Por Bruno Galvão
Talvez a característica geográfica mais importante seja a grande distância entre a capital dos dois países. Nenhum outro país fronteriço a distância entre duas capitais é tão grande quanto a da China e da Rússia. A distância entre Pequim e Moscou é de 5822 Km, diferença não tão menor do que entre Moscou e Nova York (7500 km).
Acho que não se pode entender a relação entre a Rússia e a China sem compreender a ambivalência de dois países fronteiriços com capitais tão distantes.
Essa distância têm grandes significados: você pode pensar nisso em termos de raça, cultura, história. Qual é a relação histórica entre os dois países antes do século XX? Tem vários aspectos positivos serem distantes: a não ter uma rivalidade histórica fundamental (além da divergência durante a guerra fria). Por outro lado, a proximidade das fronteiras seria muito positivo em caso de guerra e de transferência de matérias-primas de alto custo de transporte (água e gás natural) em tempos de paz.
Diferenças entre a densidade demográfica. Isso é gritante, por exemplo entre o nordeste da China e o sul do extremo leste. A densidade demográfica da província mais ao norte da China é de 84 habitantes por quilometro quadrado, enquanto a da província russa de Vladvostok, com clima bem mais ameno que a província chinesa, é de menos de 2 habitantes por quilometro quadrado. A Manchuria tem 4,5 vezes a população da Sibéria inteira. Talvez esse seja o maior medo da Rússia: que a China queira colonizar o Extremo Oriente.
Outra questão importante é a diferença de capacidade industrial e de recursos naturais. A China é uma potência industrial e tem uma capacidade de geração de divisas capaz minimizar as perdas econômicas de uma eventual embargo financeiro e comercial à Rússia (claro que se a China quiser apoiar a Rússia). A maior vulnerabilidade da China é limitação de recursos naturais e os problemas ambientais. Ambos podem ser diminuídos com o apoio da Rússia recebendo as atividades mais poluidoras para dentro do seu território altamente rico em água e com muito espaço para diluir os impactos ambientais que superconcentrados na China estão destruindo o solo, os rios e deixando o ar insalubre.
