;

• Aliar-se às iniciativas em defesa de uma campanha eleitoral limpa, que promova o necessário debate entre propostas e evite o embate estéril entre os concorrentes;

• Dar transparência e visibilidade às ações e à prestação de contas, nos meios de comunicação da campanha e em novos instrumentos tecnológicos a serem criados para esse fim;

• Buscar o envolvimento permanente e intenso da militância, dos simpatizantes, dos movimentos sociais e do variado ativismo socioambiental brasileiro para realizar uma campanha inovadora, interativa, participativa e colaborativa, que estimule os compromissos sociais com o programa de governo.

 

O dólar podre, a União Europeia e o jogo do poder

Por Adriano Benayon

Os juros altos no Brasil e em outros países sugados – inclusive através de suas dívidas públicas, alimentadas pela composição de juros e juros sobre juros – não repele, mas, ao contrário, atrai o dólar fajuto, que realiza também, além da receita de juros, ganhos de capital, quando as moedas dos países vitimados se valorizam, com a entrada desses dólares.

Mais uma: o Banco Central Europeu (BCE) não emite euros com a mesma liberdade que o FED emite dólares, uma das travas que a oligarquia angloamericana implantou na União Europeia, quando a permitiu, no Tratado de Maastricht, juntamente com a limitação dos déficits públicos dos países-membros e a proibição de o BCE emprestar aos tesouros dos países-membros (só empresta a bancos, até parece o Brasil, em conformidade com o entreguista art. 164 da Constituição).

É para isso que estão convidando a já dilacerada Ucrânia. Como disse o jornalista Pepe Escobar, a perspectiva que a UE oferece a ela é transformá-la em algo que faria a Grécia parecer o jardim da Cinderela.

Como você aprecia as referências históricas, lembremo-nos do grande estadista, General De Gaulle, o que exigiu o pagamento em ouro dos dólares acumulados nos superávits comerciais com os EUA e que levou Nixon a dar grande calote, em 1971, (termo que os poodles liberaloides só empregam quando a dívida é de países periféricos, vítimas do conto de vigário da “comunidade financeira internacional”).

De Gaulle, que não misturava ideologia com política externa, fez profética advertência, por cuja não-observância a França e o restante da Europa estão pagando caro: a entrada do Reino Unido na Comunidade equivaleria à do cavalo de Troia em Troia.

O diretório anglo-americano que tutela a própria Alemanha, vista incorretamente, por muitos, como potência independente, impôs as condições de Maastricht como preço para autorizar a reunificação alemã, após a queda do muro de Berlim. Assim, uniu o útil ao agradável: acabar com o comunismo no Leste da Europa e cobrar da Europa por isso.

Realmente, estamos num momento decisivo, em que se testa a entrada da multipolaridade com a possibilidade de Rússia, China, Irã, Índia e países da Ásia Central fazerem acordo monetário para valer que dispense o dólar.

A China, em vez de chorar com a desvalorização de suas reservas de mais de um trilhão de dólares, poderia ir aproveitando, como provavelmente já venha fazendo em escala crescente, para comprar mais ativos no exterior.

Não dá para esperar que o Brasil faça o mesmo com suas reservas, sequer para nacionalizar patrimônios locais desnacionalizados, porque não existe poder sem armas e sem infra-estrutura e estrutura para produzi-las autonomamente a curto prazo.