Marchinhas de carnaval: Atuais desde 1954

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O fantasma do racionamento volta a assombrar a população brasileira (Bahia Comenta/Reprodução)

Por Rennan Martins

A cultura popular brasileira e suas marchinhas de carnaval são emblemáticas quanto a irreverência e a crítica política. Estamos em 2014 e quando olhamos para letras que já fazem 60 anos, percebemos o quão atuais e pertinentes elas continuam.

A sabedoria do povo, avessa a conceitos “objetivos” e tecnocráticos, diagnostica muito bem as mazelas que enfrenta e as transforma em versos. A despeito do discurso neoliberal que nos empurra goela abaixo que tudo que é privado é eficiente, podemos notar nas letras destas duas marchinhas a falta de veracidade dessa afirmação.

Este ano o estado de São Paulo enfrenta uma grave crise de escassez de água e o Brasil volta a ser assombrado pelo fantasma do racionamento de energia. Enquanto isto, a Sabesp distribui grandes dividendos a seus acionistas e os leilões de energia do “livre mercado” vendem megawatts a preço de banana.

Nos versos que deixo abaixo, fica a crítica a abordagem mercadológica dada a recursos tão importantes quanto a água e a luz.

Acende a vela (1954)

“Acenda a vela, Iaiá

Acende a vela

Que a Light cortou a luz

No escuro eu não vejo aquela

Carinha que me seduz.

 

Ó seu inglês da Light

A coisa não vai all right

Se com uísque não vai não

Bota cachaça no ribeirão.”

 

Café Soçaite (1955)

 

“Rio de Janeiro

Cidade que nos seduz

De dia falta água

De noite falta luz.

 

Abro o chuveiro

Não cai nem um pingo

Desde segunda

Até domingo.

 

Eu vou pro mato

Ai! pro mato eu vou

Vou buscar um vagalume

Pra dar luz ao meu chatô.”

Uma ideia sobre “Marchinhas de carnaval: Atuais desde 1954

  1. JOSÉ GERALDO

    Meu blog está desatualizado, mas, por favor, visite-o se tiver tempo. Quanto ao momento crítico de falta d´água e energia elétrica, gostei das suas referências, e lembraria mais duas músicas de carnaval antigas, mas mais do que atuais: “Tomara Que Chova” (Três dias sem parar/A minha grande mágoa/É lá em casa/Não ter água nem pra cozinhar…); e “Lata D´Água” (Na cabeça/Lá vai Maria…)

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